Doença vai além da dor pélvica,
compromete a intimidade, a saúde mental e ainda enfrenta diagnóstico tardio
Apesar de atingir cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade
reprodutiva, a endometriose ainda é
subdiagnosticada e cercada de desinformação. Conhecida principalmente pelas
cólicas intensas e pela possível relação com infertilidade, a doença também
provoca impactos importantes na vida sexual, na autoestima e nos
relacionamentos, comprometendo a qualidade de vida de muitas pacientes.
Estudos científicos mostram que entre 30% e 50%
das mulheres com endometriose relatam dor durante a relação sexual,
condição conhecida como dispareunia, segundo revisão publicada na revista BMC Women’s Health. Em muitos casos, esse impacto é ainda
mais amplo: até 80% das pacientes afirmam que a doença prejudica a vida sexual e
mais da metade evita relações devido à dor, de acordo com
pesquisa do International Journal of Environmental
Research and Public Health. Além disso, a pesquisa também mostra que 67% das mulheres evitam
relações sexuais por causa da dor e 68% relatam sofrimento sexual
significativo.
“A dor na relação não é normal e precisa ser investigada. Muitas
mulheres convivem com esse sintoma por anos sem diagnóstico, o que afeta não
apenas o corpo, mas também a autoestima e os vínculos afetivos”, explica a Dra.
Kátia Piton Serra, ginecologista e professora da São Leopoldo Mandic.
A dispareunia, como é conhecida a dor durante o ato sexual, pode
estar associada a formas mais profundas da doença e costuma vir acompanhada de
outros sintomas, como dor pélvica crônica, alterações intestinais e fadiga. Com
o tempo, a repetição da dor pode levar a um impacto emocional importante,
interferindo diretamente na forma como a mulher vivencia a própria sexualidade.
“Quando a dor passa a ser recorrente, é comum que o cérebro comece
a antecipar esse desconforto, criando um ciclo de evitação e ansiedade. Isso
pode afetar o desejo sexual, a conexão com o parceiro e até desencadear quadros
de ansiedade ou depressão”, explica a Dra. Letícia Amici, psiquiatra e
professora da São Leopoldo Mandic.
Segundo as especialistas, o tratamento da endometriose deve ir
além do controle dos sintomas físicos. “É fundamental uma abordagem
multidisciplinar, que inclua acompanhamento psicológico e, em alguns casos,
orientação sexual. O cuidado precisa ser integral, olhando para a qualidade de
vida da paciente como um todo”, reforça a ginecologista.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
- Dor durante a relação sexual
- Cólica intensa e incapacitante
- Dor pélvica fora do período menstrual
- Alterações intestinais ou urinárias no ciclo menstrual
O diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão da
doença e reduzir seus impactos na vida pessoal, emocional e nos relacionamentos
das pacientes.
São Leopoldo
Mandic
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