Uso repetitivo do teclado e do mouse,
aliado à falta de pausas, aumenta o risco de lesões nas mãos e nos punhos;
Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão orienta como prevenir o problema
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Passar
horas em frente ao computador faz parte da rotina de milhões de brasileiros. No
entanto, o uso prolongado do teclado e do mouse, muitas vezes sem pausas, pode
sobrecarregar mãos, punhos e dedos, favorecendo o desenvolvimento de
inflamações e outras lesões que comprometem não apenas o desempenho no
trabalho, mas também atividades simples do dia a dia, como segurar um copo,
escrever ou abrir uma embalagem.
O tema chamou a atenção recentemente após a
influenciadora Viih Tube compartilhar nas redes sociais que desenvolveu uma
inflamação no tendão em decorrência das longas horas de trabalho no computador.
O caso trouxe visibilidade para um problema que faz parte da rotina de muitas
pessoas e reforça a importância de adotar hábitos que ajudem a proteger as
mãos, os punhos e os dedos durante a jornada de trabalho.
Entre os problemas mais comuns relacionados ao uso
repetitivo do teclado e do mouse estão as tendinites, tenossinovites e a
síndrome do túnel do carpo. Essas condições costumam surgir de forma gradual e
podem causar dor, inchaço, sensação de formigamento, perda de força e
dificuldade para realizar movimentos simples, como digitar, segurar objetos ou
até mesmo abrir uma porta. Quando não tratadas, as lesões podem evoluir e
comprometer significativamente a qualidade de vida e o desempenho nas
atividades diárias.
“A
tendinite corresponde à inflamação dos tendões, responsáveis por conectar os
músculos aos ossos. Já a tenossinovite afeta a bainha que envolve esses
tendões, dificultando seu deslizamento e tornando movimentos simples bastante
dolorosos. Na síndrome do túnel do carpo, o problema ocorre pela compressão do
nervo mediano, responsável pela sensibilidade e pela movimentação de parte da
mão”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM),
Dr. Roberto Luiz Sobania. “Nesses casos, além da dor, é comum o surgimento de
formigamento, dormência, perda de força e dificuldade para segurar objetos”,
completa.
O especialista ressalta que é importante observar os
primeiros sinais de desconforto para evitar que pequenas dores evoluam para
quadros mais graves. "Muitas pessoas acreditam que sentir dor nas mãos ou
nos punhos ao final do expediente é algo normal, mas esse é um sinal de alerta.
Quando esses sintomas são ignorados e a sobrecarga continua, a tendência é que
a lesão se agrave, tornando o tratamento mais longo e, em alguns casos,
exigindo até mesmo o afastamento das atividades", alerta.
Além da digitação, o uso do mouse costuma representar sobrecarga para algumas estruturas da mão e do punho, já que exige movimentos repetitivos com pouca variação ao longo do dia. O uso frequente de smartphones fora do horário de trabalho também prolonga essa exposição, reduzindo o tempo de recuperação dos tendões e músculos.
Embora nem sempre seja possível reduzir o tempo em frente ao computador, algumas medidas simples ajudam a diminuir a sobrecarga nas mãos e nos punhos. “Algumas orientações são realizar pequenas pausas para movimentar as mãos; manter os punhos alinhados durante a digitação; ajustar a altura da cadeira para que cotovelos permaneçam próximos de 90 graus e evitar apoiar constantemente os punhos na borda da mesa”, fala o cirurgião da mão.
Alongamentos leves para dedos, mãos, punhos e antebraços também ajudam a reduzir a tensão muscular quando realizados de forma orientada. Outro ponto importante é evitar continuar trabalhando sob dor, já que o esforço repetido sobre tecidos inflamados favorece o agravamento das lesões.
“A dor
nunca deve ser encarada como algo normal. Quanto mais cedo a pessoa procurar
avaliação médica, maiores são as chances de evitar a progressão da lesão e
recuperar a função das mãos sem a necessidade de tratamentos mais complexos. A
prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo os melhores caminhos”,
conclui.
SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão
www.cirurgiadamao.org.br
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