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sexta-feira, 31 de julho de 2026

O que é a neurodivergência? Neuropsicóloga destaca a importância do diagnóstico

“Esse processo favorece o autoconhecimento, ajudando a pessoa a compreender melhor seu modo de funcionar e reduzindo sentimentos de culpa, inadequação ou autocrítica”.


Ser uma pessoa neurodivergente significa: apresentar um funcionamento neurológico e/ou psíquico que processa informações, aprende, percebe e interage com o mundo de maneira diferente daquela considerada mais frequente na população. Em contraponto, o termo neuroatípico refere-se às pessoas cujo desenvolvimento e funcionamento supracitado seguem os padrões esperados para a maioria, sem características associadas a condições específicas do neurodesenvolvimento. 

As pessoas neurodivergentes podem apresentar formas singulares de pensar, aprender, resolver problemas e se relacionar com o meio que está inserido. Essas características frequentemente estão associadas a habilidades e perspectivas únicas, que são valiosos em variados contexto, mas ao mesmo tempo, também podem enfrentar fragilidades em determinadas situações, especialmente quando os ambientes não oferecem acessibilidade, compreensão ou adaptações as suas necessidades. Por isso, reconhecer e valorizar a neurodiversidade é um passo importante para promover inclusão, equidade e participação plena na sociedade. 

De acordo com a neuropsicóloga Anna Rúbia Pirôpo, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Unime Anhanguera, é importante ressaltar, que o termo neurodivergente não corresponde a um diagnóstico clínico. Ele faz parte de um conceito que compreende as diferenças no funcionamento neurológico como uma variação natural da espécie humana. Dentro desse grupo podem estar pessoas com condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Dislexia, entre outros. 

“Esses grupos são caracterizados por apresentarem diferenças no funcionamento cerebral que afetam áreas como percepção, processamento de informações, comportamento e interação com o ambiente. Essas diferenças podem incluir fragilidades nos processos atencionais, memória, linguagem, funcionamento adaptativo ou interação social, assim como apresentar relevantes habilidades", destaca. 

Em apenas um ano, o número de alunos com autismo matriculados nas escolas brasileiras aumentou 48%, de acordo com o último Censo Escolar (2023). O crescimento dos diagnósticos dessa condição é uma tendência global, conforme aponta o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Na década de 1970, o autismo, por exemplo, era identificado em cerca de 1 em cada 10 mil crianças. Em 1995, essa proporção subiu para 1 em cada 1.000 e, em 2023, alcançou 1 em 36, evidenciando uma evolução significativa nos índices.
 

Sobre a importância do diagnóstico, Anna destaca alguns pontos:

“Receber um diagnóstico pode promover conforto ao oferecer uma explicação para experiências, dificuldades e diferenças percebidas ao longo da vida. Esse processo favorece o autoconhecimento, ajudando a pessoa a compreender melhor seu modo de funcionar e reduzindo sentimentos de culpa, inadequação ou autocrítica. Além disso, possibilita o acesso a intervenções e apoios mais adequados às suas necessidades. Com um diagnóstico formal, torna-se viável acessar serviços especializados, terapias, adaptações e recursos educacionais ou profissionais que promovam maior participação, autonomia e qualidade de vida”, enfatiza. 

A neuropsicóloga pontua ainda que um diagnóstico realizado de forma ética contribui para evitar tratamentos, intervenções ou expectativas inadequadas, que podem ser ineficazes ou até prejudiciais. “Uma avaliação abrangente permite compreender as características individuais da pessoa e direcionar estratégias terapêuticas e educacionais baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis”, acrescenta. 

Por fim, considerando os aspectos éticos e pessoais envolvidos, Anna ressalta que buscar um diagnóstico é uma decisão individual e que a escolha de não realizar essa investigação também deve ser respeitada. “O processo deve ser conduzido com sensibilidade, informação qualificada e respeito a autonomia da paciente. O diagnóstico não se caracteriza um rótulo, longe disso, ele deve servir como uma ferramenta para ampliar a compreensão sobre o funcionamento individual, orientar intervenções quando necessárias e garantir o acesso a direitos e apoios”, finaliza.


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