Calendário intenso, desgaste físico e
recuperação insuficiente ajudam a explicar crescimento de problemas musculares
e lesões graves no esporte profissional
O aumento no número de lesões entre jogadores de futebol de alto
rendimento tem preocupado especialistas da medicina esportiva e levantado
debates dentro e fora dos gramados. Em meio a calendários cada vez mais
apertados, excesso de jogos, viagens frequentes e menor tempo de recuperação,
atletas profissionais têm convivido com maior desgaste físico e maior risco de
lesões musculares, ligamentares e articulares.
Nos últimos anos, clubes brasileiros e internacionais passaram a
registrar afastamentos recorrentes de jogadores importantes ao longo da
temporada, especialmente por problemas musculares e lesões no joelho. Para
especialistas, o cenário reflete uma combinação de fatores que vai além do
acaso ou da intensidade natural do esporte.
Segundo o Dr. Ari Zekcer, referência nacional em cirurgia do
joelho e traumatologia esportiva, o futebol moderno exige cada vez mais do
corpo dos atletas, muitas vezes sem tempo adequado para recuperação física. “O
jogador de alto rendimento vive hoje uma exigência física muito maior do que há
alguns anos. O número de partidas aumentou, a intensidade do jogo cresceu e o
tempo de recuperação diminuiu. O corpo começa a dar sinais de sobrecarga”,
explica o especialista.
De acordo com estudos internacionais sobre medicina esportiva, a
fadiga muscular é um dos principais fatores associados ao aumento do risco de
lesões em atletas profissionais. O desgaste acumulado compromete a estabilidade
articular, coordenação motora e capacidade de resposta muscular, favorecendo
desde lesões musculares até rupturas ligamentares mais graves, como as do
ligamento cruzado anterior (LCA).
Além do calendário intenso, especialistas apontam que viagens
frequentes, mudanças constantes de rotina, pressão psicológica, noites mal
dormidas e retorno acelerado após lesões também influenciam diretamente no
aumento dos problemas físicos. “O atleta muitas vezes retorna antes do ideal
por pressão competitiva, necessidade do clube ou do calendário. Quando a
recuperação não acontece de forma completa, o risco de uma nova lesão ou até de
um problema mais grave aumenta significativamente”, afirma o Dr. Ari.
As lesões musculares seguem entre as mais frequentes no futebol
profissional, especialmente na região posterior da coxa, panturrilha e
adutores. Já entre as lesões ortopédicas mais graves, as de joelho continuam
sendo uma das principais preocupações devido ao longo tempo de afastamento e ao
impacto na carreira dos atletas. O especialista destaca ainda que o futebol
atual exige movimentos explosivos constantes, com acelerações, mudanças bruscas
de direção e alto contato físico, aumentando a sobrecarga sobre articulações e
musculatura.
Para reduzir os riscos, clubes têm investido cada vez mais em
monitoramento de carga física, fisiologia, análise biomecânica, controle de
recuperação muscular e estratégias individualizadas de treinamento. Ainda
assim, especialistas alertam que nenhum protocolo consegue eliminar
completamente os impactos de um calendário excessivo.
“O futebol ficou mais rápido, mais intenso e mais exigente
fisicamente. A medicina esportiva evoluiu muito, mas a prevenção depende também
do equilíbrio entre desempenho, recuperação e preservação da saúde do atleta”,
finaliza Dr. Ari Zekcer.
Dr. Ari Zekcer - referência nacional em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva, com 35 anos de experiência no tratamento de lesões ortopédicas, especialmente relacionadas à prática esportiva. É um dos pioneiros no país em transplante de menisco, cultura de condrócitos e uso de células-tronco para lesões da cartilagem, além de transplantes osteocondrais com enxertos de doação. Também atua na formação de especialistas, recebendo médicos para estágios em cirurgia do joelho. Possui especializações pela UNIFESP em Ortopedia e Traumatologia, Medicina Esportiva e Cirurgia do Joelho, formação em artroscopia nos Estados Unidos, MBA em Gestão em Saúde, pós-graduação e doutorado pela Santa Casa de São Paulo. Integra as principais sociedades científicas da área no Brasil e no exterior e é membro do grupo de especialistas em joelho do Hospital Israelita Albert Einstein.
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