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terça-feira, 2 de junho de 2026

IFRS 18: como ela redefine as demonstrações financeiras?

 A forma como as empresas comunicam seu desempenho financeiro passa pela maior reformulação em décadas, com a emissão da IFRS 18 — Apresentação e Divulgação nas Demonstrações Financeiras (internalizada como o CPC 51, revogando o CPC 26). Obrigatória para os exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de 2027, trará mudanças estruturais que precisam ser adaptadas com máxima atenção, para que o empresariado não corra o risco de desconformidades legais capazes de gerar multas e danos à perpetuidade das operações. 

O modelo consolidado sob a IAS 1 (CPC 26) concedia ampla liberdade na estruturação da demonstração do resultado, flexibilidade que, com o tempo, cobrou um preço alto em comparabilidade e transparência. O CPC 51 trata exclusivamente da apresentação e da divulgação: nenhum ativo, passivo ou resultado passa a ser contabilizado de forma diferente, o que muda é como a informação é organizada e comunicada nas demonstrações primárias e nas notas explicativas. 

A mudança mais estrutural está na demonstração do resultado. O item 47 do CPC 51 passa a exigir que todas as receitas e despesas sejam classificadas em cinco categorias: operacional, de investimento, financiamento, tributos sobre o lucro e operações descontinuadas, sendo a primeira, por definição, residual. Entidades cuja atividade principal é investir em ativos ou conceder financiamento a clientes, como bancos e seguradoras, seguem regras específicas. Sobre essa categorização, o item 69 torna obrigatórios os subtotais de lucro operacional, de lucro antes de financiamento e tributos, e de lucro líquido, permitindo comparar empresas distintas a partir de uma mesma régua. 

A norma também disciplina as despesas operacionais, que passam a ser organizadas por natureza, por função ou por uma combinação das duas, conforme o critério que ofereça o resumo mais útil ao usuário. 

A frente de maior impacto prático, contudo, são as medidas de desempenho definidas pela administração. O item 117 as define como subtotais de receitas e despesas que a empresa divulga publicamente, fora das demonstrações, para comunicar a visão da administração sobre seu desempenho. Indicadores como EBITDA ajustado e lucro recorrente deixam de circular livremente e passam a exigir tratamento formal. 

O item 122 determina sua divulgação em nota explicativa única, enquanto o item 123 exige descrição, forma de cálculo, conciliação com o subtotal mais comparável e demonstração do efeito tributário. Mais relevante, essas medidas passam a integrar o conjunto auditado das demonstrações — encerrando a era em que cada companhia divulgava seus próprios indicadores ajustados sem um padrão verificável. 

Completam o redesenho o reforço dos princípios de agregação e desagregação, agrupar itens semelhantes, separar os distintos e descrevê-los de forma fidedigna e, no balanço patrimonial, a apresentação do ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) separadamente dos demais intangíveis. 

Para gestores e profissionais da área, os desdobramentos ultrapassam a contabilidade. A redefinição de subtotais e categorias pode alterar indicadores usados em covenants bancários e em planos de remuneração variável, e a formalização das MPMs muda a relação com o mercado e os investidores. O CPC 51 ainda preserva adaptações brasileiras importantes, como a demonstração do resultado em peça separada e a manutenção da demonstração do valor adicionado. 

Há, ainda, uma interface fiscal que merece cautela: a maior fragmentação das informações pode tangenciar critérios como os de preços de transferência da Lei nº 14.596/2023, recomendando atenção para que decisões de divulgação não produzam efeitos tributários indesejados. 

É nesse ponto que a urgência se impõe. A norma exige aplicação retrospectiva: no primeiro ano, a empresa deverá conciliar cada rubrica da demonstração do resultado entre o novo formato e o anterior. Como a vigência alcança 2027, o exercício de 2026 já é o período comparativo a ser reapresentado na nova estrutura, inclusive nas demonstrações intermediárias. 

Diante desse cenário, o papel do profissional contábil torna-se mais consultivo, e três frentes merecem prioridade. A primeira é o prazo: a preparação precisa começar agora, pois o diagnóstico de aderência e o cronograma de implementação não podem esperar a vigência. A segunda é a reestruturação da demonstração do resultado, revisando o plano de contas e os sistemas para enquadrar receitas e despesas nas novas categorias e subtotais. A terceira são as MPMs: mapear os indicadores já divulgados ao mercado e prepará-los para a nota única exigida, com conciliação e efeito tributário, agora sob auditoria. 

Mais do que uma mudança de layout das demonstrações, o CPC 51 redefine a forma como a empresa comunica seu desempenho ao mercado. Para as organizações que tratarem a norma como projeto estratégico e não como tarefa contábil de última hora, a transição se converte em oportunidade: demonstrações mais comparáveis, comunicação mais transparente e maior confiança de investidores e credores. O calendário, contudo, é implacável. Em um ambiente em que 2026 já é o ano comparativo, preparar-se agora deixou de ser recomendação prudente para tornar-se condição de conformidade e de competitividade. 



Lucas Madruga Leme - Sócio na PKF BSP, Supervisor de Contabilidade e BPO Financeiro.



PKF BSP
www.pkfbrazil.com.br


Copa de 2026 acende alerta para avanço das bets e aumento do endividamento das famílias

Com recorde de brasileiros endividados, especialistas apontam que apostas esportivas online já pressionam o orçamento doméstico mais do que fatores tradicionais, como juros e crédito fácil

 

Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, as estatísticas financeiras no país vem chamando atenção para um novo fenômeno: o avanço das apostas esportivas online já aparece entre os principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras.

Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School, aponta que as chamadas “bets” já superaram fatores tradicionais, como juros altos e expansão do crédito, como vetor de endividamento das famílias. O levantamento mostra uma mudança no comportamento financeiro dos consumidores, com recursos que antes eram destinados ao consumo, à poupança ou ao pagamento de despesas básicas migrando para plataformas de apostas.

Com a proximidade da Copa do Mundo, período historicamente associado ao aumento do volume de apostas esportivas, o cenário tende a se agravar. A expectativa é de que a combinação entre maior exposição publicitária, engajamento emocional com o futebol e facilidade de acesso às plataformas digitais intensifique o impacto das bets sobre o orçamento doméstico.

Os reflexos desse movimento já aparecem em diferentes levantamentos sobre inadimplência e comportamento financeiro. Uma pesquisa recente do PoderData mostrou que 35% dos brasileiros que apostam online afirmam já ter se endividado em função das apostas. Cerca de um ano antes, esse percentual era de 16%, indicando que o problema mais do que dobrou no período analisado.

Segundo o estudo, o impacto é mais frequente entre homens, pessoas de menor renda e grupos em situação de maior vulnerabilidade financeira, reforçando a relação entre apostas recorrentes e fragilidade econômica. Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias brasileiras segue em patamares recordes. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que, em abril de 2026, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, o maior índice da série histórica.

A pesquisa também aponta forte dependência do crédito no orçamento doméstico. O cartão de crédito segue como principal modalidade de endividamento, presente na maior parte dos casos, enquanto uma parcela significativa da renda familiar permanece comprometida com pagamento de dívidas.

Para Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, fintech de crédito pessoal 100% online, “o crescimento das apostas esportivas amplia um comportamento de risco já observado em cenários de pressão financeira: a tentativa de recuperar perdas por meio de novas apostas. Esse ato pode acelerar o comprometimento do orçamento e criar um ciclo difícil de interromper”, alerta.

Afonso complementa: “As apostas acabam mexendo com um componente emocional muito forte, principalmente em grandes eventos como a Copa do Mundo. Muitas pessoas começam apostando valores baixos, mas entram em uma lógica de tentar recuperar perdas rapidamente. Quando isso passa a acontecer com frequência, o impacto financeiro tende a ser cumulativo, comprometendo as despesas essenciais da família”.


Desenrola Brasil: programas de renegociação de dívidas

Diante desse cenário, programas de renegociação ganham protagonismo como alternativa de reorganização financeira. Entre eles está o novo Desenrola Brasil, iniciativa voltada à renegociação de dívidas com descontos que podem chegar a 90%, além da possibilidade de utilização do FGTS em determinadas condições.

No entanto, o programa também estabelece uma restrição importante: consumidores que aderirem à renegociação ficam impedidos de realizar apostas online por 12 meses. A medida busca evitar que o ciclo de endividamento continue durante o período de recuperação financeira.

Para Marco Afonso, a combinação entre reorganização das dívidas e mudança de comportamento financeiro é essencial para evitar o agravamento do problema.

“Renegociar dívidas é importante, mas recuperar o controle financeiro exige também rever hábitos de consumo e estabelecer limites claros para o uso do dinheiro. Em períodos de grande apelo emocional, como a Copa, planejamento e educação financeira fazem diferença para que o entretenimento não se transforme em um problema de longo prazo”, conclui.

 

Simplic

 

Alma, Vida Noturna e Liberdade: Por que os viajantes brasileiros adoram a Pensilvânia

Créditos: R. Kennedy for Visit PA

Para os viajantes brasileiros que visitam os Estados Unidos durante a Copa do Mundo 2026, a Pensilvânia oferece muito mais do que emoção nos dias de jogo. Entre celebrações nos estádios e fan festivals, o estado revela outra face da experiência americana: uma vida noturna vibrante, música ao vivo, bairros culturalmente diversos e uma cena gastronómica influenciada por todo o mundo.
 

A Filadélfia, em particular, tem um ritmo que muitos visitantes brasileiros reconhecem imediatamente. As ruas mantêm-se vivas até tarde, a música sai dos bares e restaurantes, e as praças de bairro enchem-se de pessoas a conversar, comer e celebrar. É uma cidade onde a cultura acontece tanto nos espaços públicos como nos museus ou teatros. 

Para os torcedores que viajam para ver o Brasil jogar na região, a Pensilvânia torna-se mais do que uma paragem em um itinerário de futebol. Torna-se um lugar para viver música, vida noturna e a energia criativa que define a cidade.
 

Uma cidade que ganha vida depois do anoitecer

A Filadélfia sempre foi uma cidade moldada pela música. Do jazz e soul ao hip hop e às atuações ao vivo contemporâneas, o seu patrimônio cultural está profundamente ligado ao ritmo e à performance. 

Espaços de música ao vivo encontram-se por toda a cidade, desde pequenos bares de jazz até grandes salas de concerto que recebem artistas internacionais. Em bairros como Fishtown e Northern Liberties, antigos armazéns e edifícios históricos foram transformados em espaços onde músicos locais e internacionais atuam até tarde da noite. 

South Street, há muito reconhecida pelo seu espírito criativo, continua a atrair visitantes com uma mistura vibrante de espaços de música ao vivo como o The Fillmore Philadelphia, lojas independentes como Vagabond e Occasionette, e cafés noturnos como o Chris’ Jazz Café. A atmosfera é espontânea e acolhedora, incentivando os viajantes a circular livremente entre diferentes espaços. 

Durante o torneio de futebol, esta cultura noturna deverá tornar-se ainda mais vibrante com a chegada de visitantes internacionais. Bares e espaços de música irão transmitir jogos enquanto mantêm a sua programação habitual de concertos e eventos. 

Para viajantes brasileiros habituados a cidades onde música e vida social se misturam, a atmosfera noturna da Filadélfia é ao mesmo tempo vibrante e familiar.
 

Festivais e celebrações de rua

A celebração pública é outra característica marcante da vida cultural da Pensilvânia. Durante os meses de verão, cidades por todo o estado organizam festivais que unem comunidades através de música, gastronomia e performances de rua. 

Na Filadélfia, o período da Copa coincide com um momento particularmente importante da história americana. O país celebra o 250.º aniversário da sua fundação, e a cidade onde a Declaração de Independência foi assinada acolhe grandes festividades. 

As celebrações anuais do Wawa Welcome America vão ocorrer durante duas semanas, começando em junho e culminando no Dia da Independência a 4 de julho. O programa inclui concertos ao ar livre, eventos culturais, dias de museus gratuitos, encontros de bairro e fogos de artifício ao longo do Benjamin Franklin Parkway.

Para os visitantes, estas celebrações criam um cenário vibrante em paralelo ao torneio. Ruas e espaços públicos enchem-se de música, comida de rua e eventos comunitários, fazendo com que a cidade inteira pareça um festival ao ar livre. 

Os viajantes brasileiros procuram frequentemente destinos onde a cultura é vivida de forma coletiva, e as celebrações de verão de Filadélfia refletem exatamente esse espírito.
 

Uma cena gastronômica cheia de sabores do mundo

A gastronomia da Pensilvânia é outra razão pela qual muitos visitantes brasileiros se sentem em casa. A cozinha do estado reflete a diversidade das suas comunidades, combinando tradições americanas com influências internacionais. 

A Filadélfia é famosa pelo cheesesteak e pelos pretzels macios, mas a oferta gastronômica vai muito além desses ícones. O Reading Terminal Market, um dos mercados públicos mais antigos dos Estados Unidos, reúne dezenas de vendedores com pratos regionais, produtos frescos e cozinha internacional. 

As influências latino-americanas são especialmente visíveis em vários bairros. Restaurantes de comida mexicana, caribenha e sul-americana coexistem com espaços contemporâneos que combinam sabores globais com ingredientes locais. Restaurantes de fusão latina, bancas de street food e cafés casuais criam ambientes descontraídos onde os viajantes podem fazer refeições rápidas ou passar a noite a experimentar diferentes sabores. 

Para visitantes brasileiros, esta mistura de sabores é ao mesmo tempo familiar e estimulante. Ingredientes conhecidos surgem em novas combinações, enquanto os espaços de degustação promovem o mesmo espírito social que define a cultura gastronômica do Brasil.
 

Bairros que convidam à descoberta

Parte do encanto da Pensilvânia está no caráter dos seus bairros. Em vez de concentrar a vida noturna e gastronômica em uma única área, a Filadélfia distribui a sua energia cultural por vários bairros, cada um com a sua própria identidade. 

Rittenhouse Square oferece restaurantes elegantes, wine bars e ruas arborizadas onde as pessoas se reúnem em cafés ao ar livre. Fishtown tornou-se um polo criativo cheio de espaços de música independente, cervejarias artesanais e arte contemporânea. Northern Liberties mistura arquitetura histórica com vida noturna moderna, atraindo um público jovem e dinâmico. 

Mesmo bairros históricos como Old City mantém uma atmosfera noturna viva, com bares e restaurantes instalados em edifícios com séculos de história. 

Para os viajantes, explorar estes bairros torna-se parte essencial da experiência. Caminhar entre espaços, descobrir pequenas galerias ou ouvir músicos de rua cria a sensação de uma cidade em constante movimento.
 

Cultura em cada esquina

A Filadélfia é também reconhecida internacionalmente pela sua arte pública. O programa Mural Arts produziu centenas de murais espalhados pelos bairros, transformando paredes em narrativas visuais impressionantes.

Para visitantes que caminham entre restaurantes e espaços de música, estes murais oferecem momentos inesperados de criatividade. A arquitetura histórica surge lado a lado com arte contemporânea, refletindo a capacidade da cidade de unir patrimônio e inovação. 

Museus e galerias acrescentam outra dimensão à experiência cultural. O Philadelphia Museum of Art, a Pennsylvania Academy of the Fine Arts e várias galerias independentes apresentam obras clássicas e contemporâneas. 

Para viajantes brasileiros que valorizam arte, música e vida social como parte da experiência de viagem, a cidade oferece um ambiente onde a cultura está visível em todo o lado.
 

Liberdade, história e celebração

O apelo da Pensilvânia também reside na sua história. A Filadélfia é amplamente conhecida como o berço da democracia americana. O Independence Hall e a Liberty Bell estão no centro de um distrito histórico que atrai visitantes de todo o mundo. 

Para muitos turistas, caminhar por estas ruas acrescenta um significado mais profundo à visita. Os ideais de liberdade e identidade cívica que moldaram os Estados Unidos nasceram aqui, e os bairros envolventes continuam a refletir a diversidade e criatividade da vida americana moderna. 

Durante a Copa, este cenário histórico se combina à música, vida noturna e cultura global do futebol, criando uma atmosfera única e dinâmica.
 

Um destino que se sente vivo

Para o público brasileiro, a Pensilvânia oferece mais do que uma experiência turística convencional. Oferece um destino que se sente vivo. 

A música preenche as ruas à noite, restaurantes e mercados apresentam sabores de todo o mundo e festivais unem comunidades em celebração. Entre jogos e visitas a estádios, os visitantes podem mergulhar na cultura dos bairros, descobrindo os ritmos e a criatividade que definem a região. 

Ao combinar futebol, vida noturna, música e exploração gastronômica, a Pensilvânia torna-se um lugar onde a emoção da Copa do Mundo vai muito além do estádio. Torna-se uma jornada através da cultura, da celebração e da alegria compartilhada de estar junto. 



Visit Pennsylvania
Mais informações em: VisitPA.




O Direito ao Desligamento: Por que a "cultura da urgência" virou um risco financeiro

 

O smartphone eliminou as paredes do escritório, mas criou um problema jurídico que muitos empresários ainda ignoram: a empresa agora mora no bolso do colaborador. O que antes era delimitado fisicamente pelo bater do cartão de ponto, hoje se dilui em notificações de WhatsApp e alertas de e-mail que não respeitam o pôr do sol nem os fins de semana. Nesse cenário de hiperconectividade, o chamado "direito ao desligamento" deixou de ser um conceito teórico ou uma bandeira de ativistas para se tornar um pilar crítico do compliance trabalhista e da sustentabilidade financeira das organizações modernas. 

O alerta que vem dos tribunais é cada vez mais incisivo e não pode ser negligenciado. Com o reconhecimento da Síndrome de Burnout como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Justiça do Trabalho brasileira mudou o foco de suas decisões. Não discutimos mais apenas o pagamento aritmético de horas extras; estamos tratando da invasão sistemática da vida privada e da integridade psíquica do trabalhador. O estado de "sempre disponível" tornou-se, na prática, o combustível mais caro para condenações por danos morais e existenciais que podem atingir cifras vultosas, comprometendo o fluxo de caixa de empresas de qualquer porte. 

Os sinais desse problema aparecem antes da ação judicial: aumento de pedidos de demissão, adesão a PDV (Plano de Demissão Voluntária), afastamentos previdenciários, denúncias internas, queda de produtividade e alta rotatividade. Esses elementos ajudam a mostrar que a hiperconexão não é só um incômodo individual, mas pode revelar uma falha estrutural na organização do trabalho. 

Outro ponto importante são as questões da rescisão indireta, do dano existencial e do assédio moral organizacional, porque a cobrança constante fora do expediente pode deixar de ser apenas uma discussão sobre horas extras e passar a envolver violação do descanso, da saúde mental e da vida privada do trabalhador. 

Na rotina do empresariado, o desafio reside em equilibrar a agilidade exigida pelo mercado dinâmico com a preservação do capital humano. É comum que lideranças, movidas pela cultura da urgência, enviem mensagens no sábado à tarde com a ressalva de "apenas para eu não esquecer" ou "não precisa responder agora". O aspecto do sobreaviso digital e do plantão informal é outra parte do problema. Às vezes a empresa não cria oficialmente um plantão, mas espera que o funcionário fique “de olho” no WhatsApp, responda mensagens fora do horário ou resolva urgências, o que pode gerar risco trabalhista. 

No entanto, sob a ótica jurídica e pericial, esse ato pode ser o gatilho para o reconhecimento de tempo à disposição, regime de sobreaviso ou, em casos mais graves, o assédio estrutural pelo impedimento do repouso efetivo. A tecnologia, que deveria ser uma ferramenta de libertação e produtividade, acaba sendo usada como uma coleira digital que mantém o vínculo empregatício ativo 24 horas por dia. 

Além do passivo judicial direto, existe o custo invisível da queda de produtividade e do absenteísmo. Um colaborador que não se desconecta nunca atinge o descanso pleno; sem descanso, a cognição falha, os erros operacionais aumentam e a rotatividade de talentos (turnover) dispara. Portanto, implementar protocolos claros de desconexão não deve ser encarado como uma burocracia ou uma concessão benevolente, mas sim como um investimento estratégico em inteligência jurídica. Isso exige, obrigatoriamente, um processo de reeducação das chefias intermediárias, que são, geralmente, os principais vetores desses riscos. 

É preciso estabelecer que o respeito ao horário de folga é uma diretriz de compliance tão rigorosa quanto o uso de equipamentos de proteção individual em uma fábrica. A desconexão hoje não é apenas uma questão de “boa prática”, mas também de gestão de riscos psicossociais, especialmente diante da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), norma base de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e da preocupação crescente com saúde mental no ambiente de trabalho. 

O empresário deve ficar atento também à prova digital, porque hoje prints de WhatsApp, e-mails fora do expediente, mensagens em grupos corporativos, áudios e registros de login acabam sendo provas muito fortes em eventual reclamação trabalhista. 

A modernização do Direito Trabalhista exige que a empresa proteja o colaborador inclusive de si mesma e dessa ansiedade digital coletiva. O uso de ferramentas tecnológicas que programem envios de mensagens apenas para o horário comercial e a criação de manuais de conduta digital são passos fundamentais. No cenário jurídico atual, prevenir o esgotamento mental do time é tão vital quanto conferir o pagamento de tributos ou a validade de contratos com fornecedores. Ambas as ações possuem o mesmo objetivo central: proteger o que a empresa tem de mais caro, que é a sua reputação no mercado e a integridade do seu caixa. No final das contas, o direito ao descanso é, acima de tudo, uma garantia de continuidade para o próprio negócio.

  

Lucas Vinícius Salomé - graduado e pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Mackenzie, possui também pós-graduação em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. É sócio fundador do escritório Raposo Soares e Salomé Advogados

 

Além do Google: como aparecer no ChatGPT impulsiona a vantagem competitiva das empresas?

 

A forma como as pessoas buscam informações está mudando rapidamente. Se, antes, o Google era o principal canal de descoberta, hoje ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, já ocupam um papel complementar nesse processo. Por isso, entender como fazer que sua empresa apareça nessa plataforma se tornou uma estratégia relevante para que cresçam em autoridade e gerem novas oportunidades de negócio. 

Segundo dados divulgados pela Ahrefs, em meados de 2025, o ChatGPT passou a processar cerca de 2,5 bilhões de prompts por dia, o que equivale a, aproximadamente, 12% do volume de buscas do Google. O estudo comprova que conquistar presença em respostas de IA não é apenas uma tendência, mas uma evolução natural do comportamento digital.  

O comportamento de buscas vem evoluindo cada vez mais nos últimos anos. Usuários vem preferindo respostas prontas, contextualizadas e rápidas, sem precisar navegar por múltiplos sites. Nesse cenário, as ferramentas de IA passam a funcionar como intermediárias entre o conteúdo e a pessoa - o que muda, completamente, a dinâmica do SEO tradicional, já que nem sempre o clique acontece, mas a influência, sim. 

Mais do que ganhar tráfego direto, estar presente nas respostas de inteligência artificial significa conquistar reconhecimento de marca, fortalecer o posicionamento e influenciar decisões, muitas vezes, antes mesmo do usuário acessar um site. Isso porque tanto o ChatGPT quanto outras IAs se tornaram canais de descoberta, nas quais marcas citadas nessas respostas ganham destaque competitivo por serem percebidas como referências confiáveis. 

Em outras palavras, isso significa que os negócios podem ser recomendados sem que a pessoa sequer tenha pesquisado diretamente por ela – e, aqueles que entenderem isso o quanto antes, podem explorar oportunidades estratégicas para potencializarem seu marketing digital. Apesar de o ChatGPT não funcionar como um buscador tradicional, existem critérios claros que influenciam essa escolha, e que devem ser claramente compreendidos por todos que quiserem ganhar espaço em seus algoritmos. 

Um dos principais é a autoridade digital. Conteúdos produzidos por sites confiáveis, consistentes e bem-posicionados tendem a ser mais utilizados como base para respostas. Aqui entra o conceito de EEAT (Expertise, Experience, Authority e Trust), que continua sendo fundamental para quem quer aparecer nessa IA. Outro fator importante é a forma como o conteúdo é organizado: textos claros, bem estruturados e que respondem dúvidas específicas têm mais chances de serem interpretados corretamente por modelos de linguagem – ainda mais, se mantiverem consistência de publicação e profundidade temática, o que aumenta a relevância da marca dentro de um determinado assunto. 

É importante destacar que, mesmo com o avanço da inteligência artificial, o SEO tradicional não perdeu sua relevância. Pelo contrário: ele continua sendo a base para construção de autoridade digital, uma vez que grande parte dos dados utilizados para treinar modelos de linguagem vem de conteúdos indexados na web. Ou seja, aparecer bem no Google continua sendo um caminho indireto para aparecer no ChatGPT. 

Conteúdos evergreen, que permanecem relevantes ao longo do tempo, têm ainda mais valor nesse contexto, elevando a chance de serem utilizados como referência pela IA por oferecem informações estáveis e confiáveis. É essencial se preocupar em sempre produzir materiais completos, que realmente respondam às dúvidas do usuário - o que inclui guias, artigos estratégicos, estudos e dados relevantes. 

A presença da marca em diferentes canais digitais também influencia, diretamente, sua autoridade. Quanto mais citada e reconhecida sua empresa for, maiores as chances de aparecer em respostas de IA. Mas cuidado: não basta ter apenas um blog: é crucial estar presente em redes sociais, plataformas profissionais e outros canais digitais, ampliando o alcance e fortalecendo a relevância do negócio. 

Não há como negarmos que a forma de buscar uma informação mudou, e, com ela, as estratégias de marketing também precisam evoluir. Entender como aparecer no ChatGPT é, na prática, entender como construir autoridade em um novo ambiente digital. Nesse sentido, todos os cuidados citados acima compõem uma estratégia digital integrada, combinando SEO, conteúdo, branding e performance, capaz de transformar a autoridade em crescimento real de faturamento. 

 



Renan Cardarello - Fundador e Diretor da iOBEE - Agência de marketing digital e Growth.



iOBEE
https://iobee.com.br/


Prefeitura de São Paulo sanciona lei que transforma o Programa Mais Integração em política permanente de valorização da rede conveniada

Com investimento superior a R$ 203 milhões, iniciativa beneficia mais de 69 mil profissionais da educação com bonificação e fortalece a qualidade do atendimento na capital paulista

 

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, sancionou na sexta-feira (29) o projeto de Lei nº 298/2026, que institui o Programa Mais Integração como política pública permanente de valorização dos profissionais da educação da rede conveniada. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a integração entre os diferentes modelos de gestão das unidades educacionais parceiras, promovendo mais equidade, valorização profissional e qualificação da oferta educacional na cidade. O programa prevê o pagamento de bonificação de até R$ 6 mil para profissionais que atuam na rede parceira, beneficiando mais de 69 mil trabalhadores e totalizando mais de R$ 203 milhões em investimentos. O evento, realizado na sede da Prefeitura de São Paulo, contou com a presença do secretário municipal de Educação em exercício, Samuel Ralize.

 

O pagamento este ano está previsto para o mês de junho. Os profissionais que atingirem integralmente os critérios estabelecidos receberão o valor máximo da bonificação. As metas são definidas anualmente e incluem requisitos como participação em cursos de formação, assiduidade e índices de ocupação das unidades educacionais. A iniciativa contempla unidades indiretas e parceiras com ações voltadas ao reconhecimento e à formação continuada das equipes, ao fortalecimento do vínculo com as famílias e à ampliação da participação da comunidade escolar, por meio dos Conselhos de Escola, além da concessão da bonificação como forma de estímulo financeiro e valorização profissional.

 

Os recursos serão repassados às entidades conveniadas seguindo o mesmo modelo dos repasses mensais já realizados pela administração municipal, com mecanismos de fiscalização e prestação de contas. Com a sanção da lei, o programa ganha caráter permanente e passa a contar com maior segurança jurídica e institucional para os profissionais e entidades participantes. Até então, o Programa Mais Integração era regulamentado pelo Decreto nº 61.704/2022 e pela Instrução Normativa SME nº 41/2025. 

 

“A capital paulista avançou muito na garantia do acesso e da permanência na Educação Infantil, e a parceria com as entidades conveniadas, assim como a dedicação desses profissionais, foi fundamental para isso. Precisamos fortalecer continuamente as ações de integração e valorização de quem atua diariamente nas unidades, promovendo um atendimento de qualidade e contribuindo para o desenvolvimento integral dos nossos bebês e crianças”, enfatizou o secretário municipal de Educação em exercício, Samuel Ralize.

 

O secretário destacou também os diversos avanços na Educação Infantil como o sexto ano consecutivo que a cidade mantém a fila de creche zerada, garantindo atendimento para todas as famílias com bebês e crianças de 0 a 3 anos. Resultado de uma política contínua de expansão da Educação Infantil, com abertura de novas unidades e fortalecimento de parcerias com as organizações da sociedade civil.

 

Secretaria Municipal de Educação - SME



segunda-feira, 1 de junho de 2026

Cremesp manifesta apoio irrestrito à resolução do CFM, que proíbe o uso de PMMA, e cobra posicionamento da Anvisa


O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) manifestou, por meio de Nota Técnica, apoio incondicional à Resolução nº 2.461/2026, anunciada hoje, 1º de junho, em coletiva de imprensa do Conselho Federal de Medicina (CFM), com publicação e vigência a partir de 2 de junho. 

De acordo com a norma do CFM, fica proibido o uso médico do PMMA como preenchedor estético ou reparador em todo o País, independentemente da quantidade. A única exceção, desde que condicionada à realização em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS – é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids. 

Na nota técnica emitida por meio de suas Câmaras Técnicas de Dermatologia e Cirurgia Plástica – logo após o anúncio da resolução CFM –, além de manifestar apoio integral à norma, o Cremesp manteve uma cobrança institucional por um posicionamento final e definitivo da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação à incoerência regulatória de sua própria normativa de 2025. 

Na normativa, a Anvisa autoriza a aplicação do PMMA por cirurgiões-dentistas, mesmo com as determinações já estabelecidas pelo Ministério da Saúde – que restringe seu uso a dermatologistas e cirurgiões plásticos com RQE, em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS. A inclusão de dentistas como aplicadores autorizados pela Anvisa não encontra qualquer respaldo nas normativas vigentes do próprio (MS) e representa uma contradição regulatória grave. 

A prontidão do Cremesp, ao propor diretrizes e acompanhar de perto as ações pelo banimento do uso do PMMA, têm como objetivo garantir que nenhum profissional, de nenhuma área, tenha acesso legal ao produto como substância preenchedora no País. 

Enquanto, o PMMA continuar existindo no mercado, seu acesso por profissionais não médicos permanecerá irrestrito e o controle efetivo do uso será estruturalmente inviável.

Para o Cremesp, a normativa do CFM representa uma conquista importante para a proteção dos pacientes e da população. Cabe agora à Anvisa revogar a normativa de 2025 e avançar para o banimento completo do PMMA injetável no Brasil. 

Em relação aos pacientes com HIV/aids, o Cremesp recomenda que o MS promova, com urgência, a discussão e a disponibilização de alternativas terapêuticas mais seguras para o tratamento da lipoatrofia facial, garantindo que esse grupo não seja prejudicado pela descontinuação do produto. A proteção desses pacientes passa pela substituição segura, não pela manutenção de um material permanente e irreversível.

 

Alerta!

O PMMA é um material permanente, sem possibilidade de dissolução ou remoção completa do organismo, estando associado a complicações graves e irreversíveis, como granulomas, deformidades, insuficiência renal, hipercalcemia e até óbito. O Cremesp ressalta que esses riscos são inerentes ao produto e podem ocorrer mesmo quando a aplicação é realizada corretamente.


Acesse a Nota Técnica na íntegra e confira a publicação do Cremesp no Instagram.


Sedentarismo e excesso de peso: uma combinação perigosa para as articulações

Falta de atividade física e excessos na alimentação aumentam riscos de problemas como a artrose

 

O Brasil tem hoje mais de 80 milhões de pessoas com sobrepeso ou obesidade, segundo dados do Ministério da Saúde. Ao mesmo tempo, pesquisas do IBGE mostram que mais da metade da população adulta não pratica nenhuma atividade física regular. Individualmente, cada um desses fatores já representa um risco relevante para a saúde. Combinados, formam um cenário preocupante para as articulações, especialmente o quadril, que está entre as mais afetadas pelo desgaste prematuro. 

A artrose de quadril, condição degenerativa que compromete a cartilagem articular, não é uma consequência inevitável do envelhecimento. Em muitos casos, este é o resultado de anos de sobrecarga desnecessária sobre uma articulação que não foi projetada para suportar indefinidamente o impacto de um estilo de vida sedentário e com excesso de peso. 

Por isso, o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO), faz um alerta. 

"A articulação do quadril é uma das mais robustas do corpo humano, mas ela requer atenção. Quando somamos peso extra à falta de musculatura de suporte causada pelo sedentarismo, estamos acelerando um processo que poderia levar décadas em apenas alguns anos. E o pior: em geral, só percebemos isso quando a dor já está instalada."

 

O peso que o quadril carrega 

Para entender o impacto do excesso de peso sobre o quadril, é preciso considerar a física da caminhada. A cada passo, a articulação do quadril suporta uma força equivalente a até quatro vezes o peso corporal, dependendo do tipo de movimento. Isso significa que uma pessoa com 10 quilos acima do peso ideal está submetendo sua articulação a uma sobrecarga de até 50 quilos extras a cada passada. 

A longo prazo, essa pressão constante acelera o desgaste da cartilagem, que é o tecido que reveste as superfícies ósseas e funciona como amortecedor natural da articulação. Uma vez desgastada, a cartilagem não se regenera. O resultado, explica o Dr. Fábio, é a artrose, que traz consigo dor, rigidez, inflamação e, nos casos mais avançados, a necessidade de substituição cirúrgica da articulação por uma prótese. 

"Cada quilo a mais representa uma carga desproporcional sobre o quadril. Não é exagero dizer que perder peso é uma das medidas mais eficazes para proteger a articulação e, em muitos casos, adiar ou até evitar a cirurgia. O paciente que perde peso antes de chegar ao estágio avançado da artrose muda completamente o prognóstico."

 

O papel silencioso do sedentarismo 

Se o excesso de peso aumenta a sobrecarga mecânica sobre o quadril, o sedentarismo compromete a estrutura que deveria protegê-lo. Os músculos ao redor da articulação, glúteos, abdutores e flexores do quadril, funcionam como um sistema de sustentação que distribui as forças e estabiliza o movimento. Quando esses músculos estão fracos, a articulação trabalha sozinha para absorver impactos que deveriam ser compartilhados com toda a cadeia muscular. 

O sedentarismo também contribui para o ganho de peso, criando um ciclo que se retroalimenta: o peso extra aumenta a dor, a dor reduz a mobilidade, a mobilidade reduzida leva ao sedentarismo e o sedentarismo piora a fraqueza muscular, favorecendo o acúmulo de gordura. Quebrar esse ciclo exige intervenção e quanto antes, melhor. 

"O músculo é o melhor amigo da articulação. Quando o paciente é sedentário, esses músculos enfraquecem, a articulação fica desprotegida e o desgaste acelera. A boa notícia é que a musculatura responde bem ao treinamento, mesmo em idades mais avançadas. Nunca é tarde demais para começar a se movimentar", sugere o Dr. Fábio Elói.

 

Sinais de alerta 

A artrose de quadril raramente se instala de forma abrupta. O processo é gradual e os primeiros sinais costumam ser confundidos com cansaço ou dores passageiras. Ficar atento às manifestações pode fazer a diferença entre um tratamento conservador e uma cirurgia. 

•Dor na virilha ou na lateral do quadril, especialmente após longos períodos caminhando ou em pé

•Rigidez matinal, com a sensação de que a articulação "enferrujou" nos primeiros minutos após acordar

•Dificuldade para realizar movimentos rotineiros, como amarrar o tênis, entrar no carro ou subir escadas

•Dor que piora progressivamente, mesmo em atividades que antes eram realizadas sem desconforto

•Sensação de instabilidade ou de que o quadril "trava" em certos movimentos 

Esses sintomas não devem ser ignorados, especialmente por pessoas com sobrepeso, histórico familiar de artrose ou acima dos 50 anos. 

"A maioria dos pacientes no consultório revela que achava que era uma dor passageira, que ia melhorar, mas isso não aconteceu. Ao contrário, a dor piorou. Neste momento, já estão com a articulação bastante comprometida. O diagnóstico precoce mudaria completamente as opções de tratamento disponíveis", explica o especialista.

 

Prevenção e tratamento 

Mudanças de comportamento têm impacto real na saúde das articulações e nunca é tarde para começar. Entre as principais recomendações preventivas e terapêuticas estão: 

•Controle do peso corporal: mesmo uma redução modesta de 5% a 10% do peso é capaz de reduzir significativamente a sobrecarga sobre o quadril e aliviar sintomas em pacientes com artrose leve a moderada

•Atividade física de baixo impacto: caminhada em terrenos planos, natação, hidroginástica e ciclismo são excelentes opções para fortalecer a musculatura sem agredir a articulação

•Fortalecimento muscular: exercícios direcionados para glúteos, abdutores e core aumentam a estabilidade articular e reduzem o impacto sobre a cartilagem

•Fisioterapia: o acompanhamento especializado ajuda a corrigir padrões de movimento inadequados que sobrecarregam a articulação e a manter a amplitude de movimento

•Acompanhamento médico: nos casos em que os sintomas já estão presentes, medicação, infiltrações ou outros recursos podem controlar a dor e a inflamação enquanto as mudanças de estilo de vida são implementadas 

Quando o desgaste já está avançado e os tratamentos conservadores não são mais suficientes, a artroplastia total de quadril, que é a cirurgia de substituição da articulação por uma prótese, é uma opção segura e eficaz, com altos índices de satisfação e recuperação funcional. 

"A cirurgia, quando necessária, não deve ser vista como um fracasso. É uma solução real para pacientes que chegaram a um estágio avançado da doença. Em muitos casos, chegamos a esse ponto por um longo histórico de hábitos que poderiam ter sido diferentes. A prevenção começa com escolhas do dia a dia", orienta o Dr. Fábio.

 

O momento certo para buscar 

Seja para quem ainda não sente dor, mas reconhece fatores de risco, como sobrepeso, sedentarismo, histórico familiar, ou para quem já convive com desconforto no quadril, a orientação é a mesma: não espere. 

A artrose é uma condição progressiva e não melhora espontaneamente. Com o diagnóstico correto e o tratamento adequado, é possível desacelerar significativamente sua evolução e manter a qualidade de vida. 

"Qualidade de vida não é luxo, é direito. Proteger as articulações começa com decisões simples: mover o corpo, controlar o peso e não ignorar os sinais que ele dá. Uma consulta pode mudar o rumo da sua saúde articular por muitos anos." 

Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO).


Gosto ruim na boca, um sintoma típico de sinusite

Achou o sabor da comida estranho? Da bebida, idem? Antes de reclamar com o garçom, pense bem: o problema pode estar com você! Entenda a razão! 

 
Se a aquela comida que você tanto adora está com um gostinho estranho, assim como a sobremesa, a bebida, ou até mesmo a água está ingerindo, é bom pensar duas vezes antes de deduzir que há algo de errado com elas. A origem do problema, muito provavelmente, está com você! Ou, mais precisamente, com o seu olfato.
 
Muita gente não sabe, mas a sensação de gosto ruim ao se alimentar é comum em pessoas que estão com quadro de sinusite – ou seja, com inflamação dos seios paranasais, que são as cavidades ao redor do nariz.
 
Embora o problema não afete especificamente a língua e a garganta, suas consequências podem, sim, alterar o sabor dos alimentos e bebidas. "Além da congestão nasal, dor facial, dor de cabeça e secreção nasal espessa, que são as características mais notórias da sinusite, muitos pacientes também relatam sentir um gosto metálico, amargo, azedo ou mesmo podre durante a alimentação", confirma o Dr. Fabiano Brandão, otorrinolaringologista do Hospital Paulista – referência em saúde de ouvido, nariz e garganta.
 
O motivo, segundo o especialista, se dá por conta do acúmulo de secreções nasais que escorrem para a garganta. "Isso, geralmente, ocorre devido à drenagem do muco infectado por bactérias, vírus ou fungos, para a parte de trás da garganta. Quando os seios paranasais estão inflamados e congestionados, essa secreção pode se acumular e não escoar adequadamente, resultando em um líquido espesso e desagradável, que fica alojado na parte de trás da garganta.”
 
Esse processo, de acordo com o médico, é chamado de gotejamento pós-nasal, que é justamente a causa da alteração que ocorre no nosso paladar. "O gotejamento pós-nasal pode levar a um gosto ruim persistente na boca, pois as secreções nasais infectadas entram em contato com as papilas gustativas na parte de trás da língua, alterando a percepção do sabor. Mesmo após escovar os dentes ou usar enxaguantes bucais, os pacientes relatam que essa sensação ruim tende a persistir e, também, costuma se agravar ao longo do dia ou após períodos deitados, quando o gotejamento pós-nasal é mais perceptível.”
 
Ainda de acordo com o especialista, essa sensação desagradável pode ocorrer em qualquer estágio da sinusite e, até mesmo, após o tratamento. "Depende de vários fatores, como a gravidade da inflamação dos seios paranasais, a presença de complicações e, sobretudo, a eficácia do tratamento. Por isso, é importante sempre ressaltar que o tratamento domiciliar para sinusite serve mais para aliviar os sintomas temporariamente. Ele jamais substitui a avaliação médica adequada, especialmente se os sintomas persistirem, piorarem ou em casos de sinais de alarme. Portanto, se você sente um gosto ruim na boca que não cessa, especialmente acompanhado por outros sintomas de sinusite, é aconselhável consultar um otorrinolaringologista para um diagnóstico adequado e tratamento", finaliza o Dr. Fabiano.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


Desafios no combate às doenças inflamatórias intestinais incluem diagnóstico tardio, preconceito e mudanças no estilo de vida

Em média, 40% dos pacientes com Doença de Crohn precisam de cirurgia

 

Segundo estimativas, entre 2 e 4 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de doença inflamatória intestinal (DII), como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa — condições crônicas que impactam diretamente a qualidade de vida. Apesar dos avanços no tratamento, especialistas alertam que o diagnóstico tardio, o preconceito e até mudanças no estilo de vida da população seguem como grandes desafios no enfrentamento dessas doenças.

 

Para o gastroenterologista Antônio Carlos Moraes, diretor do setor de Gastroenterologia da Rede D’Or e diretor da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), com mais de 40 anos de experiência no cuidado de pacientes com DIIs, um dos fatores que ajudam a explicar o aumento dos casos está relacionado à chamada teoria da hiper-higienização. “Estamos vivendo em um grau de higienização excessivo. Crianças que nascem de cesariana ou que passam por um ambiente extremamente higienizado nos primeiros anos de vida podem não desenvolver uma microbiota intestinal adequada, o que aumenta o risco de doenças autoimunes”, explica. Segundo ele, enquanto as doenças infectocontagiosas diminuíram nas últimas décadas, as doenças autoimunes, como as DIIs, vêm crescendo de forma consistente.

 

Outro entrave importante é o tempo para o diagnóstico. Dados da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD) apontam que, no Brasil, o tempo médio até a confirmação da doença é de três anos e meio. “Esse atraso compromete diretamente o tratamento e a qualidade de vida do paciente”, afirma Moraes.

 

Ele relata casos frequentes em que pacientes apresentam sintomas típicos, como dores abdominais e diarreia crônica, mas não recebem o diagnóstico adequado mesmo após exames. “Quanto mais tardio o diagnóstico, maior o impacto na vida da pessoa. Muitos pacientes deixam de trabalhar, estudar ou sair de casa devido à intensidade dos sintomas. A diarreia, diferente de outros sintomas, é incapacitante e interfere profundamente na rotina”, destaca.

 

O preconceito e a falta de informação também dificultam a busca por ajuda médica. Segundo Moraes, ainda existe resistência das pessoas em falar sobre o funcionamento do próprio corpo. “É comum que as pessoas tenham vergonha até de observar as próprias fezes. Todos olham a urina, avaliam a cor, mas não fazem o mesmo com as fezes. A presença de sangue, muco ou alterações na coloração são sinais importantes e não devem ser ignorados”, alerta. Ele acrescenta que o ideal seria que os vasos sanitários fossem brancos, justamente para facilitar essa observação.

 

A presença de sangue nas fezes, por exemplo, é um sinal de alerta que exige investigação imediata. “Muitas pessoas associam automaticamente à hemorroida, mas pode indicar uma inflamação intestinal ou até câncer de intestino. Qualquer alteração deve ser avaliada por um médico”, reforça.

 

Além da conscientização da população, Moraes destaca a importância de capacitar médicos da atenção primária para reconhecer sinais precoces da doença. “Os sintomas podem ser confundidos com outras condições mais comuns, como infecções intestinais. Por isso, é fundamental que o profissional esteja atento às chamadas ‘red flags’ e encaminhe rapidamente ao especialista”, explica. Segundo ele, na Rede D’Or há treinamento contínuo das equipes de emergência para identificação desses sinais.

 

Em muitos casos, a demora no diagnóstico pode levar a complicações mais graves, incluindo a necessidade de cirurgia. Estima-se que entre 30% e 40% dos pacientes com Doença de Crohn precisem de intervenção cirúrgica em algum momento da vida. Em situações mais severas, pode ser necessária a retirada total do intestino grosso, além do uso temporário ou definitivo de bolsa de estomia.

 

Apesar dos desafios, há avanços importantes no horizonte. Novas terapias, especialmente os medicamentos biológicos, têm proporcionado melhores resultados no controle da doença e na redução de complicações. “Conseguimos diminuir internações, evitar cirurgias e garantir mais qualidade de vida aos pacientes”, afirma Moraes. Ainda assim, ele ressalta que é fundamental avaliar a relação custo-efetividade dessas novas tecnologias para ampliar o acesso de forma sustentável. 


Para o especialista, iniciativas de conscientização, como o Maio Roxo — mês dedicado à informação sobre as doenças inflamatórias intestinais — são essenciais para reduzir o preconceito, estimular o diagnóstico precoce e melhorar o cuidado aos pacientes.

 

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