Especialista destaca a importância da massa
muscular para a saúde feminina após os 40 anos e desmistifica dietas
restritivas
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Com
a chegada dos 40 anos, muitas mulheres percebem mudanças significativas no
corpo. O peso aumenta com mais facilidade, a disposição diminui e tarefas
cotidianas exigem maior esforço. Embora a menopausa seja frequentemente
apontada como a única responsável, a ciência revela um cenário mais complexo,
envolvendo alterações hormonais, a perda progressiva de massa muscular e
mudanças metabólicas.
Conhecido
como sarcopenia, o processo natural de redução da massa muscular se intensifica
durante a perimenopausa e a menopausa devido à queda dos níveis de estrogênio.
Como o músculo é um dos tecidos que mais consome energia, sua diminuição reduz
o gasto energético diário, favorecendo o acúmulo de gordura corporal,
especialmente na região abdominal.
Segundo
a nutricionista Mari Escobar, especialista em alimentação funcional e saúde da
mulher, esse contexto explica por que tantas pacientes chegam ao consultório
acreditando que o metabolismo “parou”.
“Na
maioria das vezes, o metabolismo não deixou de funcionar. O que acontece é uma
combinação de fatores: alterações hormonais, perda de massa muscular, rotina
mais sedentária e alimentação desorganizada. A boa notícia é que tudo isso pode
ser trabalhado com mudanças de hábitos e não com dietas extremas”, afirma.
A Importância da proteína
Entre
as estratégias mais eficazes para preservar a massa muscular está a ingestão
adequada de proteínas ao longo do dia. O nutriente é fundamental para a
manutenção e reconstrução dos músculos, além de contribuir para a saciedade, a
recuperação pós-exercício e a manutenção da força durante o envelhecimento.
Estudos
internacionais recentes têm reforçado a necessidade de uma atenção maior ao
consumo de proteínas por mulheres acima dos 40 anos, especialmente quando
associado à prática regular de exercícios de força, como a musculação. Contudo,
Mari alerta para a desinformação.
“Existe
muita informação equivocada nas redes sociais. Não é porque a proteína é
importante que quanto mais, melhor. O objetivo é atingir uma quantidade
adequada para cada pessoa, respeitando idade, peso, rotina e estado de saúde”,
destaca a nutricionista.
O equilíbrio contra as
dietas restritivas
Outro
comportamento frequentemente observado é a adesão a dietas extremamente
restritivas. Na tentativa de emagrecer rapidamente, muitas mulheres eliminam
grupos alimentares inteiros ou reduzem drasticamente as calorias, resultando em
ingestão insuficiente de proteínas.
O
efeito pode ser o oposto do desejado, acarretando em perda de massa muscular,
redução do metabolismo e maior dificuldade para manter o peso a longo prazo.
“Não
existe alimento milagroso, nem alimento vilão. O segredo está no equilíbrio.
Comer bem não precisa significar sofrimento, culpa ou proibição”, ressalta
Escobar.
Outro
desafio é conseguir manter uma alimentação equilibrada em meio a uma rotina
agitada. Mari defende que a organização também é parte essencial do tratamento
nutricional.
“Planejamento
é uma das ferramentas mais importantes para quem quer cuidar da saúde. Quando
existe praticidade, fica muito mais fácil manter uma alimentação equilibrada
todos os dias. Meu papel é ensinar cada mulher a fazer escolhas conscientes,
entender seu corpo e construir uma relação saudável com a alimentação”, completa.
Autonomia e qualidade de
vida
Embora
a busca por perda de peso seja comum, a nutricionista enfatiza que a prioridade
deve ser a preservação da massa muscular. Envelhecer com músculos saudáveis
significa manter autonomia, equilíbrio, força e qualidade de vida por mais
tempo.
“Quando
falamos em proteína, não estamos falando apenas de emagrecer. Estamos falando
de envelhecer melhor, reduzir o risco de quedas, preservar a independência e
garantir qualidade de vida nas próximas décadas”, explica Mari.
Essa
visão alinha-se a uma mudança na nutrição moderna, que valoriza a composição
corporal, ou seja, a proporção entre músculo e gordura como um indicador mais
completo de saúde.
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