Dados revelam
crescimento do uso de esteroides sintéticos no Brasil em sete anos; urologista
explica os efeitos do uso indiscriminado, que podem comprometer a saúde sexual
e cardiovascular de homens jovens.
A busca por um corpo mais musculoso e por resultados rápidos
na academia tem levado cada vez mais homens jovens ao uso de anabolizantes e
hormônios sintéticos. O que muitos não sabem é que, por trás da promessa de
aumento de massa muscular e desempenho físico, pode existir um efeito contrário
quando o uso é feito sem acompanhamento médico: queda da libido, dificuldade de
ereção, comprometimento da fertilidade e aumento dos riscos cardiovasculares.
O crescimento desse mercado chama atenção. Dados apontam uma
alta de 700% no consumo de esteroides sintéticos no Brasil em um período de
sete anos, cenário que acompanha a popularização de conteúdos sobre estética e
performance nas redes sociais. A facilidade de acesso a informações sem
respaldo médico também contribui para que homens iniciem ciclos hormonais por
conta própria, muitas vezes sem conhecer as consequências para o funcionamento
natural do organismo.
Segundo o urologista com atuação em Nutrologia, Dr.
Maxmillian Dutra, o problema está no mecanismo de funcionamento dos hormônios
externos. Quando o homem utiliza testosterona ou derivados sintéticos sem
indicação adequada, o organismo entende que não precisa mais produzir o
hormônio naturalmente e reduz ou interrompe sua própria produção. "O corpo
possui um sistema de regulação muito preciso. Quando recebe hormônio de fora em
quantidades elevadas, ele entende que já existe testosterona suficiente
circulando e diminui a produção natural. Quando essa substância é retirada,
pode acontecer uma queda importante dos níveis hormonais", explica.
É justamente nesse período que muitos homens percebem o
chamado efeito rebote. Após interromper o uso, o organismo pode levar tempo
para retomar sua produção hormonal, provocando sintomas como cansaço, desânimo,
redução da massa muscular e queda acentuada do desejo sexual. Em alguns casos,
a dificuldade de ereção também aparece e pode gerar impacto emocional
significativo.
Além dos efeitos sobre a função sexual e hormonal, o uso
indiscriminado de anabolizantes também pode comprometer a saúde cardiovascular.
O aumento da pressão arterial, alterações no colesterol e a hipertrofia do
músculo cardíaco estão entre as possíveis consequências, elevando o risco de
problemas mais graves, como infarto e acidente vascular cerebral.
"O paradoxo é que muitos começam a usar anabolizantes
buscando melhorar a performance ou a autoestima, mas podem acabar enfrentando justamente
o oposto. A queda da testosterona após a interrupção do uso pode comprometer a
libido e a função erétil, além de afetar a fertilidade. Ao mesmo tempo, o uso
inadequado dessas substâncias pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e
aumentar riscos importantes para a saúde", alerta o especialista.
Para o Dr. Maxmillian, é fundamental diferenciar a reposição
hormonal indicada para pacientes que realmente apresentam deficiência da
utilização de hormônios com finalidade exclusivamente estética. "Existe
uma diferença enorme entre tratar uma deficiência hormonal diagnosticada e
utilizar doses elevadas de testosterona ou anabolizantes para ganhar músculo. A
reposição, quando necessária, precisa ser baseada em avaliação médica, exames e
acompanhamento individualizado", afirma.
O especialista reforça que homens que apresentam queda
persistente da libido, dificuldades de ereção ou alterações após o uso de
anabolizantes devem procurar avaliação médica. A investigação pode identificar
se existe uma alteração hormonal e quais outros fatores estão envolvidos,
permitindo definir uma estratégia de tratamento adequada e segura.
"Não é preciso esperar o problema se tornar grave para
buscar ajuda. A saúde hormonal masculina deve ser acompanhada com
responsabilidade, principalmente quando existe histórico de uso de
anabolizantes. O objetivo não é apenas recuperar a performance sexual, mas
entender o funcionamento do organismo e preservar a saúde cardiovascular,
hormonal e a qualidade de vida no longo prazo", conclui o Dr. Maxmillian
Dutra.
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