Especialista alerta que a ausência de cólicas fortes faz com que o diagnóstico da doença seja tardio, sendo descoberto apenas quando o casal enfrenta a infertilidade após meses de tentativas.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a endometriose afetaafete cerca
de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo, sendo associada a até
50% dos quadros de infertilidade feminina. Embora a doença seja amplamente
reconhecida pelas intensas cólicas menstruais e dores pélvicas, existe uma
variação traiçoeira da condição que passa despercebida por anos. Trata-se da
endometriose silenciosa, um cenário em que o tecido semelhante ao endométrio se
desenvolve fora do útero sem causar os sintomas clássicos, mantendo a mulher
alheia ao problema até que o desejo de gerar um filho encontre obstáculos
inexplicáveis.
Para
muitas pacientes, a falta de desconforto físico cria uma falsa sensação de
plena saúde reprodutiva. O alarme só costuma soar após meses ou anos de
tentativas frustradas de gravidez, quando a busca por respostas médicas
finalmente revela as cicatrizes e inflamações internas. É exatamente nesse
ponto que o diagnóstico tardio cobra seu preço, exigindo investigações mais
aprofundadas para mapear um dano que evoluiu de forma invisível no organismo.
De acordo
com o ginecologista especialista na área, Dr. Michael Zarnowski, a ausência de
dor não significa ausência de gravidade. "Muitas mulheres chegam ao
consultório surpresas porque nunca sentiram uma única cólica forte na vida e,
ainda assim, apresentam focos avançados da doença. A inflamação crônica pode
alterar a anatomia das trompas, prejudicar a qualidade dos óvulos ou dificultar
a fixação do embrião no útero, tudo isso sem emitir qualquer sinal de
dor", explica o médico.
Essa
desconexão entre a intensidade do sintoma e a extensão da lesão ocorre porque a
dor na endometriose depende da localização dos focos em relação às terminações
nervosas, e não necessariamente da quantidade de tecido inflamado. Assim,
lesões situadas em áreas menos sensíveis podem crescer livremente e comprometer
órgãos vitais para a reprodução sem despertar o alerta doloroso que levaria a
mulher ao consultório mais cedo.
Diante
desse cenário, o especialista reforça que a dificuldade para conceber deve ser
investigada com rigor, independentemente do histórico de dor. "Se um casal
está tentando engravidar há 12 meses sem sucesso, ou seis meses, caso a mulher
tenha mais de 35 anos, a pesquisa detalhada para endometriose precisa entrar no
radar. Exames de imagem específicos, como a ultrassonografia com preparo
intestinal ou a ressonância magnética feita por profissionais capacitados, são
essenciais para identificar o problema a tempo de intervir", destaca
Zarnowski.
O tratamento varia conforme a extensão das lesões e a urgência do casal, podendo envolver desde a cirurgia de remoção dos focos até a indicação para fertilização in vitro. O passo fundamental é quebrar o mito de que doença no útero sempre manda aviso: checar a anatomia pélvica de forma preventiva evita que o tempo passe e a inflamação comprometa as chances de uma gestação natural.
Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose.
instagram: @drmichaelzarnowski
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