A medicina reprodutiva e a genética estão transformando a forma como as mulheres planejam a maternidade, permitindo decisões mais conscientes e personalizadas
A maternidade deixou de seguir um roteiro pré-definido. Cada vez mais mulheres
optam por adiar a chegada dos filhos para investir na carreira, conquistar
estabilidade financeira, viajar ou simplesmente esperar o momento certo para
formar uma família.
Essa mudança de comportamento também é observada no Brasil. Dados do IBGE¹
mostram que as brasileiras têm adiado a maternidade nas últimas décadas, com
aumento dos nascimentos entre mulheres de 35 anos ou mais e redução das
gestações nas faixas etárias mais jovens, refletindo uma transformação no
perfil reprodutivo do país.
O cenário reforça uma nova realidade para a saúde da mulher: entender como a
fertilidade se transforma com o passar dos anos e conhecer ferramentas, como a
avaliação genética, que podem contribuir para um planejamento reprodutivo
personalizado.
Para a Dra. Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista da Dasa, líder em
medicina diagnóstica no Brasil, esse movimento representa uma mudança
importante na forma como as mulheres enxergam a saúde. " Informação é um
dos principais aliados do planejamento reprodutivo. Hoje a mulher quer
participar das decisões sobre sua fertilidade. Ela não procura o ginecologista
apenas quando deseja engravidar, mas para entender quais são suas
possibilidades no futuro.
"A idade continua sendo um dos principais fatores da fertilidade
Embora os avanços da medicina tenham ampliado as possibilidades para quem
deseja engravidar mais tarde, o envelhecimento dos ovários continua sendo um
processo natural. A ginecologista Martha Calvente, do Núcleo de Medicina Fetal
do Alta Diagnósticos do Rio de Janeiro, explica que, a partir dos 35 anos, há
uma redução mais acelerada da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos, o que
pode diminuir as chances de gestação espontânea e aumentar o risco de
alterações cromossômicas nos embriões.Isso, porém, não significa que todas as
mulheres terão dificuldades para engravidar nessa fase.
"Cada mulher envelhece de maneira diferente. Existem pacientes com
excelente reserva ovariana aos 39 anos e outras que apresentam uma redução
importante antes dos 35. Por isso, olhar apenas para a idade pode ser insuficiente",
afirma Martha.
A genética entra como aliada do planejamento
É nesse cenário que a genética tem ganhado espaço na medicina reprodutiva e,
além dos exames hormonais e da avaliação clínica, testes genéticos podem
identificar alterações hereditárias relacionadas à infertilidade, insuficiência
ovariana precoce, falhas de implantação embrionária, abortamentos recorrentes e
outras condições que podem interferir na fertilidade.
Segundo Manoel Orlando, especialista do Núcleo de Fertilidade da Dasa, a genética
também permite que casais conheçam previamente o risco de transmitir
determinadas doenças hereditárias aos filhos. "A genética amplia nossa
capacidade de personalizar o cuidado.
Ela não determina se uma mulher conseguirá ou não engravidar, mas pode
identificar fatores importantes para que o planejamento aconteça com mais
segurança e menos incertezas."Outro recurso cada vez mais utilizado é o
teste de compatibilidade genética entre casais, capaz de identificar se ambos
são portadores de variantes associadas às mesmas doenças hereditárias
recessivas, informação que pode orientar o planejamento reprodutivo.
Planejamento reprodutivo começa muito antes da gravidez
Especialistas reforçam que cuidar da fertilidade não significa apenas tentar
engravidar e avaliar a reserva ovariana, investigar o histórico familiar,
manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas e, quando indicado,
realizar exames genéticos são estratégias que ajudam a preservar a saúde
reprodutiva e permitem decisões mais conscientes. Além disso, a Dra. Ana
Glauce, Ginecologista do laboratório Exame, no Distrito Federal, explica: “O
congelamento de óvulos vem se consolidando como uma alternativa para mulheres
que desejam adiar a maternidade sem renunciar à possibilidade de utilizar óvulos
coletados em uma fase de maior potencial reprodutivo”.
Quando vale a pena procurar orientação?
A consulta com um especialista não deve acontecer apenas quando surgem
dificuldades para engravidar. Afinal, mulheres que desejam conhecer melhor sua
fertilidade, entender sua reserva ovariana ou planejar a maternidade para os
próximos anos também podem se beneficiar de uma avaliação preventiva."Conhecer
a própria fertilidade é uma forma de ampliar possibilidades.
Quanto mais cedo a mulher entende seu momento reprodutivo, mais autonomia ela
tem para decidir quando e como deseja construir sua família", afirma
Glauce.Manoel Orlando complementa: "O objetivo da medicina reprodutiva não
é criar ansiedade, mas oferecer informação de qualidade para que cada mulher
faça escolhas alinhadas ao seu projeto de vida."
Referência:
Link
Nenhum comentário:
Postar um comentário