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sexta-feira, 22 de maio de 2026

VSR avança entre crianças e influenza A cresce entre adultos; especialista alerta para transmissão dentro das famílias

Pneumologista do Hospital Santa Catarina - Paulista alerta para hábitos que aumentam a transmissão de vírus respiratórios dentro de casa e orienta quando os sintomas podem indicar quadros mais graves


O Brasil já soma 63.634 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, segundo novo boletim InfoGripe/Fiocruz. O cenário chama atenção para o avanço simultâneo de diferentes vírus respiratórios no país: enquanto o vírus sincicial respiratório (VSR) mantém maior incidência entre crianças pequenas, a influenza A tem impulsionado o aumento das internações nas demais faixas etárias.
 

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, entre os casos positivos para vírus respiratórios, 44,5% foram associados ao VSR, 24,5% à influenza A e 24,4% ao rinovírus. Diante desse cenário, especialistas alertam que hábitos aparentemente inofensivos têm favorecido a transmissão dentro das próprias famílias, principalmente entre crianças, pais e avós. 

Segundo o pneumologista do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dr. Alberto Cukier, o principal erro está em manter convívio próximo com outras pessoas mesmo diante de sintomas gripais. O hábito favorece a transmissão em cadeia entre diferentes faixas etárias e representa um potencial risco para os mais vulneráveis ao contágio, como crianças e idosos. 

“É bem comum que crianças levem vírus da escola para casa e, na rotina das famílias, acabem sendo cuidadas pelos avós. Esse contato, embora natural, aumenta a possibilidade de transmissão para pessoas que estão fragilizadas e que podem desenvolver quadros mais graves, assim como amplia o raio de contaminação”, explica. 

Outro comportamento frequente é continuar a rotina normalmente mesmo estando doente. “Muitas pessoas continuam trabalhando gripadas ou circulando socialmente, sem proteção, o que aumenta a disseminação. São comportamentos que parecem inofensivos, mas têm impacto direto na alta dos casos nesta época do ano”, completa o pneumologista.


Circulação no ambiente familiar

Com a maior circulação simultânea de vírus respiratórios, o ambiente familiar se torna um dos principais locais de transmissão. Crianças em idade escolar costumam ser mais expostas aos vírus e podem transmitir a infecção para adultos e idosos, que apresentam maior risco de complicações. Além disso, ambientes fechados, pouca ventilação e o contato próximo favorecem ainda mais a disseminação de gripe e vírus. 

 

Quando é mais que uma gripe? 

Embora a maioria dos quadros seja leve e autolimitada, é fundamental estar atento à evolução dos sintomas. O especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista explica que, em geral, manifestações como dor de garganta, coriza, febre baixa e mal-estar tendem a melhorar em um ou dois dias com medidas simples, como repouso, hidratação e uso de antitérmicos. 

“Alguns sinais, no entanto, indicam a necessidade de avaliação médica. Quando o paciente apresenta falta de ar, chiado no peito, febre persistente ou piora progressiva após os primeiros dias, é recomendado procurar atendimento. Esses podem ser indícios de complicações, como pneumonia, que exigem investigação e, em alguns casos, até internação”, alerta o médico. 

Quem faz parte do grupo de maior risco, como idosos e pessoas com doenças respiratórias prévias (asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica - DPOC, por exemplo) devem redobrar a atenção. “Pessoas que já têm dificuldades respiratórias, tendência a ter falta de ar, desconforto ao fazer atividades, podem piorar se forem acometidas por qualquer um desses fenômenos infecciosos”, lembra. 

 

Alerta para o uso inadequado de antibióticos 

O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente antibióticos, é um ponto de atenção. “A maioria das infecções respiratórias nessa época é causada por vírus, e antibióticos não têm resultado nesses casos. O uso inadequado, além de não trazer benefício, pode causar efeitos colaterais e contribuir para a resistência bacteriana, um problema crescente de saúde pública”, destaca o Dr. Alberto Cukier. 

“Preciso comprar remédio, fazer uso de alguma medicação forte? A resposta é não. Em situações como dor de garganta, nariz escorrendo ou desconforto, a adoção de medidas caseiras, como lavagem nasal ou uso de antitérmico, já é suficiente. Fora isso, ficar em repouso e se manter hidratado e alimentado, seja com chá, canja, o que for natural. Medicação em excesso piora a situação e ajuda a mascarar sintomas”, pontua. 

 

O que de fato ajuda a prevenir 

Disponibilizada pelo SUS, a vacina contra a gripe é uma aliada nesta época. Ela contribui para a redução de casos e, principalmente, de formas graves da doença. “A população toda deveria se vacinar contra influenza. Mesmo que não impeça 100% a infecção, a vacina diminui a circulação do vírus e reduz significativamente o risco de complicações. Assim, conseguimos diminuir os quadros gripais”. 

O especialista recomenda aproveitar as campanhas anuais para manter a vacinação em dia e reforçar a proteção. Para além disso, intensificar medidas simples e já incorporadas durante a pandemia, como lavar ou higienizar as mãos com frequência, usar máscaras e, ao tossir ou espirrar, evitar que essas gotículas fiquem pelo ar e contaminem outras pessoas. Confira as orientações:

  • Manter a vacinação contra influenza em dia
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Higienizar as mãos com frequência
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
  • Utilizar máscara em caso de sintomas
  • Manter ambientes ventilados

 

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