Pneumologista do
Hospital Santa Catarina - Paulista alerta para hábitos que aumentam a transmissão de vírus
respiratórios dentro de casa e orienta quando os sintomas podem indicar quadros
mais graves
O Brasil já soma 63.634 casos de Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, segundo novo boletim InfoGripe/Fiocruz.
O cenário chama atenção para o avanço simultâneo de diferentes vírus
respiratórios no país: enquanto o vírus sincicial respiratório (VSR) mantém
maior incidência entre crianças pequenas, a influenza A tem impulsionado o
aumento das internações nas demais faixas etárias.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, entre os casos positivos para vírus respiratórios, 44,5% foram associados ao VSR, 24,5% à influenza A e 24,4% ao rinovírus. Diante desse cenário, especialistas alertam que hábitos aparentemente inofensivos têm favorecido a transmissão dentro das próprias famílias, principalmente entre crianças, pais e avós.
Segundo o pneumologista do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dr. Alberto Cukier, o principal erro está em manter convívio próximo com outras pessoas mesmo diante de sintomas gripais. O hábito favorece a transmissão em cadeia entre diferentes faixas etárias e representa um potencial risco para os mais vulneráveis ao contágio, como crianças e idosos.
“É bem comum que crianças levem vírus da escola para casa e, na rotina das famílias, acabem sendo cuidadas pelos avós. Esse contato, embora natural, aumenta a possibilidade de transmissão para pessoas que estão fragilizadas e que podem desenvolver quadros mais graves, assim como amplia o raio de contaminação”, explica.
Outro comportamento frequente é continuar a rotina normalmente
mesmo estando doente. “Muitas pessoas continuam trabalhando gripadas ou
circulando socialmente, sem proteção, o que aumenta a disseminação. São
comportamentos que parecem inofensivos, mas têm impacto direto na alta dos
casos nesta época do ano”, completa o pneumologista.
Circulação no ambiente familiar
Com a maior circulação simultânea de vírus respiratórios, o ambiente familiar se torna um dos principais locais de transmissão. Crianças em idade escolar costumam ser mais expostas aos vírus e podem transmitir a infecção para adultos e idosos, que apresentam maior risco de complicações. Além disso, ambientes fechados, pouca ventilação e o contato próximo favorecem ainda mais a disseminação de gripe e vírus.
Quando é mais que uma gripe?
Embora a maioria dos quadros seja leve e autolimitada, é fundamental estar atento à evolução dos sintomas. O especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista explica que, em geral, manifestações como dor de garganta, coriza, febre baixa e mal-estar tendem a melhorar em um ou dois dias com medidas simples, como repouso, hidratação e uso de antitérmicos.
“Alguns sinais, no entanto, indicam a necessidade de avaliação médica. Quando o paciente apresenta falta de ar, chiado no peito, febre persistente ou piora progressiva após os primeiros dias, é recomendado procurar atendimento. Esses podem ser indícios de complicações, como pneumonia, que exigem investigação e, em alguns casos, até internação”, alerta o médico.
Quem faz parte do grupo de maior risco, como idosos e pessoas com doenças respiratórias prévias (asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica - DPOC, por exemplo) devem redobrar a atenção. “Pessoas que já têm dificuldades respiratórias, tendência a ter falta de ar, desconforto ao fazer atividades, podem piorar se forem acometidas por qualquer um desses fenômenos infecciosos”, lembra.
Alerta para o uso inadequado de antibióticos
O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente antibióticos, é um ponto de atenção. “A maioria das infecções respiratórias nessa época é causada por vírus, e antibióticos não têm resultado nesses casos. O uso inadequado, além de não trazer benefício, pode causar efeitos colaterais e contribuir para a resistência bacteriana, um problema crescente de saúde pública”, destaca o Dr. Alberto Cukier.
“Preciso comprar remédio, fazer uso de alguma medicação forte? A resposta é não. Em situações como dor de garganta, nariz escorrendo ou desconforto, a adoção de medidas caseiras, como lavagem nasal ou uso de antitérmico, já é suficiente. Fora isso, ficar em repouso e se manter hidratado e alimentado, seja com chá, canja, o que for natural. Medicação em excesso piora a situação e ajuda a mascarar sintomas”, pontua.
O que de fato ajuda a prevenir
Disponibilizada pelo SUS, a vacina contra a gripe é uma aliada nesta época. Ela contribui para a redução de casos e, principalmente, de formas graves da doença. “A população toda deveria se vacinar contra influenza. Mesmo que não impeça 100% a infecção, a vacina diminui a circulação do vírus e reduz significativamente o risco de complicações. Assim, conseguimos diminuir os quadros gripais”.
O especialista recomenda aproveitar as campanhas anuais para
manter a vacinação em dia e reforçar a proteção. Para além disso, intensificar
medidas simples e já incorporadas durante a pandemia, como lavar ou higienizar
as mãos com frequência, usar máscaras e, ao tossir ou espirrar, evitar que
essas gotículas fiquem pelo ar e contaminem outras pessoas. Confira as
orientações:
- Manter a vacinação contra influenza em dia
- Evitar contato próximo com pessoas doentes
- Higienizar as mãos com frequência
- Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
- Utilizar máscara em caso de sintomas
- Manter ambientes ventilados
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