Reconhecida pela Unesco ao lado do Theatro da Paz, a casa de ópera de Manaus torna-se o primeiro bem cultural do Norte brasileiro na lista; segundo dados da Civitatis, as reservas de atividades em Manaus já cresceram cerca de 49% no primeiro semestre de 2026 na comparação ano a ano
Inaugurado em 1896, no auge do ciclo da
borracha, o Teatro Amazonas passa a integrar a lista de Patrimônio Mundial da
Unesco sob a denominação “Teatros da Amazônia”
O
cartão-postal mais conhecido de Manaus acaba de ganhar um novo status. Na
madrugada de segunda-feira (27), durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio
Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul, o Teatro Amazonas foi
reconhecido como Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco, em candidatura
conjunta com o Theatro da Paz, de Belém. Sob a denominação “Teatros da
Amazônia”, os dois edifícios se tornam o primeiro bem cultural da Região Norte
a integrar a lista e a 26ª inscrição brasileira.
Para
Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis, plataforma de reserva de atividades e experiências
presente em mais de 160 países, o título deve acelerar um movimento que já
aparece nos próprios dados da empresa: a projeção da capital amazonense como
destino de turismo cultural, e não apenas como porta de entrada para a floresta.
O
reconhecimento chega em um momento de expansão do turismo no estado. Em janeiro
de 2026, dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE apontaram avanço de 4,7%
na atividade turística estadual ante dezembro.
O
ritmo se reflete na própria demanda registrada pela Civitatis em Manaus. No
primeiro semestre de 2026, o número de reservas de atividades na cidade avançou
cerca de 49% na comparação ano a ano, segundo dados internos da plataforma. E,
embora a floresta ainda concentre a maior parte da procura, os passeios pelo
centro histórico já aparecem entre os mais reservados: nos primeiros seis meses
do ano, os tours urbanos com foco no Teatro Amazonas responderam por quase um
em cada cinco reservas na cidade (18%), incluindo a visita
guiada por Manaus e ao Teatro Amazonas, ficando atrás apenas das experiências na selva e dos
passeios pelos rios Negro e Amazonas.
“Já
vínhamos observando um interesse crescente por Manaus, e o centro histórico
ganhava espaço mesmo antes do anúncio. O Teatro Amazonas sempre foi um ícone,
mas para muitos viajantes ele era um detalhe dentro de uma viagem cuja
motivação principal era a floresta. O selo da Unesco muda essa hierarquia: ele
transforma o próprio centro histórico da cidade em um motivo de viagem, e é uma
referência que o turista internacional reconhece na hora de escolher um
destino”, afirma Alexandre Oliveira.
Inaugurado
em 1896, em Manaus, o teatro nasceu como símbolo do ciclo da borracha, período
em que o látex amazônico financiou uma súbita modernização urbana no fim do
século XIX. A arquitetura inspirada na Belle Époque europeia, com mármore de
Carrara, ferro forjado e uma cúpula de telhas coloridas nas cores da bandeira
brasileira, convivia com materiais e referências da própria floresta, o que a
Unesco reconheceu como uma identidade cultural singular. Tanto o Teatro
Amazonas quanto o Theatro da Paz, eBelém, já eram tombados pelo Iphan desde a
década de 1960.
Por
que o título da Unesco importa para o turista?
Ao
contrário de um monumento isolado, o Teatro Amazonas está inserido em um centro
histórico que concentra boa parte da memória do ciclo da borracha. A poucos
passos do teatro ficam o Largo de São Sebastião, com seu calçamento ondulado, a
igreja de mesmo nome, o porto de Manaus, um dos maiores portos fluviais do
mundo, e o mercado municipal Adolpho Lisboa, de 1883, cuja estrutura de ferro
remete aos projetos de Gustave Eiffel. É esse conjunto, e não apenas a casa de
ópera, que passa a contar com o reconhecimento internacional.
Na
prática, quem visita a cidade encontra esses pontos reunidos em um mesmo
roteiro a pé, modelo que já é o terceiro tipo de experiência mais reservado
pelos clientes da Civitatis em Manaus. A visita
guiada por Manaus e ao Teatro Amazonas, oferecida pela Civitatis com guia em português, parte
justamente do Largo de São Sebastião e inclui a entrada no teatro, onde o
visitante conhece o interior revestido de mármore italiano e a história da
construção, antes de seguir pelo porto, pelo mercado Adolpho Lisboa e pelo
mirante Lúcia Almeida, de onde cidade e floresta parecem se fundir no
horizonte. O percurso dura de três horas e meia a quatro horas.
Um
cartão de visitas para o Norte do país
A
entrada do Teatro Amazonas na lista da Unesco também ajuda a reposicionar
Manaus como um centro cultural no Norte. Para o viajante que quer entender a
região além da floresta, o teatro passa a funcionar como âncora de itinerários
urbanos, que costumam ser combinados com clássicos amazônicos como a excursão ao
Encontro das Águas e tribo indígena,
fenômeno em que as águas escuras do Rio Negro correm lado a lado com as
barrentas do Solimões sem se misturar, e a excursão às
cataratas de Presidente Figueiredo,
a cerca de 100 km ao norte da capital, onde a floresta se abre em quedas d’água
e igarapés.
“Quando
um destino ganha um reconhecimento desse porte, o interesse não se limita ao
monumento em si. Ele se espalha pela cidade e pela região no entorno. Nossa
expectativa é que Manaus e Belém passem a aparecer com mais força nos
planejamentos de viagem, inclusive de estrangeiros, e que o turismo cultural
caminhe lado a lado com o turismo de natureza que já é forte no Norte”, conclui
Alexandre Oliveira.

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