A menstruação, embora seja um fenômeno biológico
natural que atravessa a vida de bilhões de mulheres, ainda permanece cercada
por silêncio, estigma e negligência. Ao longo dos séculos, o corpo feminino foi
excluído dos centros de produção de conhecimento, o que gerou lacunas
importantes na compreensão da saúde das mulheres. 
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Nesse
cenário, garantir o respeito ao ciclo menstrual é também uma questão de
dignidade e cidadania. Não se trata apenas de acesso a absorventes, mas do
direito à informação, ao cuidado em saúde adequado e ao reconhecimento da
menstruação como parte legítima da experiência humana.
Durante
décadas, a ciência adotou o corpo masculino como padrão, deixando de lado as
especificidades hormonais femininas. Esse histórico contribuiu para erros de
abordagem, tratamentos inadequados e para a ideia de que o ciclo menstrual
seria um incômodo a ser eliminado e não um sinal importante de saúde.
Hoje,
cresce a compreensão de que o ciclo menstrual funciona como um indicador do
bem-estar físico e emocional. Ignorar suas alterações é também negligenciar
sinais importantes do corpo. Ao mesmo tempo, a chamada pobreza menstrual ainda
é uma realidade: muitas meninas e mulheres seguem sem acesso a itens básicos de
higiene, o que impacta diretamente sua permanência na escola, no trabalho e na
vida social.
Falar sobre
dignidade menstrual exige olhar para três pilares principais. O primeiro é o
acesso: garantir produtos adequados e infraestrutura mínima. O segundo é a
educação: compreender o corpo e seus ciclos é fundamental para o
desenvolvimento da autonomia e do autocuidado. E o terceiro é o enfrentamento
dos tabus, já que o estigma ainda impede que o tema seja tratado com
naturalidade.
Quando a
menstruação é silenciada, o corpo feminino também é. Por isso, tornar esse
assunto visível é um passo essencial para transformar a relação das mulheres
com seus próprios corpos e com a sociedade. 
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Promover a
dignidade menstrual é, acima de tudo, reconhecer que o corpo feminino não deve
ser ocultado, corrigido ou ignorado, mas compreendido, respeitado e
acolhido. Só assim será possível avançar para uma realidade em que meninas e
mulheres vivam seus ciclos com mais autonomia, informação e cuidado.
Berenice Shakti - fisioterapeuta pélvica, especialista em saúde pélvica e sexualidade, além de autora dos livros “O Diário de Adelaine” e “Cartas para Adelaine”
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