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quinta-feira, 30 de julho de 2026

É possível evitar o câncer? Entenda o impacto do estilo de vida no desenvolvimento da doença

Pesquisa aponta que parte dos brasileiros ainda desconhece os principais fatores de risco para as doenças cancerígenas. Oncologista do Hospital São José aponta caminho para reduzir riscos.

 

Apesar de também ser influenciado por fatores genéticos, o câncer pode ser o resultado de diversos tipos de comportamentos individuais ao longo da vida. Entretanto, uma pesquisa realizada pelo Observatório da Saúde Pública aponta que 25% dos brasileiros desconhecem que o câncer é uma doença possível de ser prevenida. De outro lado, 48,3% enxergam o sedentarismo como um fator de risco e apenas 27,5% reconhecem a carne vermelha como um item capaz de aumentar as chances da doença. No âmbito da alimentação, a relação acontece da seguinte forma: refrigerante (55,3%), baixa ingestão de frutas e verduras (53,3%), bebidas alcoólicas (71,3%), alimentos embutidos (70,7%) e ultraprocessados (65,6%). 

Diante desses dados, o Dr. Carlos Frederico, oncologista do Hospital São José, explica que as questões comportamentais e ambientais influenciam mais no desenvolvimento do câncer do que a própria herança genética do paciente. 

“85% dos tumores malignos surgem após alterações genéticas sucessivas ao longo da vida, gerada por inúmeros fatores ambientais e comportamentais. Já na menor parcela, representada por 15% dos casos, as mudanças são hereditárias”, explica. 

Segundo o oncologista, cerca de 38% dos cânceres podem ser prevenidos atualmente se as pessoas evitarem os fatores de risco e seguirem estratégias de prevenção baseadas em evidência. Além disso, muitos tipos de câncer apresentam alta probabilidade de cura quando são diagnosticados de forma precoce, seguindo o tratamento adequado. Isso porque a detecção precoce permite melhores resultados de sobrevida, tratamentos mais simples e com menores consequências. 

Os principais fatores de risco são:

  • Tabagismo: uso de cigarro, charuto, cachimbo, rapé, narguilé e cigarro eletrônico. Os dois primeiros aumentam o risco de desenvolver câncer na boca, faringe, laringe e esôfago.
  • Consumo de álcool: o alcoolismo contribui para o desenvolvimento de tumores na cavidade bucal, esôfago, estômago, fígado, intestino e mama.
  • Alimentação inadequada: associada, principalmente, ao desenvolvimento do câncer na mama, cólon, reto, próstata, esôfago e estômago. Carnes processadas, defumadas, curadas ou salgadas, e embutidos, como salsicha, linguiça, mortadela e salame possuem agentes cancerígenos e devem ser evitados.
  • Sedentarismo: eleva o risco de desenvolver diversas doenças crônicas, incluindo o câncer. A alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos são capazes de prevenir 30% dos casos de câncer no país.
  • Radiação solar: a exposição aos raios ultravioleta em horários de alta radiação é apontada como a principal causa do surgimento ao câncer de pele, que equivale a cerca de 32% dos tumores diagnosticados no país.
  • Infecções crônicas: aproximadamente 10% dos cânceres diagnosticados em 2022 no mundo foram atribuídos a infecções carcinogênicas, incluindo Helicobacter pylori, papilomavírus humano (HPV), vírus da hepatite B, vírus da hepatite C e vírus Epstein-Barr. 
     

Por isso, para se prevenir de forma adequada, é importante evitar práticas que podem levar ao desenvolvimento da doença. “Adotar hábitos saudáveis no dia a dia é a ferramenta mais poderosa que temos. Diga não ao tabagismo, tenha uma alimentação equilibrada com fibras, frutas, legumes e antioxidantes, evitando alimentos cancerígenos, modere o consumo de álcool, pratique atividade física regularmente e procure se proteger do sol”, recomenda o Dr. Carlos Frederico.

Pensando na proteção contra as infecções crônicas, é preciso priorizar a imunização com vacinas eficazes. A vacina contra o HPV, por exemplo, auxilia na proteção contra o câncer de colo de útero, pênis, anus, garganta e vulva. Já a vacina contra a Hepatite B ajuda a evitar a infecção pelo vírus que causa inflamação crônica no fígado, uma das principais vias para o câncer hepático. Além disso, é fundamental incluir a realização de exames de rastreamento de rotina no calendário anual, como mamografia, papanicolau, colonoscopia e exames de próstata (PSA e toque retal).


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