Pesquisas
apontam mudança de mentalidade da nova geração; especialistas explicam como a
educação empreendedora é crucial no mundo dos negócios
Magnific
O desejo de
autonomia, flexibilidade e propósito tem provocado uma mudança de mentalidade
na nova geração de profissionais brasileiros. Pela primeira vez, a abertura de
um negócio próprio se tornou um objetivo mais desejado do que o emprego formal.
Dados de um estudo
da Hibou Pesquisa e Insights
revelam que, entre o público de 16 a 34 anos, 33% preferem ter a própria
empresa, contra 32% que ainda optam pelo regime CLT. A radiografia do Sebrae/PNAD Contínua
corrobora a tendência e aponta quase 5 milhões de jovens com até 29 anos
gerenciando o próprio negócio.
Onde
estão e como atuam
Segundo a pesquisa do Sebrae, 43,5% desses novos empresários estão concentrados no Sudeste, 24,3% no Nordeste, 14,4% no Sul, 10,0% no Norte e 7,7% no Centro-Oeste. Em relação aos setores da economia, 57% atuam na área de Serviços, 17% no Comércio, 11% na Construção, 10% na Agropecuária e 5% na Indústria.
“Hoje, o jovem não
quer apenas um crachá; ele busca propósito e quer criar soluções para problemas
reais. Essa geração é movida pela vontade de ser dona da própria rotina e ver o
resultado direto do seu esforço. Existe também o fator financeiro e o desejo de
não passar a vida toda como subordinado”, explica Nelly H. Marques Cordeiro,
coordenadora dos cursos de graduação na área de Gestão do Centro Universitário
Integrado de Campo Mourão (PR).
Magnific
Do entusiasmo
aos desafios
A jornada de
empreender cedo é marcada por obstáculos específicos e estruturais. A falta de
bagagem de mercado, o acesso limitado a capital e a escassez de networking
profissional costumam ser os primeiros baldes de água fria.
“Em muitos casos,
a ideia é boa, mas o empreendedor inicia sua trajetória sem conhecer
profundamente o cliente, o mercado e a necessidade que pretende resolver”,
esclarece o head de Inovação do Grupo Educacional Integrado, Fabrício
Pelloso Piurcosky.
O especialista
salienta que a mortalidade empresarial raramente acontece por um único motivo.
“Os principais fatores envolvem falta de planejamento, gestão financeira
inadequada, dificuldade para formar preço, ausência de controle de custos,
baixo capital de giro e pouca capacidade de adaptação às mudanças”, complementa.
Obstáculo
da confiança aos 20 anos
O estudante do 6º
período do curso de Administração do Integrado, Guilherme Bittencourt Alcantud,
de 20 anos, vivencia essa realidade no dia a dia. Ele é fundador da Chateau
Labs, empresa de software e inteligência artificial que desenvolve
automações e atendentes virtuais via WhatsApp.
“A maior
dificuldade é a credibilidade. Quando você é jovem, muita gente duvida da sua
capacidade de entrega antes mesmo de te ouvir. Por isso, é necessário entregar
o dobro”, relata.
Educação
contra a mortalidade das empresas
Com o intuito de
mitigar riscos e transformar ideias em propostas consistentes, Nelly e
Piurcosky defendem que a capacitação contínua é o caminho seguro. Para eles, a
educação empreendedora reduz incertezas, aumenta a qualidade das decisões e
desenvolve competências essenciais como criatividade, liderança, resolução de
problemas e visão estratégica.
E para atender ao
público jovem que deseja empreender, os cursos de Gestão do Centro
Universitário Integrado (Administração, Ciências Contábeis, Processos
Gerenciais, Marketing, Gestão Comercial, Gestão Financeira e Recursos Humanos)
abordam conceitos de modelagem de negócios, finanças e liderança desde os
primeiros semestres. “O curso de Administração me deu base para estruturar o
que antes eu fazia só na intuição”, destaca Alcantud.
Ecossistema
inovador e suporte financeiro
Além da grade
curricular diferenciada, a instituição de ensino superior de Campo Mourão
mantém o Integrow, um hub
de inovação e empreendedorismo que conecta a comunidade acadêmica ao mercado de
trabalho, a startups e a grandes empresas. Os melhores projetos dos
alunos ainda podem receber aportes financeiros por meio do Corporate
Venture Capital (CVC) do Grupo Integrado.
“Essa aproximação
real faz com que o estudante aprenda na prática, errando e acertando dentro de
um ambiente seguro e tecnológico. O acadêmico tem a oportunidade de tirar o
projeto do papel, participar de programas de ideação, receber mentorias de
profissionais do mercado e validar seu negócio”, explica Nelly Cordeiro.
Guia
de sobrevivência para jovens empreendedores
Os especialistas
Fabrício Pelloso Piurcosky e Nelly H. Marques Cordeiro resumem os seis
principais obstáculos enfrentados pelos jovens empreendedores e o caminho para superá-los:
1.
Falta de credibilidade e viés de idade
· O cenário:
O mercado (investidores, fornecedores e clientes) costuma associar juventude à
inexperiência ou à falta de compromisso.
· O desafio: Ser levado a sério quando você aparenta ser “jovem demais”.
· Como superar: Domine dados técnicos, apresente um plano de negócios impecável e mantenha uma postura profissional (focando em pontualidade, vestimenta adequada e comunicação clara).
2.
Acesso limitado a capital
· O cenário:
Aos 20 anos, a maioria das pessoas não possui histórico de crédito sólido,
garantias (como imóveis) ou poupança acumulada.
· O desafio:
Bancos tradicionais raramente concedem crédito para jovens sem garantias,
dificultando o investimento inicial.
· Como
superar: Recorra ao modelo de bootstrapping
(crescer usando a própria receita), busque investidores-anjo, editais públicos
de fomento à inovação ou rodadas de investimento com familiares e amigos.
3.
Escassez de networking profissional
· O cenário:
Parcerias e grandes contratos dependem de relacionamentos. Aos 20 anos, a rede
de contatos costuma ser apenas acadêmica ou social.
· O desafio:
Encontrar fornecedores de confiança, mentores experientes ou os primeiros
clientes sem indicações de mercado.
· Como
superar: Frequente eventos do setor, participe de associações
comerciais locais, integre incubadoras de startups e utilize o LinkedIn
estrategicamente para se conectar com referências da sua área.
4.
Gestão de pessoas e liderança
· O cenário:
Liderar equipes exige inteligência emocional, empatia e autoridade, habilidades
lapidadas com a experiência.
· O desafio:
Contratar, demitir, motivar e gerenciar conflitos, especialmente ao liderar
colaboradores mais velhos e experientes.
· Como
superar: Adote uma liderança horizontal baseada no respeito
mútuo, mantenha uma comunicação transparente e não tenha medo de admitir que
também está em processo de aprendizado.
5.
Falta de experiência prática em Gestão
· O cenário:
Ter uma excelente ideia técnica (como programar ou criar conteúdo) é
completamente diferente de administrar um negócio.
· O desafio:
Lidar com burocracia, fluxo de caixa, regimes tributários e planejamento
estratégico. O erro na gestão financeira básica é o maior gargalo das novas
empresas.
· Como
superar: Busque capacitação contínua (cursos, livros de
negócios, formação universitária focada na prática) e procure um sócio com
habilidades complementares às suas (ex: você foca no produto, ele no financeiro).
6.
Pressão social e equilíbrio pessoal
· O cenário:
Enquanto seus amigos estão focados em festas, férias ou carreiras corporativas
sem grandes responsabilidades após o expediente, você carrega o peso do negócio
24 horas por dia.
· O desafio: Lidar com a solidão do topo, a
autocobrança e a incompreensão de pessoas
próximas que preferiam ver você em um “emprego seguro”.
· Como
superar: Blindar a saúde mental é prioridade. Defina limites
claros para o trabalho e entenda que o seu ritmo e as suas escolhas de vida
temporariamente serão diferentes dos seus pares.
Centro Universitário Integrado
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