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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Menopausa no frio: temperaturas baixas podem agravar sintomas físicos e emocionais

Com a chegada dos dias mais frios do outono e a aproximação do inverno, mulheres podem perceber uma intensificação dos fogachos, além de piora no sono, no humor e nas dores articulares

 

Os primeiros dias mais frios do ano já começam a mudar a rotina dos brasileiros e, para muitas mulheres, também trazem impactos diretos no corpo e no bem-estar. Embora a menopausa seja frequentemente associada às ondas de calor, sintomas como insônia, ressecamento da pele e da região íntima, alterações de humor e dores articulares também costumam se tornar mais perceptíveis nesta época do ano. 

Segundo a ginecologista Dra. Daniella Campos, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, as oscilações de temperatura típicas do outono e da aproximação do inverno podem provocar mais desconforto em mulheres no climatério e na menopausa. 

De acordo com a especialista, fatores como clima seco, menor exposição solar e mudanças bruscas de temperatura, somados às alterações hormonais características dessa fase, podem favorecer a percepção de piora de sintomas físicos e emocionais, impactando diretamente a qualidade de vida. Embora muitas mulheres relatem agravamento dos sintomas durante os períodos mais frios, a intensidade dessa relação pode variar individualmente e ainda é tema de discussão na literatura científica. 

Ainda que os fogachos - ondas súbitas de calor intenso - continuem sendo uma das principais queixas femininas, os dias frios também podem estar associados a sintomas silenciosos que comprometem a saúde e a rotina das mulheres.

 

Mudanças de temperatura afetam a regulação do corpo

Durante a menopausa, ocorre uma queda importante na produção de estrogênio, hormônio responsável por diferentes funções do organismo, incluindo a regulação térmica, a saúde da pele, das articulações e o equilíbrio emocional. 

Com as oscilações de temperatura comuns do outono, manhãs frias, tardes mais quentes e noites geladas, o organismo tende a sofrer ainda mais para manter o equilíbrio térmico. 

“O corpo da mulher na menopausa já apresenta uma sensibilidade maior às alterações de temperatura. Nessa época do ano, é comum observarmos piora dos fogachos, mais episódios de suor noturno e desconforto térmico, principalmente durante a madrugada”, explica Dra. Daniella Campos. 

A especialista destaca que ambientes fechados, excesso de roupas e banhos muito quentes também podem funcionar como gatilhos para as ondas de calor.

 

Sono pode ficar ainda mais irregular

As noites mais longas e frias também influenciam diretamente a qualidade do sono. Muitas mulheres na menopausa já convivem com dificuldade para dormir, despertares frequentes e sensação de cansaço constante, quadro que pode se tornar mais evidente nos meses mais frios. 

Isso acontece porque alterações hormonais associadas à menor exposição solar impactam neurotransmissores ligados ao sono e ao humor, como melatonina e serotonina. “Muitas pacientes relatam que começam a dormir pior justamente quando chegam os dias frios. Os fogachos noturnos interrompem o sono e isso gera um efeito em cascata, afetando energia, concentração, humor e disposição ao longo do dia”, afirma a médica.

 

Pele e região íntima sofrem com o clima seco

Outro efeito bastante comum nesta época do ano é o aumento do ressecamento da pele e das mucosas. A combinação entre baixa umidade do ar, banhos quentes e redução hormonal favorece irritações, coceiras e desconfortos. 

Na região íntima, o ressecamento vaginal pode provocar ardência, desconforto e dor durante as relações sexuais. “O ressecamento íntimo tende a ficar mais evidente no outono e no inverno. Muitas mulheres sentem mais desconforto nessa fase, mas acabam não procurando ajuda por acreditarem que é algo natural da idade”, alerta Dra. Daniella Campos.

 

Dores articulares se tornam mais frequentes

As dores nas articulações também podem se tornar mais perceptíveis durante os dias frios. Isso porque a redução do estrogênio está associada a alterações que podem impactar a saúde articular, enquanto as temperaturas mais baixas podem aumentar a sensação de rigidez muscular e desconforto. 

Apesar de muitas mulheres relatarem piora das dores articulares no frio, os mecanismos fisiológicos exatos dessa relação ainda não estão totalmente esclarecidos pela ciência, e as evidências sobre agravamento sazonal permanecem limitadas. 

Joelhos, mãos, coluna e quadris estão entre as regiões mais afetadas. “O frio provoca uma contração muscular maior e pode intensificar dores que já existem. Mulheres sedentárias ou que passaram pela menopausa recentemente costumam perceber ainda mais esses desconfortos”, explica a especialista.

 

Humor e bem-estar emocional também podem ser impactados

A chegada dos dias frios também influencia a saúde emocional. Menor exposição ao sol, alterações hormonais e piora do sono podem favorecer sintomas como irritabilidade, ansiedade, desânimo e oscilações de humor. 

Além disso, o cansaço físico causado pelas noites mal dormidas interfere diretamente na disposição e na qualidade de vida.

 

Como reduzir os impactos dos dias frios na menopausa?

Algumas medidas simples ajudam a amenizar os sintomas durante o outono e o inverno: 

• manter uma rotina regular de atividade física;

• reforçar a hidratação do corpo e da pele;

• evitar banhos excessivamente quentes;

• manter boa ingestão de água;

• buscar exposição solar diária;

• priorizar alimentação equilibrada;

• reduzir álcool e cafeína;

• manter acompanhamento ginecológico regular. 

Em alguns casos, tratamentos específicos e terapia hormonal podem ser indicados após avaliação médica individualizada.

 

Menopausa não deve ser enfrentada com sofrimento

Com o aumento da expectativa de vida, as mulheres passam cada vez mais tempo no período pós-menopausa. Por isso, a importância de olhar para essa fase com mais informação, acolhimento e cuidado. 

“A menopausa não deve ser encarada como um período de sofrimento inevitável. Hoje existem recursos considerados seguros quando bem indicados e individualizados, capazes de aliviar sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida da mulher em qualquer estação do ano”, conclui Dra. Daniella Campos. 

 

Dra. Daniella Campos Oliveira - ginecologista e obstetra, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo. Possui residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de São Paulo e especialização em Cirurgia Minimamente Invasiva. Também é especialista em Ultrassonografia Geral e em Ginecologia e Obstetrícia pelo IBCC, além de Ginecologia Regenerativa Funcional e Estética pela ABGRE. Sua formação e atuação são pautadas em cirurgia minimamente invasiva, implantes hormonais e em temas voltados à saúde integral da mulher.



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