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quinta-feira, 21 de maio de 2026

O lado pouco falado da demência

Matheus Campos
 Síndrome do Entardecer: Quadros de agitação,
confusão mental e ansiedade se intensificam no fim
da tarde e durante a noite

Síndrome do Entardecer agrava desgaste de famílias e exige atenção no cuidado de pacientes com declínio cognitivo 


Quadros de agitação, confusão mental e ansiedade que se intensificam no fim da tarde e durante a noite podem ser sinais da chamada Síndrome do Entardecer, condição comum em pessoas com demência, mas ainda pouco discutida fora do ambiente médico. O problema impacta diretamente a qualidade de vida dos pacientes e também provoca forte desgaste emocional e físico em familiares e cuidadores. 

Segundo o médico de família e paliativista Dr. Gustavo Bruno Gonçalves, da Palliative Care, o fenômeno, conhecido internacionalmente como “sundowning”, costuma surgir principalmente em fases moderadas e avançadas da demência. “O paciente pode apresentar aumento importante da confusão, irritabilidade, agitação e alterações do sono nesse período do dia. Muitas vezes, a família acredita que houve uma piora definitiva do quadro, quando, na verdade, existe um padrão comportamental relacionado ao entardecer e ao período noturno”, explica. 

Embora seja mais associada à Doença de Alzheimer, a síndrome também pode ocorrer em outros tipos de demência, como vascular, frontotemporal e por corpos de Lewy. Entre os fatores que agravam os sintomas estão dor, infecções, constipação intestinal, desidratação, ambientes escuros, excesso de estímulos e alterações na rotina. 

O especialista alerta que muitas situações passam despercebidas porque idosos com comprometimento cognitivo têm dificuldade de expressar desconfortos físicos. “Uma infecção urinária, dor ou noites mal dormidas podem aumentar muito a desorganização cerebral e desencadear crises de agitação”, afirma. 

Além dos impactos no paciente, a síndrome costuma afetar profundamente quem participa do cuidado diário. Privação de sono, exaustão, ansiedade e sensação de impotência estão entre os relatos mais frequentes de familiares e cuidadores.

 

Como contornar? 

Para reduzir os episódios, orientações simples podem ajudar, como manter rotina organizada, estimular exposição à luz natural durante o dia, evitar cochilos prolongados e reduzir estímulos no período noturno. Ambientes mais tranquilos e iluminados também contribuem para diminuir a desorientação.
 
A diretora da Palliative Care, a fisioterapeuta Daniele Chaves, destaca que o acolhimento à família faz parte do cuidado. “Quando a família entende o que está acontecendo e recebe orientação adequada, consegue lidar melhor com as crises e oferecer mais segurança ao paciente. O suporte multiprofissional ajuda não apenas no controle dos sintomas, mas também na preservação da qualidade de vida de todos os envolvidos”, ressalta.
 

Matheus Campos   Cuidado com os riscos da
automedicação e do uso inadequado de calmantes

O Dr. Gustavo Bruno também chama atenção para os riscos da automedicação e do uso inadequado de calmantes. “Mudanças abruptas de comportamento do idoso com demência sempre merecem avaliação médica. O uso indiscriminado de medicações pode aumentar risco de quedas, sedação excessiva e piora cognitiva”, alerta. 

Na avaliação dos especialistas, ampliar a discussão sobre a Síndrome do Entardecer é importante para que famílias identifiquem sinais precoces, compreendam o comportamento do paciente e busquem apoio especializado antes do agravamento do desgaste físico e emocional. 


Palliative Care


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