Crescimento de fatores de risco entre
adultos jovens preocupa especialistas; demora no atendimento ainda compromete
recuperação do paciente
O
Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, continua
sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo.
Mas um movimento tem chamado a atenção de especialistas nos últimos anos: o
aumento de casos em pacientes mais jovens e a demora no reconhecimento dos
sintomas, mesmo diante de sinais clássicos da doença.
A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) faz um alerta para a
importância da conscientização sobre os fatores de risco e, principalmente,
sobre os primeiros sintomas do AVC, já que o tempo entre o início dos sinais e
o atendimento médico pode ser decisivo para reduzir sequelas e salvar vidas.
Dados divulgados pela Agência Brasil, com base em levantamentos
nacionais de saúde, mostram que uma pessoa morre por AVC a cada seis minutos no
país. Entre 2019 e 2024, o Brasil registrou mais de 85 mil internações
relacionadas à doença, com custos hospitalares superiores a R$910 milhões.
Além do impacto sobre idosos, médicos observaram um crescimento
preocupante entre adultos jovens. Informações do Ministério da Saúde apontam
que as internações por AVC em pessoas com até 39 anos cresceram cerca de 59% na
última década.
Segundo especialistas, fatores como hipertensão arterial,
obesidade, sedentarismo, tabagismo, estresse crônico, má alimentação, diabetes,
colesterol elevado e uso de álcool e drogas têm contribuído diretamente para
esse cenário. “O AVC ainda é muito associado ao envelhecimento, e isso faz com
que muitos sinais sejam ignorados em pacientes jovens. Hoje, vemos pessoas de
30, 40 anos chegando aos hospitais com quadros graves, muitas vezes após
demorarem para procurar atendimento por não imaginarem que poderiam estar
sofrendo um AVC”, afirma Dra. Vanessa Milanese, Diretora de Comunicação da SBN
e neurocirurgiã.
A especialista explica ainda que existem dois tipos principais da
doença: o AVC isquêmico, causado pela obstrução de vasos sanguíneos no cérebro
e responsável pela maior parte dos casos, e o AVC hemorrágico, provocado pelo
rompimento de vasos cerebrais, geralmente associado a quadros mais graves.
Nos pacientes mais idosos, o AVC costuma estar relacionado ao
envelhecimento vascular e ao acúmulo de doenças crônicas ao longo da vida. Já entre
os mais jovens, os médicos observam maior influência de hábitos de vida
inadequados, hipertensão não diagnosticada, uso de substâncias ilícitas,
cigarros eletrônicos e altos níveis de estresse.
“Existe uma falsa sensação de proteção entre pessoas mais jovens.
Muitas pessoas convivem com pressão alta, diabetes ou alterações
cardiovasculares sem qualquer acompanhamento médico. Em alguns casos, o AVC
acaba sendo o primeiro grande sinal de que havia um problema silencioso
acontecendo”, alerta a neurocirurgiã.
A SBN destaca que o reconhecimento rápido dos sintomas continua
sendo um dos maiores desafios no combate à doença. Fraqueza ou dormência em um
lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender frases, assimetria facial,
perda repentina da visão, tontura, dificuldade de equilíbrio e dores de cabeça
súbitas e intensas estão entre os principais sinais de alerta. Ainda assim,
muitos pacientes demoram para procurar atendimento por acreditarem que os
sintomas são passageiros ou pouco graves.
“O AVC é uma emergência médica. Existe uma janela de tempo
extremamente importante para iniciar o tratamento e reduzir danos cerebrais.
Quanto mais rápido o paciente chega ao hospital, maiores são as chances de
recuperação e menores os riscos de sequelas permanentes”, explica Dra Vanessa.
Além das consequências físicas, especialistas também chamam
atenção para os impactos emocionais, sociais e financeiros provocados pela
doença. Muitos pacientes passam a conviver com limitações motoras, dificuldades
cognitivas e afastamento das atividades profissionais, exigindo longos períodos
de reabilitação.
Dados nacionais mostram ainda crescimento constante dos custos
hospitalares relacionados ao AVC, acompanhando o aumento das internações nos
últimos anos. Para a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, ampliar a
informação sobre prevenção e diagnóstico precoce é essencial diante do avanço
da doença em diferentes faixas etárias.
“A população precisa entender que o AVC não escolhe idade. A
informação salva vidas. Reconhecer os sintomas rapidamente e buscar atendimento
imediato pode mudar completamente o prognóstico do paciente”, finaliza a
especialista.
A entidade reforça que a prevenção continua sendo a melhor estratégia. Controlar pressão arterial, diabetes e colesterol, praticar atividade física regularmente, manter alimentação equilibrada, evitar cigarro e consumo excessivo de álcool, além de realizar acompanhamento médico periódico, são medidas fundamentais para reduzir os riscos.
Sociedade Brasileira de Neurocirurgia - SBN
portalsbn.org
Instagram sbn.neurocirurgia
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