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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Pesquisa Clínica: desvendando mitos e confirmando verdades

Especialistas do A.C.Camargo Cancer Center explicam como os estudos clínicos são conduzidos, quais os critérios de segurança e por que são importantes para o avanço do tratamento do câncer 

 

A pesquisa clínica é uma das etapas mais importantes para que novos medicamentos, terapias e estratégias de tratamento cheguem aos pacientes. Na oncologia, esse processo tem papel ainda mais relevante, já que ajudam a ampliar o conhecimento sobre diferentes tipos de tumor, avaliar novas possibilidades de cuidado e construir caminhos para tratamentos cada vez mais personalizados. 

No Brasil, a pesquisa clínica corresponde a cerca de 2,2% dos ensaios clínicos globais. Embora ainda seja uma participação modesta, esse cenário vem avançando com a atuação de centros especializados, equipes qualificadas e maior possibilidade de inclusão de pacientes em estudos. 

No A.C.Camargo Cancer Center, a pesquisa clínica faz parte do modelo integrado que une assistência, ensino, pesquisa e inovação. A instituição conduz estudos em diferentes frentes da oncologia, sempre seguindo protocolos científicos, normas éticas e exigências regulatórias nacionais e internacionais. 

“A pesquisa clínica permite que pacientes tenham acesso a estratégias inovadoras de tratamento, sempre dentro de critérios muito bem definidos, com acompanhamento próximo e segurança. Ela também amplia o impacto da instituição no avanço da oncologia, porque transforma perguntas da prática médica em conhecimento que pode beneficiar muitos outros pacientes”, afirma a Dra. Alessandra Sarti, gerente de Pesquisa Clínica do A.C.Camargo Cancer Center. 

Para a Dra. Mariana Brait, gerente sênior de Pesquisa e membro da Diretoria de Ensino, Pesquisa e Inovação da mesma instituição, o futuro da pesquisa clínica está diretamente relacionado à personalização do cuidado. “Caminhamos para compreender cada vez melhor as características de cada tumor e de cada paciente. Isso permite desenvolver tratamentos mais direcionados, com maior chance de benefício e menor exposição a abordagens que talvez não sejam as mais adequadas para aquele caso”, explica. 

Apesar de sua importância, a pesquisa clínica ainda é cercada por dúvidas. Muitos pacientes e familiares associam os estudos científicos à ideia de risco, falta de escolha ou ausência de alternativas terapêuticas. A seguir, Mariana Brait e Alessandra Sarti esclarecem alguns dos principais mitos e verdades sobre o tema.

 

1) “Participar de pesquisa clínica é ser cobaia?”

Mito - A participação em pesquisa clínica é regulada por um comitê de ética, que avalia, através de um colegiado de especialistas, o projeto e a sua segurança para os participantes. Somente após essa aprovação o estudo pode ser iniciado. Antes de ingressar, o paciente recebe todas as informações sobre o objetivo da pesquisa, os procedimentos previstos, os possíveis riscos, os potenciais benefícios e as alternativas disponíveis. 

Esse processo é formalizado por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, documento que deve ser lido, compreendido e assinado pelo paciente ou por seu responsável legal. A assinatura, no entanto, não representa uma obrigação definitiva: o paciente pode retirar seu consentimento a qualquer momento, sem prejuízo ao seu cuidado. 

“Esse é um medo muito comum. Mas a pesquisa clínica não é feita sem critério, nem sem proteção ao paciente. Existe um protocolo, uma equipe treinada, acompanhamento constante e uma estrutura ética que orienta todas as etapas”, afirma Mariana Brait.

 

2) “A pesquisa clínica só acontece quando não há mais opções de tratamento?”

Mito - Existem estudos clínicos voltados para diferentes momentos da jornada do paciente, desde fases iniciais da doença até contextos em que outras alternativas já foram utilizadas. A indicação depende do objetivo do estudo, do tipo de tumor, das características clínicas do paciente e dos critérios previstos no protocolo. 

Em alguns casos, pacientes podem ser convidados a participar de pesquisas quando já passaram por tratamentos anteriores. Em outros, os estudos podem avaliar novas combinações, novas estratégias ou abordagens mais personalizadas em etapas diferentes do cuidado.

 

3) “A pesquisa clínica pode trazer benefícios para os pacientes”

Verdade - A participação em um estudo clínico pode trazer benefícios, especialmente para pacientes que já passaram por linhas anteriores de tratamento e ainda precisam de novas possibilidades terapêuticas. Em alguns casos, quando uma molécula inovadora é avaliada e demonstra bons resultados, ela pode contribuir para melhor prognóstico ou melhor qualidade de vida. 

“A pesquisa clínica não ajuda apenas um paciente individualmente. Ela também ajuda pessoas diagnosticadas como ele, porque contribui para ampliar o conhecimento e melhorar os tratamentos no futuro”, ressalta Mariana Brait. 

O benefício, então, pode acontecer pelo acesso a uma estratégia inovadora, pela contribuição com dados comparativos ou pelo avanço do conhecimento científico.

 

4) “A pesquisa clínica contribui para a ciência”

Verdade - A pesquisa clínica é uma das bases para a evolução da medicina. Ela permite estudar tratamentos já existentes, avaliar o que pode ser aprimorado e desenvolver novas possibilidades de cuidado para o futuro. 

“A pesquisa clínica também pode surgir a partir de fármacos já existentes para determinadas indicações que, ao longo dos estudos, demonstram eficácia em outros tratamentos. Assim, uma mesma molécula pode ser investigada para diferentes patologias”, afirma Alessandra Sarti. “O propósito da pesquisa clínica no A.C.Camargo é a esperança.” Uma esperança construída com método, segurança e rigor científico.

 

5) “A pesquisa clínica começa nos estudos com o paciente”

Mito - Antes de chegar aos pacientes, uma nova terapia ou estratégia passa por etapas anteriores de investigação. Muitas pesquisas começam em laboratório, com estudos em células, modelos experimentais e avaliações pré-clínicas. Só depois de uma sequência de análises e aprovações é que um estudo pode avançar para a fase clínica. 

No caso dos ensaios com pacientes, cada etapa tem objetivos específicos. Os estudos podem avaliar segurança, dose, eficácia, comparação com tratamentos já existentes ou combinações terapêuticas. Tudo isso é definido previamente em um protocolo científico. 

“As pesquisas, em geral, nascem de perguntas importantes da prática médica. Observamos os pacientes, os tratamentos disponíveis e as lacunas que ainda precisam ser respondidas. A partir daí, a ciência busca caminhos para melhorar o cuidado”, explica Brait.


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