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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Dia Mundial de Combate ao Câncer: a esperança se apresenta em forma de vacina

A data de 8 de abril lembra que a cada dia a ciência avança no caminho da cura e da prevenção


 O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 8 de abril, evidencia um dos horizontes mais promissores para o tratamento do câncer dos últimos anos. A ciência nunca esteve tão próxima de oferecer a primeira vacina contra a doença, possivelmente entre este ano e 2027. Há mais de 150 ensaios de imunizantes em curso, voltados tanto à prevenção quanto à cura, que apresentam resultados promissores e alimentam esperanças.

A pesquisa avança rapidamente. Algumas estão prestes a entrar na fase de testes em humanos, inclusive com participação de brasileiros. Câncer de pulmão, de bexiga, pâncreas, melanoma e síndrome de Lynch são alvos de adiantados ensaios de vacinas preventivas a serem aplicadas em candidatos de alto risco, a exemplo de outras já conhecidas, como a do vírus do papiloma humano (HPV), que reduz o risco de câncer de colo do útero e outros tumores relacionados, e a da hepatite B, que previne o câncer de fígado.

“Essas novas abordagens, muitas baseadas em plataformas de mRNA, DNA ou neoantígenos personalizados, buscam estimular o sistema imunológico a atacar células tumorais específicas. “A maioria ainda está em ensaios clínicos (fases 1 a 3), com resultados promissores, mas sem aprovação geral para uso rotineiro”, observa o oncologista clínico Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas.

Na vacina de RNA mensageiro, chamada de mRNA, as proteínas do câncer (neoantígenos) são identificadas para serem utilizadas na fabricação do imunizante.  O imunizante ajudará temporariamente o organismo produzir antígenos específicos que ensinarão o sistema imunológico a combater a doença. Por fim, o sistema imunológico aprenderá a reconhecer essas proteínas e eliminá-las.

Trata-se da mesma tecnologia utilizada na fabricação das vacinas contra a Covid, o que contribui para a rapidez e desenvolvimento dos estudos. Determinados projetos saltaram da fase conceitual para a preparação de testes clínicos em apenas três anos.

“Existem mais de 120 ensaios clínicos com vacinas de mRNA apenas, abrangendo mais de 15 tipos de tumores sólidos, além de vacinas de DNA (mais de 20 em desenvolvimento) e plataformas off-the-shelf (prontas para uso, sem personalização). Os desafios incluem a heterogeneidade dos tumores, o custo da personalização e a necessidade de ensaios maiores para confirmar eficácia em larga escala”, resume o oncologista

Fernando Medina destaca a rápida evolução de alguns estudos de vacinas preventivas contra o câncer:

Vacina para síndrome de Lynch (NOUS-209): Alvo de prevenção de cânceres hereditários, como colorretal, em pacientes com mutações genéticas. Mostrou segurança e ativação imunológica em estudos recentes.


Vacina contra câncer de pulmão (LungVax): Desenvolvida para pessoas de alto risco (como fumantes ou com histórico familiar), é a primeira do mundo a visar a prevenção desse tipo de tumor. O ensaio de fase 1 deve começar em 2026 para avaliar segurança e dosagem em voluntários de alto risco.


 Vacinas terapêuticas

Há ainda o grupo de vacinas terapêuticas personalizadas de mRNA, uma espécie de imunoterapia mais avançada, que “ensinam” nosso sistema imunológico a reconhecer as células do câncer e a combatê-las. Esse tipo de imunizante é aplicado após o diagnóstico da doença.

Dentre todos os estudos, o oncologista acredita que a vacina contra o melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele, é a que está em fase mais adiantada.

“Vacinas personalizadas de mRNA em fase 3, combinadas com imunoterapia, reduziram em até 49% o risco de recidiva ou morte por melanoma em pacientes após cirurgia, com dados de acompanhamento de 5 anos”, explica o médico.

Fernando Medina também destaca outras de vacinas terapêuticas personalizadas:

  • Câncer de pulmão (não pequenas células (NSCLC): Em fase 3 de estudos. É adjuvante, após quimioterapia e cirurgia. Foi testada em combinação com imunoterapia para prevenir recidiva.
  • Câncer de pâncreas: Vacina personalizada (como a Autogene Cevumeran) em fase 2 mostrou resposta imunológica duradoura (até 4 anos em alguns pacientes) e redução do risco de retorno após cirurgia.
  • Câncer de bexiga: Estudos em fase 2 e 3, incluindo formas invasivas e não invasivas, para tratamento adjuvante.
  • Câncer renal (células renais): Em fase 2, como opção adjuvante após remoção do tumor.
  • Câncer de mama: Inclui vacinas para subtipo triplo negativo (TNBC, como a alpha-lactalbumin em fase 1/2) e HER2-positivo (WOKVAC e STEMVAC em fase 2). Focam em reduzir recidiva em estágios iniciais ou metastáticos.
  • Glioblastoma (tumor cerebral): Vacinas de mRNA ou dendríticas em fase 2, testadas para ativar resposta contra antígenos tumorais específicos.
  • Câncer colorretal: Vacinas neoantigênicas em fase 2 e 3, especialmente para casos com mutações KRAS ou em pacientes de alto risco.
  • Câncer de ovário, próstata, cabeça e pescoço e fígado: Diversas formulações (mRNA, DNA ou peptídeos) em fases iniciais a intermediárias, muitas combinadas com outros tratamentos.

O otimismo quanto ao futuro das vacinas é grande, porém, é preciso entender que apenas as vacinas não trarão cura ou prevenção ao câncer. “O sucesso depende de combinações com imunoterapia, quimioterapia ou inibidores de checkpoints. É preciso destacar também a importância de assumir hábitos saudáveis, com boa alimentação e atividades físicas, para prevenir as doenças”, reforça.

A cada dia, tratamentos mais inovadores e menos invasivos se apresentam como esperanças no combate ao câncer, mas ainda exigem acompanhamento rigoroso dos resultados clínicos. Pesquisas continuam em ritmo acelerado em centros de todo o mundo. “Previsões indicam que as primeiras aprovações de vacinas terapêuticas de mRNA podem ocorrer entre 2026 e 2027, começando possivelmente pelo melanoma”, finaliza Medina.

 

COC - Centro de Oncologia Campinas
Rua Alberto de Salvo, 311, Barão Geraldo, Campinas.
Telefone (19) 3787-3400.

 

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