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sábado, 9 de maio de 2026

Dia das Mães: como as armaduras emocionais impactam a maternidade e o que fazer para viver esse papel com mais leveza

Especialista em autoconhecimento explica como padrões inconscientes influenciam a forma de maternar e aponta caminhos para relações mais saudáveis


 

O Dia das Mães, celebrado no segundo domingo de maio, costuma ser marcado por muitas homenagens e demonstrações de carinho. Mas, para muitas mulheres, a data também desperta sentimentos mais complexos como cobrança, culpa, exaustão e a sensação constante de não fazer o suficiente.

 

Para Renata Fornari, especialista em autoconhecimento e autoamor, esse cenário tem uma raiz profunda: as chamadas armaduras emocionais, mecanismos de defesa construídos desde a infância e que seguem influenciando a maneira como cada mulher vive a maternidade. 

“As armaduras emocionais foram essenciais em algum momento da vida, porque ajudaram essa mulher a se proteger. O problema é quando ela continua vivendo a partir dessas estruturas sem perceber. Isso afeta diretamente a forma como ela se posiciona como mãe”, explica. 

Segundo Renata, essas armaduras aparecem de diferentes formas na rotina. A Controladora, que tenta dar conta de tudo e sente dificuldade em delegar; a Invisível, que se anula para evitar conflitos ou rejeição; a Sabotadora, que se cobra tanto que acaba se sentindo insuficiente ou desistindo emocionalmente; e a Autossuficiente, que acredita que precisa ser forte o tempo todo e não se permite pedir ajuda. 

“Muitas mulheres entram na maternidade tentando provar valor o tempo inteiro. Querem dar conta de tudo, não falhar, não errar. Só que isso não sustenta. Essa dinâmica cansa, desconecta e, com o tempo, impacta a relação com os filhos”, afirma. 

Outro ponto de atenção é a dificuldade em lidar com as próprias emoções. “Quando a mulher opera muito a partir da armadura da Autossuficiente, por exemplo, ela pode ter dificuldade de acessar vulnerabilidade, demonstrar fragilidade ou até receber apoio. Isso acaba criando uma barreira no vínculo”. 

Renata reforça que a maternidade não cria essas questões, ela intensifica o que já existe. “O filho não ativa algo que não está ali. Ele evidencia. Por isso, muitas mulheres se surpreendem com reações ou gatilhos que não conseguiam enxergar antes”. 

Apesar dos desafios, a especialista destaca que esse também pode ser um dos momentos mais potentes de transformação. “A maternidade abre uma oportunidade real de olhar para dentro e revisar padrões. Quando essa mulher começa a se perceber, ela deixa de reagir no automático e passa a escolher como quer agir”. 

Entre os primeiros passos, Renata aponta a importância de reconhecer esses comportamentos sem julgamento. “Não adianta se culpar por sentir. O caminho é se observar com honestidade. Entender de onde vem essa necessidade de controle, esse medo de rejeição ou essa sensação constante de insuficiência”. 

Ela também reforça a necessidade de incluir a si mesma na própria rotina de cuidado. “Existe uma ideia de que ser uma boa mãe é se colocar sempre em último lugar. Mas uma mulher exausta e sobrecarregada não consegue estar presente de verdade. Cuidar de si é responsabilidade emocional, e não egoísmo como muitas pensam”. 

Para Renata, uma maternidade mais leve não está ligada ao desempenho, mas à consciência. “Quando essa mulher começa a se relacionar melhor com ela mesma, ela naturalmente constrói um ambiente mais seguro e mais acolhedor para o filho”. 

Neste Dia das Mães, o convite, segundo a especialista, é olhar com mais profundidade para dentro e questionar os padrões que ainda conduzem suas escolhas. “A melhor versão de uma mãe nasce de uma mulher que se conhece, se acolhe e não precisa mais viver presa a padrões que não fazem mais sentido”, finaliza.


Quem sofre mais quando o amor termina pela morte? O que a ciência revela e o que ainda evitamos encarar

 

Há temas que o Direito encontra todos os dias, mas que a sociedade prefere tratar em silêncio. A morte de um dos cônjuges é um deles. Costumamos falar do luto como uma experiência universal, quase homogênea, como se todos percorressem o mesmo caminho emocional. A ciência, porém, começa a desmontar essa narrativa. Pesquisas robustas conduzidas nos Estados Unidos, no Japão e em outros países vêm demonstrando que homens e mulheres não apenas vivenciam a perda de forma distinta, como também sofrem impactos profundamente diferentes na saúde, na expectativa de vida e na própria capacidade de reorganizar a existência. O amor, ao que parece, deixa marcas desiguais quando parte.

Um dos conceitos mais estudados na área da saúde pública é o chamado “widowhood effect”, ou “efeito da viuvez”. Trata-se de um fenômeno estatisticamente comprovado: a perda do cônjuge aumenta o risco de morte de quem fica. Um estudo clássico publicado no Journal of Public Health mostrou que, nos primeiros três meses após a perda, o risco de morte pode aumentar entre 30% e 90%, dependendo da faixa etária e do contexto social. Mas o dado que chama mais atenção — e que raramente aparece nas conversas de bar — é outro: esse aumento é significativamente maior entre homens do que entre mulheres. Em alguns recortes, homens viúvos chegam a apresentar um risco de mortalidade até duas vezes superior ao de mulheres na mesma condição.

No Japão, país conhecido por sua tradição metodológica em estudos populacionais, o Japan Collaborative Cohort Study, que acompanhou dezenas de milhares de pessoas ao longo de anos, chegou a uma conclusão direta e desconfortável: a viuvez está associada ao aumento de mortalidade em homens, mas não apresenta o mesmo impacto entre mulheres. Em outras palavras, perder o cônjuge pode ser, do ponto de vista estatístico, mais letal para eles do que para elas. Estudos mais recentes, publicados em bases como a ScienceDirect, reforçam essa diferença ao apontar que homens viúvos têm maior incidência de depressão, declínio cognitivo e até demência, enquanto mulheres demonstram maior capacidade de adaptação ao novo cenário de vida.

Nos Estados Unidos, análises conduzidas com base em grandes bancos de dados longitudinais, como o Health and Retirement Study (HRS), vêm reiterando esse padrão. Um levantamento recente coordenado por pesquisadores da Boston University indicou que homens viúvos apresentam aumento significativo no risco de mortalidade e piora acentuada no bem-estar psicológico, ao passo que mulheres, embora também afetadas pela perda, não registram aumento proporcional nos níveis de depressão e, em alguns casos, relatam até melhora na satisfação com a vida ao longo do tempo. Sim, você leu corretamente: em determinados contextos, a viuvez não apenas não destrói, como pode abrir espaço para uma reorganização emocional mais estável entre mulheres.

A pergunta que naturalmente surge é: por quê? A resposta não está em uma suposta “força feminina” mística, nem em uma fragilidade masculina caricata. Está, antes, na forma como construímos socialmente o casamento. Diversos estudos em psicologia social apontam que homens tendem a concentrar na relação conjugal a maior parte de seu suporte emocional, enquanto mulheres, historicamente, mantêm redes sociais mais amplas e diversificadas — amigas, familiares, vínculos comunitários. Quando o casamento termina pela morte, muitos homens perdem não apenas a companheira, mas também sua principal (às vezes única) fonte de escuta, organização cotidiana e afeto estruturante. Já as mulheres, embora sofram profundamente, costumam ter onde se apoiar. É uma diferença silenciosa, mas brutal.

Há também um componente prático que não pode ser ignorado, e aqui o humor ajuda a digerir a dureza dos dados. Em muitos casamentos, especialmente nas gerações mais tradicionais, a mulher não apenas ama: ela organiza, agenda, cuida, lembra, sustenta a logística invisível da vida doméstica. Quando ela parte, alguns homens descobrem, da forma mais abrupta possível, que o amor também incluía saber onde está o documento do plano de saúde, como funciona o pagamento das contas e até qual é o horário da consulta médica. Pode parecer anedótico, mas a literatura científica mostra que essa desorganização súbita contribui para o aumento de doenças, negligência com a saúde e, em última análise, maior mortalidade.

Do ponto de vista jurídico, esse fenômeno ainda é pouco explorado. O Direito das Famílias lida com a morte de forma essencialmente patrimonial: inventário, partilha, transmissão de bens. Mas a ciência sugere que há algo mais, algo que escapa às planilhas e às escrituras. A vulnerabilidade emocional e física do cônjuge sobrevivente, especialmente quando homem, é um dado real, mensurável e relevante, que poderia — e talvez devesse — influenciar políticas públicas, estratégias de assistência e até a forma como pensamos a proteção familiar no pós-ruptura involuntária.

No fim das contas, a grande provocação que esses estudos nos deixam é desconfortável, mas necessária: o casamento não significa a mesma coisa para homens e mulheres e, por isso, sua ausência também não produz os mesmos efeitos. Se, durante a vida, muitos homens parecem mais “independentes”, a ciência sugere que essa independência pode ser, em parte, uma ilusão sustentada pela presença silenciosa da parceira. Quando ela se vai, o que sobra não é apenas saudade, é um vazio estrutural.

Talvez seja hora de começarmos a falar disso com mais honestidade. Não para competir sobre quem sofre mais, afinal o luto não é um campeonato. Mas para compreender que as relações que construímos moldam profundamente nossa forma de existir no mundo. E, ao que tudo indica, quando o amor termina pela morte, ele não deixa apenas lembranças. Deixa também estatísticas. E elas contam uma história que ainda estamos aprendendo a ouvir.

  

Marcelo Santoro Almeida - professor de Direito de Família da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio


Presenteísmo: o fenômeno silencioso custa bilhões às empresas brasileiras

 

Até um terço da força de trabalho pode estar operando com desempenho reduzido. É o fenômeno silencioso vem comprometendo a produtividade das empresas brasileiras — e ele não aparece em atestados médicos. Trata-se do presenteísmo, condição em que o profissional permanece fisicamente no trabalho, mas já não consegue desempenhar com sua plena capacidade cognitiva e emocional. “É o trabalhador que continua entregando, mas entrega menos. Decide, mas decide pior. Lidera, mas já está desgastado. Como ele ainda está presente, esse problema é invisível — e, muitas vezes, normalizado dentro das empresas”, explica o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, especialista saúde mental no trabalho. 

Os números mostram que o impacto está longe de ser pequeno. Estimativas do IBEF-SP apontam que o presenteísmo custa mais de R$ 200 bilhões por ano à economia brasileira. Dentro das empresas, o índice médio chega a 31%, o que significa que quase um terço da folha de pagamento pode estar sendo destinado a uma performance comprometida.

 

O adoecimento que começa antes do afastamento 

Por trás desses números está um processo progressivo de desgaste emocional que antecede o colapso. Ansiedade constante, exaustão, dificuldade de concentração, irritabilidade e perda de prazer são alguns dos sinais mais comuns — frequentemente ignorados ou tratados como parte da rotina. 

“Antes do afastamento formal, há meses — às vezes anos — de queda silenciosa de desempenho. É o líder que perde a tolerância, o gestor que não dorme, o executivo que toma decisões com a cognição comprometida. É o adoecimento disfarçado de produtividade”, afirma Dr. Daniel. 

E os dados recentes reforçam o cenário: em 2024, o Brasil registrou mais de 472 mil afastamentos por transtornos mentais — o maior número da série histórica, com crescimento expressivo dos casos de ansiedade na última década. Para o especialista, no entanto, esses números representam apenas a “ponta do iceberg”.

 

Estudos comprovam o prejuízo 

No cenário internacional, um estudo publicado no Journal of Affective Disorders coloca o Brasil como o segundo país com maior prejuízo causado por presenteísmo associado à depressão, ultrapassando US$ 63 bilhões anuais — atrás apenas dos Estados Unidos. 

Já a Harvard Business Review indica que, em ambientes de alta exigência cognitiva e emocional, o custo do presenteísmo pode ser até três vezes maior do que o do absenteísmo.

 

Saúde mental deixa de ser benefício e vira obrigação legal 

Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, que inclui os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos, a saúde mental passa a ser reconhecida como risco ocupacional — com responsabilidade direta das empresas. 

“Não se trata mais de uma pauta de bem-estar. É uma questão de gestão de risco. Ignorar o presenteísmo é ignorar um fator que compromete produtividade, segurança e tomada de decisão”, destaca o psiquiatra.

Para Dr. Daniel, um dos principais equívocos das organizações é tratar o presenteísmo como falha individual, e não como reflexo de uma estrutura de trabalho disfuncional.

“As empresas que não revisarem suas práticas vão pagar duas vezes: na produtividade que se perde todos os dias e no passivo trabalhista que se acumula em silêncio. Não falta gente trabalhando. Falta gente inteira”, conclui. 

 

Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida. Link

 

A vida nos impõe dureza

 Freepik

Como observadora atenta da alma humana, percebi que a vida, muitas vezes, nos impõe uma arquitetura de sobrevivência muito similar a de uma noz. Existe uma rigidez necessária, uma carapaça que desenvolvemos para suportar as pressões externas, os silenciamentos e as intempéries de uma realidade que, historicamente, exige das mulheres uma força desproporcional.  

No cenário atual, onde os índices de violência contra a mulher ainda nos estarrecem, essa proteção emocional não é uma escolha estética; é um mecanismo de defesa vital contra o desamparo e a agressão. 

Precisamos falar abertamente sobre esse "endurecimento". Ele nasce dos enfrentamentos diários, das pequenas e grandes lutas que moldam quem somos. Em um mundo que ainda tenta ditar nossos passos e limitar nossos desejos, a resiliência torna-se nossa pele mais dura.  

Muitas vezes, essa proteção é vista como frieza ou distanciamento, mas, na verdade, é o resultado de uma sensibilidade que precisou se transmutar em coragem para não ser estilhaçada. O endurecimento é a resposta instintiva ao medo e à necessidade de preservação da própria identidade. 

Entretanto, o que a analogia da noz nos ensina de mais valioso é que a casca, por mais resistente que seja, não define o fruto; ela apenas o guarda. Existe um perigo real em nos confundirmos com a nossa armadura, esquecendo que o propósito da proteção é permitir que a semente interna permaneça intacta, viva e potente.  

A violência e o medo tentam nos esvaziar, mas a nossa natureza é feita de algo muito mais profundo: uma capacidade inesgotável de regeneração e recomeço. A esperança reside justamente no gesto de compreender quando essa proteção cumpriu seu papel e permitir-se, então, romper as limitações.  

Mesmo em tempos áridos, onde as notícias parecem sufocar nossa liberdade, vejo mulheres transformando dor em autonomia e luto em luta. A beleza da existência feminina está nessa dialética entre a resistência da casca e a delicadeza do miolo. Somos capazes de endurecer para sobreviver, mas guardamos a doçura e a força necessárias para florescer novamente assim que encontramos solo seguro. 

Não estamos sozinhas nessa jornada de "quebrar cascas". A união e o reconhecimento mútuo dessas batalhas silenciosas são o que fortalece nossa estrutura. Que possamos honrar nossa resiliência sem nunca perder de vista a liberdade que existe do outro lado da barreira.  

A vida pode ser dura, mas a capacidade de criar formas de existir, a partir de cada desafio superado, é a prova definitiva de que a luz sempre encontrará uma fresta para atravessar o que quer que tente nos fechar. 

 

 

Maria de Lourdes Rabelo Cruz , escritora, psicanalista, autora do livro Noz Mulheres (LC Books

 

Os superpoderes das mães explicados pela neurociência

A mãe sempre ‘já sabia’? O beijo da mãe cura? Ser mãe é padecer no paraíso? Coração de mãe sempre cabe mais um? A mãe tem o sono mais leve? Essas perguntas emocionais têm uma explicação científica.

 

Segundo o médico Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, a maternidade provoca mudanças reais no cérebro feminino — e muitas das chamadas “sensações de mãe” têm relação direta com neuroplasticidade, hipervigilância emocional e mecanismos biológicos de proteção.

“A maternidade literalmente remodela o cérebro. Existem alterações hormonais, emocionais e neurológicas que aumentam a percepção de sinais, o estado de alerta e a conexão emocional entre mãe e filho”, explica o médico que afirma que muitos comportamentos frequentemente tratados como “místicos” têm base em processamento inconsciente de informações.
 

Mãe sabe de tudo, sempre! Existe mesmo a intuição materna?

“Eu te avisei”. “Eu já sabia”. Essas frases comuns de muitas mães, é a chamada intuição materna que pode ser explicada, em grande parte, pela capacidade cerebral de captar micro sinais emocionais, comportamentais e ambientais antes mesmo que eles sejam racionalizados.

“O cérebro materno entra em um estado de vigilância extremamente sofisticado. Muitas mães percebem pequenas mudanças no olhar, na voz, na respiração ou no comportamento do filho sem sequer perceber conscientemente que captaram esses sinais”, afirma Dr. Fernando. Ele conta que isso acontece porque o cérebro passa a priorizar circuitos ligados à proteção e antecipação de risco.
 

Por que mães reconhecem o choro do filho tão rápido?

“O cérebro da mãe se torna altamente treinado para reconhecer padrões sonoros específicos relacionados ao filho. É uma adaptação biológica extremamente eficiente.” Segundo o médico, áreas ligadas à atenção, emoção e sobrevivência passam a responder de forma acelerada aos sinais da criança.
 

Mãe realmente dorme mais leve?

Sim, o cérebro materno permanece em estado parcial de alerta mesmo durante o sono. É como se existisse um sistema de vigilância constantemente monitorando possíveis ameaças ou necessidades da criança. “Essa hipervigilância ajuda na proteção do bebê, mas também pode aumentar fadiga mental e exaustão ao longo do tempo”, diz.
 

Mães sentem culpa com mais intensidade?

Sim, a maternidade também pode ampliar circuitos ligados à autocobrança e responsabilidade emocional. “Muitas mães vivem em estado contínuo de preocupação, antecipação e culpa porque o cérebro passa a interpretar o cuidado dos filhos como prioridade máxima.” Esse estado constante de vigilância emocional ajuda a explicar o esgotamento mental de muitas mulheres.
 

Beijo de mãe cura?

Sim, embora o carinho não cure fisicamente uma doença ou ferimento, o toque, o abraço, a voz e o afeto materno ajudam o cérebro a reduzir medo, estresse e sensação de dor. Isso acontece porque o cérebro interpreta o acolhimento como um sinal de segurança, estimulando substâncias ligadas ao bem-estar, como a ocitocina, e diminuindo níveis de cortisol, o hormônio do estresse. “O cérebro infantil responde profundamente ao vínculo emocional. O carinho materno ajuda a regular emoções e faz o organismo entrar em um estado de maior conforto e proteção”, explica o médico.
 

Coração de mãe sempre cabe mais um?

Sim, a neurociência mostra que existe uma explicação biológica para a enorme capacidade emocional materna de criar vínculos afetivos. “O cérebro da mãe passa por adaptações profundas ligadas ao cuidado, à empatia e à proteção. A maternidade fortalece circuitos neurais associados ao apego emocional, fazendo com que muitas mulheres ampliem sua capacidade de acolhimento ao longo da vida”, explica.

Os hormônios como a ocitocina ajudam a reforçar conexões afetivas e sensação de pertencimento, permitindo que mães desenvolvam vínculos intensos não apenas com filhos biológicos, mas também com pessoas que passam a integrar seu círculo emocional. “Do ponto de vista cerebral, afeto e vínculo não funcionam como espaço limitado. Quanto mais conexões emocionais saudáveis existem, mais o cérebro fortalece redes ligadas ao cuidado e à empatia”, explica.
 

Ser mãe é padecer no paraíso?

A maternidade pode ser uma das experiências emocionalmente mais gratificantes da vida, mas também uma das mais exaustivas para o cérebro humano. “A maternidade ativa circuitos ligados ao amor, recompensa emocional, vínculo e propósito, mas ao mesmo tempo coloca o cérebro feminino em estado contínuo de vigilância, responsabilidade e sobrecarga”, explica Dr. Fernando. Segundo ele, o cérebro materno passa por mudanças importantes relacionadas à empatia, proteção e conexão emocional, aumentando sensibilidade aos sinais do filho e capacidade de cuidado. Porém, essa mesma adaptação pode gerar fadiga mental, privação de sono, ansiedade e sensação constante de alerta. “Existe prazer emocional profundo na maternidade, mas também existe desgaste real. O problema é que muitas mulheres aprendem a romantizar o próprio esgotamento”.

Por isso que compreender a maternidade de forma mais humana e científica ajuda a diminuir a culpa e a pressão sobre mães que tentam sustentar sozinhas uma carga emocional enorme.

 

Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 15 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano.


Os superpoderes das mães explicados pela neurociência

A mãe sempre ‘já sabia’? O beijo da mãe cura? Ser mãe é padecer no paraíso? Coração de mãe sempre cabe mais um? A mãe tem o sono mais leve? Essas perguntas emocionais têm uma explicação científica.

 

Segundo o médico Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, a maternidade provoca mudanças reais no cérebro feminino — e muitas das chamadas “sensações de mãe” têm relação direta com neuroplasticidade, hipervigilância emocional e mecanismos biológicos de proteção.

“A maternidade literalmente remodela o cérebro. Existem alterações hormonais, emocionais e neurológicas que aumentam a percepção de sinais, o estado de alerta e a conexão emocional entre mãe e filho”, explica o médico que afirma que muitos comportamentos frequentemente tratados como “místicos” têm base em processamento inconsciente de informações.
 

Mãe sabe de tudo, sempre! Existe mesmo a intuição materna?

“Eu te avisei”. “Eu já sabia”. Essas frases comuns de muitas mães, é a chamada intuição materna que pode ser explicada, em grande parte, pela capacidade cerebral de captar micro sinais emocionais, comportamentais e ambientais antes mesmo que eles sejam racionalizados.

“O cérebro materno entra em um estado de vigilância extremamente sofisticado. Muitas mães percebem pequenas mudanças no olhar, na voz, na respiração ou no comportamento do filho sem sequer perceber conscientemente que captaram esses sinais”, afirma Dr. Fernando. Ele conta que isso acontece porque o cérebro passa a priorizar circuitos ligados à proteção e antecipação de risco.
 

Por que mães reconhecem o choro do filho tão rápido?

“O cérebro da mãe se torna altamente treinado para reconhecer padrões sonoros específicos relacionados ao filho. É uma adaptação biológica extremamente eficiente.” Segundo o médico, áreas ligadas à atenção, emoção e sobrevivência passam a responder de forma acelerada aos sinais da criança.
 

Mãe realmente dorme mais leve?

Sim, o cérebro materno permanece em estado parcial de alerta mesmo durante o sono. É como se existisse um sistema de vigilância constantemente monitorando possíveis ameaças ou necessidades da criança. “Essa hipervigilância ajuda na proteção do bebê, mas também pode aumentar fadiga mental e exaustão ao longo do tempo”, diz.
 

Mães sentem culpa com mais intensidade?

Sim, a maternidade também pode ampliar circuitos ligados à autocobrança e responsabilidade emocional. “Muitas mães vivem em estado contínuo de preocupação, antecipação e culpa porque o cérebro passa a interpretar o cuidado dos filhos como prioridade máxima.” Esse estado constante de vigilância emocional ajuda a explicar o esgotamento mental de muitas mulheres.
 

Beijo de mãe cura?

Sim, embora o carinho não cure fisicamente uma doença ou ferimento, o toque, o abraço, a voz e o afeto materno ajudam o cérebro a reduzir medo, estresse e sensação de dor. Isso acontece porque o cérebro interpreta o acolhimento como um sinal de segurança, estimulando substâncias ligadas ao bem-estar, como a ocitocina, e diminuindo níveis de cortisol, o hormônio do estresse. “O cérebro infantil responde profundamente ao vínculo emocional. O carinho materno ajuda a regular emoções e faz o organismo entrar em um estado de maior conforto e proteção”, explica o médico.
 

Coração de mãe sempre cabe mais um?

Sim, a neurociência mostra que existe uma explicação biológica para a enorme capacidade emocional materna de criar vínculos afetivos. “O cérebro da mãe passa por adaptações profundas ligadas ao cuidado, à empatia e à proteção. A maternidade fortalece circuitos neurais associados ao apego emocional, fazendo com que muitas mulheres ampliem sua capacidade de acolhimento ao longo da vida”, explica.

Os hormônios como a ocitocina ajudam a reforçar conexões afetivas e sensação de pertencimento, permitindo que mães desenvolvam vínculos intensos não apenas com filhos biológicos, mas também com pessoas que passam a integrar seu círculo emocional. “Do ponto de vista cerebral, afeto e vínculo não funcionam como espaço limitado. Quanto mais conexões emocionais saudáveis existem, mais o cérebro fortalece redes ligadas ao cuidado e à empatia”, explica.
 

Ser mãe é padecer no paraíso?

A maternidade pode ser uma das experiências emocionalmente mais gratificantes da vida, mas também uma das mais exaustivas para o cérebro humano. “A maternidade ativa circuitos ligados ao amor, recompensa emocional, vínculo e propósito, mas ao mesmo tempo coloca o cérebro feminino em estado contínuo de vigilância, responsabilidade e sobrecarga”, explica Dr. Fernando. Segundo ele, o cérebro materno passa por mudanças importantes relacionadas à empatia, proteção e conexão emocional, aumentando sensibilidade aos sinais do filho e capacidade de cuidado. Porém, essa mesma adaptação pode gerar fadiga mental, privação de sono, ansiedade e sensação constante de alerta. “Existe prazer emocional profundo na maternidade, mas também existe desgaste real. O problema é que muitas mulheres aprendem a romantizar o próprio esgotamento”.

Por isso que compreender a maternidade de forma mais humana e científica ajuda a diminuir a culpa e a pressão sobre mães que tentam sustentar sozinhas uma carga emocional enorme.

 

Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 15 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano.


Solidão entre jovens reforça papel da saúde social no bem-estar

Especialistas apontam a importância de conexões sociais profundas como parte do bem-estar físico e emocional

 

Por muito tempo, o bem-estar foi entendido a partir de dois pilares: saúde física e mental. Hoje, especialistas ampliam essa leitura ao incluir a chamada saúde social, que envolve a capacidade de construir e sustentar relações significativas e influencia diretamente tanto o equilíbrio emocional quanto o próprio funcionamento do corpo. 

“Não se trata apenas de estar cercado de pessoas, mas de vivenciar vínculos que promovam pertencimento, apoio e troca genuína”, afirma a psicóloga Rozane Fialho, CEO da Rede Psicoterapia. 

A crescente atenção ao tema acompanha mudanças no comportamento social, como o uso de redes sociais como nova forma de convivência que, embora amplie as possibilidades de interação, nem sempre resulta em conexões profundas e pode intensificar a sensação de isolamento, mesmo entre pessoas constantemente conectadas. 

Apesar da hiperconectividade, a especialista aponta que relações mediadas por redes sociais não substituem interações presenciais. “Interações espontâneas envolvem elementos fundamentais para a construção de vínculos, como empatia e linguagem não verbal. Já as relações digitais tendem a ser mais superficiais e podem intensificar comparações e sensação de inadequação”, afirma. 

Os impactos da solidão vão muito além da esfera emocional. “Quando crônica, ela está associada ao aumento de ansiedade, depressão e sensação de vazio, mas também a alterações físicas relevantes, como elevação do estresse, prejuízos no sono e até maior risco de doenças cardiovasculares”, afirma. 

O tema ganha ainda mais relevância entre jovens que deixam a casa dos pais para estudar em outras cidades, um movimento cada vez mais comum no Brasil. Segundo a psicóloga, essa fase envolve uma ruptura importante na estrutura emocional. 

“Ao sair de casa, o jovem perde uma rede de apoio já estabelecida e precisa reconstruir vínculos do zero. Existe uma ideia equivocada de que ser autônomo é dar conta de tudo sozinho. Mas, na prática, a autonomia saudável inclui a capacidade de construir e sustentar relações”, diz Fialho. 

Nesse contexto, ambientes que favorecem convivência presencial podem facilitar a criação de vínculos, especialmente entre pessoas na mesma fase da vida. É o caso de residenciais estudantis com gestão profissional, que oferecem não apenas quartos individuais ou compartilhados, mas também áreas comuns planejadas para uso coletivo, espaços de convivência e rotinas que incentivam a interação entre moradores. 

“A vida no residencial permite que o estudante veja aquele espaço como mais do que um quarto. Ele se torna ponto de encontro, de troca de experiências e de cultura”, conta Juliana Onias, gerente regional de operações da Share Student Living, que em parceria com a Rede Psicoterapia oferece consultas com valor 77% menor em referência ao valor da tabela do Conselho Federal de Psicologia para os moradores. “Nas semanas de prova, por exemplo, as salas de estudo ficam cheias. Os alunos se organizam em grupo, revisam conteúdos juntos e criam uma dinâmica de colaboração que favorece conexões profundas”, diz. 

Entre os sinais de que a solidão pode estar afetando a saúde estão sensação de desconexão, dificuldade de criar vínculos próximos, alterações no sono e uso excessivo de redes sociais sem sensação real de pertencimento. “É importante entender que solidão não é ausência de pessoas, mas ausência de conexão significativa”, diz Fialho. 

As estratégias para reverter o quadro são investir intencionalmente em relações significativas, manter vínculos anteriores enquanto constrói novos, criar rotinas que favoreçam convivência e desenvolver espaços seguros de troca. 

“Na Share, a convivência não é tratada como um elemento acessório, mas como parte da experiência de morar. A ideia não é impor interação, mas criar oportunidades para que ela aconteça de forma espontânea ao longo da rotina”, aponta Onias. “Pertencer não anula a autonomia. Pelo contrário, a sustenta”, complementa Fialho.

 

Por uma masculinidade Caetana como farol


O problema das múltiplas violências cometidas por homens, embora antigo, exige resposta urgente – a situação se agrava se acrescentarmos as categorias de raça e classe social. As vítimas são mulheres, crianças, pessoas LGBTQIA+, o meio ambiente ou até mesmo outros homens tidos como fracos.

Enquanto os homens exercem seus podres poderes, parte da sociedade faz a justa crítica de como eles se aproveitam dessa posição para redobrar seu protagonismo e denuncia que, por baixo da camada de razão e civilidade, emerge uma animalidade feroz.

Diante do questionamento, carentes de bons modelos, há também aqueles que se desorientam, leõezinhos acuados pela culpa e titubeantes quanto à própria conduta. Têm muito claro o que não fazer, mas ignoram como sobreviver na floresta.

Por outro lado, o conservadorismo preestabelece valores e mapeia lugares, naturaliza, oferece garantias diante do desamparo. Assim, a exemplo dos red pills, proliferam movimentos extremistas que ofertam uma masculinidade exuberante. Homem é fera, reina na selva, os outros devem curvar-se e obedecer.

Pesquisas indicam que, apesar de execrável, este discurso tem obtido êxito em arregimentar jovens soldados para suas fileiras e, no geral, as novas gerações de meninos são mais conservadoras que as anteriores, mais aderidas ao pior que o gênero produziu ao longo da história.

Neste cenário, os pais se perguntam como evitar que seus filhos reproduzam comportamentos tóxicos e, ao contrário, construam relações baseadas no respeito e na valorização das diferenças, que não se sintam ameaçados, se acaso a tigresa puder mais do que o leão.

É necessária a conscientização sobre o histórico e os riscos de uma masculinidade tóxica, a qual oprime inclusive a eles mesmos, pois requer a formação de uma couraça que prejudica a própria sensibilidade. Não basta, contudo, uma concepção negativa baseada no não ser, é preciso uma noção positiva que abarque os diversos potenciais do ser. Um homem que possa saber da piscina, da margarina, da Carolina e da gasolina.

E por gasolina pensamos esse combustível que queima, incendeia e eventualmente explode. Há os traços agressivos, a violência típica do humano, que aflora nos homens de forma tosca, mas deve ser integrada como bruta flor do querer, do dragão tatuado no braço, calção corpo aberto no espaço. Esse desafio é especialmente traiçoeiro porque mesmo nós homens adultos nos atrapalhamos nesse processo.

Felizmente encontramos na cultura um farol que nos ajuda a navegar tão perigosa travessia. Todos os modelos são promessas falidas, então proponho o farol em sua dureza: orienta, mas buscá-lo cegamente leva ao naufrágio.

Inspiremo-nos nessa masculinidade Caetana, sensível, criativa, mas também combativa, que assume posições e luta por elas, em que a firmeza não mata a dúvida, quer resista como um calango ou se transforme, camaleão, belo como a lagarta, como quiser e puder. 

 


Daniel Lirio - psicanalista, psicólogo, mestre em Psicologia Social e autor do livro infantojuvenil “Meu pai mentiu pra mim”


Por que o amor não romântico pode ser a solução para o vazio emocional?


Vivemos em uma era de hiperprodutividade, na qual o sucesso é meticulosamente planejado, mas o preenchimento interno parece cada vez mais escasso. Cumprimos metas, seguimos roteiros sociais e acumulamos conquistas, mas, ao final do dia, uma sensação silenciosa de vazio persiste. 

A grande maioria das pessoas estão preocupados em ter que esquecem de viver e nas histórias das pessoas que acompanho há mais de 25 anos como mentora. Estamos tão ocupados em ter que esquecemos de viver. A produtividade tornou-se uma bússola externa, mas negligenciamos uma necessidade biológica fundamental: a conexão emocional profunda. 

Sob a ótica da neurociência, o cérebro humano opera com um sistema de recompensa altamente eficiente para conquistas imediatas. No entanto, esse mesmo sistema não sustenta o bem-estar no longo prazo quando não há significado envolvido. O que falta não é mais esforço, mas uma mudança de paradigma: a transição do "fazer" para o "ser". 

Desde cedo, somos condicionados a seguir uma jornada linear: estudar, trabalhar, produzir. Esse roteiro funciona como uma bússola externa, mas negligência uma necessidade biológica fundamental, a conexão emocional profunda. Quando agimos apenas para atender expectativas externas, entramos em um estado de desconexão de nós mesmos, marcado pela ausência de presença consciente. 

Já me vi exatamente nesse lugar. Em 2012, depois de acumular traumas, perdas e anos conduzindo tudo sozinha, entrei em burnout. Ao me olhar no espelho, me deparei com uma Eliane profundamente exausta, sem forças, sem disposição. Naquele momento, percebi que havia passado anos sabendo muito sobre mente, mas pouco sobre me permitir sentir. Havia fugido dos meus medos, anestesiado a alma no excesso de trabalho. E foi no silêncio forçado daquele quarto escuro que compreendi: não somos fortes por suportar tudo, mas por saber parar e se render ao essencial. 

O problema não está em "fazer tudo certo", mas em moldar a própria realidade a partir do medo da rejeição ou da busca constante por validação. Uma mente treinada, por meio de disciplina, meditação e renúncia consciente, pode desenvolver estabilidade interna e passar a sustentar um estado de paz, independentemente das circunstâncias externas ou da opinião alheia. 

O vazio que muitos experimentam é, na verdade, um sinal de carência de pertencimento e conexão. É nesse ponto que o amor não romântico se apresenta como um caminho consistente de transformação. Trata-se da capacidade de se relacionar consigo mesmo e com o mundo a partir da benevolência, sem a necessidade de performance. 

Em meu livro Amar é viver o extraordinário, defendo que o amor deixa de ser apenas algo romântico e passa a ser a base para fortalecer a autoestima, curar emoções e construir uma relação mais saudável consigo mesmo. Não me refiro a um amor ingênuo, mas ao verdadeiro: o incondicional, aquele que nos impulsiona, cura feridas e nos transforma. 

Esse tipo de amor se manifesta nas conexões humanas genuínas, que fortalecem vínculos e estimulam a liberação de ocitocina, hormônio associado ao cuidado, à segurança e à confiança. Como consequência, há um aumento da presença mental e emocional, que permite maior coerência com os próprios valores e uma experiência mais autêntica do presente.
 

Do vazio ao propósito 

O vazio não deve ser interpretado como fracasso, mas como um indicador de desconexão da própria essência. Em vez de tentar preenchê-lo com mais consumo, metas ou expectativas, é necessário escutá-lo. Pausas conscientes e práticas como a meditação contribuem para o equilíbrio emocional e para a ampliação da qualidade de vida. 

Ao considerar a neuroplasticidade do cérebro, é possível reconfigurar padrões mentais e construir novas formas de perceber e reagir à realidade. A chave desse processo está no desenvolvimento da autoconsciência. 

O amor não romântico assume, então, um papel central nessa transição. Não se trata apenas de uma emoção, mas de um estado neuroemocional - o mais poderoso que existe; capaz de promover estabilidade, clareza e consciência. Ele atua como um organizador interno, com influência direta na forma como pensamos, sentimos e tomamos decisões. 

Quando escolhemos nos amar, transformamos a nossa realidade. Aprendemos a acolher nossas dores, a perdoar nossas imperfeições e a olhar para dentro com gentileza. Essa reconexão nos devolve a energia vital e nos permite viver de forma autêntica, com propósito e alegria. Porque só o amor tem o poder de curar, transformar e nos fazer recordar o que realmente importa. 

A solução para o vazio não está no acúmulo, mas na prática do amor como estado de consciência: uma presença atenta, uma aceitação profunda de quem se é e a coragem de viver com autenticidade. 

A verdadeira plenitude não é o resultado de uma lista concluída, mas a qualidade da presença e do amor que se sustenta ao longo do caminho.
 

Amar é viver o extraordinário. Sempre 


Eliane Sato - escritora e especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano, com mais de 25 anos de experiência em desenvolvimento de lideranças e performance emocional.


Buscas íntimas revelam hábitos curiosos dos brasileiros na internet

Levantamentos apontam que o consumo de conteúdo adulto cresce no país e varia bastante entre estados e regiões 

 

O consumo de conteúdo adulto já faz parte da rotina digital dos brasileiros, mas os hábitos mudam bastante conforme a região do país. Dados de plataformas e tendências de busca mostram que estados do Norte e Nordeste lideram pesquisas mais diretas relacionadas a sexo e vídeos adultos, enquanto regiões como Sudeste apresentam um comportamento mais segmentado, com interesse crescente por categorias específicas e fantasias online. 

Hoje, plataformas adultas já aparecem entre os sites mais acessados do Brasil, impulsionadas principalmente pelo celular e pelo consumo individual. O comportamento também mudou nos últimos anos: o público deixou de buscar apenas conteúdos genéricos e passou a procurar experiências mais específicas, com interesses que vão desde vídeos amadores até categorias como “hentai”, “anal” e conteúdos em grupo. 

Estados como Pará, Maranhão e Amazonas aparecem frequentemente entre os líderes de buscas proporcionais relacionadas a conteúdo adulto. No Pará, predominam acessos diretos a plataformas populares e pesquisas ligadas a vídeos amadores e conteúdos rápidos. Já no Maranhão, as buscas costumam ser mais objetivas, com termos ligados diretamente a sexo e vídeos explícitos. O Amazonas também chama atenção pelo alto interesse em categorias segmentadas e conteúdos voltados ao público gay. 

Em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o comportamento é diferente. O consumo tende a ser mais diversificado, com maior interesse por categorias específicas e conteúdos personalizados. Nessas regiões, o usuário costuma navegar mais dentro das plataformas e explorar nichos variados, o que demonstra um perfil menos imediato e mais exploratório. 

Outro detalhe que chama atenção é o avanço do celular nesse mercado. Atualmente, a maior parte do acesso às plataformas adultas já acontece via dispositivos móveis, o que tornou o consumo mais rápido, discreto e individual. O hábito também acompanha a expansão da internet no Brasil e o aumento do tempo de navegação nas redes e aplicativos. 

Para a FatalFans, uma das plataformas adultas que mais crescem no Brasil, os dados mostram que existe um comportamento muito específico em cada região brasileira. “Hoje conseguimos identificar diferenças claras não apenas no volume de consumo, mas principalmente no tipo de conteúdo que cada estado procura. O público está mais segmentado e busca exatamente aquilo que deseja assistir”, afirma Kellerson Kurtz, diretor de negócios da plataforma. 

As diferenças também aparecem quando o assunto são fantasias e preferências. Levantamentos recentes mostram que estados do Norte e Nordeste concentram maior interesse proporcional em conteúdos ligados a sexo anal e experiências em grupo, enquanto o Sudeste apresenta buscas mais pulverizadas entre categorias e fetiches variados. 

Segundo Kellerson Kurtz, o mercado adulto brasileiro deixou de funcionar de forma uniforme. “O comportamento mudou muito nos últimos anos. O usuário passou a consumir conteúdo de maneira mais personalizada, rápida e direcionada. Hoje o desejo online também muda de região para região”, conclui o diretor de negócios da FatalFans.


Ieremy
CO ASSESSORIA


Sexóloga da INTT fala sobre reconectar o corpo, autoestima e sexualidade após a maternidade

A maternidade transforma. O corpo muda, a rotina muda, as prioridades mudam. Mas, em meio a tantas descobertas e adaptações, uma parte essencial da mulher ainda costuma ser deixada de lado: a sua saúde íntima e sexual.

Durante a gestação e, principalmente, no pós parto, é comum que a mulher direcione toda a sua energia para o bebê. No entanto, especialistas alertam que esse é justamente o momento em que o autocuidado precisa ser ainda mais presente.

“A mulher não deixa de ser mulher quando se torna mãe. Pelo contrário, ela entra em uma nova fase que exige ainda mais conexão com o próprio corpo e com a sua identidade”, afirma Stephanie Seitz, sexóloga da INTT Cosméticos.


Corpo em transformação e novas necessidades

Alterações hormonais, ressecamento vaginal, diminuição da libido, desconfortos durante a relação e até insegurança com o próprio corpo fazem parte da realidade de muitas mulheres após o parto.

Segundo Stephanie, esses sintomas são comuns, mas não devem ser ignorados.

“É fundamental entender que o corpo passou por uma grande transformação. A lubrificação pode mudar, a sensibilidade também, e isso não é um problema, é um sinal de que o corpo precisa de novos cuidados”, explica.


Saúde íntima também é saúde emocional

A retomada da vida sexual após o parto nem sempre é simples. Fatores físicos e emocionais caminham juntos, e o cansaço, a sobrecarga e até a autoestima podem impactar diretamente esse processo.

“Não existe um tempo certo para retomar a vida sexual. Existe o tempo da mulher. E esse tempo precisa ser respeitado sem culpa, sem pressão e com muito diálogo”, destaca.

Para a especialista, a conexão com o parceiro e, principalmente, consigo mesma, é essencial nesse momento.


Dicas para resgatar o prazer e a conexão no pré e pós parto

  • Respeite o tempo do corpo
    Cada fase, gravidez e pós parto têm suas particularidades. Ouvir o corpo, respeitar limites e evitar comparações é essencial para uma retomada saudável da vida sexual.
  • Invista na hidratação íntima e lubrificação
    A lubrificação natural pode diminuir, especialmente no pós parto e na amamentação. O uso de lubrificantes e hidratantes íntimos de qualidade ajuda a trazer conforto e evitar dor durante a relação.
  • Redescubra o prazer sem pressão
    O prazer não precisa começar com a relação sexual em si. Toques, carícias, massagens e momentos de conexão são fundamentais para reacender o desejo de forma natural.
  • Inclua recursos que favoreçam a intimidade
    Produtos voltados para a saúde íntima e até brinquedos sensuais podem ser aliados importantes para explorar novas sensações e trazer leveza para o momento a dois, sempre com diálogo e consentimento.
  • Crie momentos a dois
  • Mesmo na rotina intensa, a maternidade exige muito, mas pequenos momentos de conexão com o parceiro ou parceira fazem diferença. Um tempo para o casal, ainda que breve, ajuda a fortalecer o vínculo emocional e sexual.


Autocuidado não é luxo, é necessidade

Cuidar da saúde íntima vai além da estética ou do prazer. Envolve higiene adequada, hidratação da região íntima, uso de produtos específicos e seguros, além de acompanhamento médico quando necessário.

“Pequenos hábitos fazem uma grande diferença. A hidratação íntima, por exemplo, pode ajudar no conforto diário e também na retomada da vida sexual de forma mais leve e prazerosa”, orienta.


Resgatar o feminino após a maternidade

A maternidade não precisa, e não deve, apagar a mulher que existe ali. Pelo contrário, pode ser uma oportunidade de reconexão com o próprio corpo, com o prazer e com a autoestima.

“Ser mãe e ser mulher caminham juntas. Quando a mulher se permite olhar para si, ela se fortalece em todos os aspectos, inclusive na maternidade”, finaliza Stephanie.


Não é só cansaço: a exaustão silenciosa das mulheres no pós parto que vai além da depressão

O nascimento de um filho costuma ser retratado como um dos momentos mais felizes da vida. Mas, para muitas mulheres, ele também marca o início de uma fase intensa, exaustiva e, muitas vezes, solitária.

Entre noites mal dormidas, adaptações físicas e uma avalanche de responsabilidades, surge um tipo de cansaço que não se resolve com descanso. Um esgotamento físico e mental que vai além do esperado, e que nem sempre é reconhecido.

A exaustão no pós parto não está ligada apenas à depressão. Existe uma sobrecarga real, emocional, física e social, que muitas vezes é ignorada, explica a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani.

A pressão de dar conta de tudo

Cuidar do bebê, da casa, da rotina, do relacionamento, do próprio corpo e, em muitos casos, ainda lidar com o retorno ao trabalho.

A mulher, que acabou de passar por uma transformação profunda, se vê diante de uma expectativa silenciosa, dar conta de tudo, e ainda fazer isso com leveza.

Existe uma idealização muito forte da maternidade. A mulher sente que precisa ser grata o tempo todo, feliz o tempo todo, e isso gera culpa quando a realidade não corresponde a essa expectativa, afirma a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani.

Além disso, há a pressão externa.

Família opinando, comparações, redes sociais mostrando uma maternidade perfeita, tudo isso contribui para um cenário de cobrança constante.

Quando o corpo e a mente entram em colapso

A privação de sono, as alterações hormonais e a responsabilidade contínua criam um ambiente propício para o esgotamento.

Mas nem sempre isso é identificado como um problema.

Muitas mulheres não percebem que estão exaustas. Elas continuam funcionando no automático, até que o corpo começa a dar sinais, explica a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani.

Irritabilidade, choro frequente, sensação de incapacidade, cansaço extremo, dificuldade de concentração e até distanciamento emocional são alguns dos sinais de alerta.

Não é sobre ser forte o tempo todo

Existe uma ideia equivocada de que a maternidade exige força constante. Mas a realidade é outra.

Pedir ajuda ainda é visto como fraqueza por muitas mulheres, quando, na verdade, é um passo essencial para preservar a saúde mental.

A mulher não precisa ser uma super heroína. Esse ideal de dar conta de tudo é uma das principais causas de sofrimento no pós parto, reforça a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani.

O retorno ao trabalho e a culpa invisível

Para muitas mulheres, o retorno à vida profissional intensifica ainda mais esse cenário.

De um lado, a responsabilidade e a cobrança no trabalho. Do outro, a culpa por deixar o bebê, mesmo que temporariamente.

Esse conflito interno pode gerar ansiedade, insegurança e uma sensação constante de estar em falta em algum papel.

Alertas importantes que não devem ser ignorados

Cansaço extremo que não melhora, sensação constante de sobrecarga, choro frequente ou irritabilidade, dificuldade de se conectar com o bebê ou com outras pessoas, pensamentos negativos recorrentes.

Diante desses sinais, buscar ajuda profissional é essencial.

Cuidar de quem cuida

Mais do que nunca, é preciso mudar o olhar sobre o pós parto.

A mulher não precisa provar nada. Ela precisa de suporte, acolhimento e, principalmente, de espaço para viver esse momento de forma real, sem idealizações.

Cuidar da saúde mental no pós parto é tão importante quanto cuidar do bebê. Quando a mulher está bem, tudo ao redor também se reorganiza, finaliza a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani.


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