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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Orgulho Autista e o STF: a dignidade não pode ser limitada por planilhas de planos de saúde


O Dia do Orgulho Autista, celebrado nesta quinta-feira, 18 de junho, foi instituído para mudar a narrativa sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA): deixar de encarar a neurodivergência como uma doença a ser "curada" e passar a celebrá-la como uma variação natural da diversidade humana. No entanto, no Brasil de 2026, o orgulho de existir e resistir esbarra em barreiras práticas e financeiras violentas, que tentam limitar o pleno desenvolvimento de milhares de crianças, jovens e adultos autistas. 

O epicentro dessa discussão está, neste momento, no Supremo Tribunal Federal (STF). A Suprema Corte julga a legalidade das limitações e das negativas impostas pelas operadoras de planos de saúde para terapias multidisciplinares essenciais, como os métodos ABA (Análise do Comportamento Aplicada), fonoaudiologia e terapia ocupacional. Sob o pretexto de um suposto desequilíbrio atuarial, as grandes empresas de saúde suplementar travam uma batalha jurídica para tentar restringir o acesso a tratamentos que determinam se uma pessoa autista terá ou não autonomia ao longo de sua vida. 

Essa resistência mercadológica expõe as entranhas do capacitismo estrutural. O argumento de que garantir o tratamento prescrito por médicos e terapeutas "quebra o sistema" é falacioso e inverte a lógica do direito à saúde. Planos de saúde não vendem um produto descartável; eles gerenciam um serviço de relevância pública, cuja base constitucional é a dignidade da pessoa humana. 

Negar ou limitar sessões de terapia não é um mero detalhe contratual de uma planilha de custos. É um teto colocado arbitrariamente sobre a capacidade de desenvolvimento de uma mente humana. O desenvolvimento da fala, a autorregulação emocional, a coordenação motora e a socialização de uma pessoa autista não podem esperar o tempo das conveniências financeiras das grandes corporações. 

Do ponto de vista da economia política, a visão das operadoras é míope e ultrapassada. O investimento na intervenção precoce e contínua reduz drasticamente a necessidade de suportes de altíssimo custo no futuro. Promover a autonomia de pessoas neurodivergentes significa garantir que elas possam, amanhã, ocupar seus espaços no mercado de trabalho, produzir, criar e consumir. A exclusão é, sempre, a pior estratégia econômica para um país. 

A atuação do STF neste caso vai muito além de uma interpretação de contratos. Trata-se de definir se a dignidade humana e o direito à neurodiversidade se sobrepõem à ganância corporativa. O Judiciário tem o dever civilizatório de blindar as pessoas com deficiência contra o arbítrio burocrático. 

O Orgulho Autista só será pleno quando a sociedade e o mercado compreenderem que a acessibilidade terapêutica e a adaptação razoável não são favores ou benefícios negociáveis. São direitos fundamentais irrenunciáveis. Que a nossa Suprema Corte tenha a sensibilidade de ouvir a ciência, respeitar as famílias e dar um basta à exclusão performática que finge cuidar, mas abandona na hora do tratamento.

 

André Naves - Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP; Cientista Político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Comendador Cultural, Escritor e Professor (Instagram: @andrenaves.def).


Malásia revela experiências imersivas entre florestas tropicais, cavernas e biodiversidade única

Divulgação
 Tourism Malaysia


Trilhas milenares, fauna exótica e paisagens grandiosas fazem do destino um paraíso para os amantes do ecoturismo 

 

Na Malásia, a natureza vai muito além de um simples atrativo turístico: ela é parte essencial da identidade do destino. Lar de algumas das florestas tropicais mais antigas do mundo, o país convida os viajantes a mergulharem em cenários onde montanhas cobertas por névoa, rios caudalosos e biodiversidade exuberante criam experiências profundamente conectadas ao ambiente natural.

Entre trilhas em meio à selva, cavernas monumentais e paisagens preservadas, a aventura ganha diferentes formas ao longo do território malaio.


Taman Negara: o coração verde da Malásia

Com mais de 130 milhões de anos, Taman Negara é considerada uma das florestas tropicais mais antigas do planeta e um dos principais destinos de ecoturismo da Malásia.

O parque oferece trilhas que atravessam árvores gigantescas, cachoeiras escondidas e uma impressionante variedade de fauna e flora. Uma das experiências mais emblemáticas da região é percorrer os canopy walkways – pontes suspensas entre as copas das árvores que proporcionam uma perspectiva única da selva.

Além das caminhadas, o destino também oferece passeios noturnos, navegação por rios e observação de espécies como macacos, aves exóticas e outros animais típicos da região.


Bornéu: biodiversidade em estado puro

Na ilha de Bornéu, os estados de Sabah e Sarawak abrigam alguns dos ecossistemas mais ricos do planeta.

Em Sabah, o Kinabalu Park, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, reúne trilhas cercadas por vegetação exuberante e vistas para o Mount Kinabalu, uma das montanhas mais altas do Sudeste Asiático.

Para viajantes em busca de experiências mais remotas, destinos como o Maliau Basin – conhecido como “o mundo perdido de Sabah” – e o Crocker Range National Park oferecem expedições por selvas praticamente intocadas, cachoeiras e áreas de biodiversidade impressionante.

Já em Sarawak, o destaque é o Gunung Mulu National Park, famoso por suas cavernas gigantescas, formações calcárias monumentais e paisagens que parecem de outro planeta, como os famosos Pinnacles.

Dentro do parque, a experiência “The Amazing Pilgrimage in Mulu” leva os visitantes a explorar alguns dos sistemas de cavernas mais impressionantes do mundo, com enormes câmaras subterrâneas, rios ocultos e formações de estalactites. O roteiro combina trilhas na selva, passarelas suspensas e o espetáculo natural da saída de milhões de morcegos ao entardecer.


Langkawi: natureza acessível e paisagens cinematográficas

Para quem deseja combinar aventura e conforto, Langkawi oferece uma versão mais acessível da experiência em meio à floresta tropical.

A ilha reúne trilhas leves, manguezais, formações geológicas e passeios guiados ideais para diferentes perfis de viajantes. O ritmo por ali é mais tranquilo, favorecendo experiências contemplativas e contato desacelerado com a natureza.

Uma das atividades mais populares são os passeios de barco pelos manguezais, ecossistemas fundamentais para a vida marinha e habitat de espécies emblemáticas da região. Durante os tours, é comum avistar águias-brâmanes – símbolo de Langkawi –além de macacos, caranguejos violinistas e diversas espécies de aves e peixes.


Penang: equilíbrio entre natureza e cultura

Embora seja conhecida por sua rica cena urbana e gastronômica, Penang também oferece áreas naturais ideais para caminhadas e momentos de desconexão.

Parques e reservas preservadas permitem explorar trilhas cercadas por vegetação tropical, criando um interessante contraste entre patrimônio cultural, vida urbana e natureza.


Um destino seguro para explorar

Além da impressionante biodiversidade, a Malásia também se destaca por ser considerada um dos destinos mais seguros para viajar em 2026. Isso permite explorar trilhas, reservas naturais e experiências mais remotas com tranquilidade e infraestrutura adequada para diferentes perfis de turistas.

Como chegar à Malásia - Kuala Lumpur (KL) possui conexões acessíveis a partir de importantes cidades da América Latina, como São Paulo, Cidade do México, Bogotá e Buenos Aires, com tempos de viagem entre 24 e 35 horas, dependendo das escalas.

As principais rotas incluem:

  • Via Oriente Médio: conexões via Dubai (Emirates), Doha (Qatar Airways) ou Istambul (Turkish Airlines).
  • Via Europa: opções com escalas em Londres, Amsterdã ou Frankfurt. A Lufthansa prevê inaugurar a rota direta Frankfurt–Kuala Lumpur em outubro de 2026.
  • Via África: uma das rotas mais eficientes para brasileiros é via Addis Abeba, com Ethiopian Airlines saindo de São Paulo.
  • Via América do Norte e Pacífico: conexões via cidades como Los Angeles, Nova York ou Dallas, seguindo para hubs asiáticos como Tóquio e Seul antes da chegada à Malásia.


Uma experiência transformadora

Explorar as florestas tropicais da Malásia é muito mais do que uma atividade de aventura. Trata-se de uma imersão profunda na natureza, em um ambiente onde os sons da selva, o ar puro e a grandiosidade dos ecossistemas criam experiências genuinamente transformadoras.

Em um mundo cada vez mais acelerado, a Malásia surge como um convite para desacelerar, observar e redescobrir a conexão com a natureza em sua forma mais pura.

Para descobrir mais sobre a Malásia, acesse: https://www.malaysia.travel/





Tourism Malaysia
www.malaysia.travel


Setor de Telesserviços atrai Geração Z para o universo das big techs

Operações de atendimento evoluem para ambientes de IA, dados, marketing digital e experiência do cliente

 

Em um momento em que carreiras ligadas à tecnologia estão entre as mais desejadas pelos jovens, o setor de Telesserviços vem se consolidando como uma porta de entrada para o universo das big techs. Ao operar serviços para grandes plataformas digitais e empresas globais de tecnologia, o segmento tem oferecido a milhares de jovens, muitas vezes em sua primeira experiência profissional, a oportunidade de desenvolver habilidades ligadas à economia digital e de conhecer, na prática, processos, ferramentas e estratégias que fazem parte do dia a dia dessas companhias.

 

É o caso de Lincoln Fernandes Bora. Quando ingressou no setor, aos 18 anos, ele não imaginava que construiria uma trajetória profissional voltada à experiência do usuário, inovação e transformação digital. Hoje, aos 28, é especialista em consultoria digital na Concentrix, depois de passar por áreas como atendimento, qualidade e UX em projetos para empresas dos setores de telecomunicações, varejo e serviços digitais. “Quando comecei, muita coisa era manual. Hoje, temos IA, ferramentas inteligentes e tecnologias que ajudam a personalizar toda a jornada do cliente”, afirma.

 

A trajetória de Carolina Ramalho Cardoso também ajuda a ilustrar o momento de transformação que o setor de contact center vive. Formada em Publicidade e Propaganda, Carolina faz parte de uma geração hiperconectada, acostumada a consumir tendências e conteúdo visual em plataformas como Instagram e TikTok. Aos 29 anos, entrou na Atento em 2019 como analista de atendimento em uma operação de uma grande plataforma financeira digital e, poucos meses depois, já havia sido promovida. Hoje lidera equipes em uma operação ligada a uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.

 

Segundo a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), mais de 60% dos profissionais do setor têm entre 18 e 29 anos. Para a entidade, o perfil das operações mudou nos últimos anos, acompanhando o avanço das plataformas digitais, da IA e das novas demandas de experiência do cliente.

 

“O setor de Telesserviços passou por uma transformação muito significativa nos últimos anos. Hoje, falamos de operações que utilizam inteligência artificial, automação, plataformas digitais e análise de dados no dia a dia. As empresas atuam em segmentos como telecomunicações, varejo, serviços financeiros, tecnologia e comércio eletrônico, o que amplia as oportunidades de desenvolvimento e aproxima os jovens das marcas mais relevantes da economia digital”, destaca Gustavo Faria, diretor-executivo da ABT.

 

“As pessoas ainda imaginam um setor distante da tecnologia, mas nossa rotina hoje envolve plataformas digitais e análise de performance o tempo todo”, conta Carolina. Segundo ela, a IA já faz parte da rotina das equipes, apoiando análises, desenvolvimento de campanhas e treinamentos personalizados. A mudança também passa pela forma como os jovens trabalham e consomem informação. “Os jovens hoje são muito visuais. Eles pesquisam tudo nas plataformas de vídeo, acompanham tendências em tempo real e isso muda até a forma como as marcas se comunicam”, diz.

 

Na liderança de equipes formadas majoritariamente por jovens entre 20 e 30 anos, Carolina afirma que a gestão também precisou mudar. “Para engajar essa geração mais jovem, a liderança tem que ser mais leve, visual e próxima da realidade deles. Eu uso memes no dia a dia, trago referências atuais e mantenho uma comunicação menos quadrada”, afirma.

 

A percepção é compartilhada por Lincoln. Para ele, a possibilidade de transitar por diferentes áreas foi fundamental para sua trajetória profissional. “Você desenvolve comunicação, capacidade analítica, tomada de decisão e aprende constantemente coisas novas. Não é um mercado estático”, diz.

 

Para Carolina, o setor também funciona como uma espécie de escola prática para jovens interessados em tecnologia e marketing digital. “É uma excelente porta de entrada para jovens que gostam de tecnologia e marketing. O treinamento é muito intenso, quase uma escola. Vejo muitos profissionais se capacitarem como gestores de tráfego e depois seguirem para empresas de tecnologia ou abrirem suas próprias agências de marketing digital”, afirma. 


  

Associação Brasileira de Telesserviços - ABT


Política de educação especial tem adesão de 98,9% dos municípios

Isabelle Araújo
MEC
Política Nacional de Educação Especial Inclusiva registra adesão de 5.570 municípios e de todas as redes estaduais. Iniciativa fortalece inclusão, formação docente e atendimento especializado 

 

A Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (PNEEI) concluiu, na segunda-feira, 15 de junho, o período de adesão, que obteve participação de 100% das redes estaduais de ensino e de 98,9% dos municípios brasileiros. Ao todo, 5.570 municípios aderiram à política do Ministério da Educação (MEC), que busca ampliar o acesso, a permanência, a aprendizagem e a participação de estudantes atendidos pela educação especial em todo o país nas salas comuns. 

Instituída para fortalecer a oferta de educação inclusiva nas redes de ensino, a política também estrutura a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva (Reneei), promovendo ações articuladas de formação, apoio técnico e cooperação entre União, estados e municípios. 

Os dados da adesão evidenciam o compromisso das redes de ensino com a consolidação de práticas educacionais inclusivas e com a garantia do direito à educação para estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
 

Avanços – Os resultados mais recentes do Censo Escolar demonstram a expansão da educação especial no país. Em 2025, o número de matrículas de estudantes da educação especial alcançou 2,5 milhões, crescimento de 82% em relação a 2021. 

Também houve avanço na inclusão desses estudantes em classes comuns. Em 2021, 93,5% das matrículas de estudantes de 4 a 17 anos público da educação especial estavam em classes comuns. Em 2025, esse percentual chegou a 96%.
 

Outro indicador relevante é o acesso ao Atendimento Educacional Especializado (AEE). Entre os estudantes incluídos em classes comuns, o percentual daqueles que também frequentam turmas de AEE passou de 39,7%, em 2021, para 45,8%, em 2025.
 

Formação – A formação continuada de professores e gestores é um dos pilares da PNEEI. Entre 2022 e 2025, foram ofertados 252 cursos voltados à educação especial inclusiva, um crescimento de 267,7% no período. O número de participantes também avançou significativamente: 98.330 cursistas foram beneficiados entre 2022 e 2025, um aumento de 216,9% em comparação ao início da série histórica. 

Para ampliar o alcance das ações formativas, o MEC instituiu, por meio da Portaria nº 421/2026, os Centros de Referência em Formação Continuada e em Serviço. Distribuídos em todo o território nacional, os centros atenderão às especificidades das redes de ensino de cada estado e reforçarão a governança da PNEEI e da Reneei. 

A secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC, Zara Figueiredo, destaca que a ampliação da oferta de cursos precisa ser acompanhada por uma participação cada vez maior dos profissionais da educação. “As redes de ensino precisam ter uma política deliberada de formação de professor. O MEC financia, mas as redes precisam determinar que esses cursos sejam feitos de forma obrigatória. Sem isso, não vamos enfrentar esse desafio”, defendeu.



Opinião: nova fronteira das fraudes corporativas com IA exige soluções analíticas

Comprovantes digitais manipulados elevam o risco nas empresas e mostram que conferência visual não é mais o suficiente, demandando novas tecnologias para controle e mitigação

 

 

A fraude sempre esteve no processo. Agora ela ganhou escala

A fraude em despesas corporativas não é um fenômeno recente. Ela sempre existiu, ainda que em formatos menos sofisticados: quilometragens superestimadas, recibos ajustados manualmente, despesas fora de política que passavam por falta de conferência mais rigorosa.

A inteligência artificial não criou esse problema. Ela ampliou sua escala, aumentou a sofisticação dos mecanismos e reduziu o custo de execução. Hoje, é possível gerar comprovantes altamente realistas em segundos, com aparência legítima e difícil distinção a olho nu.

O resultado é um deslocamento relevante no risco: a fraude deixa de ser pontual e passa a se diluir dentro de processos aparentemente normais.

 


O crescimento dos deepfakes financeiros

Os números ajudam a dimensionar esse cenário. As fraudes com deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025, segundo a Sumsub, com o país concentrando cerca de 39% dos casos na América Latina.

Ao mesmo tempo, dados da Grant Thornton indicam que 63% das empresas brasileiras sofreram algum tipo de fraude recentemente, sendo que quase metade registrou perdas superiores a R$ 500 mil.

Esse avanço não está apenas na quantidade, mas na qualidade das tentativas. Os indícios de manipulação deixam de ser visíveis e passam a exigir leitura técnica dos arquivos.

 


O limite do modelo tradicional de auditoria

Durante décadas, o controle de despesas corporativas se apoiou em dois pilares: conferência visual e auditoria por amostragem.

Esse modelo funcionava em um ambiente de menor volume e menor sofisticação. Hoje, ele se mostra insuficiente.

Quando a fraude pode ser gerada com aparência perfeita e replicada em escala, analisar apenas parte das despesas significa aceitar um nível estrutural de exposição. E confiar exclusivamente no olhar humano passa a ser uma estratégia limitada diante de evidências que não são visíveis.

A mudança necessária é estrutural: sair de um modelo reativo, baseado na conferência posterior, para um modelo contínuo, que valida cada etapa do processo.

 

Comprovantes deixam de ser imagens e passam a ser evidências

O ponto de inflexão está na forma como os comprovantes são tratados.

Tradicionalmente, eles eram avaliados como imagens: legibilidade, coerência de valores, compatibilidade com a despesa. Hoje, isso não basta.

A análise precisa considerar a “impressão digital” do arquivo. Metadados, histórico de edição, certificação de origem e padrões como o C2PA (Coalizão para Proveniência e Autenticidade de Conteúdo) passam a ser fundamentais para identificar manipulações invisíveis, como edições em ferramentas de design ou geração sintética de documentos.

Essa abordagem transforma o processo: o comprovante deixa de ser uma representação visual e passa a ser uma evidência técnica, com nível de confiabilidade mensurável.

 

O controle precisa acontecer durante o fluxo

Outro deslocamento importante está no momento da validação.

Quando o controle ocorre apenas no fechamento, a empresa já está lidando com um fato consumado. A investigação se torna mais custosa, a recuperação de valores é limitada e o esforço operacional aumenta.

Por outro lado, quando a validação acontece ao longo da jornada (do registro ao pagamento) o cenário muda. Quilometragens podem ser verificadas por GPS, duplicidades identificadas por padrões, e pagamentos autenticados no momento da transação.

Na prática, isso significa reduzir a dependência de autodeclaração e aumentar a rastreabilidade desde a origem.

 

IA: parte do problema e da solução

A inteligência artificial ocupa hoje uma posição ambivalente nesse contexto.

Ela é, ao mesmo tempo, vetor de sofisticação das fraudes e principal aliada na sua mitigação. Sistemas baseados em IA conseguem analisar grandes volumes de dados, identificar padrões anômalos e atribuir níveis de risco a cada despesa.

Esse tipo de abordagem não elimina completamente o risco, mas altera a relação custo-benefício da fraude. Quanto maior a probabilidade de detecção, menor o incentivo para tentativas sistemáticas.

 

Compliance e eficiência passam a caminhar juntos

O combate à fraude tende a ser tratado como uma pauta de compliance. No entanto, há um impacto direto sobre eficiência operacional e financeira.

Processos com baixa rastreabilidade geram mais exceções, mais retrabalho e maior dependência de auditorias manuais. Já ambientes com validação automatizada reduzem o volume de conferência, aumentam a clareza do fechamento e liberam o time financeiro para atividades de maior valor agregado.

Nesse sentido, prevenir fraude não é apenas evitar perdas diretas, mas também reduzir desperdício operacional.


Um novo padrão de controle corporativo

O avanço das fraudes impulsionadas por IA aponta para uma conclusão clara: o modelo de controle precisa evoluir na mesma velocidade.

Planilhas, conferência manual e auditoria por amostragem não acompanham a complexidade atual. O novo padrão exige tecnologia capaz de operar em escala, analisar evidências técnicas e atuar dentro do fluxo.

Nesse novo cenário, plataformas de gestão de despesas corporativas deixam de atuar apenas como ferramentas operacionais e passam a contribuir de forma significativa para estruturar o controle, integrando análise de dados, validação técnica de comprovantes e monitoramento contínuo das transações.


Pedro Góes - CEO da Paytrack, onde lidera a estratégia de crescimento e inovação em soluções de gestão de despesas e viagens corporativas. Com trajetória construída na própria empresa, já passou pelas áreas de operações, marketing e sucesso do cliente, contribuindo diretamente para a expansão do negócio. Antes disso, empreendeu na área de experiência do cliente e atuou com desenvolvimento de negócios. Sua atuação combina visão operacional, foco em eficiência e uso de tecnologia para resolver desafios reais das empresas.


Verão na Europa: três roteiros da Europamundo para desbravar o continente em 2026


Costa Azul, foto divulgação Europamundo.


Com a chegada do verão no hemisfério norte, a Europa ganha espaço no centro do radar de quem quer combinar paisagens marcantes, cidades históricas e experiências ao ar livre em uma mesma viagem. É a estação em que o continente ganha ainda mais ritmo, com dias mais longos que permitem combinar roteiros vibrantes em meio a uma atmosfera única no Velho Continente. De olho no calendário, a Europamundo reúne três circuitos que traduzem diferentes formas de viver a temporada europeia: o abrangente Europa Sonhada, o mergulho cultural de Todo Portugal e o recorte visual de Tutta Itália. 

O Europa Sonhada é uma das opções mais completas para quem quer reunir, em 16 dias, alguns dos destinos mais icônicos do continente. O roteiro da Europamundo inclui passagens por cidades na Espanha, França, Mônaco, Itália e Suíça, com início em uma visita panorâmica a Madri e excursão à histórica Toledo. Em seguida o grupo viaja a Saragoça com parada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar.


Barcelona, foto divulgação Europamundo

Em Barcelona, capital catalã no Mediterrâneo, o roteiro é marcado pela arquitetura de Gaudí, pelas Ramblas e pela forte identidade urbana. Em seguida, o circuito cruza a Provença até a Costa Azul, incluindo visitas a Nice e ao Principado de Mônaco, passando por Gênova e Veneza. Florença e Roma também estão no roteiro, assim como a famosa Pisa. O grupo ainda passa por Turim e Genebra antes de chegar a Paris, onde estão previstas experiências como Versalhes, Montmartre e visita panorâmica da cidade-luz. 

Na reta final, o itinerário ainda inclui Blois, Tours, Bordeaux e San Sebastián, compondo um panorama amplo da Europa ocidental para quem busca uma viagem de experiências inesquecíveis. Os valores são a partir de 2.288 Euros por pessoa, em apartamento duplo, e os embarques são entre 10 de junho e 30 de setembro de 2026, seguindo com a oferta de viver o roteiro também durante o outono europeu (até 28 de novembro). Inclui circuito em ônibus guia falando português, traslado de chegada e passeios. 


Porto, foto divulgação

Mas, se a ideia é focar em um único país, o circuito Todo Portugal é um dos destaques. O itinerário de 9 dias propõe uma travessia por diferentes regiões do país. O roteiro começa em Lisboa, com um passeio panorâmico pela capital das sete colinas, incluindo o bairro de Belém, e segue para o sul em direção ao Algarve, onde entram em cena Lagos, o Cabo de São Vicente, Sagres e Albufeira, numa combinação que leva o viajante até o atlântico para revelar um lado ensolarado do verão português. A viagem também inclui patrimônios do país com visitas a Mértola, Évora, Marvão, Castelo de Vide, Tomar e o Convento de Cristo, além de Fátima, importante ponto de devoção religiosa.


Madri, foto divulgação Europamundo

Em seguida, o roteiro avança até o Porto com passeio pelo rio Douro, segue por Braga e o Santuário do Bom Jesus, passa por Guimarães, Aveiro, Coimbra, Mosteiro da Batalha, Nazaré e Óbidos, reunindo litoral, cidades históricas, vilas medievais e símbolos importantes da cultura portuguesa em uma mesma viagem. Os valores começam em 1.174 Euros por pessoa, em apartamento duplo, e os embarques são entre 10 de junho e 28 de setembro – quem preferir viajar no outono ou no inverno europeu, pode embarcar entre 05 de outubro de 2026 e 29 de março de 2027. 

Já o roteiro Tutta Itália propõe 11 dias de visitas a cenários cinematográficos do país. A experiência começa na capital italiana com visita guiada pela Roma Imperial, incluindo pontos como o Arco de Constantino, o exterior do Coliseu, os Fóruns Imperiais, o Circo Máximo, as Termas de Caracala, a Basílica de Santa Maria Maior, a Pirâmide Céstia e o Castelo de Santo Ângelo, antes de seguir para Florença, onde o roteiro passa pelo mirante Michelangelo e pelo centro histórico, com Duomo, Ponte Vecchio e Piazza della Signoria. 

Paris, foto divulgação.

O circuito segue até Pisa e o Campo dos Milagres, entra na belíssima região de Cinque Terre com passagem por Vernazza, segue por Gênova e pelo sofisticado balneário de Portofino, chega a Milão e à região dos lagos com Orta San Giulio, Ilha San Giulio, Lago Maggiore e Stresa, e continua por Verona e Veneza. Na etapa final, o roteiro passa ainda por Pádua, San Marino, Gubbio, Perugia e Assis, combinando cidades focadas em arte, paisagens marítimas, vilas históricas e alguns dos recortes mais emblemáticos da Itália. Os valores começam em 1.555 Euros por pessoa, em apartamento duplo, e os embarques são entre 12 de junho e 25 de setembro. Durante o outono e o inverno europeu, a agenda vai de 02 de outubro de 2026 a 26 de março de 2027. 



Europamundo Vacaciones - EMV
Mais informações estão disponíveis no site.


terça-feira, 16 de junho de 2026

Frio derruba estoques de leite materno e acende alerta nos bancos de coleta

Doação de leite materno salva vidas e beneficia
 a saúde da mãe e dos bebês 
Magnific

Especialistas falam sobre a importância do alimento para os bebês e respondem às dúvidas comuns; veja como e onde doar em todo o Brasil

 

Com a chegada do inverno e o aumento de viroses respiratórias, os estoques dos Bancos de Leite Humano (BLHs) sofrem uma redução média de 30% em todo o país. Para contrapor esse impacto sazonal, especialistas falam sobre a importância da doação desse alimento, que é insubstituível para recém-nascidos prematuros ou de baixo peso. 

“Cada gota importa, pois um mililitro (1 ml) de leite humano já é o suficiente para nutrir um bebê vulnerável em seus primeiros momentos em uma UTI. E um litro de leite materno pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia”, explica a médica pediatra Lilian Ferreira Shikasho, professora do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR).

Segundo a Rede Global de Bancos de Leite Humano da Fiocruz, no Brasil, cerca de 330 mil crianças nascem prematuras por ano e precisam da doação de leite, já que permanecem sendo assistidas nos hospitais e maternidades. 


Múltiplos benefícios

O leite materno possui tudo o que o bebê precisa até os seis meses de vida. A ciência o reconhece como o alimento mais completo para o recém-nascido devido ao seu amplo espectro de benefícios: é rico em carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas, minerais e substâncias imunocompetentes (como a imunoglobulina A, enzimas e interferon). 

“Ao amamentar, a mãe transfere anticorpos diretamente para o bebê, protegendo-o de doenças e evitando alergias ou problemas gastrointestinais graves. O ato de doar o leite materno também traz vantagens à saúde da doadora, pois a retirada do excesso estimula a produção contínua e estável, além de esvaziar as mamas adequadamente, aliviando o ingurgitamento mamário e prevenindo processos inflamatórios e infecciosos graves, como a mastite”, destaca Lilian. 

Magnific

“O leite materno também promove o desenvolvimento harmonioso da face, dos ossos e dos músculos orais, favorecendo o posicionamento correto de dentes e língua, além de estimular a sucção, a deglutição e a respiração coordenadas”, explica o cirurgião-dentista Manuel da Fonseca Rodrigues, professor do curso de Odontologia do Centro Universitário Integrado.

 

Como e onde doar em todo o país

O Brasil é considerado referência internacional na área e possui a maior e mais bem estruturada rede de bancos de leite do mundo. 

O país conta atualmente com 239 bancos de leite em funcionamento, sendo 96 no Sudeste, 55 no Nordeste, 40 no Sul, 27 no Centro-Oeste e 17 no Norte. A localização dos BLHs e postos de coleta podem ser conferidas no link https://rblh.fiocruz.br/localizacao-dos-blhs

 

Rede de apoio no Paraná

Na Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), a grande referência é o Banco de Leite Humano do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Mourão. As lactantes de municípios vizinhos podem fazer o cadastro com a nutricionista ou enfermeira responsável pela saúde da mulher em sua cidade para receber o suporte logístico, que inclui a coleta agendada em domicílio, sem necessidade de deslocamento. 

Para as mães residentes em outras localidades, a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) disponibiliza o mapeamento digital completo com telefones e endereços na Tabela oficial da SESA-PR.

 

Dúvidas comuns

Para esclarecer as dúvidas frequentes sobre a doação de leite materno, os especialistas do Centro Universitário Integrado respondem aos questionamentos: 

1) Quem está apta a doar?

Toda mulher que está amamentando, possui excedente de leite, apresenta boa saúde geral, tem exames pré-natais compatíveis com a amamentação e não utiliza medicamentos contraindicados, álcool, tabaco ou drogas está apta a doar. Porém, a prioridade absoluta deve ser a amamentação do próprio filho. 

2) A doação enfraquece o organismo da mãe ou retira o cálcio dos dentes?

Não. O processo não afeta a estrutura dentária. O cálcio utilizado para a produção do leite provém da dieta equilibrada da mãe ou de suas reservas ósseas internas, nunca dos dentes. 

3) Mulheres em tratamento odontológico podem doar?

Sim. Tratamentos de rotina e o uso de anestésico local comum (como lidocaína) é totalmente seguro, possui rápida metabolização e eliminação pelo organismo, não exigindo a interrupção da amamentação ou das doações. 

4) A doação traz benefícios à própria mãe?

Sim. A retirada regular do excesso de leite via ordenha estimula fisiologicamente uma produção contínua e saudável, ajudando a manter a amamentação estável. 

5) O leite doado vai direto para o bebê?

Não. Todo leite passa por um rigoroso processo de triagem, análise e pasteurização no Banco de Leite Humano antes de ser distribuído aos recém-nascidos. 

6) Quem recebe o leite doado?

Os recém-nascidos prematuros ou de baixo peso que estão internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais brasileiras e não podem ser amamentados pela própria mãe. 

7) É possível fazer a coleta em casa?

Sim, basta seguir os passos recomendados pelo Ministério da Saúde. 

8) Qual a maneira correta para a extração de leite humano em casa?

-Escolha um local limpo, confortável e tranquilo;

-Massageie as mamas com as pontas dos dedos, fazendo movimentos circulares no sentido da parte escura (aréola) até o corpo;

-Segure a mama com a mão em formato de “C”;

-Firme os dedos e empurre para trás, em direção ao corpo;

-Aperte o polegar contra os outros dedos até sair o leite;

-Despreze os primeiros jatos de leite ou gotas;

-Posicione o frasco devidamente higienizado debaixo da aréola e inicie a retirada do leite da mama;

-Retire o leite até que a mama esvazie e fique mais maleável;

-Feche bem o frasco com a tampa;

-Coloque um rótulo com seu nome, a data e a hora da retirada

-Guarde o frasco em geladeira (no congelador) 

9) Que quantidade do frasco deve ser preenchida?

O frasco pode ser preenchido até dois dedos antes da borda. Também é possível usar o mesmo frasco para coletas diferentes. 

10) O que fazer caso o frasco não tenha sido preenchido em apenas uma extração?

Deve-se colocar o leite materno recém-retirado em um copo de vidro devidamente esterilizado e, depois, adicioná-lo ao frasco de leite materno que já está congelado. 

11) Qual a maneira correta de armazenar o leite materno? 

-O leite deve ser armazenado em frasco limpo e esterilizado; 

-Lave um frasco de vidro e sua tampa de plástico rosqueável com água e sabão, retirando o rótulo e o papel de dentro da tampa; 

-Coloque o frasco e a tampa em uma panela com água, cobrindo-os completamente; 

-Ferva-os. Conte 15 minutos a partir do início da fervura; 

-Escorra o frasco e a tampa com a abertura voltada para baixo, sobre um pano limpo, até secar; 

-Feche o frasco sem tocar com as mãos na parte interna da tampa; 

-Após a retirada do leite materno, coloque o frasco imediatamente no freezer ou congelador;

-O leite materno deve ser transportado a um Banco de Leite Humano antes do seu vencimento (até 15 dias após a primeira coleta). 

12) A doação pode levar à escassez de leite para o próprio bebê?

Não. Sempre que o bebê mama ou o leite materno é extraído, mais leite é produzido (lei da oferta e da procura).

 

Centro Universitário Integrado

 

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