No Dia Nacional do Parkinsoniano (04/04), especialista explica em quais casos o procedimento é recomendado e quais são os critérios de indicação
A Doença de
Parkinson, condição neurológica degenerativa que afeta milhões de pessoas em
todo o mundo, deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas. Um estudo
recente publicado no British Medical Journal (BMJ) aponta
que o número de pessoas vivendo com a doença pode mais que dobrar até 2050,
alcançando 25,2 milhões de casos. Mesmo sendo a segunda doença
neurodegenerativa mais comum, atrás apenas do Alzheimer, o Parkinson ainda é
cercado de dúvidas, especialmente em relação às possibilidades de
tratamento.
Inicialmente, a
abordagem mais comum é baseada em medicamentos, sendo a cirurgia uma
alternativa em momentos específicos da evolução da doença. “A cirurgia na
Doença de Parkinson nunca é o primeiro e nem o último recurso. Em linhas
gerais, ela deve ser considerada quando o remédio ainda funciona, mas já não
consegue controlar bem o dia a dia do paciente”, explica Dr. Normando Guedes, médico
neurocirurgião e professor na pós-graduação da Afya Goiânia e da Afya Brasília.
Nessas situações,
sinais como flutuações motoras importantes, quando há oscilações na resposta
aos medicamentos ao longo do dia; tremores incapacitantes que não respondem
adequadamente ao tratamento clínico e a presença de discinesias (movimentos
involuntários provocados pela própria medicação) podem indicar a necessidade de
avaliação cirúrgica. “Pacientes que apresentam grandes variações no controle
dos sintomas ou efeitos colaterais relevantes do tratamento medicamentoso podem
ser candidatos à cirurgia”, destaca o especialista.
Entre os
procedimentos disponíveis, a estimulação cerebral profunda (DBS) é uma das
principais opções, atuando diretamente em áreas do cérebro responsáveis pelo
controle dos movimentos. A indicação, no entanto, é sempre individualizada. “Os
melhores candidatos são aqueles que ainda respondem à levodopa (medicamento
usado no tratamento da doença que se transforma em dopamina no cérebro,
ajudando a reduzir tremores, rigidez e lentidão dos movimentos.),mas já enfrentam dificuldades no
controle dos sintomas ao longo do dia. Avaliamos fatores como idade, tempo de
evolução da doença, presença de comorbidades e o perfil dos sintomas
predominantes”, afirma Dr. Normando.
De modo geral, pacientes mais jovens, sem comprometimento cognitivo significativo e com predominância de sintomas motores tendem a apresentar melhores resultados. Por outro lado, a presença de demência ou doenças clínicas graves pode limitar a indicação cirúrgica. “Um dos maiores erros é acreditar que a cirurgia é um último recurso. Na verdade, ela tem indicações precisas e uma janela de tempo ideal para ser considerada”, reforça o médico da Afya.
Embora não seja curativa, a cirurgia pode proporcionar melhora significativa na qualidade de vida, reduzindo tremores, rigidez e a dependência de medicamentos. Por isso, o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar é essencial para identificar o momento adequado de indicar o procedimento e garantir ao paciente acesso a todas as opções terapêuticas ao longo da evolução da doença.
www.afya.com.br
ir.afya.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário