| Matheus Campos Síndrome do Entardecer: Quadros de agitação, confusão mental e ansiedade se intensificam no fim da tarde e durante a noite |
Síndrome do Entardecer agrava desgaste de famílias e exige atenção no cuidado de pacientes com declínio cognitivo
Quadros de agitação, confusão mental e ansiedade que se intensificam no fim da
tarde e durante a noite podem ser sinais da chamada Síndrome do Entardecer,
condição comum em pessoas com demência, mas ainda pouco discutida fora do
ambiente médico. O problema impacta diretamente a qualidade de vida dos
pacientes e também provoca forte desgaste emocional e físico em familiares e
cuidadores.
Segundo
o médico de família e paliativista Dr. Gustavo Bruno Gonçalves, da Palliative
Care, o fenômeno, conhecido internacionalmente como “sundowning”, costuma
surgir principalmente em fases moderadas e avançadas da demência. “O paciente
pode apresentar aumento importante da confusão, irritabilidade, agitação e
alterações do sono nesse período do dia. Muitas vezes, a família acredita que
houve uma piora definitiva do quadro, quando, na verdade, existe um padrão
comportamental relacionado ao entardecer e ao período noturno”, explica.
Embora
seja mais associada à Doença de Alzheimer, a síndrome também pode ocorrer em
outros tipos de demência, como vascular, frontotemporal e por corpos de Lewy.
Entre os fatores que agravam os sintomas estão dor, infecções, constipação
intestinal, desidratação, ambientes escuros, excesso de estímulos e alterações
na rotina.
O
especialista alerta que muitas situações passam despercebidas porque idosos com
comprometimento cognitivo têm dificuldade de expressar desconfortos físicos.
“Uma infecção urinária, dor ou noites mal dormidas podem aumentar muito a
desorganização cerebral e desencadear crises de agitação”, afirma.
Além
dos impactos no paciente, a síndrome costuma afetar profundamente quem
participa do cuidado diário. Privação de sono, exaustão, ansiedade e sensação
de impotência estão entre os relatos mais frequentes de familiares e
cuidadores.
Como contornar?
Para
reduzir os episódios, orientações simples podem ajudar, como manter rotina
organizada, estimular exposição à luz natural durante o dia, evitar cochilos
prolongados e reduzir estímulos no período noturno. Ambientes mais tranquilos e
iluminados também contribuem para diminuir a desorientação.
A diretora da Palliative Care, a fisioterapeuta Daniele Chaves, destaca que o
acolhimento à família faz parte do cuidado. “Quando a família entende o que
está acontecendo e recebe orientação adequada, consegue lidar melhor com as
crises e oferecer mais segurança ao paciente. O suporte multiprofissional ajuda
não apenas no controle dos sintomas, mas também na preservação da qualidade de
vida de todos os envolvidos”, ressalta.
| Matheus Campos Cuidado com os riscos da automedicação e do uso inadequado de calmantes |
O Dr. Gustavo Bruno também chama atenção para os riscos da automedicação e do uso inadequado de calmantes. “Mudanças abruptas de comportamento do idoso com demência sempre merecem avaliação médica. O uso indiscriminado de medicações pode aumentar risco de quedas, sedação excessiva e piora cognitiva”, alerta.
Na avaliação dos especialistas, ampliar a discussão sobre a Síndrome do Entardecer é importante para que famílias identifiquem sinais precoces, compreendam o comportamento do paciente e busquem apoio especializado antes do agravamento do desgaste físico e emocional.
Palliative Care
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