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| fotos - créd. Caio Oviedo |
Com texto de Newton
Moreno e direção de Ana Rosa Genari Tezza, espetáculo com música ao
vivo narra jornada de um coveiro nordestino que veio a São Paulo em busca de
sua mãe
A vontade de discutir questões
relacionadas à morte como forma de nos alertar para a urgência da vida instigou
o ator, músico e diretor musical Marco França a idealizar o solo A
Última Cova, com texto inédito de Newton Moreno e direção de Ana
Rosa Genari Tezza. O espetáculo, com produção da Morente e Forte, estreou
com grande sucesso no Sesc Pompeia em julho, com direito a temporada totalmente
esgotada.
E agora, a peça segue para mais uma temporada, desta vez no Teatro Cia. da Revista, de 8 a 31 de agosto, com sessões aos sábados e às segundas-feiras, às 20h, e aos domingos, às 18h. Em cena, além de França, ainda estão os músicos Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo.
A trama acompanha a história de Djalma,
um coveiro nordestino que veio à capital paulistana à procura da mãe e munido
de sua pá. Ele nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo
mundo, busca nos olhos das mães enlutadas os olhos da sua mãe, e trabalha
atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes e parentes deles,
como se sua pá pudesse consertar um pouquinho das mazelas do mundo.
Djalma burla a estrutura para cumprir
com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos dos quais
participou, até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências
deste ato, o que o faz cavar sua última cova.
Desde o começo da elaboração do texto
até a estreia foram 2 anos de trabalho, a peça traz na sua equipe artistas que
elaboram o teatro com tempo, escuta, e muita troca, isso porque todos têm
intimidade com processos de grupo, que costumam ter no Tempo um grande aliado
para o aprofundamento da pesquisa. Marco França integrou o grupo potiguar Os
Clowns de Shakespeare por 15 anos, Ana Tezza é diretora artística da Trupe Ave
Lola de Teatro e a Ave Lola Espaço de Criação, e Newton Moreno integrou a Cia
Os Fofos Encenam.
A ideia de encomendar a peça, segundo
França, surgiu depois que ele assistiu a um espetáculo em Santiago, no Chile,
em 2024. “Foi de maneira distraída, mas com o radar sempre atento às poesias do
mundo que, ao assistir um espetáculo que contava a vida de Leoncio Badía
Navarro, um coveiro que viveu a ditadura franquista em Paterna (Espanha), me
transportei aos canteiros de minha terra, pensando quantas histórias incríveis
um cemitério coleciona: lugar de memórias. Ali eu soube por onde começar”,
conta o idealizador do trabalho.
Sobre essa figura tão emblemática,
Newton Moreno diz: “Esse cabra tinhoso retrata a resiliência e inconformidade
do homem nordestino. Talvez não exista prova maior de resistência que não
morrer; nisso o povo nordestino é mestre. Djalma está aí para provar. Mas nosso
Djalma quer justiça e os que lutam por ela sempre são os primeiros alvos da
ganância do mundo. Ele é um dos tantos que se faz a pergunta: “Justiça é mesmo
coisa desse mundo?”.
Marco França ainda revela que se
interessa pelo invisível e os invisibilizados nessa história. “É na figura do
coveiro Djalma que dou voz aos que lutam diariamente contra o dragão da
mentira, contra as ‘injustezas’ do mundo. ‘Porque a coisa mais perigosa pra
esse mundo enganoso e feio é um cabra que restou no silêncio!’”, cita.
Para contar essa história, a diretora
Ana Rosa Tezza revela ter escolhido uma linguagem necessariamente
popular. “Uma linguagem que bebe da palhaçaria, da clássica oralidade dos
repentes e da infinita capacidade comunicativa da canção brasileira. Neste
trabalho, a busca constante foi explicitar o jogo teatral para a audiência, ao
mesmo tempo em que lhes oferecemos uma viagem para dentro deste país que tinge,
borda e tece, em sua fábula, as raízes de um Brasil ao mesmo tempo vivido e
sonhado”, explica.
Já o cenógrafo e figurinista Kleber
Montanheiro diz que fugiu do realismo para criar esses elementos já que a
peça trata da lembrança. “A partir das ideias trazidas por Marco França, fui
somando camadas, imagens e materialidades até chegarmos a uma forma que não
ilustra as histórias, mas as faz emergir como memória viva. Não lidamos apenas
com personagens — lidamos com vestígios, com ecos de vidas que já passaram, mas
que insistem em permanecer”.
E o desenho de luz de Gabriele Souza
“embaralha os limites entre palco e plateia, aproximando corpos, covas,
sombras, presenças e ausências”, antecipa. “Confundir os tempos, os humores e
as nuances desse território tão concreto, frio — mas que também guarda suas
cores, temperaturas e encantamentos, de histórias que foram e seguem sendo.
Sempre serão”, acrescenta.
Ficha Técnica
Idealização, direção musical, visagismo e atuação: Marco França
Dramaturgia:
Newton Moreno
Direção:
Ana Rosa Genari Tezza
Núcleo
de criação musical: Marco França, Arthur Jaime, Breno Mont Serrat
Músicos:
Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo
Assistência
de Direção: Ana Elisa Mattos
Cenários
e Figurinos: Kleber Montanheiro
Desenho
de Luz: Gabriele Souza
Criação
e confecção de boneco e assessoria de manipulação: Fernando Gomes
Designer
Gráfico: Vicka Suarez
Fotografia:
Caio Oviedo
Captação
audiovisual: gatú filmes
Assessoria
de Imprensa: Pombo Correio
Social
Média: Isabella Pacetti
Assistência
de Produção: Carol Ariza
Coordenação
de Projetos: Egberto Simões
Produtores
Associados: Selma Morente, Célia Forte e Marco França
Produção:
Morente Forte Produções Teatrais e Galado Recordis
Realização
Sesc SP
Sinopse
Munido de sua pá, a ‘potiguar’, Djalma
é um coveiro nordestino que veio trabalhar em São Paulo para procurar sua mãe.
Nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, atento
às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes. Djalma burla a estrutura
para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos
que participou. Até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as
consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova. Nesta noite, ele
dividirá conosco sua história e sua narrativa embaralhando a busca pela mãe e
os mistérios em torno desta última cova.
Serviço
A
Última Cova, de Newton Moreno, com Marco França
Temporada: 8 a 31 de agosto de 2026
Aos
sábados e às segundas, às 20h; e aos domingos, às 18h
(Não
haverá sessão no dia 16 de Agosto)
Teatro
Cia. da Revista - Alameda Nothmann, 1135 - Campos
Elíseos, São Paulo
Ingressos:
R$90 (inteira) e R$45
(meia-entrada)
Vendas
online em https://www.eventim.com.br/artist/teatro-cia-da-revista/
Duração:
80 minutos
Classificação: 12 anos
Capacidade:
82 lugares
Gênero:
Narrativa
folhetinesca-melofantástica-cordelística
Acessibilidade:
sala acessível a cadeirantes e pessoas
com mobilidade reduzida

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