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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Dia do Vira-Lata: Ideia de que SRDs são mais resistentes pode ser um risco à saúde

Crença de que são mais resistentes e precisam de menos cuidados atrasa diagnósticos graves e compromete a expectativa de vida dos animais

 

Celebrado em 31 de julho, o Dia do Vira-Lata homenageia os cães sem raça definida (SRDs), que conquistaram espaço definitivo nos lares brasileiros. Apesar do carinho e da fama de "mais resistentes", especialistas da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, alertam que ainda persiste um mito perigoso, que é o de que esses animais dispensariam os mesmos cuidados de saúde dedicados aos cães de raça. 

O alerta ganha ainda mais relevância em um país que possui mais de 62 milhões de cães, uma das maiores populações caninas do mundo. Independentemente da origem ou da raça, todos estão sujeitos a doenças infecciosas, parasitárias e crônicas quando não recebem acompanhamento veterinário preventivo. 

A ideia de que o vira-lata "aguenta tudo" costuma vir da chamada heterose (ou vigor híbrido), que reduz a chance de doenças genéticas recessivas comuns em raças puras. No entanto, ter menor propensão a problemas genéticos específicos não significa ter proteção contra vírus, bactérias ou tumores. Na prática, a falta de idas regulares ao veterinário faz com que problemas silenciosos sejam descobertos apenas em estágios avançados. 

"Existe uma falsa ideia de que o vira-lata não fica doente ou não precisa de vacina. Isso é um risco grave. A maior diversidade genética pode oferecer vantagens em alguns aspectos, mas não torna o animal imune às principais doenças que acometem os cães. Vacinação, vermifugação, controle de ectoparasitas e exames de rotina são indispensáveis para qualquer pet, independentemente de ter pedigree ou não", explica Carollina Marques, médica veterinária na WeVets. 

Além disso, a rotina preventiva em cães sem raça definida precisa considerar o histórico desconhecido do animal, especialmente no caso dos adotados já adultos. Sem saber os antecedentes de saúde dos pais, o acompanhamento clínico rigoroso torna-se a única ferramenta para antecipar diagnósticos de cardiopatias, problemas renais ou alterações hepáticas.
 

Principais cuidados que todo cão precisa manter:

  • Esquema vacinal atualizado: Proteção essencial contra doenças letais como cinomose, parvovirose, leptospirose e raiva.
  • Proteção contínua contra pulgas e carrapatos: Prevenção direta contra a febre maculosa e a erliquiose canina (doença do carrapato), que podem ser fatais.
  • Check-up anual: Exames de sangue e imagem para monitorar a função dos órgãos e identificar alterações silenciosas.
  • Manejo nutricional e peso: Alimentação adequada ao porte e nível de atividade para evitar obesidade e sobrecarga articular.

“Cada cão tem uma história, características e necessidades próprias, e com os SRDs não é diferente. Mais do que pensar se um cão é de raça ou não, o mais importante é olhar para ele como um indivíduo e garantir os cuidados de que precisa em cada fase da vida. Vacinação adequada, prevenção de parasitas, alimentação equilibrada, atenção às mudanças de comportamento e consultas regulares com o médico-veterinário são formas simples de cuidar hoje e contribuir para que esses companheiros tenham mais saúde, bem-estar e qualidade de vida por muitos anos”, finaliza a especialista da WeVets.

 

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