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A poucos meses da prova, considerada a principal porta de entrada para a graduação no Brasil, profissionais da educação dão orientações valiosas aos candidatos
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está
cada vez mais próximo e, no dia 31 de julho, faltarão apenas cem dias de
preparação para a prova, considerada a principal forma de acesso ao ensino
superior no Brasil. São meses de estudo intensificado e de treino com questões
de edições anteriores e os estudantes também podem contar com dicas de
profissionais da educação para prestarem o exame com mais confiança e tranquilidade.
A edição deste ano manterá a estrutura de exames
anteriores. São 180 questões alternativas divididas em dois domingos: dias 8 e
15 de novembro de 2026. No primeiro, serão aplicadas as provas das áreas de
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e a
redação, em formato dissertativo-argumentativo. Já na segunda aplicação, os
conteúdos cobrados serão Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e
suas Tecnologias.
Portanto, os candidatos devem aproveitar cada segundo
para estudar e aprender. Abaixo, veja dicas de especialistas para se preparar
nos últimos meses que antecedem o Enem. As orientações abordam desde a
organização do estudo até recomendações para diferentes disciplinas. Confira!
1.Organize
o cronograma de estudos para os 100 dias finais
O cronograma ajuda a equilibrar estudo, lazer e
descanso, organizar o tempo e reduzir a ansiedade, já que o estudante ganha
clareza sobre o que estudar e quando relaxar. Para Samuel Altieri, coordenador
do Ensino Médio do Colégio Anglo Alante Araras, o primeiro passo para a
elaboração é definir prioridades, considerando dificuldades pessoais e o peso
de cada matéria no exame. Outro ponto fundamental é adaptar o cronograma à
rotina, reservando os horários mais produtivos para conteúdos difíceis e os
mais leves para revisões.
Segundo o coordenador, também é importante
estabelecer metas de curto e longo prazo, priorizando matérias e tópicos com
maior peso ou dificuldade. Além disso, a extensão da prova, aliada ao elevado número
de questões e aos textos de apoio, faz com que o exame seja bastante exaustivo.
Nesse contexto, João Mendes, Coordenador Pedagógico de Matemática do Ensino
Médio da Escola Móbile, alerta que uma preparação prévia adequada faz toda a
diferença. "Realizar simulados como provas anteriores do próprio Enem — ou
com avaliações elaboradas no mesmo formato — é uma das formas mais eficazes de
desenvolver resistência física e mental”, recomenda.
2.Saiba
controlar a ansiedade até a prova
O aumento da ansiedade e do estresse nesse
período é natural, mas é preciso controlar os estímulos estressores. De acordo
com Juliana Gois, orientadora educacional de apoio à aprendizagem do Colégio
Rio Branco, é necessário cuidar do que está ao seu alcance e incluir na rotina
a tríade bons hábitos alimentares, sono regular e prática de atividade física.
“A organização permite um espaço para relaxar que te favorecerá tanto na
aprendizagem quanto na sensação de bem-estar", recomenda a educadora.
“Portanto, busque respirar fundo e fazer o seu melhor nos momentos de estudo,
mas tenha também a certeza de que não se trata de um momento ‘tudo ou nada’ e,
sim, de mais uma etapa”, aconselha Juliana.
Além disso, técnicas de meditação, relaxamento e
exercícios de respiração ajudam a trazer a atenção para o momento presente. O
coordenador pedagógico na FourC Bilingual Academy, Arthur Bertagia de Souza,
destaca a importância de um bom controle no processo respiratório para diminuir
o turbilhão de pensamentos que costuma surgir durante uma prova. “Um método
simples é respirar profundamente, segurar o ar por quatro segundos, soltá-lo
por quatro segundos e repetir o processo”, indica.
3.Teste
o conhecimento adquirido e conheça a prova por meio de simulados
Especialistas sinalizam que a melhor maneira de
entender como a prova do Enem funciona é respondendo questões de edições
anteriores ou por meio de simulados. Segundo Thiago Braga, autor de Língua
Portuguesa do Sistema de Ensino pH, nos últimos meses que antecedem a prova, os
simulados tornam-se o melhor termômetro do que ainda precisa de ajuste na
preparação. “O ideal é refazer cada questão em que houve erro na resposta e
registrar o motivo do equívoco, organizando tudo em um caderno. Em Linguagens,
por exemplo, esse hábito revela se a falha está no repertório, na desatenção ou
na pressa durante a leitura”, destaca.
Os simulados ajudam o estudante a conhecer o
modelo de prova. De acordo com Leandro Megna, professor de Língua Portuguesa no
Ensino Médio e no Pré-vestibular do Colégio Ábaco, ao reproduzir as condições
do Enem, os simulados ajudam a desenvolver estratégias de administração do
tempo, resistência física e mental, além de revelar quais habilidades já estão
consolidadas e quais ainda precisam de atenção. “Mais importante do que a nota obtida
em um simulado é a análise dos resultados. Compreender por que determinada
alternativa estava incorreta é mais útil do que somente assinalar a correta”,
afirma.
4.Saiba
como funciona o modelo de correção do exame
Por não considerar como único critério o acerto
ou erro do candidato, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo de avaliação
do Enem, se diferencia do formato tradicional de correção. O professor de
História e líder pedagógico da Plataforma Amplia, Francisco Moreira Júnior,
explica que mais do que a quantidade de respostas corretas, nessa metodologia
são levados em conta elementos como a consistência e a coerência em relação aos
acertos.
O educador também exemplifica que duas pessoas que
acertam 30 questões podem ter notas diferentes. Isso acontece porque a TRI
avalia três parâmetros em cada questão: o poder de discriminação (a capacidade
da questão de diferenciar candidatos com habilidades diferentes), o nível de
dificuldade e a probabilidade de acerto ao acaso (o chute). "Por conta
desse modelo complexo de correção, dificilmente um candidato conseguirá
calcular sozinho a sua nota", explica.
5.Prepare-se
para a Redação de forma estratégica
Além da preparação física, mental e emocional
exigida para um desafio como o Enem, os especialistas também reforçam os
principais pontos a serem trabalhados para se preparar de maneira qualificada
para a redação.
Para alcançar uma pontuação satisfatória, o
estudante precisa compreender que a produção textual para o Enem não depende
apenas de inspiração, mas de atender aos critérios exigidos pela prova. É o que
diz a autora de Redação do Fibonacci Sistema de Ensino, Mara Coura Linhares.
Ela destaca a importância de manter um cronograma de estudos focado também na
produção de redações em formato dissertativo-argumentativo. Outro ponto
estratégico, segundo ela, é que os repertórios socioculturais são muito
importantes no Enem e podem ser usados em diferentes temas solicitados. Por
isso, a dica é escolher os melhores de cada assunto, anotar e estudar para
usá-los com propriedade na redação.
Assim, para se aproximar da nota máxima, o
candidato deve ter repertório. “Construir um repertório de qualidade é
imprescindível para escrever uma redação competitiva, capaz de mobilizar
conhecimentos diversos e sustentar a argumentação apresentada”, comenta Laura
Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de
Educação Básica da SOMOS Educação.
Nesse processo, a leitura destaca-se como uma
aliada essencial para atender às exigências dos vestibulares e fortalecer a
escrita. Clássicos como o Opúsculo humanitário & Conselhos à minha filha,
de Nísia Floresta (Editora Ática); A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães
(Editora Ática) e o Auto da barca do Inferno, de Gil Vicente (Editora Saraiva)
podem ajudar não só a responder as questões de Língua Portuguesa, mas também a
elaborar uma argumentação mais crítica e embasada.
Já a professora de Redação do Colégio Nini
Mourão, parceiro da Rede Pitágoras, Thaís Oliveira, destaca que o aprendizado
vem do entendimento e da compreensão sobre as próprias dificuldades. Desse
modo, ela orienta a prática constante da produção textual. “Escreva, corrija e
reescreva: sempre reveja quais são os seus erros e corrija-os ao passar seu
texto a limpo”, sugere.
6.Saiba
as características das questões de língua estrangeira do exame
Ter aptidão para identificar palavras-chave,
reconhecer cognatos e entender o sentido geral do texto são essenciais para as
questões do idioma inglês no Enem, tendo em vista que o Reading –
leitura – é a única das quatro habilidades do inglês a ser exigida no exame. O assessor
pedagógico do programa de ensino bilíngue Eduall, Anderson Juwer, destaca que é
por meio da leitura no idioma que o estudante terá o melhor preparo. “É
importante praticar todos os dias, mesmo que por pouco tempo. Uma rotina de
leitura frequente e de revisão de vocabulário básico ajudam no aumento da
eficiência no exame”, comenta.
Além disso, Juwer indica que as questões do Enem
geralmente trazem textos reais do cotidiano, como notícias, tirinhas, anúncios,
letras de músicas e posts de redes sociais, portanto, é importante focar na
interpretação, na compreensão da ideia central, da intenção do autor e do
contexto.
7.Estude
os conteúdos mais cobrados em Matemática
Nos 100 dias que antecedem o Enem, é importante
que os estudantes priorizem a revisão dos conteúdos que historicamente
apresentam maior incidência na prova. Em Matemática são cobradas questões de
porcentagem, razão e proporção, análise de gráficos e tabelas, estatística,
probabilidade, funções e geometria. No entanto, Jalman Lima, gestor de Negócios
Acadêmicos da CASIO Educação, destaca que tão importante quanto revisar esses
temas é compreender como eles são aplicados em situações reais, já que o Enem
valoriza a interpretação, a análise de informações e a resolução de problemas
contextualizados. “Mais do que memorizar fórmulas, o estudante deve buscar
entender os conceitos por trás de cada conteúdo e praticar questões de provas
anteriores”, orienta.
A prova de
Matemática do Enem costuma exigir que o candidato identifique estratégias,
interprete dados e tome decisões a partir de informações apresentadas em
diferentes formatos. “Por isso, desenvolver o raciocínio matemático e a
capacidade de resolver problemas é um diferencial tão importante quanto dominar
os conteúdos mais cobrados”, conclui.

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