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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Como a genética pode ajudar no planejamento das mulheresque decidiram ter filhos após os 35 anos de idade

A medicina reprodutiva e a genética estão transformando a forma como as mulheres planejam a maternidade, permitindo decisões mais conscientes e personalizadas


A maternidade deixou de seguir um roteiro pré-definido. Cada vez mais mulheres optam por adiar a chegada dos filhos para investir na carreira, conquistar estabilidade financeira, viajar ou simplesmente esperar o momento certo para formar uma família.

Essa mudança de comportamento também é observada no Brasil. Dados do IBGE¹ mostram que as brasileiras têm adiado a maternidade nas últimas décadas, com aumento dos nascimentos entre mulheres de 35 anos ou mais e redução das gestações nas faixas etárias mais jovens, refletindo uma transformação no perfil reprodutivo do país.

O cenário reforça uma nova realidade para a saúde da mulher: entender como a fertilidade se transforma com o passar dos anos e conhecer ferramentas, como a avaliação genética, que podem contribuir para um planejamento reprodutivo personalizado.

Para a Dra. Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil, esse movimento representa uma mudança importante na forma como as mulheres enxergam a saúde. " Informação é um dos principais aliados do planejamento reprodutivo. Hoje a mulher quer participar das decisões sobre sua fertilidade. Ela não procura o ginecologista apenas quando deseja engravidar, mas para entender quais são suas possibilidades no futuro.



"A idade continua sendo um dos principais fatores da fertilidade

Embora os avanços da medicina tenham ampliado as possibilidades para quem deseja engravidar mais tarde, o envelhecimento dos ovários continua sendo um processo natural. A ginecologista Martha Calvente, do Núcleo de Medicina Fetal do Alta Diagnósticos do Rio de Janeiro, explica que, a partir dos 35 anos, há uma redução mais acelerada da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos, o que pode diminuir as chances de gestação espontânea e aumentar o risco de alterações cromossômicas nos embriões.Isso, porém, não significa que todas as mulheres terão dificuldades para engravidar nessa fase.

"Cada mulher envelhece de maneira diferente. Existem pacientes com excelente reserva ovariana aos 39 anos e outras que apresentam uma redução importante antes dos 35. Por isso, olhar apenas para a idade pode ser insuficiente", afirma Martha.



A genética entra como aliada do planejamento

É nesse cenário que a genética tem ganhado espaço na medicina reprodutiva e, além dos exames hormonais e da avaliação clínica, testes genéticos podem identificar alterações hereditárias relacionadas à infertilidade, insuficiência ovariana precoce, falhas de implantação embrionária, abortamentos recorrentes e outras condições que podem interferir na fertilidade.

Segundo Manoel Orlando, especialista do Núcleo de Fertilidade da Dasa, a genética também permite que casais conheçam previamente o risco de transmitir determinadas doenças hereditárias aos filhos. "A genética amplia nossa capacidade de personalizar o cuidado.

Ela não determina se uma mulher conseguirá ou não engravidar, mas pode identificar fatores importantes para que o planejamento aconteça com mais segurança e menos incertezas."Outro recurso cada vez mais utilizado é o teste de compatibilidade genética entre casais, capaz de identificar se ambos são portadores de variantes associadas às mesmas doenças hereditárias recessivas, informação que pode orientar o planejamento reprodutivo.



Planejamento reprodutivo começa muito antes da gravidez

Especialistas reforçam que cuidar da fertilidade não significa apenas tentar engravidar e avaliar a reserva ovariana, investigar o histórico familiar, manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas e, quando indicado, realizar exames genéticos são estratégias que ajudam a preservar a saúde reprodutiva e permitem decisões mais conscientes. Além disso, a Dra. Ana Glauce, Ginecologista do laboratório Exame, no Distrito Federal, explica: “O congelamento de óvulos vem se consolidando como uma alternativa para mulheres que desejam adiar a maternidade sem renunciar à possibilidade de utilizar óvulos coletados em uma fase de maior potencial reprodutivo”.



Quando vale a pena procurar orientação?

A consulta com um especialista não deve acontecer apenas quando surgem dificuldades para engravidar. Afinal, mulheres que desejam conhecer melhor sua fertilidade, entender sua reserva ovariana ou planejar a maternidade para os próximos anos também podem se beneficiar de uma avaliação preventiva."Conhecer a própria fertilidade é uma forma de ampliar possibilidades.

Quanto mais cedo a mulher entende seu momento reprodutivo, mais autonomia ela tem para decidir quando e como deseja construir sua família", afirma Glauce.Manoel Orlando complementa: "O objetivo da medicina reprodutiva não é criar ansiedade, mas oferecer informação de qualidade para que cada mulher faça escolhas alinhadas ao seu projeto de vida."

 


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