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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Apelidos no trabalho deixam de ser brincadeira e entram na mira da Justiça

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Crescimento das ações por assédio moral e novas exigências sobre riscos psicossociais colocam empresas, gestores e lideranças diante de um alerta: tolerar apelidos pejorativos pode gerar indenizações e responsabilização jurídica

Uma prática ainda comum em muitas empresas tem chamado a atenção da Justiça do Trabalho. Apelidos relacionados à aparência física, peso, idade, sotaque, deficiência ou qualquer característica pessoal, quando repetidos e impostos sem consentimento, deixaram de ser vistos apenas como brincadeiras entre colegas e passaram a figurar com frequência em ações por assédio moral. O cenário acende um alerta para empregadores, gestores e lideranças sobre a necessidade de prevenir esse tipo de comportamento.

Os números reforçam essa preocupação. Entre 2020 e 2025, a Justiça do Trabalho recebeu mais de 601 mil novas ações por assédio moral. Somente em 2025 foram registrados 142.828 processos, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior. Embora o Tribunal Superior do Trabalho (TST) não faça a separação específica dos casos envolvendo apelidos pejorativos, esse tipo de conduta aparece de forma recorrente nas decisões judiciais sobre assédio moral.

Além disso, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em vigor desde maio de 2025, passou a incluir oficialmente os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos das empresas, ampliando a responsabilidade das organizações na prevenção de ambientes de trabalho hostis e reforçando a necessidade de uma atuação preventiva das lideranças.

Para a advogada Carolina Furlan Gibson, especialista em Direito do Trabalho, o tema deixou de ser apenas uma questão de convivência para se tornar um importante aspecto da gestão de riscos trabalhistas. “Durante muito tempo, apelidos foram tratados como parte da cultura das equipes. Hoje, quando essa prática constrange ou expõe um trabalhador de forma repetitiva, ela deixa de ser uma brincadeira e pode configurar assédio moral, trazendo consequências tanto para a empresa quanto para quem praticou a conduta.”

Segundo a especialista, a Justiça do Trabalho considera principalmente a repetição da conduta, a exposição da vítima perante colegas ou clientes e a omissão da empresa após tomar conhecimento da situação. Quando esses elementos estão presentes, aumentam significativamente as chances de responsabilização e condenação por danos morais.

A responsabilidade também não recai apenas sobre a empresa. Gestores, líderes e até colegas que criam, reforçam ou insistem em apelidos ofensivos podem responder pessoalmente pelos prejuízos causados, além de eventualmente serem incluídos na própria ação judicial. “Muitas pessoas acreditam que apenas a empresa responderá por uma eventual condenação, mas o colega ou superior que cria ou reforça um apelido ofensivo também pode ser responsabilizado pessoalmente pelos danos causados.”

Na prática, decisões recentes da Justiça do Trabalho mostram indenizações que costumam variar entre R$ 5 mil e R$ 20 mil nesses casos, podendo alcançar valores maiores quando há outras condutas assediadoras ou prejuízos comprovados à saúde do trabalhador.

Para Carolina, investir em políticas claras de respeito, treinamento de lideranças e canais efetivos de denúncia deixou de ser apenas uma boa prática de gestão de pessoas para se tornar uma medida estratégica de prevenção jurídica e proteção da cultura organizacional. “O que para alguns parece apenas uma brincadeira pode representar humilhação diária para outra pessoa. Prevenir esse tipo de comportamento é proteger os trabalhadores, fortalecer a cultura da empresa e reduzir riscos jurídicos e financeiros para toda a organização.”

 

Mais canais, menos eficiência? O paradoxo do omnichannel


Poucas situações são tão frustrantes quanto entrar em contato com uma empresa, explicar um problema, mudar de canal e precisar contar toda a história novamente. Essa experiência, ainda muito comum, revela um dos principais desafios do atendimento moderno: a falsa impressão de que oferecer diversos canais significa, automaticamente, oferecer um bom relacionamento. Quando voz, chat, mensagens e outros pontos de contato não compartilham informações, quem assume o trabalho de conectar a jornada é o próprio cliente – o que apenas gera insatisfação e compromete a percepção sobre a marca.

Por mais que a transformação digital tenha ampliado, significativamente, as possibilidades de comunicação entre empresas e consumidores, muitas organizações ainda abrem novos pontos de contato sem o devido planejamento de como integrá-los, o que prejudica a visibilidade compartilhada entre as equipes e a sensação, para o consumidor, de estar falando com empresas diferentes a cada interação. E, um dos motivos pelos quais ainda se vê tamanha fragmentação, é a base tecnológica corporativa: sistemas legados, muitas vezes adquiridos em momentos diferentes e sem interoperabilidade nativa, dificultam a troca de dados em tempo real entre canais.

A isso, se soma a resistência interna — equipes acostumadas a fluxos de trabalho segmentados podem enxergar a mudança como uma ameaça à rotina já estabelecida. E, não menos importante, há uma preocupação legítima com a segurança e privacidade de dados, já que consolidar informações de clientes em uma base única exige controles robustos de acesso e conformidade com a LGPD. Vencer essas barreiras costuma exigir plataformas em nuvem, processos bem desenhados e suporte técnico qualificado.

Cada vez que um consumidor muda de canal e precisa recontar seu problema, a empresa paga um preço que, nem sempre, aparece na planilha financeira. Do lado operacional, a equipe gasta tempo reconstruindo o contexto do zero, o que aumenta o tempo médio de atendimento e reduz a produtividade dos agentes. Do lado da experiência, a repetição é um dos maiores geradores de frustração e abandono, impactando, diretamente, indicadores como a taxa de resolução no primeiro contato e o Net Promoter Score, além de elevar o risco de churn.

Enquanto isso, quando uma empresa deixa de olhar para seus canais separadamente, e passa a gerenciar a jornada do cliente como um todo (orquestração omnichannel), a lógica operacional se inverte: o histórico de interações passa a acompanhar a pessoa, não o meio em si, carregando consigo todo o contexto já registrado. Isso permite uma personalização real do atendimento, redução do tempo de resolução e libera os atendentes para lidar com casos que exigem mais sensibilidade e complexidade, já que as demandas repetitivas podem ser resolvidas por automações e ferramentas como a IA. O resultado é uma operação mais ágil e uma experiência mais fluida e satisfatória para quem é atendido.

Em um mercado onde a fidelização é cada vez mais disputada, esse desgaste silencioso tem custo direto sobre a receita recorrente e a imagem da marca. Não à toa, segundo o relatório “State of Service 2025”, 80% das organizações passaram a acompanhar a taxa de resolução no primeiro contato, frente a apenas 51% em 2018.

A transição para um atendimento verdadeiramente integrado começa por um diagnóstico honesto: mapear todos os canais em uso, identificar onde estão os dados de cada cliente e localizar os pontos de maior atrito na jornada atual. A partir daí, a centralização das conversas em uma única plataforma, com histórico compartilhado entre os atendentes, costuma ser o primeiro passo estruturante. Também é essencial definir métricas claras desde o início, como tempo médio de atendimento, taxa de resolução no primeiro contato, satisfação (CSAT/NPS) e taxa de abandono, para acompanhar a evolução da estratégia com dados, não apenas percepção.

Esse diagnóstico costuma revelar clientes que já usam um ou dois produtos do portfólio, mas que seguem operando os demais canais fora da plataforma. É aí que mora a maior oportunidade de expansão de receita: não vender um cliente novo, e sim ajudar um atual a completar a jornada que ele já começou. Um processo que envolve automatizar o que é repetitivo, para que chatbots e fluxos inteligentes absorvam boa parte da demanda inicial, direcionando à equipe humana apenas os casos que realmente exigem esse contato.

Tecnologicamente, a IA é uma das soluções que mais vem sendo aplicada nesse sentido, não apenas em chatbots de primeiro nível, mas na análise de comportamento, priorização de atendimentos e monitoramento do sentimento do cliente em tempo real. Uma arquitetura baseada em nuvem também se destaca, com APIs que conectam sistemas diferentes e bases de dados centralizadas, garantindo escalabilidade sem comprometer a segurança.

E, claro, não há como deixar de lado a governança de dados, com controles de acesso, auditoria constante e conformidade regulatória como pilares não negociáveis. Juntos, esses cuidados auxiliam que a capacidade de incorporar novos canais, como assistentes de voz e aplicativos corporativos, se torne ainda mais eficaz, enquanto aquelas que seguem esse caminho sem redesenhar toda a operação, perderão seu potencial competitivo.

Até hoje, muitas empresas ainda tratam a voz, chat e mensagens como frentes separadas no atendimento ao cliente, com contratos, metas e fornecedores diferentes para cada um. Contudo, o consumidor moderno não enxerga canais isolados, mas sim uma relação com a marca. Traduzir essa percepção do consumidor em um modelo comercial assertivo é crucial para que gerem valor com essa estratégia, sempre se lembrando de prezar pela melhor experiência dos clientes ao longo de sua jornada.



Renata Reis - CRO da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de VoiceBot, SMS, e-mail, chatbot, WhatsApp e RCS.

Pontaltech

 

Em meio às transformações do mundo do trabalho, eletiva ajuda jovens da rede pública a refletir sobre seus caminhos de futuro

Trilhas do Amanhã, desenvolvida pelo Instituto Sol em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP), apoia até 50 mil alunos do 9º ano do Ensino Fundamental na escolha dos próximos passos

 

A transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio é um dos momentos mais importantes da trajetória escolar. É nessa etapa que muitos jovens precisam decidir quais caminhos seguir, escolher entre diferentes possibilidades de formação e começar a pensar no futuro profissional. Para estudantes da rede pública, esse processo ainda acontece com pouco acesso à informação, orientação e repertório sobre as oportunidades disponíveis.

É justamente nessa etapa que começa, na prática, a construção das trajetórias profissionais. Em um cenário marcado por novas tecnologias, múltiplas possibilidades de formação e demandas cada vez mais complexas, preparar jovens para o futuro exige ampliar repertórios, fortalecer escolhas educacionais e criar condições para que estudantes conheçam melhor seus interesses, habilidades e oportunidades desde cedo.

Para contribuir com esse processo, o Instituto Sol desenvolveu a eletiva Trilhas do Amanhã, baseada na metodologia do Programa Aurora e implementada em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP). A iniciativa é voltada para alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª série do Ensino Médio das escolas de Período Integral (PEIs) e pretende alcançar até 50 mil estudantes da rede estadual paulista.
 

Ao longo de 15 encontros, os jovens participam de atividades voltadas para autoconhecimento, tomada de decisão, exploração de trajetórias educacionais, conhecimento sobre o mercado de trabalho e construção de projetos de vida. A iniciativa também busca aproximar os estudantes de reflexões sobre futuro, mundo do trabalho e desenvolvimento de habilidades, sempre a partir de uma perspectiva de orientação e preparação para decisões educacionais.

A proposta responde a um desafio crescente. Em um mercado de trabalho em constante transformação, conhecer as possibilidades de formação e compreender como elas se conectam às diferentes profissões é cada vez mais importante para ampliar oportunidades e reduzir desigualdades. Quando recebem orientação adequada nesse momento da vida escolar, os estudantes têm mais condições de construir projetos de vida alinhados aos seus interesses e às demandas do mundo do trabalho.

A eletiva nasce da experiência acumulada pelo Instituto Sol com o Programa Aurora, que já impactou mais de 2.400 estudantes. Entre os participantes, 70% foram aprovados nas escolas em que desejavam ingressar e 98% recomendam o programa para outros jovens, demonstrando o potencial da metodologia para apoiar decisões educacionais e ampliar perspectivas de futuro.
 

"Os jovens precisam tomar decisões importantes cada vez mais cedo. Nosso papel é oferecer espaços de reflexão e orientação para que façam escolhas mais conscientes e alinhadas aos seus projetos de vida. Quando compreendem melhor suas habilidades e os caminhos disponíveis, passam a enxergar o futuro de forma mais concreta. Acreditamos que a orientação para a vida, para os estudos e para a carreira deve fazer parte da formação dos estudantes", afirma Júlia Borges Lima, diretora-geral do Instituto Sol.

 

Como participar

Na rede estadual paulista, as eletivas são componentes curriculares voltados à ampliação do repertório dos estudantes, com base em seus interesses e Projetos de Vida. A proposta é diversificar situações de aprendizagem e aprofundar temas ligados ao Currículo Paulista, fortalecendo a autonomia e o protagonismo juvenil. No caso da Trilhas do Amanhã, o conteúdo passa a integrar o conjunto de opções disponíveis para as escolas, permitindo que professores escolham ministrar a eletiva e que, posteriormente, os estudantes se inscrevam conforme a organização de cada unidade escolar.

Professores e estudantes interessados em participar da Trilhas do Amanhã devem acompanhar as orientações da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e das próprias unidades escolares sobre o processo de escolha e aplicação das eletivas.

 

Sobre o Instituto Sol 

O Instituto Sol é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua para ampliar o acesso de jovens de baixa renda a oportunidades transformadoras de educação e desenvolvimento. Com foco em estudantes da rede pública, a instituição desenvolve programas gratuitos que apoiam jovens em momentos decisivos de suas trajetórias, especialmente na transição para o Ensino Médio, no acesso a oportunidades educacionais e na construção de projetos de vida.



Cápsula de celulose prolonga vida útil e melhora ação de fungo usado como bioinseticida

Esferas de carboximetilcelulose e alumínio depois de secas:
 formulação favorece maior durabilidade de fungo usado como bioinseticida
(
foto: José Antônio Boiaro Caxa/Uniara)

Técnica aumentou de 69% para 85% a viabilidade do Beauveria bassiana após cinco meses de armazenamento. Solução garante liberação gradual na lavoura e exige menos aplicações

 

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma nova técnica para aumentar a vida útil de fungos usados no controle biológico de pragas agrícolas, resolvendo um dos maiores desafios do setor: a perda de viabilidade dos microrganismos durante o armazenamento. Utilizando um polímero à base de celulose e íons de alumínio, a equipe criou microesferas capazes de encapsular e proteger o fungo Beauveria bassiana, alcançando 85% de germinação após cinco meses de congelamento.

O trabalho foi desenvolvido por cientistas vinculados ao Centro de Manejo Sustentável de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas (CEMASU), um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) financiado pela FAPESP e sediado no Instituto Biológico. Os resultados foram publicados em março no periódico científico ACS Omega.

“Realizamos um processo relativamente difundido, chamado de gelificação ionotrópica, em que um material é gotejado em outro, formando esferas, ou ‘beads’, que têm por fora uma casca de polímero com o microrganismo dentro. Com isso, preserva-se o conteúdo para que haja uma liberação prolongada”, explica Hernane da Silva Barud, coordenador do estudo, professor da Universidade de Araraquara (Uniara) e um dos pesquisadores principais do CEMASU.

O material da cápsula é feito de carboximetilcelulose – um derivado da celulose muito comum na indústria de alimentos, usado para dar textura a sorvetes. Para que essa substância ganhasse o formato tridimensional de uma esfera, os cientistas usaram íons de alumínio, que funcionaram como uma espécie de “cola” estrutural. Nos testes de laboratório, essa receita aumentou de 69% para 85% a sobrevivência do fungo após cinco meses armazenado, em comparação com o fungo puro.

Assim como em outros bioinseticidas fúngicos, a nova formulação é preenchida com células reprodutivas do B. bassiana cultivadas em laboratório. Uma vez aplicadas na lavoura, essas células se desenvolvem e liberam os esporos responsáveis por colonizar e matar os insetos-praga. O fungo causa uma doença conhecida como muscardina branca em uma ampla variedade de insetos. Entre as ordens afetadas estão: dípteros (moscas e mosquitos), coleópteros (besouros), hemípteros (percevejos), lepidópteros (mariposas, borboletas e suas lagartas), isópteros (cupins) e ortópteros (gafanhotos).

Esse mecanismo natural não causa danos a mamíferos, que costumam ser prejudicados pelos inseticidas químicos. O encapsulamento torna a estratégia ainda mais sustentável, uma vez que demanda menos aplicações e tem menor potencial para impactar espécies não alvo (leia mais em: agencia.fapesp.br/50319).

O grupo pretende agora realizar ensaios em campo para avaliar a viabilidade do produto fora do laboratório. Além do B. bassiana, outros fungos poderiam ser testados, ampliando a quantidade de culturas agrícolas que poderiam ser beneficiadas pelo produto. Outra possibilidade seria o uso na pecuária, no combate a carrapatos, por exemplo.

Caso os testes em campo mostrem uma eficácia satisfatória, Barud acrescenta que o processo de produção é escalonável. Isso faria o custo cair vertiginosamente e ajudaria a viabilizar o produto comercialmente.

Ensaios

No estudo, foram comparadas duas formas de encapsulamento. Além da que usou carboximetilcelulose e alumínio, os pesquisadores testaram outra formulação utilizando carboximetilcelulose e cálcio. A olho nu, ambas formaram as estruturas esféricas esperadas. No entanto, depois de secas, diferenças significativas foram observadas.

As que continham alumínio mantiveram o formato e apresentaram uma grande uniformidade morfológica. As de cálcio, por sua vez, tinham um colapso estrutural e se uniam, formando conglomerados de variados tamanhos.

Imagens obtidas por microscopia apontaram que a superfície das esferas do material com alumínio era levemente áspera com algumas rachaduras, enquanto os conglomerados da versão com cálcio tinham uma superfície bastante áspera e irregular.

Imagens de microscopia eletrônica de varredura mostram estrutura regular das
esferas com alumínio (A e B) e irregular das que levam cálcio na formulação (C e D)
 (
crédito: Zaldivar et al./CCY-BY 4.0)

“É importante frisar que mesmo as de cálcio conseguem manter o fungo viável por mais tempo do que o produto in natura, mas as de alumínio apresentam maior uniformidade, o que permite ter um maior controle de qualidade”, diz Barud, que coordena o Laboratório de Biopolímeros e Biomateriais da Uniara.

Além do tamanho uniforme, as esferas com alumínio apresentaram ainda alta estabilidade térmica e capacidade de reter água maior do que as de cálcio, importante para manter o fungo no seu interior.

Os autores concluem que o método de encapsulamento é simples, rápido e eficiente, com conídios viáveis na superfície das esferas mesmo após cinco meses armazenados a -18 °C. Os conídios são esporos assexuados que funcionam como as "sementes" do fungo, responsáveis por sua reprodução e pela infecção dos insetos.

Os pesquisadores agora vão testar o armazenamento em geladeira convencional (4 °C) e temperatura ambiente.

O trabalho teve como primeira autora Mayté Zaldivar, além de Jean Carlos Machado e Lívia Contini Massimino, todos do Laboratório de Biopolímeros e Biomateriais da Uniara.

Assinam ainda o trabalho Marcel Marques e Ricardo Bortoletto-Santos, da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), e os pesquisadores do Instituto Biológico José Eduardo de Almeida e Ana Paula Bartels.

O artigo Sustainable encapsulation of biocontrol agents: cross-linker influence on carboxymethylcellulose-based microbeads pode ser lido em: pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c06970. 



André Julião
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/capsula-de-celulose-prolonga-vida-util-e-melhora-acao-de-fungo-usado-como-bioinseticida/58878


Interpretação de texto: além do Enem e dos vestibulares, por que é importante dominar essa habilidade?

 

Magnific

Aptidão influencia a aprendizagem, o desempenho profissional,
a capacidade de analisar informações e até a qualidade das relações sociais

 

A interpretação de texto costuma ganhar destaque às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e dos vestibulares, mas sua importância vai muito além dos processos seletivos. A habilidade de compreender informações, identificar argumentos, reconhecer diferentes pontos de vista e fazer inferências está presente em praticamente todas as atividades do cotidiano: da leitura de uma notícia ao entendimento de um contrato, de uma conversa no ambiente de trabalho a uma publicação nas redes sociais.

O tema ganha ainda mais relevância visto que quase 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, de acordo com o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024. Isso significa que quase um terço da população apresenta dificuldades para compreender textos mais complexos, relacionar informações e utilizar a leitura para resolver problemas do dia a dia. 

Outro dado preocupante vem do Pisa 2022 (Programme for International Student Assessment): metade dos estudantes brasileiros de 15 anos não alcança o nível básico de proficiência em leitura. A nota média do Brasil no indicador em leitura é de 410 pontos, enquanto a média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) foi de 476 pontos.
 

Interpretação de texto está em tudo 

A interpretação de texto não se resume à leitura de livros ou às aulas de Língua Portuguesa. Todos os dias, as pessoas interpretam e produzem sentidos em diferentes situações: ao conversar com colegas de trabalho, compreender orientações médicas, ler mensagens em aplicativos, acompanhar notícias, revisar contratos ou resolver problemas profissionais. 

"O primeiro passo é entender que interpretar um texto não significa apenas decodificar palavras. É compreender intenções, identificar contextos, perceber argumentos e fazer conexões entre diferentes informações. Essa é uma habilidade que acompanha o indivíduo durante toda a vida e influencia desde a aprendizagem escolar até a maneira como nos comunicamos, tomamos decisões e construímos relacionamentos", explica Lino Gonzaga de Oliveira, professor de português do Brazilian International School (BIS), de São Paulo (SP).
 

Redes sociais evidenciam o desafio da compreensão 

A velocidade com que informações circulam nas redes sociais tornou a interpretação de texto ainda mais necessária. Usuários são expostos diariamente a manchetes, vídeos curtos, memes e opiniões que exigem análise crítica para distinguir fatos de interpretações, identificar desinformação e compreender o contexto em que determinado conteúdo foi produzido. 

"Grande parte dos conflitos que vemos nas redes nasce de interpretações superficiais ou da leitura apenas de títulos e trechos isolados. Muitas pessoas deixam de considerar o contexto completo, confundem opinião com fato ou compartilham informações sem verificar a fonte. Trabalhar interpretação de texto é também formar cidadãos mais preparados para lidar com o excesso de informação e participar de debates de maneira responsável", afirma Rodrigo Cunha, professor de Computer Science e Digital Literacy da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP). 

Segundo o especialista, desenvolver a interpretação de texto também fortalece a autonomia, o pensamento crítico e a capacidade de resolver problemas em diferentes contextos -- além de contribuir para combater a desinformação e fortalecer uma cultura de diálogo baseada em argumentos e evidências.
 

Como desenvolver a interpretação de texto?
 

Assim como qualquer outra competência, a interpretação de texto pode ser aprimorada com prática e estratégia. Mais do que ler com frequência, é importante adotar uma postura ativa diante do conteúdo, buscando compreender não apenas o que está escrito, mas também as intenções do autor, a estrutura da argumentação e as relações entre as ideias. Pequenas mudanças de hábito no dia a dia podem contribuir para desenvolver essa habilidade e tornar a leitura mais eficiente. 

"Interpretar bem um texto é resultado de treino constante. Não basta passar os olhos pelas palavras ou ler um grande volume de páginas. O leitor precisa interagir com o texto, fazer perguntas, identificar argumentos, relacionar informações e refletir sobre o que acabou de ler. Quanto mais ativa for essa leitura, maior será a capacidade de compreender conteúdos, construir pensamento crítico e aplicar esse conhecimento em diferentes situações", explica Thiago Barbosa, professor de Língua Portuguesa da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP). 

O especialista da EIA elenca 10 dicas práticas para desenvolver a interpretação de texto:

  1. Leia o texto até o fim antes de tirar conclusões;
  2. Identifique a ideia principal e os argumentos apresentados;
  3. Pergunte-se qual é o objetivo e o público-alvo do texto;
  4. Observe palavras e conectivos como "porém", "portanto" e "além disso", que ajudam a entender a relação entre as ideias;
  5. Diversifique as leituras, incluindo notícias, artigos, crônicas, poemas, infográficos e textos científicos;
  6. Amplie seu vocabulário pesquisando o significado de palavras desconhecidas;
  7. Faça anotações ou destaque os trechos mais importantes durante a leitura;
  8. Resuma o texto com suas próprias palavras para verificar se realmente compreendeu o conteúdo;
  9. Compare diferentes fontes sobre o mesmo tema para desenvolver uma visão mais crítica;
  10. Reserve alguns minutos todos os dias para uma leitura atenta e sem distrações, criando o hábito de refletir sobre o que foi lido.


Como interpretar melhor as questões do Enem e dos vestibulares?
 

No Enem e nos principais vestibulares do país, compreender corretamente os enunciados faz diferença não apenas nas questões de Linguagens, mas também em Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Por isso, além do conhecimento do conteúdo, saber exatamente o que a prova está pedindo é uma estratégia que pode evitar erros e otimizar o tempo de resolução. 

Uma técnica simples pode ajudar os candidatos: começar a questão pelo enunciado, antes mesmo de ler o texto de apoio. Dessa forma, o estudante identifica qual é a tarefa proposta e direciona a leitura para encontrar as informações realmente necessárias. Também é importante observar verbos e expressões como "o autor afirma", "de acordo com o texto", "infere-se", "conclui-se" ou "é possível deduzir", pois eles indicam o tipo de raciocínio esperado pela banca. 

"Quando o estudante lê primeiro o comando da questão, ele evita uma leitura passiva e passa a buscar informações com um objetivo claro. Além disso, é fundamental perceber se a pergunta exige apenas localizar uma informação explícita ou fazer uma inferência a partir do texto. Essa diferença ajuda o candidato a responder com mais segurança e ainda economiza um tempo precioso durante a prova", explica Bianca Marquezi, coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue de Itu (SP). 

Bianca recomenda ainda que os candidatos retornem ao texto sempre que houver dúvida, descartem alternativas que extrapolam as informações apresentadas e desconfiem de respostas que pareçam corretas apenas por abordarem o mesmo tema do texto. "No Enem, a alternativa certa nem sempre é a mais conhecida pelo aluno, mas aquela que responde exatamente ao que foi perguntado. Interpretar bem o comando da questão é, muitas vezes, o primeiro passo para encontrar a resposta correta", conclui o docente.




Bianca Marquezi - coordenadora pedagógica do Ensino Médio no colégio Progresso Bilíngue Itu, instituição na qual também atua como professora de Redação para turmas do mesmo segmento. Conta com sólida e abrangente trajetória nos Ensinos Fundamental II e Médio, tendo desenvolvido, ao longo da carreira, trabalho consistente nas áreas de gramática, interpretação de texto, leitura e redação. É graduada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e detém especializações em Educação Inclusiva e Deficiência Mental pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e em Neurociência do Comportamento pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Entre os principais cursos de complementação de sua formação, destacam-se Mindfulness, Formação Profissional em Coaching, Programação Neurolinguística aplicada à Educação, Leader Training e capacitações voltadas à inclusão e ao desenvolvimento emocional.

Lino Gonzaga de Oliveira - graduado em Letras com habilitação em Português, e possui pós-graduação em Língua Portuguesa e Literatura e em Psicopedagogia. Atua há vinte e três anos na área educacional, tendo experiência como docente para o Ensino Fundamental, Médio e Ensino Superior.

Rodrigo Cunha - professor de Computer Science e Digital Literacy na Escola Bilíngue Aubrick (SP). Formado em Análise de Sistemas, com pós-graduação em Machine Learning, atua na integração entre tecnologia, pensamento crítico e formação ética no ambiente escolar. Possui experiência em transformação digital, incluindo vivência internacional de 15 anos na África do Sul, e já atuou como coordenador do curso de Desenvolvimento de Sistemas na Escola Técnica Estadual de São Paulo. Entusiasta da educação digital, desenvolve projetos que conectam pensamento computacional, inteligência artificial e cidadania digital, preparando estudantes para uma atuação crítica, segura e responsável em um cenário de abundância de dados e rápida evolução tecnológica.

Thiago Silvério Barbosa - Doutorando e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde atuou como bolsista CAPES, e graduado em Letras pela mesma instituição. Com 16 anos de experiência docente, atualmente leciona Língua Portuguesa e Convivência Ética na Escola Internacional de Alphaville. Sua trajetória é marcada pela versatilidade pedagógica, incluindo passagens por cursos pré-vestibulares e preparatórios para o Enem. No campo da pesquisa, integra o grupo "Psicanálise e Teoria Crítica: Teorias da Subjetivação" (CEBRAP/Núcleo Direito e Democracia). Complementando sua formação interdisciplinar, possui especialização em Psicanálise e Análise do Cotidiano pela PUC-SP, além de formação clínica em Psicanálise.


International Schools Partnership - ISP


Pet de TODOS oferece vacina antirrábica sem custo em agosto para assinantes do plano de saúde animal

Campanha "Pet Tranquilo" inclui imunização sem custo durante o mês em que o país reforça a prevenção contra a raiva; plano oferece consultas e atendimento sem carência, com mensalidades a partir de R$ 29,90


O Pet de TODOS lança a campanha “Pet Tranquilo”, que oferece vacina antirrábica sem custo durante todo o mês de agosto para novos assinantes do Plano Pet de TODOS, por R$ 39,90 mensais. A ação acontece no período em que o país, historicamente, concentra as campanhas de imunização contra a raiva. A oferta estende-se também a pets de filiados do Cartão de TODOS, que recebem a vacina e consulta com o clínico geral, sem custo mesmo sem assinar o plano.


Devido a uma situação específica neste mês e a uma herança cultural no país, agosto ficou conhecido como "mês do cachorro louco" por uma razão que antecede as campanhas públicas de vacinação. As condições climáticas do inverno no Brasil fazem com que as fêmeas entrem no cio em maior número nesse período, o que leva os machos a disputá-las com mais frequência. O aumento de brigas e mordidas entre cães facilitava a disseminação da raiva. 


Com letalidade próxima de 100% em animais infectados, a raiva é uma doença viral cuja vacinação é obrigatória por lei e tem reforço anual. O Ministério da Saúde recomenda que ao menos 80% dos cães e gatos estejam imunizados, e os dados mais recentes indicam que o país ainda tem espaço para ampliar essa cobertura. Com 62,5 milhões de cães e 33,3 milhões de gatos no território nacional, segundo a Abinpet, cada ponto percentual de aumento na cobertura representa milhões de animais protegidos.


A vacina antirrábica em clínicas particulares custa entre R$ 50 e R$ 150 por dose, a depender da região, e as campanhas municipais sem custos costumam funcionar em datas e horários restritos, o que pode limitar o acesso de parte dos tutores.


Para Cássio Guieiro, cofundador da Pet de TODOS, a campanha tem como objetivo reduzir essa barreira e garantir um cuidado indispensável. “A vacinação antirrábica é obrigatória e tem papel direto na saúde pública, mas muitos tutores ainda não conseguem manter a carteira do animal atualizada”, afirma. “Ao incluir a vacina no plano durante agosto, queremos facilitar o acesso e estimular a prevenção.”

Plano amplia o cuidado com os pets 


Além da vacina antirrábica sem custo durante a campanha de agosto, o Plano Pet de TODOS inclui consulta veterinária, um banho mensal, atendimento sem período de carência e 15% de desconto nas demais vacinas. A rede conta com sete unidades próprias em São Paulo, Minas Gerais e Paraíba, além de telemedicina veterinária 24 horas.


Para estimular a vacinação, clientes que já fazem parte da base da Pet de TODOS também têm acesso a condições especiais durante todo o mês de agosto: 50% na vacina antirrábica e 15% nas demais vacinas.


Ação para filiados do Cartão de TODOS


A campanha de agosto prevê ainda uma ação conjunta com o Cartão de TODOS. Pets de filiados ao Cartão receberão a vacina contra a raiva sem custo durante o período nas unidades da Pet de TODOS, mesmo que ainda não sejam assinantes do plano. E os filiados que contratarem o Plano Pet de TODOS em agosto terão isenção da taxa de adesão.


“O Pet de TODOS nasceu dentro do ecossistema do Cartão de TODOS, e essa campanha reforça nosso propósito de tornar o cuidado com os animais mais acessível para quem já faz parte dessa base”, explica Cássio. “Agosto é um período de maior atenção à vacinação antirrábica, e queremos contribuir para que o custo não seja um impedimento à prevenção”, finaliza.

Serviço

Campanha: Pet Tranquilo

Período: agosto de 2026

Plano Pet de TODOS: R$ 39,90 ao mês

Benefícios inclusos no plano:

• Vacina antirrábica sem custo, durante agosto

• Consulta veterinária inclusa

• Um banho mensal sem custo

• Atendimento sem carência

• 15% de desconto nas demais vacinas


Desconto para quem já é cliente:

• 50% na vacina antirrábica, durante agosto

• 15% nas demais vacinas, no mesmo mês

 

Unidades

• São Miguel Paulista (SP) — Av. Nordestina, 262

• Itaim Paulista (SP) — Rua Tiburcio de Souza, 735

• Sorocaba (SP) — Av. Barão de Tatuí, 375, Jardim Vergueiro

• Barreiro (BH/MG) — Rua Argental Drumond, 12, Vale do Jatobá

• Dona Clara (BH/MG) — Av. Sebastião de Brito, 890

• Ipatinga (MG) — Av. Macapá, 345, Veneza

• Campina Grande (PB) — Rua Giló Guedes, 384B, Av. Canal

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

No Dia Nacional da Saúde, setor soma mais de 1,5 mil vagas abertas em todo o país

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Catho reúne oportunidades para profissionais de diferentes especialidades da área, com vagas anunciadas nos últimos dias

 

Comemorado anualmente em 5 de agosto, o Dia Nacional da Saúde traz à tona a importância dos profissionais responsáveis pela promoção da qualidade de vida da população em diferentes segmentos, ressaltando, também, a demanda aquecida por esses talentos no mercado de trabalho.

De acordo com um levantamento da Catho, plataforma gratuita de empregos, mais de 1.500 vagas foram anunciadas nos últimos dias para profissionais da área da saúde em diversas regiões do país, como nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Brasília.

As oportunidades contemplam diferentes níveis de experiência e abrangem especialidades como Biotecnologia, Biomedicina e Bioquímica; Enfermagem; Educação Física; Estética Corporal; Fisioterapia; Farmácia; Fonoaudiologia; Médico/Hospitalar; Nutrição; Odontologia; Psicologia Clínica e Hospitalar; e Terapia Ocupacional, além de vagas para áreas de apoio ligadas ao setor.

Os interessados podem encontrar as oportunidades em sua área de atuação no site ou no aplicativo da Catho (clique aqui). É necessário cadastrar ou atualizar o currículo antes de se candidatar e é possível utilizar os filtros disponíveis na plataforma, como localização, salário, setor, tipo de contrato e modelo de trabalho para identificar a posição mais compatível com seu perfil.

Para saber mais, baixe o app grátis.


No Dia Nacional da Saúde, médica alerta: alterações nos glúteos podem indicar mudanças hormonais da menopausa

Divulgação
"Perda de firmeza, redução de volume e piora da celulite podem estar relacionadas à queda do estrogênio, mas o tratamento vai muito além da reposição hormonal", explica a médica Danuza Alves 

 

No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, especialistas chamam atenção para um aspecto da saúde feminina que costuma ser tratado apenas como questão estética: as mudanças nos glúteos durante a menopausa. Perda de firmeza, redução de volume e piora da celulite fazem parte das queixas mais frequentes de mulheres nessa fase e podem refletir alterações hormonais, perda de massa muscular e redução da produção de colágeno. Embora muitas pacientes recorram ao adesivo hormonal esperando recuperar o contorno da região, a reposição sozinha não resolve essas mudanças. 

Além das ondas de calor, das alterações do sono e das mudanças de humor, muitas mulheres percebem outra transformação durante a menopausa: perda de firmeza nos glúteos, redução de volume e piora da aparência da celulite. O conjunto dessas mudanças passou a ser chamado de “bumbum triste” e levanta uma dúvida recorrente: o adesivo hormonal pode ajudar a recuperar o contorno da região? 

A médica Danuza Alves (CRM/RS 36568 e CRM/SP 219399), diretora médica da Clínica Leger de Porto Alegre e especialista em harmonização glútea, explica que o adesivo libera estradiol gradualmente pela pele e pode aliviar sintomas relacionados à queda hormonal quando existe indicação. Segundo ela, perda de firmeza, redução de volume e piora da celulite também aparecem com frequência nos atendimentos realizados com mulheres no climatério. “A reposição pode melhorar vários sintomas da menopausa, mas não corrige sozinha a flacidez, a perda de volume ou as depressões da celulite. É preciso identificar o que realmente mudou no corpo antes de definir o tratamento”, afirma. 

A queda do estrogênio pode contribuir para a redução de colágeno, a diminuição da elasticidade da pele e mudanças na distribuição de gordura e na massa muscular. No entanto, o chamado “bumbum triste” não está ligado apenas aos hormônios. Envelhecimento natural, genética, sedentarismo, oscilações de peso e perda de massa muscular também interferem no formato dos glúteos e na aparência da celulite. 

Por isso, mesmo mulheres com a reposição hormonal bem ajustada podem continuar incomodadas com a região. Quando essa é a principal queixa, a avaliação precisa observar a qualidade da pele, o volume, a musculatura, a flacidez e a presença de depressões causadas pela celulite. Em alguns casos, o cuidado pode envolver fortalecimento muscular e acompanhamento nutricional; em outros, procedimentos específicos para melhorar o contorno, recuperar volume ou tratar as irregularidades da pele. 

O adesivo também não deve ser iniciado ou substituído por gel, comprimido ou implante sem orientação médica. Cada apresentação possui formas diferentes de absorção, doses específicas e indicações próprias. Para Danuza, o erro está em tratar a reposição como uma solução única para todas as mudanças dessa fase. “O hormônio pode melhorar muito a qualidade de vida quando bem indicado, mas não resolve automaticamente todas as transformações do corpo. A paciente precisa entender se a queixa é hormonal, muscular, estrutural ou relacionada à pele para receber uma indicação realmente adequada”, conclui.


Dra. Danuza Alves
@dradanuzalves

Clínica Leger @clinicaleger

CO Assessoria



Dor nas mãos ao usar computador pode indicar lesões causadas por movimentos repetitivos

Freepik
Uso repetitivo do teclado e do mouse, aliado à falta de pausas, aumenta o risco de lesões nas mãos e nos punhos; Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão orienta como prevenir o problema

 

Passar horas em frente ao computador faz parte da rotina de milhões de brasileiros. No entanto, o uso prolongado do teclado e do mouse, muitas vezes sem pausas, pode sobrecarregar mãos, punhos e dedos, favorecendo o desenvolvimento de inflamações e outras lesões que comprometem não apenas o desempenho no trabalho, mas também atividades simples do dia a dia, como segurar um copo, escrever ou abrir uma embalagem.

O tema chamou a atenção recentemente após a influenciadora Viih Tube compartilhar nas redes sociais que desenvolveu uma inflamação no tendão em decorrência das longas horas de trabalho no computador. O caso trouxe visibilidade para um problema que faz parte da rotina de muitas pessoas e reforça a importância de adotar hábitos que ajudem a proteger as mãos, os punhos e os dedos durante a jornada de trabalho.

Entre os problemas mais comuns relacionados ao uso repetitivo do teclado e do mouse estão as tendinites, tenossinovites e a síndrome do túnel do carpo. Essas condições costumam surgir de forma gradual e podem causar dor, inchaço, sensação de formigamento, perda de força e dificuldade para realizar movimentos simples, como digitar, segurar objetos ou até mesmo abrir uma porta. Quando não tratadas, as lesões podem evoluir e comprometer significativamente a qualidade de vida e o desempenho nas atividades diárias.
 

“A tendinite corresponde à inflamação dos tendões, responsáveis por conectar os músculos aos ossos. Já a tenossinovite afeta a bainha que envolve esses tendões, dificultando seu deslizamento e tornando movimentos simples bastante dolorosos. Na síndrome do túnel do carpo, o problema ocorre pela compressão do nervo mediano, responsável pela sensibilidade e pela movimentação de parte da mão”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Roberto Luiz Sobania. “Nesses casos, além da dor, é comum o surgimento de formigamento, dormência, perda de força e dificuldade para segurar objetos”, completa.

O especialista ressalta que é importante observar os primeiros sinais de desconforto para evitar que pequenas dores evoluam para quadros mais graves. "Muitas pessoas acreditam que sentir dor nas mãos ou nos punhos ao final do expediente é algo normal, mas esse é um sinal de alerta. Quando esses sintomas são ignorados e a sobrecarga continua, a tendência é que a lesão se agrave, tornando o tratamento mais longo e, em alguns casos, exigindo até mesmo o afastamento das atividades", alerta.
 

Além da digitação, o uso do mouse costuma representar sobrecarga para algumas estruturas da mão e do punho, já que exige movimentos repetitivos com pouca variação ao longo do dia. O uso frequente de smartphones fora do horário de trabalho também prolonga essa exposição, reduzindo o tempo de recuperação dos tendões e músculos.

Embora nem sempre seja possível reduzir o tempo em frente ao computador, algumas medidas simples ajudam a diminuir a sobrecarga nas mãos e nos punhos. “Algumas orientações são realizar pequenas pausas para movimentar as mãos; manter os punhos alinhados durante a digitação; ajustar a altura da cadeira para que cotovelos permaneçam próximos de 90 graus e evitar apoiar constantemente os punhos na borda da mesa”, fala o cirurgião da mão. 

Alongamentos leves para dedos, mãos, punhos e antebraços também ajudam a reduzir a tensão muscular quando realizados de forma orientada. Outro ponto importante é evitar continuar trabalhando sob dor, já que o esforço repetido sobre tecidos inflamados favorece o agravamento das lesões. 

“A dor nunca deve ser encarada como algo normal. Quanto mais cedo a pessoa procurar avaliação médica, maiores são as chances de evitar a progressão da lesão e recuperar a função das mãos sem a necessidade de tratamentos mais complexos. A prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo os melhores caminhos”, conclui.



SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão
www.cirurgiadamao.org.br


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