Especialista em emagrecimento e cirurgia bariátrica alerta para o impacto da obesidade no desenvolvimento de doenças associadas
Não
é incomum ter um familiar ou conhecido que já enfrentou episódios de cálculos
na vesícula biliar, popularmente conhecidos como pedras na vesícula. Os
cálculos, que são depósitos sólidos formados na vesícula biliar, podem provocar
inflamações (colecistite), pólipos e outras complicações. Já a doença da
vesícula biliar (DVB) é considerada uma patologia comum e de alta prevalência
global. De acordo com a literatura científica, a prevalência da doença na
população geral varia entre 10% a 20%, mas, o risco é significativamente maior em
indivíduos com excesso de peso. Para o cirurgião bariátrico Dr José Afonso
Sallet, o cenário exige atenção.
Segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade corresponde ao acúmulo
excessivo de gordura corporal e está associada a doenças como hipertensão,
diabetes, apneia do sono, problemas articulares, cálculos biliares e até alguns
tipos de câncer.
“A
obesidade deixou de ser uma questão apenas estética. Hoje sabemos que ela está
diretamente relacionada ao surgimento de diversas comorbidades, incluindo os
cálculos biliares. Precisamos ampliar esse debate e conscientizar a população
sobre os impactos do excesso de peso na saúde como um todo”, afirma José Afonso
Sallet.
Embora
o excesso de peso seja um importante fator de risco, especialistas reforçam que
o desenvolvimento da doença biliar também pode estar relacionado a fatores
genéticos, sedentarismo, alimentação hipercalórica, resistência à insulina, uso
de certos medicamentos e até mesmo a perda rápida de peso que pode
desequilibrar a concentração de bile.
“O
estilo de vida tem um papel importante nesse processo. Uma rotina marcada pelo
sedentarismo e pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados tende a
favorecer não apenas o ganho de peso, mas também o aparecimento de doenças associadas”,
explica Dr. Sallet.
Estudos
também sugerem relação entre a doença biliar e fatores ligados à obesidade,
como circunferência abdominal, níveis elevados de colesterol e Índice de Massa
Corporal (IMC), especialmente em mulheres com IMC acima dos 30.
A
fórmula do Índice de Massa Corpórea que relaciona peso e altura parece simples,
mas seus resultados ajudam a orientar importantes condutas médicas, desde
mudanças no estilo de vida até indicações de tratamentos clínicos ou
cirúrgicos. Dr Sallet lembra que a classificação tradicional auxilia no
primeiro diagnóstico, mas reforça que o olhar clínico individualizado faz toda
a diferença.
Abaixo de 18,5 —
abaixo do peso
18,5 a 24,9 — peso
considerado normal
25 a 29,9 —
sobrepeso
30 ou mais —
obesidade
Outro
ponto que chama a atenção do médico é o aumento da obesidade entre jovens e
adolescentes, somado ao uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento
sem acompanhamento médico adequado.
“Estamos vivendo uma época em que cada vez mais pessoas buscam soluções rápidas
para emagrecer. Mas, saúde exige acompanhamento, individualização e
responsabilidade. O tratamento da obesidade não deve ser encarado de forma
isolada ou simplificada, mas sim com seriedade e o apoio de uma equipe
transdisciplinar”, conclui Dr. Sallet.
Dr. José Afonso Sallet - Médico-Diretor do Instituto de Medicina Sallet- Depto de Cirurgia Bariátrica e Metabólica; Mestre em Cirurgia Digestiva- UNICAMP/ SP; Cirurgião de Excelência em Cirurgia Bariátrica e Metabólica conferido pelo Surgical Review Corporation (SRC®); Especialista e Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC); Médico-Diretor do Centro de Excelência em Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SRC®) do Hospital e Maternidade Vitória/SP; Especialista em Cirurgia Digestiva e Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD); Especialista em Cirurgia Laparoscópica e Cirurgia Endoscópica da Obesidade (CBCD); Titular da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (ASMBS); Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM); Titular da Federação Internacional de Cirurgia de Obesidade (IFSO); Titular da Sociedade Americana de Gastroenterologia e Cirurgia Endoscópica (SAGES); Coordenador do Protocolo Brasileiro do Balão Intragástrico no Ministério da Saúde do Brasil.
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