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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Depois do enorme sucesso, solo A Última Cova, com Marco França, ganha nova temporada no Teatro Cia. da Revista em agosto

 fotos - créd. Caio Oviedo


Com texto de Newton Moreno e direção de Ana Rosa Genari Tezza, espetáculo com música ao vivo narra jornada de um coveiro nordestino que veio a São Paulo em busca de sua mãe


 

A vontade de discutir questões relacionadas à morte como forma de nos alertar para a urgência da vida instigou o ator, músico e diretor musical Marco França a idealizar o solo A Última Cova, com texto inédito de Newton Moreno e direção de Ana Rosa Genari Tezza. O espetáculo, com produção da Morente e Forte, estreou com grande sucesso no Sesc Pompeia em julho, com direito a temporada totalmente esgotada.


E agora, a peça segue para mais uma temporada, desta vez no Teatro Cia. da Revista, de 8 a 31 de agosto, com sessões aos sábados e às segundas-feiras, às 20h, e aos domingos, às 18h. Em cena, além de França, ainda estão os músicos Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo.


A trama acompanha a história de Djalma, um coveiro nordestino que veio à capital paulistana à procura da mãe e munido de sua pá. Ele nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, busca nos olhos das mães enlutadas os olhos da sua mãe, e trabalha atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes e parentes deles, como se sua pá pudesse consertar um pouquinho das mazelas do mundo.


Djalma burla a estrutura para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos dos quais participou, até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova. 


Desde o começo da elaboração do texto até a estreia foram 2 anos de trabalho, a peça traz na sua equipe artistas que elaboram o teatro com tempo, escuta, e muita troca, isso porque todos têm intimidade com processos de grupo, que costumam ter no Tempo um grande aliado para o aprofundamento da pesquisa. Marco França integrou o grupo potiguar Os Clowns de Shakespeare por 15 anos, Ana Tezza é diretora artística da Trupe Ave Lola de Teatro e a Ave Lola Espaço de Criação, e Newton Moreno integrou a Cia Os Fofos Encenam.


A ideia de encomendar a peça, segundo França, surgiu depois que ele assistiu a um espetáculo em Santiago, no Chile, em 2024. “Foi de maneira distraída, mas com o radar sempre atento às poesias do mundo que, ao assistir um espetáculo que contava a vida de Leoncio Badía Navarro, um coveiro que viveu a ditadura franquista em Paterna (Espanha), me transportei aos canteiros de minha terra, pensando quantas histórias incríveis um cemitério coleciona: lugar de memórias. Ali eu soube por onde começar”, conta o idealizador do trabalho.


Sobre essa figura tão emblemática, Newton Moreno diz: “Esse cabra tinhoso retrata a resiliência e inconformidade do homem nordestino. Talvez não exista prova maior de resistência que não morrer; nisso o povo nordestino é mestre. Djalma está aí para provar. Mas nosso Djalma quer justiça e os que lutam por ela sempre são os primeiros alvos da ganância do mundo. Ele é um dos tantos que se faz a pergunta: “Justiça é mesmo coisa desse mundo?”.


Marco França ainda revela que se interessa pelo invisível e os invisibilizados nessa história. “É na figura do coveiro Djalma que dou voz aos que lutam diariamente contra o dragão da mentira, contra as ‘injustezas’ do mundo. ‘Porque a coisa mais perigosa pra esse mundo enganoso e feio é um cabra que restou no silêncio!’”, cita.


Para contar essa história, a diretora Ana Rosa Tezza revela ter escolhido uma linguagem necessariamente popular. “Uma linguagem que bebe da palhaçaria, da clássica oralidade dos repentes e da infinita capacidade comunicativa da canção brasileira. Neste trabalho, a busca constante foi explicitar o jogo teatral para a audiência, ao mesmo tempo em que lhes oferecemos uma viagem para dentro deste país que tinge, borda e tece, em sua fábula, as raízes de um Brasil ao mesmo tempo vivido e sonhado”, explica.


Já o cenógrafo e figurinista Kleber Montanheiro diz que fugiu do realismo para criar esses elementos já que a peça trata da lembrança. “A partir das ideias trazidas por Marco França, fui somando camadas, imagens e materialidades até chegarmos a uma forma que não ilustra as histórias, mas as faz emergir como memória viva. Não lidamos apenas com personagens — lidamos com vestígios, com ecos de vidas que já passaram, mas que insistem em permanecer”.


E o desenho de luz de Gabriele Souza “embaralha os limites entre palco e plateia, aproximando corpos, covas, sombras, presenças e ausências”, antecipa. “Confundir os tempos, os humores e as nuances desse território tão concreto, frio — mas que também guarda suas cores, temperaturas e encantamentos, de histórias que foram e seguem sendo. Sempre serão”, acrescenta.


Ficha Técnica

Idealização, direção musical, visagismo e atuação: Marco França

Dramaturgia: Newton Moreno

Direção: Ana Rosa Genari Tezza

Núcleo de criação musical: Marco França, Arthur Jaime, Breno Mont Serrat

Músicos: Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo

Assistência de Direção: Ana Elisa Mattos

Cenários e Figurinos: Kleber Montanheiro

Desenho de Luz: Gabriele Souza

Criação e confecção de boneco e assessoria de manipulação: Fernando Gomes

Designer Gráfico: Vicka Suarez

Fotografia: Caio Oviedo

Captação audiovisual: gatú filmes

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Social Média: Isabella Pacetti

Assistência de Produção: Carol Ariza

Coordenação de Projetos: Egberto Simões

Produtores Associados: Selma Morente, Célia Forte e Marco França

Produção: Morente Forte Produções Teatrais e Galado Recordis

Realização Sesc SP


Sinopse

Munido de sua pá, a ‘potiguar’, Djalma é um coveiro nordestino que veio trabalhar em São Paulo para procurar sua mãe. Nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes. Djalma burla a estrutura para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos que participou. Até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova. Nesta noite, ele dividirá conosco sua história e sua narrativa embaralhando a busca pela mãe e os mistérios em torno desta última cova.


Serviço


A Última Cova, de Newton Moreno, com Marco França

Temporada: 8 a 31 de agosto de 2026

Aos sábados e às segundas, às 20h; e aos domingos, às 18h

(Não haverá sessão no dia 16 de Agosto)

Teatro Cia. da Revista -  Alameda Nothmann, 1135 - Campos Elíseos, São Paulo 

Ingressos: R$90 (inteira) e R$45 (meia-entrada) 

Vendas online em https://www.eventim.com.br/artist/teatro-cia-da-revista/

Duração: 80 minutos

Classificação: 12 anos

Capacidade:  82 lugares

Gênero: Narrativa folhetinesca-melofantástica-cordelística

Acessibilidade: sala acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida



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