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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Pequenos negócios concentram vendas nas redes sociais e aceleram receita

Pesquisa aponta que maioria dos empreendedores já utiliza plataformas digitais como canal central de comercialização


Instagram, whatsapp e marketplaces se consolidaram, ao longo de 2024 e início de 2025, como principais canais de vendas para pequenos negócios no Brasil, impulsionados pela digitalização do consumo, pelo uso massivo de smartphones e pela busca por canais diretos de relacionamento. O movimento ocorre em todo o país e reflete uma mudança estrutural na forma como micro e pequenas empresas geram receita, atendem clientes e escalam operações. 

Para a educadora e empreendedora digital Sabrina Nunes, especialista em comércio eletrônico e fundadora da marca de acessórios Francisca Joias, a consolidação das redes como canal principal não é apenas resultado de tendência, mas de adaptação estratégica. “O pequeno negócio percebeu que vender pelas redes reduz custo fixo, aproxima o cliente e encurta o caminho entre interesse e pagamento. Hoje, a rede social não é vitrine, é ponto de venda”, afirma.

O avanço é acompanhado pelo comportamento dos próprios empresários, na edição mais recente da pesquisa pulso dos pequenos negócios, realizada pelo Sebrae, 72% dos pequenos empreendedores afirmaram utilizar redes sociais como principal ferramenta de divulgação e vendas. O levantamento mostra ainda que instagram e whatsApp lideram como canais de relacionamento com clientes, superando, em muitos casos, o site próprio como meio inicial de contato comercial.

Do lado do consumidor, a compra dentro das plataformas já é prática recorrente. Na edição mais recente da pesquisa Social Commerce, realizada pela Opinion Box em parceria com a All iN, 74% dos consumidores brasileiros afirmaram já ter realizado compras diretamente pelas redes sociais. O Instagram aparece como a plataforma mais utilizada para esse tipo de transação, seguido por Facebook e WhatsApp.

A especialista avalia que a confiança construída por meio de conteúdo e interação direta tem peso decisivo. “O cliente acompanha a rotina da marca, vê avaliações, tira dúvidas no direct e decide ali mesmo. Isso cria uma jornada mais curta e mais personalizada”, diz.

A integração entre redes sociais e comércio eletrônico também reforça essa dinâmica, a conexão entre conteúdos nas redes e links de pagamento ou marketplaces tem facilitado a conversão. “Muitos pequenos negócios usam a rede para gerar demanda e direcionam para checkout simplificado. A venda acontece dentro ou fora da plataforma, mas começa quase sempre ali”, afirma Sabrina.

O alcance contínuo das plataformas amplia ainda o potencial de fidelização.  A recorrência de acesso favorece estratégias de recompra e relacionamento direto. “Quem mantém presença consistente nas redes transforma seguidores em clientes recorrentes. O canal deixa de ser apenas aquisição e passa a ser retenção”, conclui a especialista.

 

Sabrina Nunes - CEO e fundadora da Francisca Jóias, considerada a maior loja online de semijoias do Brasil. Atua no mercado digital desde 2011 e acumula 14 anos de experiência em grandes operações de vendas, especialmente no período de Black Friday. Desenvolveu estratégias práticas e validadas para aumentar o faturamento no varejo online, formando e mentorado mais de 36 mil mulheres que hoje empreendem com produtos físicos na internet. Hoje, dedica-se a ensinar empreendedoras a venderem de forma estruturada, acessível e orientada a resultados. Para mais informações, acesse @sabrinanunesfj ou pelo portal https://sabrinanunes.com.br/


Páscoa da autoindulgência: brasileiros planejam presentes para si próprios em 2026

Cacau show é a marca mais lembrada por quem pretende comprar presentes nesta Páscoa

 

A tradição da Páscoa no Brasil está ganhando um novo protagonista: o próprio consumidor. De acordo com pesquisa realizada pela Toluna entre 13 e 16 de março, a tendência da autoindulgência deve dominar a data. Dos 73% que pretendem presentear alguém, 38% planejam comprar um presente para si mesmos, superando a intenção de compra para os próprios filhos de até 12 anos (36%) e cônjuges (35%).

 


Consumidor mais planejado

 

Apesar de 86% dos brasileiros perceberem que os ovos de Páscoa estão mais caros neste ano, a celebração continua sendo uma prioridade para 75% da população. E para driblar o aumento dos preços, a pesquisa aponta um consumidor mais estratégico, já que:

 

• 70% afirmam planejar as compras com antecedência, enquanto apenas 22% deixam para a última hora.


• 40% pretendem gastar entre R$ 51 e R$ 100.


• Em comparação com 2025, aumentou a procura por chocolate ao leite no lugar das opções recheadas


• Os supermercados e hipermercados lideram a preferência (59%), seguidos por lojas físicas de doces e bombonieres (49%).


• Cacau Show consolida-se como a marca mais lembrada por quem pretende comprar presentes e ovos nesta Páscoa (63%), seguida pela Nestlé (58%) e Lacta (46%).


• 27% pretendem fazer os próprios ovos de Páscoa para presentear (3 pontos percentuais a mais do que em 2025).

 


Chocolates preferidos

 

O chocolate ao leite segue imbatível na preferência nacional, citado por 70% dos entrevistados. Em seguida estão ovos ou barras recheadas (49%), crocante (35%), branco (34%), meio amargo (28%) e amargo (24%).


Os presentes mais procurados devem ser tabletes ou barras temáticas da Páscoa (47%) e bombons tradicionais (44%). Ovos de Páscoa sem brinquedo são o terceiro item do ranking (39%), seguidos por bombons premium e ovos com brinquedo (ambos citados por 38% dos entrevistados). 



De 2025 para 2026, aumentou a quantidade de brasileiros que pretendem fazer os próprios ovos e chocolates (27% versus 24%). A maioria (51%) deve comprar de 2 a 4 presentes de Páscoa e entre esses que pretendem comprar, a preferência por chocolate ao leite aumentou. 

Assim como em 2025, Cacau Show se mantem no topo do ranking como a marca preferida do consumidor brasileiro. Já Brasil Cacau, Kopenhagen e Ferrero Rocher são as marcas que mais cresceram em intenção de compra do consumidor no último ano.

 


Sobre a pesquisa 

Foram entrevistadas 1.209 pessoas no Brasil, acima de 18 anos, entre 13 e 16 de março de 2026. Destas, 66% são responsáveis pelas compras da família, enquanto 27% compartilham a responsabilidade com outras pessoas, e 61% têm filhos. 

 

Toluna
www.tolunacorporate.com

 

Acidente com avião da Delta: saiba o que fazer se seu voo foi afetado

Especialista explica os direitos de passageiros em casos de atraso, cancelamento e remarcação após incidentes aéreos 


O recente acidente envolvendo uma aeronave da Delta pode gerar impactos em voos ao redor do mundo, incluindo atrasos, cancelamentos e mudanças de itinerário. Diante desse cenário, passageiros afetados têm direito à assistência imediata, opções de reacomodação e até reembolso, dependendo da situação. Mas o que fazer na prática? Quais são as obrigações das companhias aéreas? E como garantir seus direitos? 

Com a repercussão do caso, cresce a preocupação entre viajantes que tiveram seus voos alterados. Segundo Rodrigo Alvim, advogado atuante em defesa dos Direitos do Passageiro Aéreo, mesmo quando o problema tem origem em um evento extraordinário, como um acidente, as companhias aéreas devem prestar assistência aos consumidores. 

“É importante entender que o passageiro não pode ser prejudicado sem suporte. A empresa deve oferecer alternativas claras, seja para remarcar o voo, reembolsar ou garantir assistência material”, afirma. 

O especialista ainda ressalta que, nesse tipo de situação, o entendimento jurídico tende a considerar o caso como fortuito interno. “Não se trata de um evento totalmente externo à atividade da empresa. Quando falamos de uma aeronave da própria companhia, a manutenção e a segurança são responsabilidades dela. Por isso, a empresa responde pelos prejuízos causados aos passageiros, sejam eles materiais ou morais”, explica. 

 

Atrasos e assistência obrigatória 

Em casos de atraso, os direitos do passageiro começam a valer progressivamente. A partir de uma hora de espera, a companhia deve garantir meios de comunicação. Após duas horas, alimentação adequada deve ser fornecida. 

 

Cancelamentos e opções do passageiro 

Quando há cancelamento de voo, o passageiro pode escolher entre o reembolso integral ou reacomodação por qualquer companhia mantendo origem e destino. 

“Além disso, caso o cancelamento gere danos adicionais, como perda de compromissos ou conexões, pode haver possibilidade de indenização, dependendo da análise do caso”, destaca Rodrigo. 

Outro ponto importante envolve a responsabilidade das companhias. Segundo Rodrigo, o passageiro deve avaliar quem prestou a assistência durante o problema. “Se a companhia com quem você contratou cumpriu corretamente suas obrigações, mas o problema foi causado pela Delta, é possível buscar uma medida diretamente contra a Delta, caso tenha havido prejuízo. Por outro lado, se não houve reacomodação ou assistência adequada, o passageiro pode acionar judicialmente tanto a companhia contratada, quanto a Delta, ou até mesmo ambas”, orienta. 

Ainda segundo Alvim, como o ocorrido envolve a Delta, a aérea deve responder sobre o caso sempre. Já a inclusão da companhia com quem o passageiro contratou vai depender da qualidade da assistência prestada no caso concreto. 

Por fim, o especialista orienta que todos os comprovantes sejam guardados, incluindo bilhetes, recibos e comunicações da companhia. “Esses documentos são fundamentais caso seja necessário buscar reparação posteriormente”, reforça.  

Diante de situações como essa, informação é a principal aliada do consumidor para garantir que seus direitos sejam respeitados. 

  


Fonte:
Rodrigo Alvim: - Mestre em Direito pela PUC/MG. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com um semestre na Univesidad de Barcelona. Possui MBA em gestão empresarial pela FGV. É especialista em Direito dos Passageiros Aéreos

 

IBGE e seu Censo sem senso

 

Freepik
Onde foram parar 30 milhões de brasileiros com deficiência do Censo de 2010?

 

 

Esta é uma daquelas histórias difíceis de acreditar que ocorreram e ainda ocorrem. Do Censo de 2010 até o último, em 2022, com pitstop em 2018, o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística conseguiu sumir com quase 30 milhões de pessoas com deficiência, que simplesmente desapareceram das estatísticas oficiais! Preste bem atenção aos detalhes desta narrativa, já que a compreensão sobre os fatos não é tão automática assim, haja vista a confusão que perdura e que este artigo visa pacificar. Vamos lá!

Em 2010, ao divulgar números do recorte populacional de pessoas com deficiência, nosso valoroso instituto apontou que, em números arredondados, 45 milhões de cidadãos, ou 24% da população brasileira teria alguma deficiência. Fazia apenas três anos desde eu ter me tornado tetraplégico, já trabalhava na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, ainda não tinha o conhecimento que tenho hoje sobre esse universo, mas, quando vi a divulgação dos dados, para mim claramente superfaturados, não consegui conter o espanto e gritei, não sei porque, "Truco!" — me olhou assustado meu colega de sala –, "Truco, ladrão!", não resisti e completei, apesar de nunca ter jogado truco na vida!

Mesmo sendo ainda meio neófito nos disability studies, para mim era mais do que óbvio que alguma coisa estava errada e que eu não precisava ser um estatístico para intuir que não éramos quase meia centena de milhões de pessoas com deficiência no Brasil! Teríamos "gente saindo pelo ladrão", comentou uma amiga à época! Porém, poucos criticaram e questionaram. A maioria ululante (pesquise... adianto que não tem nada a ver com o presidente!) confiou no IBGE e não pensou muito a respeito. Alguns, eu sei, perceberam haver algum equívoco, mas, como "mais é melhor", apropriaram-se de "sermos um quarto da população". Não é incomum, ainda nos dias de hoje, escutar um ou outro desavisado com os dados todos trocados!

Afinal, o que aconteceu, já que no último Censo, aquele que era para ter sido feito em 2020, mas a pandemia atrasou para 2022, o IBGE fala em cerca de 15 milhões? Como assim? A parcela da população com deficiência, que, pela lógica, deveria ter aumentado, caiu de 24% para menos de 8%? É isso mesmo? E o que o próprio IBGE diz?

Sabemos que deficiências não desaparecem por decreto estatístico, nem somem por mágica demográfica. O que mudou, essencialmente, foram os critérios. E quando os critérios mudam, o resultado pode mudar até a realidade! Na verdade, em 2018, depois de muita pressão de "influenciadores" mais sintonizados, o IBGE, citando o Consenso de Washington, explicou a complexidade que é calcular populações com deficiência, inclusive, comparativamente, no plano internacional, justificando a mudança metodológica! Por ocasião do "mea culpa, mea maxima culpa", apresentaram novos números, muito parecidos com os atuais. 

Então, vamos aos fatos desse imbroglio censitário, cujo ponto central está na metodologia adotada. Os questionários do Censo contém, para cada pergunta, quatro respostas possíveis, sendo uma "não" e quatro "sim", com intensidades crescentes. No caso específico, apenas o questionário completo traz quatro perguntas sobre deficiências (motora, visual, auditiva e intelectual) e uma sobre autismo. Os questionamentos não são feitos de forma direta ("tem alguém com deficiência visual em casa, com que grau?"), mas em forma de historinha funcional ("alguém em casa tem dificuldade para... mesmo com o auxílio de...?"), para facilitar a compreensão de todos! Até aqui tudo entendido, certo?

Sim! Parece razoável e alinhado às melhores práticas internacionais, como explicaram publicamente em 2018. O problema surge no modo como as respostas são classificadas e computadas. Para cada pergunta, o entrevistado pode responder que, na sua casa, "não tem ninguém com dificuldade", "que tem alguém com alguma dificuldade", "que tem alguém com muita dificuldade" ou "que tem alguém que não consegue de modo algum realizar aquela atividade". E é justamente aqui que ocorre a mágica...

Hoje, o IBGE computa como pessoa com deficiência apenas quem responde “muita dificuldade” ou “não consegue”, razão pela qual existe a ressalva de que o índice atual é formado apenas por "pessoas com deficiências moderadas ou severas"! Quem responde “alguma dificuldade” simplesmente não entra na conta final. Em 2010, todas as três respostas positivas eram interpretadas como indicações de deficiência, por isso os 24%. Agora, ao desconsiderar completamente a primeira resposta positiva, o número cai para 8% de deficiências moderadas ou severas, impossibilitado que está o IBGE de separar, entre aqueles que responderam "alguma dificuldade", os que têm deficiências leves daqueles que possuem outras limitações e patologias que não configuram deficiências. Ou seja, o número real de pessoas com deficiência não caiu, mas sofreu uma reclassificação censitária pelas limitações da própria metodologia.

Captou a sinuca de bico na qual o IBGE se encontra e nos coloca a todos? Entre as respostas "alguma dificuldade", quase 30 milhões, a maioria é de pessoas sem deficiência! Contudo, pensando na média mundial, que varia entre 12 e 15%, desse total, algo como 10 milhões de pessoas, com certeza, devem ter deficiências leves, que terminam não detectadas e devidamente computadas! Assim, com a atual metodologia, nunca saberemos qual é a população correta de pessoas com deficiências leves e, por tabela, o total de pessoas com deficiência no Brasil, o que considero como muito grave e discriminatório! Entretanto, acomodando um pouco, digo sempre, quando comento sobre esta temática, que o número oficial não é totalmente inútil, já que traz a somatória de pessoas com deficiências moderadas e severas, que são, afinal, aquelas que mais demandam atenção, cuidados e políticas específicas!

Podemos tentar minimizar o impacto negativo desse estado de coisas, como fiz acima, mas não dá para não admitir que há algo de trágico — ou ironicamente brasileiro — nisso tudo.

Nós, pessoas com deficiência, enfrentamos o capacitismo via barreiras na rua, no transporte, na escola, no emprego, nos serviços públicos e em toda parte. Agora, mais essa? Ter que enfrentar também uma barreira estatística?

Falo com certa propriedade, porque vivi este debate de perto. Depois do "Truco!" incrédulo e irritado de 2010, como atuava na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e, depois, na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, procurei institucionalmente o IBGE para questionar o absurdo. A interlocução foi sempre muito atenciosa, mas a conclusão era uma só: com a metodologia atual nunca teremos números fidedignos! Sendo assim, por favor, por que não encontrar uma metodologia mais apropriada?

Pronto! Finalmente chegamos ao cerne do problema: quando a metodologia se torna mais importante do que a realidade que deveria retratar! Talvez o caminho mais honesto e pragmático seja reconhecer que existem dois Brasis distintos. Um deles, das deficiências moderadas e severas, representando corretamente 8% da população! O outro, mais amplo e real, que deve facilmente alcançar os 25 milhões de brasileiros, algo entre 12% e 15% do total, que é a média mundial, do qual só conseguimos intuir e especular sobre o que deve ser na realidade.

Resumindo, muita atenção para entendermos e pacificarmos este assunto que já casou e ainda causa tanta decepção e desencontros! O Brasil não virou, de repente, um país com menos deficiência, muito pelo contrário, já que somos grandes produtores em razão da violência social em suas mais diversas manifestações. Sempre fomos o país das estatísticas que podem e que não podem ser divulgadas e, talvez por esse histórico, aceitamos numa boa o fato de termos dados "meia-boca" sobre este nosso segmento carente e sofrido, o último da fila, no caso, uma vez mais, "paralimpicamente" ignorado!

Portanto, repito, por outros motivos do que aqueles lá de cima deste texto: "Truco" aos "Ladrões" que, capacitisticamente, sonegam nossos números, nossos dados e, por conseguinte, distorcem e comprometem nossa relevância, nossa autoestima e nossa identidade!



**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**



Cid Torquato - CEO do ICOM e ex-secretário municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/ibge-e-seu-censo-sem-senso


Projeto de lei amplia teor de cacau no chocolate e acende alerta para consumo de ultraprocessados

Nova lei estabelece mínimo de cacau e muda rotulagem de produtos; especialistas explicam impactos do consumo diante do excesso de ingredientes de baixo valor nutricional
 

Com o aumento do consumo de chocolate às vésperas da Páscoa, cresce a atenção sobre a qualidade dos produtos disponíveis no mercado. Por isso, em meio à oferta de itens com baixa concentração de cacau e altos teores de açúcar e gordura, a Câmara dos Deputados em Brasília aprovou, em 17 de março, um projeto que estabelece critérios mais rigorosos para que esses produtos sejam classificados como chocolate, incluindo a definição de percentuais mínimos de cacau e a obrigatoriedade de informar com maior clareza o teor do ingrediente nas embalagens. 

A nutricionista Polyana Baptista Gomes, do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, explica que produtos com maior teor de cacau tendem a apresentar melhor qualidade nutricional e impacto positivo nas escolhas alimentares. “Os efeitos vão além da prateleira e influenciam diretamente decisões relacionadas à saúde. Isso porque o cacau é o principal responsável pelos potenciais benefícios associados ao chocolate, por concentrar compostos bioativos, como flavonoides, cuja ação antioxidante e moduladora contribui para proteção celular”, afirma. 

Para chocolates intensos, passa a ser exigido mínimo de 35% de cacau, acima dos 25% atualmente previstos pela Anvisa. A decisão também define parâmetros para outras categorias, como chocolate em pó (32% de cacau), ao leite (25% de cacau e 14% de leite) e branco (20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos lácteos), além de detalhar a composição mínima dos chocolates intensos. 

“Quando há maior concentração de cacau, há também menor espaço para adição de açúcares e gorduras, o que impacta diretamente o perfil do produto”, afirma. Ainda assim, ela reforça que o consumo deve ser equilibrado. “O ideal é priorizar opções com maior teor de cacau, como 70% ou mais, e evitar o consumo frequente em grandes quantidades. O equilíbrio é fundamental para que o alimento não deixe de ser um prazer e passe a representar um risco”, completa. 

Segundo ela, a composição do produto está diretamente associada a impactos negativos no organismo. “Dietas com excesso de açúcar e gordura podem contribuir para o ganho de peso, alterações metabólicas e aumento do risco de doenças crônicas ao longo do tempo. No caso de produtos com baixo teor de cacau, o chocolate deixa de oferecer potenciais benefícios e passa a ser predominantemente uma fonte desses ingredientes”, diz.

No caso das crianças, a atenção deve ser redobrada. O alerta aqui é a moderação. A endocrinologista pediátrica Nara Evangelista, do Hospital Samaritano Higienópolis, alerta que o excesso de açúcar pode trazer impactos relevantes à saúde infantil, que vão além do ganho de peso. 

“O consumo exagerado de açúcar na infância está associado a um maior risco de obesidade, alterações metabólicas e até à formação precoce de hábitos alimentares inadequados. Na Páscoa, a orientação não é proibir, mas estabelecer limites e priorizar opções com maior teor de cacau, além de incentivar o consumo consciente e equilibrado”, explica.

A especialista avalia que a medida legislativa contribui para escolhas mais conscientes “Ter mais clareza sobre o que está sendo consumido é fundamental para a saúde, principalmente no caso das crianças, que são mais vulneráveis aos efeitos do excesso de ingredientes de baixo valor nutricional”, afirma. “Entender a composição dos alimentos é um passo importante para evitar o consumo frequente de ultraprocessados e promover hábitos mais equilibrados desde cedo”, finaliza.


Governança do Pix entra em nova fase e impõe desafios para instituições financeiras, apontam especialistas

Especialista destaca que a governança do Pix também precisa considerar os impactos sociais e comportamentais gerados pela ferramenta

 

 

A consolidação do Pix como principal meio de pagamento no Brasil inaugura uma nova etapa para o sistema financeiro: a necessidade de fortalecer sua governança. Após cinco anos de operação e rápida expansão, o modelo passa a exigir maior coordenação entre instituições, evolução tecnológica e atenção crescente a riscos operacionais e sociais.

Para Peterson Santos, CEO e cofundador do Grupo Trio, empresa que desenvolve soluções voltadas especialmente para o ambiente corporativo, o principal desafio atual está na maturidade das instituições que participam do arranjo. Segundo ele, o crescimento acelerado do sistema evidenciou fragilidades que agora precisam ser enfrentadas de forma conjunta.

“O principal desafio hoje é que todas as instituições tenham consciência do papel que desempenham dentro do ecossistema”, afirma. O executivo destaca que o Pix entra agora em um momento de evolução que depende diretamente da colaboração entre os participantes do sistema. Para ele, encontros e fóruns do setor são essenciais para garantir esse alinhamento.

“É extremamente importante que as instituições colaborem. A gente precisa falar sobre o que está sendo feito, quais são os desafios e como o mercado está evoluindo. Só assim será possível expandir o sistema de forma sustentável. A Trio, inclusive, se posiciona não só como instituição financeira, mas como empresa de tecnologia, trazendo uma abordagem aberta à colaboração e à construção conjunta de soluções”, explica.

Apesar dos desafios, Santos reforça o potencial do Pix, que já conquistou uma fatia significativa do mercado de pagamentos em poucos anos. “O Pix tem um potencial enorme. Em cerca de cinco anos, ele já tomou uma parcela muito relevante do mercado e deve continuar crescendo. A questão agora é como sustentar essa evolução com segurança e inovação”, completa.


Impactos sociais e comportamento financeiro entram na pauta

Para Andressa Lipski, diretora de Legal & Compliance do Grupo Trio, a governança do Pix também precisa considerar os impactos sociais e comportamentais gerados pela ferramenta.

“O Pix é extremamente disruptivo e mudou completamente a forma como as pessoas consomem e utilizam serviços financeiros. Isso traz inúmeros benefícios, mas também levanta pontos de atenção que talvez ainda não estejam sendo observados com profundidade”, avalia.

Segundo ela, um dos sinais dessa mudança está no comportamento dos usuários em relação ao uso do sistema, o que já começa a chamar a atenção do Banco Central.

“Uma das primeiras evidências disso é o aumento no volume de contestações e solicitações de devolução por motivos que nem sempre são fraudes, mas sim desacordos comerciais. Isso mostra que o comportamento do usuário também precisa entrar na discussão de governança”, explica.

Andressa destaca que a inclusão financeira proporcionada pelo Pix traz novos desafios, especialmente para públicos mais vulneráveis.

“A gente precisa começar a olhar também para os impactos sociais. O Pix trouxe inclusão, mas também expôs novas vulnerabilidades. Talvez seja o momento de discutir medidas educacionais e mecanismos que ajudem o usuário a tomar decisões mais conscientes, considerando a velocidade e facilidade do sistema”, afirma.

Criado em 2020 por Peterson Ferreira dos Santos e Manoel de Oliveira Souza, empreendedores com forte experiência em tecnologia e mercado financeiro, o Grupo Trio foi concebido com a proposta de oferecer uma infraestrutura financeira capaz de acompanhar o crescimento das empresas. Entre os diferenciais da empresa está a forte aposta em tecnologia proprietária e infraestrutura financeira avançada. A Trio desenvolve soluções voltadas especialmente para o ambiente corporativo, com destaque para ferramentas de gestão financeira, integração por APIs, sistemas de conciliação automatizada e soluções baseadas em Pix.

Para mais informações, acesse o site https://www.trio.com.br ou o perfil oficial do Grupo Trio no Instagram: trio.fin.


Como lidar com a pressão de consumo dos filhos na era das telas

Educação financeira deficiente dificulta aos pais lidarem com as demandas de crianças e adolescentes, e a maioria nem sequer vê a necessidade de educar os filhos sobre esse tema

 

O grande apelo de consumo junto às crianças e adolescentes, estimulado pela propaganda nas redes sociais e aplicativos, tem colocado pais e mães diante de um impasse: como dizer “não” e lidar com a frustração dos filhos no dia a dia. Essa dificuldade se acentua ainda mais diante da falta de conhecimento dos pais sobre educação financeira e a importância de educar os filhos sobre esse tema, segundo alertam os especialistas da Dinx – ecossistema gamificado de educação financeira para crianças. 

“A pressão por consumo por parte das crianças tem se acentuado diante das redes sociais e aplicativos, que são uma vitrine de produtos infantis“, relata a especialista em educação financeira Lúcia Stradiotti, head de Educação e Metodologia da Dinx, ao lembrar que a publicidade, ao moldar preferências e desejos de consumo das crianças, ganha força nas telas. 

Segundo pesquisa da Cetic.BR, 36% das crianças de 6 a 8 anos têm um celular próprio, ou seja, uma em cada três crianças nessa faixa etária. “Aplicativos como YouTube, TikTok e Instagram são ambientes de alto poder de influência sobre o consumo infantil, ao mesmo tempo que, na faixa etária mais alta, até 14%, muitas já fazem compras online sozinhas”, observa Lúcia. 

Trata-se de um cenário no qual crianças não só são influenciadas, mas ativam o consumo imediato via telas, com marcas, personagens e influencers fazendo com que se sintam parte de um grupo social. 

A pressão por consumo também desponta na escola, onde há uma disputa para ver quem tem a mochila mais legal ou o melhor tênis e roupa. “Há uma competição do pertencimento junto ao grupo de crianças dos 7 aos 12 anos, o que amplia a pressão por consumo nessa faixa etária”, analisa Lúcia, ao acrescentar que crianças já a partir dos 2 ou 3 anos são impactadas pelos apelos de consumo. 

E como os pais devem lidar com esses anseios de consumo dos filhos? Segundo a especialista da Dinx, é importante que os pais ensinem educação financeira desde cedo às crianças, a partir das questões do dia a dia. “As famílias precisam tratar de temas relacionados a dinheiro, e tudo o que gira em torno disso, desde a primeira infância, utilizando exemplos que sejam acessíveis a cada idade”, recomenda. 

"A maioria dos pais acha que educação financeira é ensinar a calcular juros. Não é. É ensinar a escolher, a esperar, e a lidar com o não. Só que quase ninguém aprendeu isso na própria infância, então, muitas vezes, não sabemos como ensinar”, destaca Gabriel Araujo, CEO da Dinx.

Outro aspecto relevante no que tange à educação financeira infantil é que muitos pais não percebem que suas ações influenciam a maneira como as crianças entendem conceitos como dinheiro, poder de compra, estabelecimento de prioridades e, claro, como lidar com a frustração quando um desejo não é atendido. 

“Educação financeira não é sobre dinheiro, mas sobre comportamento, algo que precisa ser compartilhado desde muito cedo. Se isso não estiver claro para os pais, dificilmente os filhos serão capazes de aprender a lidar com a frustração decorrente, por exemplo, de um desejo não atendido”, explica a head de Educação e Metodologia da Dinx. 

Criada, para que o aprendizado ocorra dentro de um ambiente seguro e seja acompanhado pelos pais em tempo real, a Dinx traz uma série de recomendações e dicas importantes sobre como gerenciar os desejos das crianças e adolescentes, seja nos momentos de aperto do orçamento doméstico ou não – afinal, educação financeira é fundamental para toda a vida: 

  • A educação financeira acontece o tempo todo, nas pequenas escolhas do dia a dia. Por isso, é fundamental que os pais conversem com os filhos sobre os desejos de consumo e as prioridades de compra.
  • É preciso trabalhar com a paciência e a lidar com a frustração de não poder comprar um determinado bem naquele momento e ter que esperar e até poupar para isso.
  • Explicar que gerenciar bem o dinheiro não é sobre saber o que é caro ou barato, mas sobre avaliar as prioridades e definir como alcançá-las.
  • Mostrar que dinheiro tem a ver com prioridade, emoção, decisão e escolhas, e não com segredo ou medo.
  • E que é preciso saber o que quer e aprender a planejar para realizar o desejo de consumo.
  • Pautar essa conversa na necessidade do consumo consciente.

  

Dinx - EdTech brasileira de educação financeira infantil, cuja missão é formar uma geração mais consciente na relação com escolhas, tempo e dinheiro.

 

Turismo: última alta temporada registrou cerca de 60 mil tentativas de golpes digitais ligadas ao setor

iStock
Levantamento da Branddi mostra média de mais de 660 ocorrências por dia durante temporada de verão de 2025 para 2026

 

O verão e a alta temporada do turismo no Brasil também marcam um período de maior exposição a fraudes online no setor. A crescente busca por passagens, hospedagens e pacotes turísticos amplia a atuação de golpistas, que se aproveitam da sazonalidade e de um momento em que o consumidor está mais disposto a investir em lazer para aplicar golpes no ambiente digital.

 

Dados internos da Branddi, especialista em proteção de marcas no ambiente digital, reforçam esse cenário. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, foram identificadas 59.593 ocorrências de uso indevido de marcas do setor de turismo. O volume representa uma média de mais de 660 ocorrências por dia durante o verão. 


Os números correspondem a quatro grandes nomes do segmento monitorados pela empresa. As marcas analisadas, consolidadas no mercado, atuam em diferentes frentes do turismo, incluindo serviços de pacotes de viagens, passagens aéreas, aluguel de resorts e assistência para intercâmbios. 

 

Segundo a Branddi, 97% das ocorrências registradas estão relacionadas à prática conhecida como brand bidding. O brand bidding ocorre quando terceiros (concorrentes desleais ou afiliados) compram palavras-chave relacionadas ao nome de uma marca em anúncios patrocinados, geralmente em buscadores, para atrair consumidores que procuram pela empresa original. Ao clicar no anúncio, o usuário pode ser direcionado para sites não oficiais, que simulam serviços legítimos ou tentam captar dados pessoais e financeiros.

 

Para Diego Daminelli, CEO da Branddi, a prática tende a crescer justamente em momentos de maior demanda por viagens: “Períodos como o verão e as férias escolares ampliam o volume de buscas por passagens, pacotes e hospedagens. Esse aumento de procura abre espaço para que golpistas utilizem o nome de marcas conhecidas em anúncios patrocinados para atrair consumidores e direcioná-los para páginas não oficiais.”

 

Segundo ele, a empolgação típica do período também pode levar os consumidores a relaxar em alguns cuidados durante a compra. “Esse também é um momento em que o consumidor está empolgado para descansar, tirar férias e viajar e, muitas vezes, acaba se descuidando de algumas etapas importantes para identificar golpes digitais. Preços muito abaixo do mercado, divulgação em perfis suspeitos, anúncios sem avaliações ou pedidos de pagamento fora de plataformas oficiais são alguns sinais de alerta que precisam ser vistos com desconfiança”, explica.

 

Além do risco direto aos consumidores, o impacto também recai sobre as empresas do setor, que podem sofrer perda de tráfego em seus canais oficiais, prejuízos financeiros e danos à reputação da marca.

 


Metodologia


Para a realização do estudo, foram utilizadas informações da base de dados interna da Branddi, considerando o período de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026. Ao longo do levantamento, foram analisadas quatro marcas do segmento de turismo, buscando traduzir o cenário geral do setor.

 

Fonte: https://branddi.com/pt-br/blog?f25fed7d_page=3


Cuidar da saúde mental nas empresas exige mais do que programas de apoio


Nos últimos anos, a saúde mental ganhou espaço nas agendas corporativas, e não por acaso. O aumento dos casos de ansiedade, depressão e esgotamento emocional entre profissionais colocou um alerta importante para as organizações: a forma como o trabalho é estruturado impacta diretamente o bem-estar das pessoas. 

Mais do que nunca, as normas e regulamentações são importantes para estabelecer parâmetros mínimos de proteção ao trabalhador. No entanto, empresas que desejam construir ambientes realmente saudáveis sabem que o cuidado com a saúde mental precisa ir além do cumprimento de exigências formais. 

A questão central não é apenas oferecer apoio quando o problema já apareceu, mas criar condições para que o trabalho seja sustentável no dia a dia. 

Isso significa olhar para aspectos que muitas vezes passam despercebidos: a forma como as metas são definidas, a gestão do tempo, o respeito aos momentos de descanso, o reconhecimento do trabalho realizado e a qualidade das relações dentro das equipes. 

Quando falamos em saúde mental no ambiente corporativo, ainda é comum que o debate fique restrito a iniciativas de suporte psicológico. Esses programas são importantes e fazem diferença para muitas pessoas. Mas, sozinhos, eles não resolvem o problema. 

O bem-estar no trabalho é construído principalmente na experiência cotidiana do colaborador. 

Organizações que têm avançado nessa agenda vêm adotando uma abordagem mais ampla, que envolve desde flexibilidade na gestão da jornada até iniciativas que promovem equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Programas de desenvolvimento de liderança, políticas claras de desconexão, incentivo ao uso integral de férias e momentos estruturados de pausa ao longo do ano são exemplos de práticas que ajudam a reduzir a sobrecarga e a criar ambientes mais sustentáveis. 

Outro ponto fundamental é o reconhecimento. Sentir-se valorizado, respeitado e ouvido tem impacto direto na motivação e no engajamento das pessoas. Muitas vezes, pequenos gestos, como feedbacks consistentes, celebração de conquistas e abertura para participação nas decisões, contribuem mais para o bem-estar do que grandes iniciativas isoladas. 

As empresas precisam aprender a reconhecer sinais precoces de sofrimento emocional no ambiente de trabalho. Mudanças de comportamento, dificuldade de concentração, queda de desempenho ou isolamento podem indicar que um colaborador está enfrentando algum tipo de dificuldade. 

O papel da organização, nesse caso, não é diagnosticar ou substituir o acompanhamento profissional, mas criar uma cultura em que as pessoas se sintam seguras para buscar apoio quando necessário. 

Para isso, a liderança tem um papel decisivo. Gestores preparados para ouvir, acolher e orientar suas equipes contribuem para ambientes de trabalho mais humanos e atentos às necessidades individuais. 

Também é fundamental entender que bem-estar no trabalho não depende apenas de programas estruturados. Ele está diretamente ligado à cultura organizacional. Empresas que valorizam equilíbrio, confiança e respeito tendem a criar ambientes onde as pessoas conseguem desempenhar seu melhor sem comprometer a própria saúde. 

Nos próximos anos, esse será um dos grandes desafios do mundo corporativo. A aceleração tecnológica, os novos modelos de trabalho e a pressão por resultados exigirão cada vez mais das organizações uma reflexão sobre como tornar o trabalho mais sustentável. 

Cuidar da saúde mental não deve ser visto apenas como uma responsabilidade social das empresas, mas como um investimento estratégico. Ambientes saudáveis estimulam engajamento, inovação, colaboração e produtividade de longo prazo. 

Mais do que cumprir normas, o verdadeiro avanço acontece quando as empresas incorporam o cuidado com as pessoas como parte essencial da forma de trabalhar. Porque, no fim das contas, organizações são feitas por pessoas, e resultados sustentáveis dependem de ambientes onde elas possam prosperar.
  
 

Alba Eiras - diretora de Pessoas e Comunicação da Lundbeck Brasil, empresa especializada no desenvolvimento de tratamentos para doenças do cérebro com expansão para condições neuro raras.


IA e ChatGPT impulsionam contratações em tecnologia e transformam perfil profissional

Anderson Garcia, Head de Inovação da Global Tech Institute, aponta que avanço da inteligência artificial está mudando o perfil profissional e exigindo novas habilidades no mercado


O avanço da inteligência artificial e ferramentas como o ChatGPT tem acelerado a demanda por profissionais de tecnologia no Brasil e transformado o perfil das contratações no país. Segundo levantamento publicado pela Forbes, 68% das empresas brasileiras pretendem ampliar suas equipes na área em 2026, impulsionadas pela digitalização e automação dos negócios.

Esse movimento reflete uma mudança estrutural no mercado de trabalho, em que a tecnologia deixa de ser um setor isolado e passa a impactar todas as áreas das empresas, da operação ao estratégico. A tendência é que habilidades ligadas à análise de dados, inteligência artificial e automação se tornem cada vez mais valorizadas.

Para Anderson Garcia, Head de Inovação da Global Tech Institute, o crescimento está diretamente ligado à popularização de ferramentas de IA generativa. “O ChatGPT e outras soluções de inteligência artificial deixaram de ser experimentais e passaram a fazer parte da rotina das empresas, aumentando a produtividade e criando novas demandas por profissionais qualificados”, afirma.

Segundo o especialista, o cenário também traz um desafio para o mercado: a falta de mão de obra preparada. “Não é apenas sobre contratar mais, mas sobre encontrar profissionais que saibam trabalhar com tecnologia de forma estratégica. Existe uma lacuna entre a velocidade da inovação e a qualificação disponível”, explica.

Além disso, Garcia destaca que o perfil do profissional está mudando rapidamente. “Hoje, não basta ter conhecimento técnico. As empresas buscam pessoas que consigam integrar tecnologia ao negócio, tomar decisões com base em dados e utilizar ferramentas como o ChatGPT para otimizar processos”, diz.

A tendência, segundo ele, é de um mercado mais competitivo e exigente nos próximos anos. “Quem souber usar a inteligência artificial como aliada terá vantagem. A tecnologia não substitui profissionais, mas amplia a capacidade de quem está preparado para utilizá-la”, conclui.



Popularidade de Lula em queda: reflexo de uma gestão que não entrega mais e de ausência de projeto de nação

  

Os indicadores econômicos recentes do Brasil, à primeira vista, sugerem um cenário que, em outros momentos da história, seria suficiente para impulsionar a popularidade de qualquer governo. Aumento da renda disponível com medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), níveis próximos ao pleno emprego e algum dinamismo no consumo formariam, no passado, a base de sustentação de aprovação política consistente. 

No entanto, não é isso que estamos vendo com o atual presidente de nosso País, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo diante de tais métricas, a popularidade do petista não aumenta. Isso revela algo mais profundo: não se trata apenas de comunicação, de narrativa ou de conjuntura. Trata-se do esgotamento de um modelo econômico. São claros, aliás, os sinais de fadiga. 

O que ocorre é compreensível. Não há, para o cidadão, percepção de melhora efetiva na qualidade de vida. O aumento da renda veio com alta ainda maior do endividamento das famílias. O crédito, que antes impulsionava o consumo, hoje sufoca o orçamento doméstico. 

As taxas de juros praticadas no Brasil, especialmente no cartão de crédito e no cheque especial, em muitos casos, ultrapassam 400% ao ano: patamares absurdos, completamente divorciados da realidade inflacionária, e que penalizam, sobretudo, a população de menor renda. Trata-se de um sistema que aprisiona o brasileiro, corroendo qualquer ganho real obtido com políticas de transferência de renda ou alívio tributário. 

Ao mesmo tempo, o País permanece preso a uma armadilha macroeconômica. Um Estado que gasta muito pressiona a dívida pública, que, por sua vez, exige juros elevados para financiamento. Juros altos desestimulam o investimento produtivo e encarecem o crédito. Resultado: crescimento artificial, sustentado no consumo de curto prazo, mas sem base sólida em produtividade, em investimento e em aumento real da capacidade econômica nacional. E o povo, não se engane, percebe isso no dia a dia. 

É por isso que medidas que antes geravam popularidade, hoje já não têm o mesmo efeito. De uns tempos para cá, mesmo trabalhando, e muito, ao passo em que faz malabarismos com o orçamento e hora extra, o cidadão comum sente que não avança. A renda entra e sai rapidamente, enquanto o custo de vida segue alto. 

Diante de tal cenário, torna-se evidente a necessidade de uma mudança de direção em nossa nação. Insisto em dizer que o Brasil precisa retomar uma agenda baseada em responsabilidade fiscal, em eficiência do gasto público e em modernização do Estado. Reduzir o tamanho da máquina pública, melhorar a qualidade do gasto, simplificar o sistema tributário e criar condições para a queda estrutural da taxa de juros são primordiais. 

A queda de popularidade de Lula é um sinal claro de que a sociedade já percebeu que o modelo atual não entrega mais o que prometia, e que a polarização política radicalizada é improdutiva para o Brasil. E, talvez, a principal lição seja essa: sem responsabilidade fiscal, sem reformas estruturais, sem projeto de País e sem compromisso com eficiência, não há política pública que se sustente no tempo; nem prestígio eleitoral que resista à realidade.

 

Paulo Serra - especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-SP; professor universitário no curso de Direito, também é 1º vice-presidente da Executiva Nacional do PSDB e presidente do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo; foi prefeito de Santo André-SP, de 2017 a 2024.


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