Especialista explica como o clima seco e a redução do piscar diante das telas contribuem para o agravamento dos sintomas de olho seco
O inverno costuma acender um alerta para a saúde ocular. A combinação entre
baixa umidade do ar, vento frio, ambientes fechados, ar-condicionado e maior
exposição às telas pode favorecer o ressecamento da superfície dos olhos e
intensificar sintomas de olho seco, como ardência, irritação, vermelhidão,
coceira, sensação de areia e visão embaçada.
A
doença do olho seco é uma condição multifatorial que ocorre quando há alteração
na quantidade ou na qualidade da lágrima, comprometendo a lubrificação adequada
da superfície ocular. Embora possa afetar pessoas de diferentes idades, os
sintomas tendem a ser mais percebidos em situações de baixa umidade, exposição
ao vento, ambientes climatizados e após longos períodos diante de computadores,
celulares e tablets.
No
Brasil, um estudo nacional com participantes das cinco regiões do país apontou
prevalência geral de 12,8% de olho seco autorreferido. Já o São Paulo Dry Eye Study,
publicado nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, estimou prevalência de
24,4% para sintomas graves e/ou diagnóstico clínico da doença na amostra
analisada.
“Durante
o inverno, muitas pessoas percebem aumento do desconforto ocular porque a
lágrima evapora com mais facilidade em ambientes secos, frios ou climatizados.
O olho seco pode parecer apenas um incômodo passageiro, mas, quando os sintomas
são frequentes, merece avaliação oftalmológica, porque pode afetar a qualidade
visual, a rotina e o bem-estar do paciente”, explica o Dr. Celso Cunha (CRM MT
2934), oftalmologista e consultor da HOYA
Vision Care, multinacional
japonesa líder em soluções ópticas de alta tecnologia.
Sintomas mais comuns
O
olho seco pode se manifestar de diferentes formas. Entre os sinais mais
frequentes estão ardência, vermelhidão, sensação de corpo estranho ou areia nos
olhos, coceira, lacrimejamento reflexo, sensibilidade à luz, visão embaçada e
desconforto ao usar lentes de contato.
Segundo
o especialista, um dos erros comuns é ignorar sintomas persistentes ou tentar
resolver o desconforto sem orientação médica. “Nem toda irritação ocular é
igual. Em alguns casos, o ressecamento pode estar associado a alergias,
inflamações nas pálpebras, alterações hormonais, uso de medicamentos, doenças
sistêmicas ou hábitos do dia a dia. Por isso, a avaliação é importante para
identificar a causa e indicar a conduta mais adequada”, afirma o Dr. Celso.
Telas e redução do piscar
O
uso prolongado de telas também pode contribuir para o desconforto ocular. Ao
olhar fixamente para computadores, celulares e tablets, a tendência é piscar
menos vezes e de forma incompleta, o que interfere na distribuição da lágrima
sobre a superfície dos olhos. O relatório TFOS Lifestyle, publicado em 2023,
aponta a redução da frequência e da qualidade do piscar entre os mecanismos
associados ao impacto do ambiente digital na superfície ocular.
“Para
reduzir o desconforto visual, uma medida simples é fazer pausas regulares
durante o uso de telas. Para quem utiliza lentes oftálmicas e sofre com olho
seco, lentes com filtro azul podem proporcionar mais conforto nas atividades
realizadas em dispositivos digitais. Após períodos prolongados de concentração
visual, recomenda-se desviar o olhar para pontos mais distantes, piscar de
forma consciente e ajustar a posição do monitor para evitar esforço excessivo.
Também é importante manter uma boa iluminação no ambiente e evitar que o fluxo
direto de ar-condicionado, ventilador ou aquecedor seja direcionado ao rosto”,
destaca o consultor da HOYA Vision Care.
Cuidados que ajudam a aliviar o desconforto
Alguns
hábitos podem ajudar a reduzir a sensação de olho seco no inverno. Manter boa hidratação,
evitar coçar os olhos, higienizar as mãos antes de tocar a região ocular,
reduzir a exposição direta ao vento e a ambientes muito secos e usar óculos de
sol com proteção UV em locais externos são medidas importantes para proteger a
superfície ocular.
Em
ambientes internos, o uso de umidificadores pode contribuir para melhorar o
conforto, especialmente em períodos de baixa umidade. O Instituto Nacional de
Meteorologia classifica avisos de baixa umidade quando os índices ficam entre
30% e 20%, condição que pode aumentar desconfortos respiratórios e, também,
favorecer irritações em mucosas, incluindo os olhos.
O
uso de lágrimas artificiais também pode ser indicado, mas deve ser feito com
orientação de um oftalmologista. “Colírios lubrificantes podem aliviar os sintomas,
mas é importante evitar a automedicação. Alguns produtos têm conservantes ou
componentes que não são adequados para todos os casos. O ideal é que o paciente
seja avaliado para receber a indicação mais segura”, orienta o médico.
Quando procurar um oftalmologista
A
recomendação é buscar atendimento quando os sintomas são frequentes, intensos
ou persistem mesmo após ajustes de rotina. Vermelhidão importante, dor,
secreção, piora da visão, sensibilidade à luz ou desconforto contínuo também
devem ser avaliados por um especialista.
“O
acompanhamento oftalmológico é essencial não apenas para tratar o desconforto,
mas para entender o que está por trás dos sintomas. Cuidar da saúde ocular no
inverno envolve atenção ao ambiente, aos hábitos e aos sinais que o próprio
corpo apresenta. Quanto mais cedo o paciente procura orientação, maiores são as
chances de controlar o quadro e preservar a qualidade visual”, finaliza o Dr.
Celso.
HOYA Corporation
www.hoya.com
HOYA Vision Care
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