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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Cremesp manifesta apoio irrestrito à resolução do CFM, que proíbe o uso de PMMA, e cobra posicionamento da Anvisa


O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) manifestou, por meio de Nota Técnica, apoio incondicional à Resolução nº 2.461/2026, anunciada hoje, 1º de junho, em coletiva de imprensa do Conselho Federal de Medicina (CFM), com publicação e vigência a partir de 2 de junho. 

De acordo com a norma do CFM, fica proibido o uso médico do PMMA como preenchedor estético ou reparador em todo o País, independentemente da quantidade. A única exceção, desde que condicionada à realização em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS – é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids. 

Na nota técnica emitida por meio de suas Câmaras Técnicas de Dermatologia e Cirurgia Plástica – logo após o anúncio da resolução CFM –, além de manifestar apoio integral à norma, o Cremesp manteve uma cobrança institucional por um posicionamento final e definitivo da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação à incoerência regulatória de sua própria normativa de 2025. 

Na normativa, a Anvisa autoriza a aplicação do PMMA por cirurgiões-dentistas, mesmo com as determinações já estabelecidas pelo Ministério da Saúde – que restringe seu uso a dermatologistas e cirurgiões plásticos com RQE, em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS. A inclusão de dentistas como aplicadores autorizados pela Anvisa não encontra qualquer respaldo nas normativas vigentes do próprio (MS) e representa uma contradição regulatória grave. 

A prontidão do Cremesp, ao propor diretrizes e acompanhar de perto as ações pelo banimento do uso do PMMA, têm como objetivo garantir que nenhum profissional, de nenhuma área, tenha acesso legal ao produto como substância preenchedora no País. 

Enquanto, o PMMA continuar existindo no mercado, seu acesso por profissionais não médicos permanecerá irrestrito e o controle efetivo do uso será estruturalmente inviável.

Para o Cremesp, a normativa do CFM representa uma conquista importante para a proteção dos pacientes e da população. Cabe agora à Anvisa revogar a normativa de 2025 e avançar para o banimento completo do PMMA injetável no Brasil. 

Em relação aos pacientes com HIV/aids, o Cremesp recomenda que o MS promova, com urgência, a discussão e a disponibilização de alternativas terapêuticas mais seguras para o tratamento da lipoatrofia facial, garantindo que esse grupo não seja prejudicado pela descontinuação do produto. A proteção desses pacientes passa pela substituição segura, não pela manutenção de um material permanente e irreversível.

 

Alerta!

O PMMA é um material permanente, sem possibilidade de dissolução ou remoção completa do organismo, estando associado a complicações graves e irreversíveis, como granulomas, deformidades, insuficiência renal, hipercalcemia e até óbito. O Cremesp ressalta que esses riscos são inerentes ao produto e podem ocorrer mesmo quando a aplicação é realizada corretamente.


Acesse a Nota Técnica na íntegra e confira a publicação do Cremesp no Instagram.


Sedentarismo e excesso de peso: uma combinação perigosa para as articulações

Falta de atividade física e excessos na alimentação aumentam riscos de problemas como a artrose

 

O Brasil tem hoje mais de 80 milhões de pessoas com sobrepeso ou obesidade, segundo dados do Ministério da Saúde. Ao mesmo tempo, pesquisas do IBGE mostram que mais da metade da população adulta não pratica nenhuma atividade física regular. Individualmente, cada um desses fatores já representa um risco relevante para a saúde. Combinados, formam um cenário preocupante para as articulações, especialmente o quadril, que está entre as mais afetadas pelo desgaste prematuro. 

A artrose de quadril, condição degenerativa que compromete a cartilagem articular, não é uma consequência inevitável do envelhecimento. Em muitos casos, este é o resultado de anos de sobrecarga desnecessária sobre uma articulação que não foi projetada para suportar indefinidamente o impacto de um estilo de vida sedentário e com excesso de peso. 

Por isso, o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO), faz um alerta. 

"A articulação do quadril é uma das mais robustas do corpo humano, mas ela requer atenção. Quando somamos peso extra à falta de musculatura de suporte causada pelo sedentarismo, estamos acelerando um processo que poderia levar décadas em apenas alguns anos. E o pior: em geral, só percebemos isso quando a dor já está instalada."

 

O peso que o quadril carrega 

Para entender o impacto do excesso de peso sobre o quadril, é preciso considerar a física da caminhada. A cada passo, a articulação do quadril suporta uma força equivalente a até quatro vezes o peso corporal, dependendo do tipo de movimento. Isso significa que uma pessoa com 10 quilos acima do peso ideal está submetendo sua articulação a uma sobrecarga de até 50 quilos extras a cada passada. 

A longo prazo, essa pressão constante acelera o desgaste da cartilagem, que é o tecido que reveste as superfícies ósseas e funciona como amortecedor natural da articulação. Uma vez desgastada, a cartilagem não se regenera. O resultado, explica o Dr. Fábio, é a artrose, que traz consigo dor, rigidez, inflamação e, nos casos mais avançados, a necessidade de substituição cirúrgica da articulação por uma prótese. 

"Cada quilo a mais representa uma carga desproporcional sobre o quadril. Não é exagero dizer que perder peso é uma das medidas mais eficazes para proteger a articulação e, em muitos casos, adiar ou até evitar a cirurgia. O paciente que perde peso antes de chegar ao estágio avançado da artrose muda completamente o prognóstico."

 

O papel silencioso do sedentarismo 

Se o excesso de peso aumenta a sobrecarga mecânica sobre o quadril, o sedentarismo compromete a estrutura que deveria protegê-lo. Os músculos ao redor da articulação, glúteos, abdutores e flexores do quadril, funcionam como um sistema de sustentação que distribui as forças e estabiliza o movimento. Quando esses músculos estão fracos, a articulação trabalha sozinha para absorver impactos que deveriam ser compartilhados com toda a cadeia muscular. 

O sedentarismo também contribui para o ganho de peso, criando um ciclo que se retroalimenta: o peso extra aumenta a dor, a dor reduz a mobilidade, a mobilidade reduzida leva ao sedentarismo e o sedentarismo piora a fraqueza muscular, favorecendo o acúmulo de gordura. Quebrar esse ciclo exige intervenção e quanto antes, melhor. 

"O músculo é o melhor amigo da articulação. Quando o paciente é sedentário, esses músculos enfraquecem, a articulação fica desprotegida e o desgaste acelera. A boa notícia é que a musculatura responde bem ao treinamento, mesmo em idades mais avançadas. Nunca é tarde demais para começar a se movimentar", sugere o Dr. Fábio Elói.

 

Sinais de alerta 

A artrose de quadril raramente se instala de forma abrupta. O processo é gradual e os primeiros sinais costumam ser confundidos com cansaço ou dores passageiras. Ficar atento às manifestações pode fazer a diferença entre um tratamento conservador e uma cirurgia. 

•Dor na virilha ou na lateral do quadril, especialmente após longos períodos caminhando ou em pé

•Rigidez matinal, com a sensação de que a articulação "enferrujou" nos primeiros minutos após acordar

•Dificuldade para realizar movimentos rotineiros, como amarrar o tênis, entrar no carro ou subir escadas

•Dor que piora progressivamente, mesmo em atividades que antes eram realizadas sem desconforto

•Sensação de instabilidade ou de que o quadril "trava" em certos movimentos 

Esses sintomas não devem ser ignorados, especialmente por pessoas com sobrepeso, histórico familiar de artrose ou acima dos 50 anos. 

"A maioria dos pacientes no consultório revela que achava que era uma dor passageira, que ia melhorar, mas isso não aconteceu. Ao contrário, a dor piorou. Neste momento, já estão com a articulação bastante comprometida. O diagnóstico precoce mudaria completamente as opções de tratamento disponíveis", explica o especialista.

 

Prevenção e tratamento 

Mudanças de comportamento têm impacto real na saúde das articulações e nunca é tarde para começar. Entre as principais recomendações preventivas e terapêuticas estão: 

•Controle do peso corporal: mesmo uma redução modesta de 5% a 10% do peso é capaz de reduzir significativamente a sobrecarga sobre o quadril e aliviar sintomas em pacientes com artrose leve a moderada

•Atividade física de baixo impacto: caminhada em terrenos planos, natação, hidroginástica e ciclismo são excelentes opções para fortalecer a musculatura sem agredir a articulação

•Fortalecimento muscular: exercícios direcionados para glúteos, abdutores e core aumentam a estabilidade articular e reduzem o impacto sobre a cartilagem

•Fisioterapia: o acompanhamento especializado ajuda a corrigir padrões de movimento inadequados que sobrecarregam a articulação e a manter a amplitude de movimento

•Acompanhamento médico: nos casos em que os sintomas já estão presentes, medicação, infiltrações ou outros recursos podem controlar a dor e a inflamação enquanto as mudanças de estilo de vida são implementadas 

Quando o desgaste já está avançado e os tratamentos conservadores não são mais suficientes, a artroplastia total de quadril, que é a cirurgia de substituição da articulação por uma prótese, é uma opção segura e eficaz, com altos índices de satisfação e recuperação funcional. 

"A cirurgia, quando necessária, não deve ser vista como um fracasso. É uma solução real para pacientes que chegaram a um estágio avançado da doença. Em muitos casos, chegamos a esse ponto por um longo histórico de hábitos que poderiam ter sido diferentes. A prevenção começa com escolhas do dia a dia", orienta o Dr. Fábio.

 

O momento certo para buscar 

Seja para quem ainda não sente dor, mas reconhece fatores de risco, como sobrepeso, sedentarismo, histórico familiar, ou para quem já convive com desconforto no quadril, a orientação é a mesma: não espere. 

A artrose é uma condição progressiva e não melhora espontaneamente. Com o diagnóstico correto e o tratamento adequado, é possível desacelerar significativamente sua evolução e manter a qualidade de vida. 

"Qualidade de vida não é luxo, é direito. Proteger as articulações começa com decisões simples: mover o corpo, controlar o peso e não ignorar os sinais que ele dá. Uma consulta pode mudar o rumo da sua saúde articular por muitos anos." 

Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO).


Gosto ruim na boca, um sintoma típico de sinusite

Achou o sabor da comida estranho? Da bebida, idem? Antes de reclamar com o garçom, pense bem: o problema pode estar com você! Entenda a razão! 

 
Se a aquela comida que você tanto adora está com um gostinho estranho, assim como a sobremesa, a bebida, ou até mesmo a água está ingerindo, é bom pensar duas vezes antes de deduzir que há algo de errado com elas. A origem do problema, muito provavelmente, está com você! Ou, mais precisamente, com o seu olfato.
 
Muita gente não sabe, mas a sensação de gosto ruim ao se alimentar é comum em pessoas que estão com quadro de sinusite – ou seja, com inflamação dos seios paranasais, que são as cavidades ao redor do nariz.
 
Embora o problema não afete especificamente a língua e a garganta, suas consequências podem, sim, alterar o sabor dos alimentos e bebidas. "Além da congestão nasal, dor facial, dor de cabeça e secreção nasal espessa, que são as características mais notórias da sinusite, muitos pacientes também relatam sentir um gosto metálico, amargo, azedo ou mesmo podre durante a alimentação", confirma o Dr. Fabiano Brandão, otorrinolaringologista do Hospital Paulista – referência em saúde de ouvido, nariz e garganta.
 
O motivo, segundo o especialista, se dá por conta do acúmulo de secreções nasais que escorrem para a garganta. "Isso, geralmente, ocorre devido à drenagem do muco infectado por bactérias, vírus ou fungos, para a parte de trás da garganta. Quando os seios paranasais estão inflamados e congestionados, essa secreção pode se acumular e não escoar adequadamente, resultando em um líquido espesso e desagradável, que fica alojado na parte de trás da garganta.”
 
Esse processo, de acordo com o médico, é chamado de gotejamento pós-nasal, que é justamente a causa da alteração que ocorre no nosso paladar. "O gotejamento pós-nasal pode levar a um gosto ruim persistente na boca, pois as secreções nasais infectadas entram em contato com as papilas gustativas na parte de trás da língua, alterando a percepção do sabor. Mesmo após escovar os dentes ou usar enxaguantes bucais, os pacientes relatam que essa sensação ruim tende a persistir e, também, costuma se agravar ao longo do dia ou após períodos deitados, quando o gotejamento pós-nasal é mais perceptível.”
 
Ainda de acordo com o especialista, essa sensação desagradável pode ocorrer em qualquer estágio da sinusite e, até mesmo, após o tratamento. "Depende de vários fatores, como a gravidade da inflamação dos seios paranasais, a presença de complicações e, sobretudo, a eficácia do tratamento. Por isso, é importante sempre ressaltar que o tratamento domiciliar para sinusite serve mais para aliviar os sintomas temporariamente. Ele jamais substitui a avaliação médica adequada, especialmente se os sintomas persistirem, piorarem ou em casos de sinais de alarme. Portanto, se você sente um gosto ruim na boca que não cessa, especialmente acompanhado por outros sintomas de sinusite, é aconselhável consultar um otorrinolaringologista para um diagnóstico adequado e tratamento", finaliza o Dr. Fabiano.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


Desafios no combate às doenças inflamatórias intestinais incluem diagnóstico tardio, preconceito e mudanças no estilo de vida

Em média, 40% dos pacientes com Doença de Crohn precisam de cirurgia

 

Segundo estimativas, entre 2 e 4 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de doença inflamatória intestinal (DII), como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa — condições crônicas que impactam diretamente a qualidade de vida. Apesar dos avanços no tratamento, especialistas alertam que o diagnóstico tardio, o preconceito e até mudanças no estilo de vida da população seguem como grandes desafios no enfrentamento dessas doenças.

 

Para o gastroenterologista Antônio Carlos Moraes, diretor do setor de Gastroenterologia da Rede D’Or e diretor da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), com mais de 40 anos de experiência no cuidado de pacientes com DIIs, um dos fatores que ajudam a explicar o aumento dos casos está relacionado à chamada teoria da hiper-higienização. “Estamos vivendo em um grau de higienização excessivo. Crianças que nascem de cesariana ou que passam por um ambiente extremamente higienizado nos primeiros anos de vida podem não desenvolver uma microbiota intestinal adequada, o que aumenta o risco de doenças autoimunes”, explica. Segundo ele, enquanto as doenças infectocontagiosas diminuíram nas últimas décadas, as doenças autoimunes, como as DIIs, vêm crescendo de forma consistente.

 

Outro entrave importante é o tempo para o diagnóstico. Dados da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD) apontam que, no Brasil, o tempo médio até a confirmação da doença é de três anos e meio. “Esse atraso compromete diretamente o tratamento e a qualidade de vida do paciente”, afirma Moraes.

 

Ele relata casos frequentes em que pacientes apresentam sintomas típicos, como dores abdominais e diarreia crônica, mas não recebem o diagnóstico adequado mesmo após exames. “Quanto mais tardio o diagnóstico, maior o impacto na vida da pessoa. Muitos pacientes deixam de trabalhar, estudar ou sair de casa devido à intensidade dos sintomas. A diarreia, diferente de outros sintomas, é incapacitante e interfere profundamente na rotina”, destaca.

 

O preconceito e a falta de informação também dificultam a busca por ajuda médica. Segundo Moraes, ainda existe resistência das pessoas em falar sobre o funcionamento do próprio corpo. “É comum que as pessoas tenham vergonha até de observar as próprias fezes. Todos olham a urina, avaliam a cor, mas não fazem o mesmo com as fezes. A presença de sangue, muco ou alterações na coloração são sinais importantes e não devem ser ignorados”, alerta. Ele acrescenta que o ideal seria que os vasos sanitários fossem brancos, justamente para facilitar essa observação.

 

A presença de sangue nas fezes, por exemplo, é um sinal de alerta que exige investigação imediata. “Muitas pessoas associam automaticamente à hemorroida, mas pode indicar uma inflamação intestinal ou até câncer de intestino. Qualquer alteração deve ser avaliada por um médico”, reforça.

 

Além da conscientização da população, Moraes destaca a importância de capacitar médicos da atenção primária para reconhecer sinais precoces da doença. “Os sintomas podem ser confundidos com outras condições mais comuns, como infecções intestinais. Por isso, é fundamental que o profissional esteja atento às chamadas ‘red flags’ e encaminhe rapidamente ao especialista”, explica. Segundo ele, na Rede D’Or há treinamento contínuo das equipes de emergência para identificação desses sinais.

 

Em muitos casos, a demora no diagnóstico pode levar a complicações mais graves, incluindo a necessidade de cirurgia. Estima-se que entre 30% e 40% dos pacientes com Doença de Crohn precisem de intervenção cirúrgica em algum momento da vida. Em situações mais severas, pode ser necessária a retirada total do intestino grosso, além do uso temporário ou definitivo de bolsa de estomia.

 

Apesar dos desafios, há avanços importantes no horizonte. Novas terapias, especialmente os medicamentos biológicos, têm proporcionado melhores resultados no controle da doença e na redução de complicações. “Conseguimos diminuir internações, evitar cirurgias e garantir mais qualidade de vida aos pacientes”, afirma Moraes. Ainda assim, ele ressalta que é fundamental avaliar a relação custo-efetividade dessas novas tecnologias para ampliar o acesso de forma sustentável. 


Para o especialista, iniciativas de conscientização, como o Maio Roxo — mês dedicado à informação sobre as doenças inflamatórias intestinais — são essenciais para reduzir o preconceito, estimular o diagnóstico precoce e melhorar o cuidado aos pacientes.

 

"Não existe dose segura de anabolizantes para ganho de massa muscular", alerta professor de Medicina

Uso de anabolizantes para ganho de massa muscular
 pode provocar efeitos colaterais severos
Na esteira da morte de fisiculturista, médico e docente da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) alerta para os efeitos colaterais dos esteroides, como infarto, AVC e infertilidade

 

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, com apenas 22 anos, reacendeu o alerta para o uso de esteroides anabolizantes para fins estéticos. Marco Aurélio Marins Aguiar, professor do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), médico e especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ressalta que não existe dose segura de anabolizantes para ganho de massa muscular. E adverte: a substância provoca efeitos colaterais severos, como insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), infertilidade, entre outros. 

Influenciador digital e fisiculturista, Gabriel Ganley foi encontrado morto no dia 23/5. O jovem, que tinha 1,7 milhão de seguidores no Instagram e publicava conteúdo sobre musculação e preparação física, teve morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica, quadro que pode ter sido causado pelo uso de anabolizantes. 

O professor da UMC explica que essas substâncias têm a capacidade de promover o desenvolvimento celular ou tecidual e estão presentes naturalmente no corpo humano, mas ressalva: 

"Entretanto, só podem ser prescritas em caso de deficiência hormonal comprovada, em doses fisiológicas de reposição para manter os hormônios em níveis normais”. 

Aguiar esclarece que a prescrição de esteroides com a finalidade estética ou de ganho de massa muscular é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), conforme a resolução 2.333/2023: 

"Vale lembrar que, muitas vezes, o uso de anabolizantes é feito em razão de um falso diagnóstico de deficiência hormonal, utilizando doses para manter os níveis hormonais mais elevados, mas sem a deficiência comprovada", comenta. 

O endocrinologista explica que um hormônio natural que possui essa capacidade anabolizante é a testosterona, presente nos homens; nas mulheres, é o hormônio estrogênio.
 

Riscos

"Quando se fala em uso de substâncias anabolizantes com a finalidade estética, elas promovem um aumento da massa muscular em intensidade e velocidade muito maiores do que a obtida por meio da atividade física isoladamente”, explica. 

Porém, quando utilizadas sem a indicação precisa de reposição hormonal masculina, podem causar efeitos adversos extremamente perigosos, que podem aparecer no curto e no longo prazo: risco aumentado de doenças cardiovasculares severas, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca, além do risco aumentado do desenvolvimento de câncer, principalmente do fígado. 

Há também riscos de mudança de humor, com maior tendência à irritabilidade e agressividade, além de calvície, acne, aumento da gordura no fígado, tanto em homens como em mulheres: 

"Em homens, dentre os efeitos colaterais estão a atrofia dos testículos, infertilidade, aumento de mamas. Em mulheres podem ocorrer engrossamento irreversível da voz, aumento irreversível no tamanho do clitóris, atrofia das mamas, infertilidade”, cita o médico e professor da UMC.
 

Academia faz bem?

O docente ressalta que a musculação é uma excelente atividade física, que promove ganho ou manutenção da massa muscular, com consequente ganho na qualidade de vida, sendo indicada em qualquer idade, com a supervisão profissional. Mas alerta: 

"Associada a exercícios aeróbicos, a musculação é uma excelente estratégia para manutenção da saúde, em geral. O que não pode ocorrer é a utilização de substâncias com riscos potenciais à saúde
para acelerar e intensificar o processo de ganho muscular", conclui o endocrinologista.
 

 

Marco Aurélio Marins Aguiar - professor do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), médico e especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)


Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic

Especialista aponta que o sistema regulatório brasileiro se apoia em diferentes mecanismos de controle para garantir segurança sanitária e acesso responsável ao medicamento

 

A aprovação, pela Anvisa, da primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic para tratamento de diabetes tipo 2 abriu uma nova discussão no setor da saúde sobre concorrência farmacêutica, acesso à medicação, judicialização e responsabilidade civil envolvendo medicamentos de alta complexidade. O medicamento, registrado com o nome Ozivy, surge após a expiração da patente do Ozempic e marca um novo momento regulatório no mercado brasileiro. Para Anna Júlia Goulart, especialista em Direito da Saúde, a queda da patente produz impactos importantes sobre a concorrência, mas com particularidades técnicas relevantes.

“A expiração da patente não cria um ‘precedente’ jurídico em sentido próprio, mas produz efeito direto sobre a concorrência. Enquanto vigente a proteção patentária, conferida pela Lei de Propriedade Industrial, o titular detém exclusividade de exploração comercial. Expirado o prazo, o princípio ativo cai em domínio público e pode ser explorado por terceiros, observados os requisitos sanitários.” A especialista ressalta que a semaglutida possui uma característica regulatória específica por se tratar de um produto biológico.

“Por se tratar de produto biológico, não existe a categoria de genérico na regulação brasileira. O registro do Ozivy foi concedido como medicamento novo, na categoria de análogo sintético de produto biológico. Isso significa que cada concorrente precisa de registro próprio, com comprovação autônoma de eficácia, segurança e qualidade, e não de mero registro simplificado por bioequivalência.”

A chegada de novas versões da semaglutida também pode gerar reflexos no aumento ou redução da judicialização da saúde, especialmente em ações envolvendo fornecimento pelo SUS e planos de saúde aponta Anna Júlia.

“O efeito provável é mais indireto do que direto. A judicialização para fornecimento depende de fatores como registro na Anvisa, incorporação ao rol - Conitec, no SUS e rol da ANS, na saúde suplementar - e indicação aprovada para a condição do paciente.”

Segundo a advogada, a ampliação da oferta pode contribuir para redução de custos e facilitar futuras incorporações administrativas.

“A entrada de novas versões tende a reduzir custos, o que pode favorecer a incorporação administrativa e, por consequência, diminuir a pressão por judicialização. Por outro lado, mais opções registradas com indicação para diabetes tipo 2 reforçam ações individuais quando há prescrição para essa indicação. Cabe destacar que, conforme o registro divulgado pela Anvisa, o Ozivy tem indicação aprovada apenas para diabetes tipo 2, não para obesidade isoladamente, o que limita pleitos voltados ao emagrecimento.”

Outro ponto que ganha relevância é a discussão sobre responsabilidade civil em casos de efeitos adversos relacionados ao uso desses medicamentos. “Depende de contra quem se discute a responsabilidade. Na relação entre fabricante e paciente-consumidor, aplica-se o Código de Defesa do Consumidor, que estabelece responsabilidade objetiva do fabricante pelo fato do produto, art. 12 da Lei, independentemente de culpa. O fabricante se exime apenas se provar que não colocou o produto no mercado, que o defeito inexiste ou que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro, art. 12, § 3º.”

Para Anna Júlia Goulart, a ampliação do acesso aos medicamentos precisa ocorrer sem flexibilização das exigências sanitárias e regulatórias. “O equilíbrio se sustenta na premissa de que ampliação de acesso não dispensa controle sanitário. O Ozivy passou pelo processo técnico de comprovação de eficácia, segurança e qualidade exigido pela agência reguladora — ou seja, maior oferta no mercado decorre de aprovação técnica, não de flexibilização de exigências.”

A especialista afirma que o sistema regulatório brasileiro se apoia em diferentes mecanismos de controle para garantir segurança sanitária e acesso responsável. “Três eixos sustentam esse equilíbrio: o controle de entrada, pelo registro sanitário com avaliação técnica rigorosa, especialmente relevante por se tratar de análogo sintético de biológico, categoria de alta complexidade; o controle de preço, pela atuação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa que o Ozivy ainda precisa cumprir antes da comercialização; e o controle posterior, pela farmacovigilância e pela fiscalização de prescrição e dispensação, que coíbem uso fora de indicação. O acesso ampliado é legítimo desde que ocorra dentro dessa estrutura, e não à margem dela.”

 

Fonte: Anna Júlia Goulart - Graduada em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), Anna Júlia possui pós-graduação em Direito à Saúde pelo Instituto Israelita Albert Einstein e atualmente é mestranda em Direito Constitucional no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP Brasília).

 

Ranking aponta os ‘top 10’ melhores hospitais públicos do Brasil em 2026

Magnific
Premiação nacional avaliou qualidade assistencial, a eficiência no uso dos recursos e satisfação dos pacientes em hospitais 100% SUS; iniciativa envolveu OPAS/OMS, DataSenado e instituições da área da saúde 

 

Um levantamento nacional que analisou milhares de unidades hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) revelou os 10 melhores hospitais públicos do Brasil em 2026. O resultado foi anunciado na manhã desta sexta-feira (29/5), durante cerimônia realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília (DF), no evento de premiação dos Melhores Hospitais Públicos do Brasil.

A iniciativa é do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a OPAS/OMS, Instituto Ética Saúde (IES), Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O primeiro lugar do ranking ficou com o Hospital Estadual de Sumaré (SP), seguido pelo Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (GO), em segundo, Centro de Referência da Saúde da Mulher (SP), em terceiro, Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (SP), em quarto e Hospital e Maternidade Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro (MG), em quinto.

Em sexto lugar ficou o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (SP), seguido pelo Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP), em sétimo, Hospital Estadual de Sapopemba (SP), em oitavo, Hospital Municipal Cidade Tiradentes (SP), em nono, e Hospital Geral de Itapevi (SP), em décimo.

Embora o ranking dos “top 10” tenha forte concentração no estado de São Paulo — responsável por oito das dez instituições premiadas — a relação específica dos hospitais mais bem avaliados pelos usuários apresentou distribuição geográfica um pouc mais heterogênea.

Mais do que uma simples premiação, o levantamento buscou identificar modelos de excelência hospitalar no SUS, considerando não apenas estrutura e produção assistencial, mas também eficiência operacional, segurança, qualidade do atendimento e percepção dos próprios usuários do sistema público de saúde.

“O prêmio nasce com o propósito de reconhecer experiências de excelência existentes no SUS e valorizar hospitais públicos que conseguem aliar qualidade assistencial, eficiência e compromisso com o paciente. O Brasil possui centros hospitalares públicos altamente qualificados e isso precisa ser divulgado para que seja conhecido pela sociedade”, afirma o médico sanitarista Renilson Rehem, ex-presidente do Ibross e idealizador da premiação.

O processo de avaliação começou com um universo de 5.279 hospitais que atendem o SUS no país. A partir desse total, foram pré-selecionadas unidades públicas com mais de 50 leitos e atendimento exclusivamente voltado ao SUS. Após a aplicação dos critérios técnicos, chegou-se à lista dos 100 melhores hospitais públicos brasileiros, da qual saíram os 10 primeiros colocados.

A seleção considerou hospitais gerais — adultos e pediátricos — e também unidades especializadas em cardiologia, oncologia, ortopedia e maternidade, vinculadas às esferas federal, estadual ou municipal. Hospitais psiquiátricos e de longa permanência ficaram fora da análise.

Na avaliação foram considerados indicadores como acreditação hospitalar, taxa de mortalidade ajustada, percentual de internações de alta complexidade, disponibilidade de leitos de UTI, taxa de ocupação e tempo médio de permanência dos pacientes internados.

Na etapa final do ranking, o estudo passou a incorporar também critérios relacionados à eficiência hospitalar, compliance institucional e satisfação dos usuários. A análise de eficiência foi realizada com apoio do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD/UFMG), por meio da metodologia DEA (Data Envelopment Analysis), utilizada internacionalmente para medir eficiência relativa em organizações complexas.

 

Avaliação dos usuários

Outro diferencial da premiação foi a realização de uma ampla pesquisa independente de satisfação dos pacientes conduzida pelo Instituto DataSenado. O estudo ouviu pacientes — ou acompanhantes — que receberam alta hospitalar em novembro de 2025 nas instituições participantes da premiação.

A pesquisa foi realizada entre 14 e 20 de abril de 2026 e submetida previamente ao Comitê de Ética em Pesquisa, devido ao tratamento de dados pessoais e sensíveis dos participantes. Dos 100 hospitais elegíveis para essa etapa, 64 encaminharam as informações necessárias para a realização das entrevistas e 56 atingiram quantidade estatisticamente válida de respostas para compor a avaliação final.

As entrevistas foram feitas por telefone, por meio da metodologia CATI (Computer-Assisted Telephone Interviewing), sistema assistido por computador que utiliza questionário estruturado e protocolos padronizados de abordagem para reduzir vieses e aumentar a confiabilidade dos resultados.

A satisfação dos usuários foi medida a partir da nota atribuída pelos pacientes à qualidade do hospital, em uma escala de zero a dez. A pergunta central da pesquisa foi: “Em uma escala de 0 a 10, em que 0 significa muito ruim e 10 significa excelente, qual a nota que você dá para a qualidade do hospital?”.

Nesse quesito, o Hospital Regional de Piracicaba (SP) apareceu em primeiro lugar, seguido pelo Hospital Universitário Walter Cantídio (CE), em segundo, Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (SP), em terceiro, Hospital Universitário Oswaldo Cruz (PE), em quarto, e Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (ES), em quinto.

O sexto lugar entre as unidades mais bem avaliadas pelos usuários ficou com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (SP), seguido pelo Hospital Estadual de Américo Brasiliense, em sétimo, Hospital Regional de Registro (SP), em oitavo, Hospital Municipal da Vila Santa Catarina (SP), em nono, e Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé (MS).

Segundo Renilson Rehem, a proposta da premiação também é estimular a melhoria contínua da qualidade da assistência pública hospitalar no país.

“Queremos incentivar a disseminação de boas práticas de gestão, assistência e governança no SUS. Ao reconhecer hospitais que se destacam em eficiência, qualidade e experiência do paciente, criamos referências positivas para todo o sistema público de saúde”, afirma.

 

Melhores Hospitais Públicos do Brasil

  1. Hospital Estadual de Sumaré (SP)
  2. Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (GO)
  3. Centro de Referência da Saúde da Mulher (SP)
  4. Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (SP)
  5. Hospital e Maternidade Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro (MG)
  6. Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (SP)
  7. Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP)
  8. Hospital Estadual de Sapopemba (SP)
  9. Hospital Municipal Cidade Tiradentes (SP)
  10. Hospital Geral de Itapevi (SP)


Melhores Hospitais na Avaliação dos Usuários

1.   Hospital Regional de Piracicaba (SP)

2.   Hospital Universitário Walter Cantídio (CE)

3.   Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (SP)

4.   Hospital Universitário Oswaldo Cruz (PE)

5.   Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (ES)

6.   Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (SP)

7.   Hospital Estadual de Américo Brasiliense (SP)

8.   Hospital Regional de Registro (SP)

9.   Hospital Municipal da Vila Santa Catarina (SP)

10.       Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé (MS)


Conheça o caminho que a fumaça do tabaco percorre no corpo e os riscos a diferentes órgãos

O fumo já é responsável por pelo menos 14 tipos de câncer, mas as consequências podem ir muito além do surgimento de tumores, inclusive em não-fumantes

 

O Brasil registrou pela primeira vez desde 2007 um aumento no número de fumantes adultos, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas, o que mais chamou atenção nesse levantamento, foi a proporção de aumento entre as mulheres (crescimento de mais de 2%), que também são as maiores consumidoras dos cigarros eletrônicos. De acordo com um estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país gasta anualmente mais de R$67 bilhões com despesas médicas relacionadas a doenças causadas pelo tabagismo. 

Sabe-se que qualquer forma de tabaco expõe o corpo a componentes tóxicos. Um exemplo disso, é que apenas um único cigarro pode conter mais de 4 mil substâncias tóxicas, muitas delas com ação cancerígena. A fumaça que libera esses agentes, seja no ar ou no organismo, tem poder de causar danos a vários órgãos, gerando doenças que vão muito além do câncer de pulmão, o 3º tumor mais frequente em homens e 4º em mulheres no país. 

O Dr. Helano Freitas, oncologista e vice-líder do centro de referência em tumores de pulmão do A.C.Camargo Cancer Center destaca o passo a passo do percurso da fumaça pelo corpo e seus impactos no organismo. “Todos os órgãos que têm contato direto com a fumaça e os componentes tóxicos do tabaco estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de um câncer”, afirma.

 

O caminho da fumaça

A fumaça do cigarro percorre um caminho destrutivo pelo organismo e deixa marcas desde o primeiro contato. Segundo especialistas, a boca é a porta de entrada dessa agressão: dentes amarelados, manchas, mau hálito, predisposição a cáries e risco elevado de câncer de lábios, boca e língua estão entre os primeiros efeitos visíveis. 

Na sequência, a fumaça atinge faringe e laringe, podendo causar inflamações como faringite e laringite, além de aumentar a probabilidade de tumores nessas regiões. Já nos pulmões, o impacto é ainda mais severo: cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente ligados ao tabagismo. As substâncias tóxicas inaladas, entre elas: aminas aromáticas, nitrosaminas e metais pesados como cádmio e chumbo, entram na corrente sanguínea, passam pelo fígado e seguem para os rins e bexiga, ampliando a predisposição a tumores urológicos. 

Além das doenças pulmonares graves, como enfisema, bronquite e pneumonia, o tabaco também é um fator determinante para doenças cardiovasculares. A nicotina chega ao coração e ao cérebro em segundos, elevando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Parte da fumaça é deglutida com a saliva, expondo estômago e intestinos. Nesse processo, aumentam-se espécies reativas de oxigênio, responsáveis por danos ao DNA e inflamação crônica, que favorecem cânceres do estômago e do pâncreas. O tabaco ainda altera a flora intestinal, estimulando bactérias pró-inflamatórias e a formação de metabólitos carcinogênicos. 

“O tempo de exposição ao tabagismo é um fator crucial. Quanto mais se fuma, mais substâncias se acumulam, atacando órgãos e contribuindo para a transformação de células normais em células cancerígenas”, explica o oncologista.

 

Fumo passivo também é perigoso

O perigo não se restringe apenas a quem fuma. A exposição ambiental à fumaça do tabaco aumenta em 20 a 30% o risco de câncer e em 25 a 30% o risco de doenças cardiovasculares, segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC). A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o fumo passivo é responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano, atingindo principalmente mulheres.

  

A.C.CAMARGO CANCER CENTER

 

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