Diabetes que surge de forma inesperada, perda de
peso sem explicação e dor persistente nas costas podem ser sinais da doença
Perda
de peso sem motivo aparente, alterações recentes no controle da glicemia e
dores persistentes nas costas ou no abdômen podem parecer sintomas comuns do
dia a dia, mas também podem ser sinais de câncer de pâncreas, um dos tumores
mais agressivos e difíceis de diagnosticar precocemente. Diferentemente de
outros tipos de câncer, a doença não possui um exame de rastreamento de rotina
para a população geral, o que faz com que muitos casos sejam descobertos apenas
em fases avançadas.
Segundo
estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o período de 2026 a
2028, o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano e cerca de
13.240 novos casos de câncer de pâncreas por ano. Apesar de representar uma
parcela menor entre os tumores mais incidentes, a doença segue entre as
neoplasias de maior letalidade devido ao diagnóstico frequentemente tardio.
Embora
o câncer de pâncreas continue sendo mais comum em idosos, estudos publicados
recentemente apontam crescimento proporcional da incidência em adultos abaixo
dos 50 anos, especialmente nas faixas entre 15 e 39 anos. Pesquisadores avaliam
possíveis associações com obesidade, fatores metabólicos, mudanças no estilo de
vida e melhora dos métodos diagnósticos1.
Segundo
Cristovam Scapulatempo Neto, diretor Médico de Patologia e Genética do Delboni,
da Dasa, um dos principais desafios é justamente reconhecer sinais que muitas
vezes são confundidos com problemas gastrointestinais ou metabólicos comuns.
“Conhecido
como um 'inimigo silencioso', o câncer de pâncreas costuma evoluir sem sintomas
evidentes nos estágios iniciais. Isso acontece porque o órgão está localizado
em uma região profunda do abdômen, atrás do estômago, dificultando a percepção
precoce de alterações clínicas. Muitas vezes o paciente só procura ajuda quando
percebe perda de peso importante, dor persistente ou icterícia, que é o
amarelamento da pele e dos olhos. Outro sinal que merece atenção é o diabetes
de início recente, especialmente em adultos sem histórico familiar da doença ou
obesidade”, explica o especialista.
Sintomas
como perda de apetite, sensação de estômago constantemente cheio, fadiga e
dores nas costas também podem estar associados ao tumor.
Combinação de exames de imagens e laboratoriais
Sem
um exame preventivo universal, o diagnóstico depende da avaliação clínica e da
combinação de exames de imagem e laboratoriais. A tomografia computadorizada é
considerada o principal método inicial de investigação, enquanto a ressonância
magnética auxilia na análise detalhada dos ductos biliares e do fígado. Já a
ecoendoscopia, procedimento que combina endoscopia e ultrassom, é hoje uma das
ferramentas mais precisas para identificar tumores pequenos e realizar
biópsias.
A
genética também desempenha papel importante. Pessoas com histórico familiar de
câncer de pâncreas ou portadoras de síndromes hereditárias específicas podem
precisar de protocolos individualizados de acompanhamento. Entre as mutações
associadas ao aumento de risco estão alterações nos genes BRCA1, BRCA2, PALB2,
ATM e CDKN2A, além da síndrome de Lynch e da pancreatite hereditária.
Nesse
contexto, exames genômicos e painéis genéticos vêm ganhando relevância na
identificação de pacientes com maior predisposição à doença. A análise
molecular pode auxiliar médicos tanto na definição de estratégias de
rastreamento individualizado quanto na tomada de decisão terapêutica em alguns
casos de câncer pancreático já diagnosticado.
Apesar
da relevância dos fatores genéticos, hábitos de vida continuam tendo forte
impacto no desenvolvimento da doença. O tabagismo é considerado o principal
fator de risco evitável para o câncer de pâncreas, seguido pela obesidade e pelo
consumo excessivo de álcool.
“O
alcoolismo crônico pode provocar pancreatite crônica, que aumenta
significativamente o risco de câncer pancreático. A prevenção continua sendo
uma ferramenta importante, especialmente por meio do combate ao tabagismo, controle
do peso corporal e redução do consumo de álcool”, conclui o diretor Médico da
Dasa.
Mitos e Verdades sobre o Câncer de Pâncreas
|
Quem deve conversar com o médico sobre rastreamento
individualizado?
Pessoas
com:
- histórico familiar de câncer de pâncreas
- mutações genéticas como BRCA1, BRCA2, PALB2 e ATM
- síndrome de Lynch
- pancreatite hereditária
- síndrome de Peutz-Jeghers
- síndrome FAMMM (CDKN2A)
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