A
Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) publicou a
atualização do sistema de diagnóstico, estadiamento e classificação prognóstica
da Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG), documento que passa a orientar o
manejo da doença em todo o mundo. Entre os autores da publicação está o
presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro
(CREMERJ), Antônio Braga, integrante do grupo internacional de especialistas
responsável pela revisão das recomendações.
A
atualização foi elaborada pelo Comitê de Câncer da Mulher da FIGO, que reuniu
especialistas de diferentes países e contou com a participação de sociedades
científicas e organizações internacionais. Antônio Braga, que assumirá a presidência
da Sociedade Mundial de Doença Trofoblástica Gestacional em novembro deste ano,
integrou a subcomissão como representante da América do Sul, ao lado de
especialistas da Ásia, Europa, América do Norte e Oceania. O documento foi
aprovado durante o Congresso Mundial da FIGO, realizado em 2025, na África do
Sul.
Segundo
o presidente do CREMERJ, a revisão teve como objetivo atualizar os critérios
diagnósticos, padronizar métodos de investigação e esclarecer interpretações
equivocadas e dificuldades identificadas ao longo da aplicação do sistema de
estadiamento e do escore prognóstico utilizado desde 2000.
"Com
a divulgação dessa nova diretriz médica, a mais importante nessa área, temos a
convicção de que as mulheres acometidas por esse tumor da gestação terão
maiores chances de receber um tratamento adequado, alcançar a cura e, quando
liberadas do acompanhamento e assim desejarem, engravidar novamente",
afirma Antônio Braga.
Para
ele, participar da elaboração de uma diretriz da FIGO representa o reconhecimento
da capacidade da medicina brasileira de contribuir para a definição dos padrões
internacionais de cuidado.
"Não
se trata apenas de acompanhar o conhecimento produzido em outros países, mas de
participar ativamente da sua construção. Na área da Neoplasia Trofoblástica
Gestacional, o Brasil possui uma das maiores experiências clínicas do mundo,
fruto do trabalho desenvolvido por centros de referência e de uma tradição
consolidada em assistência, ensino e pesquisa. Levar essa experiência para uma
diretriz adotada internacionalmente significa dar visibilidade à produção
científica brasileira e assegurar que a realidade de países com diferentes
níveis de desenvolvimento também seja considerada na formulação das
recomendações. Para mim, como médico brasileiro e presidente do CREMERJ, foi uma
grande honra integrar esse grupo internacional de especialistas, cujo trabalho
foi fundamentado nas melhores evidências científicas disponíveis e na
experiência acumulada no tratamento de milhares de mulheres ao longo de mais de
duas décadas de dedicação à assistência, ao ensino e à pesquisa. Espero que
essa atualização contribua para que pacientes de todo o mundo tenham acesso a
um diagnóstico mais preciso, a um tratamento mais adequado e, consequentemente,
a maiores chances de cura e de preservação da fertilidade, quando isso for
possível.", afirmou Antônio Braga.
Entre
as principais mudanças introduzidas pela nova classificação estão a definição
mais precisa dos critérios diagnósticos, a atualização das recomendações para
exames de imagem, ajustes no estadiamento anatômico, a revisão de componentes
do escore prognóstico e a criação de uma nova categoria de ultra-alto risco,
que prevê tratamento quimioterápico mais intensivo desde o início, com o
objetivo de maximizar as chances de cura.
Na
conclusão, os autores destacam que a atualização busca fortalecer a
padronização internacional do diagnóstico, da classificação e da avaliação
prognóstica da Neoplasia Trofoblástica Gestacional, além de favorecer a
produção de dados comparáveis entre centros de pesquisa e aprimorar a
assistência às pacientes. O artigo recomenda a adoção do novo sistema por todos
os profissionais envolvidos no tratamento da doença em todo o mundo.
Acesse o artigo aqui.
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