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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Muito além do infarto: hipertensão pode causar demência, falência renal e cegueira

Dia Mundial de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, doença crônica silenciosa que afeta cerca de 30% dos brasileiros, é celebrado em 17 de maio  

 

A hipertensão arterial é o principal fator de risco para a ocorrência de derrames e um dos principais para infartos, segundo especialistas da doença. Os danos vão muito além do coração e podem ser silenciosos, manifestando-se em diferentes órgãos do corpo. Entre as possíveis complicações estão demência e perda de memória, insuficiência renal, visão embaçada, podendo gerar até mesmo cegueira. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, no Brasil, 45% dos adultos entre 30 e 79 anos vive com hipertensão arterial, índice acima da média global (33%). Popularmente conhecida como pressão alta, a doença crônica silenciosa afeta cerca de 30% de toda a população brasileira, segundo estudo Instituto Nacional de Cardiologia (INC), vinculado ao Ministério da Saúde. 

O Dia Mundial de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 17 de maio, dá ainda mais destaque ao tema e traz alertas de profissionais, como o cirurgião cardiovascular da Hapvida, José de Lima Oliveira Júnior, especialista em transplante de coração. O médico destaca que os riscos da hipertensão vão muito além dos problemas cardíacos. 

“Quando falamos em pressão alta, a maioria das pessoas pensa no coração. Mas a hipertensão é uma doença sistêmica, ou seja, afeta o corpo inteiro. A pressão alta machuca os vasos sanguíneos de todos os órgãos”, explica. 

De acordo com o médico, além de ser um fator de risco para a ocorrência de Acidente Vascular Cerebral (AVC), a hipertensão impacta o cérebro de outras formas. “Quando a pressão vive alta, os vasos do cérebro vão ficando mais duros e frágeis. Isso aumenta o risco de entupirem ou romperem, causando o famoso derrame. Muita gente só descobre que tinha hipertensão depois de um AVC. Por isso, o controle da pressão é tão importante, mesmo quando você não sente nada”, orienta Oliveira. 

O especialista afirma que o prejuízo causado aos vasos do cérebro pode gerar pequenas lesões, silenciosas, que somadas ao longo dos anos aumentam o risco de demência e perda de memória. “Pessoas com pressão alta não tratada, diabéticos, fumantes, sedentários e idosos são mais vulneráveis a esse tipo de complicação cerebral”, completa.
 

Outras complicações 

Os rins também são órgãos afetados pela hipertensão. “Esses filtros [rins] sofrem bastante com a hipertensão. Com o tempo, podem perder função e levar à insuficiência renal, com necessidade de diálise e até transplante. A boa notícia é que controlar a pressão pode estabilizar e, em alguns casos, retardar o avanço do dano nos rins. Quanto mais cedo cuidar, melhor o resultado”, afirma o especialista. 

O cirurgião cardiovascular também alerta para os impactos da hipertensão sobre a visão, que podem gerar a retinopatia hipertensiva. “A pressão alta pode danificar os vasos sanguíneos da retina, a parte do olho responsável pela visão. O resultado é visão embaçada, perda de campo visual e, em casos graves, até risco de cegueira. E o mais perigoso é que isso muitas vezes acontece em silêncio”, aponta Oliveira.
 

Prevenção 

Mesmo com os riscos da doença, segundo o profissional da Hapvida, é possível controlar a hipertensão arterial e evitar seus efeitos mais profundos, para isso, é fundamental manter hábitos saudáveis e medir a pressão regularmente. 

“A hipertensão é comum, é perigosa, mas é possível de ser controlada. E controlar a pressão salva o coração, salva o cérebro, salva os rins, salva a visão, salva a vida. Medir a pressão regularmente, ter uma alimentação com menos sal, praticar atividade física, evitar cigarro, moderar o álcool e usar o remédio certo, do jeito certo, fazem toda a diferença”, assegura o médico. 

Entre os sintomas da doença que podem servir de alerta estão dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.
  
 

Hapvida

 

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