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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Endometriose impacta vida sexual de até 80% das mulheres e afeta relações afetivas

Doença vai além da dor pélvica, compromete a intimidade, a saúde mental e ainda enfrenta diagnóstico tardio
 

Apesar de atingir cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, a endometriose ainda é subdiagnosticada e cercada de desinformação. Conhecida principalmente pelas cólicas intensas e pela possível relação com infertilidade, a doença também provoca impactos importantes na vida sexual, na autoestima e nos relacionamentos, comprometendo a qualidade de vida de muitas pacientes. 

Estudos científicos mostram que entre 30% e 50% das mulheres com endometriose relatam dor durante a relação sexual, condição conhecida como dispareunia, segundo revisão publicada na revista BMC Women’s Health. Em muitos casos, esse impacto é ainda mais amplo: até 80% das pacientes afirmam que a doença prejudica a vida sexual e mais da metade evita relações devido à dor, de acordo com pesquisa do International Journal of Environmental Research and Public Health. Além disso, a pesquisa também mostra que 67% das mulheres evitam relações sexuais por causa da dor e 68% relatam sofrimento sexual significativo.

“A dor na relação não é normal e precisa ser investigada. Muitas mulheres convivem com esse sintoma por anos sem diagnóstico, o que afeta não apenas o corpo, mas também a autoestima e os vínculos afetivos”, explica a Dra. Kátia Piton Serra, ginecologista e professora da São Leopoldo Mandic. 

A dispareunia, como é conhecida a dor durante o ato sexual, pode estar associada a formas mais profundas da doença e costuma vir acompanhada de outros sintomas, como dor pélvica crônica, alterações intestinais e fadiga. Com o tempo, a repetição da dor pode levar a um impacto emocional importante, interferindo diretamente na forma como a mulher vivencia a própria sexualidade. 

“Quando a dor passa a ser recorrente, é comum que o cérebro comece a antecipar esse desconforto, criando um ciclo de evitação e ansiedade. Isso pode afetar o desejo sexual, a conexão com o parceiro e até desencadear quadros de ansiedade ou depressão”, explica a Dra. Letícia Amici, psiquiatra e professora da São Leopoldo Mandic. 

Segundo as especialistas, o tratamento da endometriose deve ir além do controle dos sintomas físicos. “É fundamental uma abordagem multidisciplinar, que inclua acompanhamento psicológico e, em alguns casos, orientação sexual. O cuidado precisa ser integral, olhando para a qualidade de vida da paciente como um todo”, reforça a ginecologista.
 

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

  • Dor durante a relação sexual
  • Cólica intensa e incapacitante
  • Dor pélvica fora do período menstrual
  • Alterações intestinais ou urinárias no ciclo menstrual

O diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão da doença e reduzir seus impactos na vida pessoal, emocional e nos relacionamentos das pacientes.

 

São Leopoldo Mandic



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