A Galeria Contempo apresenta "Aldir Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem", exposição com curadoria de Fabrício Reiner que propõe uma nova leitura da trajetória de um dos grandes pintores brasileiros da cor e do espaço. Em cartaz de 15 de agosto a 19 de setembro, a mostra aproxima a produção de Aldir Mendes de Souza do conceito de Arteônica, formulado por Waldemar Cordeiro no início dos anos 1970, evidenciando a atualidade de uma obra que articula pintura, imagem técnica, percepção e construção espacial.
Reunindo trabalhos que percorrem diferentes momentos da carreira do artista, a exposição revela como sua pesquisa transformou a paisagem em um campo de investigação visual, no qual cor, geometria, memória e tecnologia se entrelaçam. Entre referências ao cafezal, à cidade e às experiências com radiografias e termografias, Aldir construiu uma linguagem singular que continua dialogando com questões centrais da arte contemporânea.
A exposição "Aldir Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem" propõe uma nova leitura de um dos grandes pintores brasileiros da cor e do espaço. Em Aldir, a paisagem se organiza como campo de forças, como arquitetura cromática, como superfície mental em que terra, cidade, corpo e memória se transformam em planos, cortes, ritmos e estruturas.
Desde os anos 1960, Aldir construiu uma trajetória singular entre pintura, imagem técnica e investigação espacial. Sua formação médica, sua experiência com radiografias e termografias, seu interesse pelo cafezal, pela cidade e pela geometria fizeram de sua obra um laboratório visual em que o mundo físico aparece atravessado por camadas de percepção. A cor, em sua pintura, não acompanha a forma: ela conduz o espaço, abre profundidades, tensiona superfícies e transforma a paisagem em pensamento.
É nesse horizonte que a exposição aproxima Aldir da Arteônica, conceito formulado por Waldemar Cordeiro no início dos anos 1970. Para Cordeiro, a arte deveria ser pensada no campo da comunicação, da transmissão e do processamento da informação. A imagem deixava de ser apenas superfície de representação para tornar-se operação, circulação, sistema. Essa perspectiva permite reler Aldir como um artista que percebeu, pela pintura, uma condição hoje central: o espaço como campo de informação, memória e virtualidade.
A presença de Aldir nesse debate tem também um dado histórico decisivo. Em 1971, a convite de Waldemar Cordeiro, o artista apresentou trabalhos em chapas radiográficas na mostra Arteônica – Exposição Internacional de Arte Eletrônica, realizada no Museu de Arte Brasileira da FAAP. Nos anos 1960 e 1970, Aldir também desenvolveu performances e trabalhos em técnica mista, incluindo radiografias e termografias.
A exposição parte dessa história para observar como, em sua pintura posterior, Aldir continua a elaborar uma visão do espaço marcada por planos, camadas, repetições, cortes e estruturas cromáticas. O cafezal, a cidade, o horizonte e a geometria deixam de operar apenas como motivos visuais e passam a formar um campo mental e informacional. A paisagem surge como espaço em processamento.
Essa leitura dialoga com a pesquisa de Priscila Arantes, que recoloca Waldemar Cordeiro e a Arteônica no centro de uma genealogia brasileira e latino-americana da arte digital, recusando uma história pensada apenas a partir de modelos europeus e norte-americanos. Nesse sentido, Aldir pode ser compreendido como parte de uma tradição brasileira em que cor, geometria, tecnologia e percepção constituem uma inteligência visual própria.
A cor ocupa papel central nessa hipótese. Haroldo de Campos, em texto dedicado a Aldir, fala em "cor imaginante", "campos roteados de cor" e "fantasia estrutural". Para o poeta, a cor em Aldir comanda e modula o espaço, preservando o "resíduo do referente", a memória da terra arada e do cafezal.
"Aldir
Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem" apresenta, assim, uma obra situada
entre matéria e virtual, campo e interface, memória rural e imaginação técnica.
Sua pintura pressente uma condição contemporânea: a de um mundo percebido por
camadas, vibrações, códigos e presenças simultâneas.
Sobre o artista
Aldir Mendes de Souza nasceu em São Paulo, em 1941, e morreu na mesma cidade, em 2007. Formado pela Escola Paulista de Medicina, construiu uma das trajetórias mais singulares da pintura brasileira da segunda metade do século XX, articulando arte, corpo, imagem técnica, paisagem e cor. Sua produção percorreu pintura, desenho, gravura, escultura, performance, cinema experimental e trabalhos em técnica mista, aproximando sua formação médica de uma investigação visual sobre transparência, interioridade e estrutura.
Participou de importantes edições da Bienal Internacional de São Paulo entre 1967 e 1977 e integrou, em 1971, a histórica Arteônica – Exposição Internacional de Arte Eletrônica, a convite de Waldemar Cordeiro. Também realizou exposições individuais em instituições como o Museu de Arte Brasileira da FAAP, o Museu Nacional de Belas Artes, o MAC-USP, o Paço das Artes e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Sua presença em acervos como o MAM São Paulo confirma a relevância de uma produção que transformou a cor em pensamento espacial e a paisagem em um campo permanente de invenção.
A
partir de 1969, o cafeeiro e o cafezal tornaram-se elementos recorrentes de sua
pesquisa, conduzindo sua pintura da observação da paisagem à construção
geométrica e cromática. Aldir afirma-se, assim, como um dos grandes nomes da
arte brasileira ao transformar a memória da terra em construção espacial.
Imagens
em alta resolução: https://drive.google.com/drive/folders/1VdXjOiEkxYfk05xNhSLmbub5UxI1HbZp?usp=sharing
Sobre a Galeria Contempo
A
Galeria Contempo foi fundada em 2013 por Márcia, Mônica e Marina Felmanas como
uma extensão da Pró-Arte voltada ao mercado primário. Atualmente dirigida por
Márcia e Mônica, a galeria atua na valorização e projeção de artistas
emergentes e consolidados, promovendo uma programação dinâmica baseada em
pesquisa, rigor curatorial e relações duradouras com seus representados. Com
foco na formação crítica, no diálogo entre arte moderna e contemporânea e no
intercâmbio entre gerações, a Contempo busca ampliar sua atuação e fortalecer
conexões com diferentes iniciativas do circuito artístico.
Sobre Fabrício Reiner (Campinas- SP, 1981)
Curador,
pesquisador e crítico de arte, é formado em História, mestre em Filosofia e
doutorando pela USP, com especialização em Museologia na Itália. Atua desde
2005 na articulação entre pesquisa, curadoria e crítica, com foco em paisagens
culturais, fotografia e narrativas contemporâneas, desenvolvendo projetos para
importantes instituições culturais e exposições que revisitam os desdobramentos
da modernidade.
Serviço:
Galeria
Contempo
Al.
Gabriel Monteiro da Silva, 1644 Jardim América São Paulo - SP
Site:
www.galeriacontempo.com.br
E-mail:contato@galeriacontempo.com.br
Instagram:@galeriacontempo
Telefone:
+55 11 3032-5795
Whatsapp:
+55 11 97080-7273

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