Crença de que são mais resistentes e precisam de menos cuidados atrasa diagnósticos graves e compromete a expectativa de vida dos animais
Celebrado em 31 de julho, o Dia do Vira-Lata homenageia os cães
sem raça definida (SRDs), que conquistaram espaço definitivo nos lares
brasileiros. Apesar do carinho e da fama de "mais resistentes",
especialistas da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, alertam
que ainda persiste um mito perigoso, que é o de que esses animais dispensariam
os mesmos cuidados de saúde dedicados aos cães de raça.
O alerta ganha ainda mais relevância em um país que possui mais de
62 milhões de cães, uma das maiores populações caninas do mundo.
Independentemente da origem ou da raça, todos estão sujeitos a doenças
infecciosas, parasitárias e crônicas quando não recebem acompanhamento
veterinário preventivo.
A ideia de que o vira-lata "aguenta tudo" costuma vir da
chamada heterose (ou vigor híbrido), que reduz a chance de doenças genéticas
recessivas comuns em raças puras. No entanto, ter menor propensão a problemas
genéticos específicos não significa ter proteção contra vírus, bactérias ou
tumores. Na prática, a falta de idas regulares ao veterinário faz com que
problemas silenciosos sejam descobertos apenas em estágios avançados.
"Existe uma falsa ideia de que o vira-lata não fica doente ou
não precisa de vacina. Isso é um risco grave. A maior diversidade genética pode
oferecer vantagens em alguns aspectos, mas não torna o animal imune às
principais doenças que acometem os cães. Vacinação, vermifugação, controle de
ectoparasitas e exames de rotina são indispensáveis para qualquer pet,
independentemente de ter pedigree ou não", explica Carollina Marques,
médica veterinária na WeVets.
Além disso, a rotina preventiva em cães sem raça definida precisa
considerar o histórico desconhecido do animal, especialmente no caso dos
adotados já adultos. Sem saber os antecedentes de saúde dos pais, o
acompanhamento clínico rigoroso torna-se a única ferramenta para antecipar
diagnósticos de cardiopatias, problemas renais ou alterações hepáticas.
Principais cuidados que todo cão precisa manter:
- Esquema vacinal atualizado: Proteção essencial contra doenças letais como cinomose,
parvovirose, leptospirose e raiva.
- Proteção contínua contra pulgas e carrapatos: Prevenção direta contra a febre maculosa e a erliquiose
canina (doença do carrapato), que podem ser fatais.
- Check-up anual: Exames de
sangue e imagem para monitorar a função dos órgãos e identificar
alterações silenciosas.
- Manejo nutricional e peso: Alimentação adequada ao porte e nível de atividade para
evitar obesidade e sobrecarga articular.
“Cada cão tem uma
história, características e necessidades próprias, e com os SRDs não é
diferente. Mais do que pensar se um cão é de raça ou não, o mais importante é
olhar para ele como um indivíduo e garantir os cuidados de que precisa em cada
fase da vida. Vacinação adequada, prevenção de parasitas, alimentação
equilibrada, atenção às mudanças de comportamento e consultas regulares com o
médico-veterinário são formas simples de cuidar hoje e contribuir para que
esses companheiros tenham mais saúde, bem-estar e qualidade de vida por muitos
anos”, finaliza a especialista da WeVets.

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