Levantamento
inédito da Locaweb, especialista em hospedagem de
sites e infraestrutura digital, mostra os setores mais digitalizados do país e
destaca o avanço de nichos como IA e energia solar
iStock
A presença digital das empresas
brasileiras passou por uma transformação significativa. Em 2025, 72% das marcas
nacionais e internacionais já possuíam um website próprio, segundo a Clutch,
empresa global de pesquisa de mercado. Para entender esse movimento, a Locaweb, especialista em hospedagem de sites e infraestrutura
digital, analisou mais de 230 mil domínios registrados em sua base nos
últimos dez anos, até março de 2026, e identificou como diferentes
setores vêm ocupando a internet ao longo das últimas décadas.
O levantamento mostra que o setor de
saúde lidera a digitalização entre os segmentos analisados, concentrando cerca
de 5% do total. Na sequência aparecem tecnologia (3,8%), advocacia
(2,8%), construção e engenharia (2,4%) e comércios digitais (2,3%). Ao
mesmo tempo, nichos ligados à sustentabilidade e à inteligência artificial
despontam como alguns dos movimentos mais recentes observados na Web.
Os dados ainda indicam que a maior
parte dos domínios analisados pertence a pequenas e médias empresas brasileiras,
reforçando o papel da internet como ferramenta estratégica para negócios de
diferentes portes.
As novas tendências da internet brasileira
Entre os achados mais relevantes do
levantamento estão os nichos emergentes que vêm ganhando espaço quando o
assunto são domínios como .com.br
e .net. O segmento de sustentabilidade, impulsionado pelo setor de energia
solar, aparece como o maior nicho em crescimento online dos últimos cinco anos.
Foram criados pelo menos 1.700 domínios relacionados ao tema, com
números mais expressivos começando em 2021 e pico em 2022, reforçando um
mercado em expansão no Brasil e uma crescente busca por posicionamento digital
por parte das empresas do setor.
Outro destaque é o avanço da
inteligência artificial, que passou a contar com o sufixo .ia.br, destinado exclusivamente a
serviços de IA. O movimento evidencia a consolidação de um novo campo de
atuação digital, em que empresas especializadas buscam construir identidade
própria e fortalecer sua presença online.
É importante destacar que, no Brasil, o
domínio .ia.br foi lançado e
liberado para projetos e marcas recentemente, em setembro de 2025, mas foi na
virada do ano que esse número ganhou mais expressividade, com pico de
registros em fevereiro de 2026.
“A criação de domínios .ia.br, uma categoria de subdomínios
lançada para identificar sites, produtos e projetos focados em Inteligência
Artificial, evidencia uma nova etapa da transformação digital no Brasil. Assim
como outros segmentos ganharam relevância online ao longo dos anos, a
inteligência artificial começa a estruturar um ecossistema próprio, com
empresas, soluções e serviços que buscam se posicionar de forma clara e
reconhecível na internet”, Patrice Ramos, Diretor de Produtos e Engenharia da Locaweb.
O levantamento também identificou uma
mudança importante no comportamento de profissionais liberais. Médicos,
advogados, dentistas e outros especialistas têm registrado domínios
personalizados, utilizando formatos como drnome.com.br e a extensão .adv.br. Esse padrão indica uma transformação na forma
como esses profissionais se comunicam, constroem autoridade e captam clientes
na internet.
A preocupação com a proteção de marca
também aparece entre os resultados do estudo: atualmente, 63,4% dos domínios
analisados utilizam a extensão .com.br,
o que reforça a preferência das empresas brasileiras por uma presença digital
identificada com o mercado nacional.
Além disso, quase 16 mil marcas
registraram simultaneamente as versões .com e .com.br. Essa estratégia contribui para a preservação da
identidade digital ao garantir que o mesmo nome esteja protegido nas duas
extensões mais utilizadas, reduzindo o risco de que terceiros registrem uma das
versões e gerem confusão entre consumidores ou utilizem a marca de forma indevida.
Os setores que lideram a digitalização
A análise setorial revela que a
transformação digital não ocorre de forma homogênea entre os diferentes
segmentos. A área de saúde aparece como o setor mais digitalizado da base
analisada pela Locaweb, concentrando 5% dos
domínios de sites, e reúne clínicas, médicos, psicólogos, nutricionistas e
dentistas que investem em canais próprios para ampliar a visibilidade,
facilitar o contato com pacientes e fortalecer sua presença online.
Na segunda posição está o setor de
tecnologia, responsável por 3,8% dos domínios analisados. O grupo inclui
empresas de software, aplicativos, sistemas ERP, plataformas SaaS e
consultorias de TI, refletindo a forte relação entre inovação tecnológica e
presença digital.
A advocacia ocupa a terceira posição,
representando 2,8% da base estudada. Além do uso crescente de domínios
personalizados, o segmento se destaca pelo registro de mais de 2.500 domínios
com a extensão .adv.br, sem considerar
aqueles que utilizam .com.br.
Completam o grupo dos cinco segmentos
mais presentes na internet os setores de construção e engenharia (2,4%) e
imóveis e incorporadoras (2,1%). O resultado evidencia como diferentes
áreas da economia vêm consolidando seus próprios canais digitais para atrair
clientes, divulgar serviços e ampliar oportunidades de negócio.
O mapa da presença digital no Brasil
O levantamento da Locaweb
também permite observar como a expansão da internet se distribuiu pelo
território nacional ao longo das últimas décadas.
Considerando os dados de hospedagem de
sites, serviço que armazena os arquivos, imagens e códigos de um site em um
servidor, entre os anos de 1998 e março de 2026, São Paulo lidera com ampla
vantagem. Na sequência, aparecem Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio
Grande do Sul .
Entre 2003 e 2026, ao se analisar os
registros de domínios, processo que garante o direito de uso de um endereço
exclusivo na internet, o ranking dos dez primeiros colocados se repete. Esse
padrão evidencia a força econômica e tecnológica dos estados que lideram a
lista, além da maior concentração de empresas, profissionais e iniciativas
empreendedoras nessas regiões.
Os dados históricos indicam ainda que
os anos de pico de hospedagem ocorreram em 2013, 2019 e 2020, enquanto os
maiores picos de registro de domínios foram observados em 2021 e 2022. Esse
comportamento reflete a aceleração da digitalização de empresas e pequenos
negócios, especialmente em períodos de maior transformação no mercado.
“A concentração dos registros em São
Paulo é coerente com a posição do estado como um dos grandes polos econômicos e
tecnológicos do país. O estado reúne uma forte base de empresas, startups e
centros de oportunidades de emprego, o que naturalmente impulsiona a demanda
por presença digital. Nessa mesma lógica, os estados que completam o ranking
também estão posicionados como centros de desenvolvimento do país”, comenta
Patrice Ramos, Diretor de Produtos e Engenharia na Locaweb.
Ao analisar essa evolução da presença
digital no Brasil, a Locaweb também revisita parte
de sua própria história. “Há 27 anos, acompanhamos a transformação de pequenos
negócios, profissionais e empresas de diferentes portes em protagonistas do
ambiente digital. Esses dados mostram como a internet se consolidou como infraestrutura
essencial para o desenvolvimento econômico e para a construção de marcas no
país, e reforçam o papel da Locaweb como parceira
dessa jornada de digitalização ao longo das últimas décadas”, finaliza
ele.
Metodologia
O estudo da Locaweb
analisou mais de 232 mil domínios registrados em sua base, considerando a
evolução da presença digital de empresas e profissionais brasileiros ao longo
das últimas décadas. Foram avaliados dados de hospedagem de sites entre 1998 e
março de 2026 e de registro de domínios entre 2003 e março de 2026, além da
classificação dos segmentos econômicos e da identificação de nichos emergentes.
A maior parte dos domínios analisados pertence a pequenas e médias empresas
brasileiras.



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