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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Maio Roxo: os alimentos que protegem o intestino e cabem no prato do dia a dia

Consumo de ultraprocessados eleva em até 86% o risco de doenças inflamatórias intestinais; nutricionista elenca os alimentos mais acessíveis para proteger o intestino
 

O Brasil enfrenta uma emergência silenciosa. Na última década, a prevalência de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) cresceu cerca de 15% ao ano no país. A Doença de Crohn, especificamente, avança 12% ao ano, fenômeno impulsionado pela urbanização e por mudanças no padrão alimentar. Para completar o cenário, dados científicos de 2025 revelam que o consumo de alimentos ultraprocessados eleva em até 86% o risco de desenvolver essas condições.
 

No Maio Roxo, mês internacional de conscientização sobre as DIIs, o debate vai além do manejo dos sintomas. A incidência já chega a 100 casos para cada 100 mil habitantes, e o foco precisa ir também para a prevenção, a partir de escolhas alimentares conscientes, o que o nutricionista Diego Righi, professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, chama de "alfabetização alimentar".
 

"A base da saúde intestinal não está em alimentos caros ou da moda, mas em regularidade, variedade de plantas, boa hidratação e menor consumo de ultraprocessados", resume Righi, que baseia suas orientações em diretrizes de nutrição clínica e protocolos de gastroenterologia. Ele elencou os alimentos mais acessíveis e eficazes para cuidar do intestino no cotidiano brasileiro.
 

Feijão
 

Barato, versátil e rico em fibras, o feijão é o protagonista da lista. Para Righi, ele merece destaque especial. "A combinação arroz, feijão, salada e legumes cozidos segue sendo uma das formas mais simples de cuidar do intestino no dia a dia", afirma.
 

Aveia
 

Fonte de fibra, a aveia pode ser incorporada de forma simples: uma colher de sopa no café da manhã já é um bom começo para quem ainda não tem o hábito.
 

Frutas com casca ou bagaço
 

Banana, mamão e laranja com bagaço são aliadas da saúde intestinal e estão entre as frutas mais acessíveis do país. Righi recomenda priorizá-las sempre que houver boa tolerância.
 

Legumes e verduras
 

No prato ou como acompanhamento, legumes cozidos e verduras frescas entram na lista de alimentos essenciais para o intestino. A variedade é tão importante quanto a frequência.
 

Leguminosas variadas
 

Lentilha e grão-de-bico complementam o feijão como fontes de fibras. Variar entre elas ao longo da semana ajuda a diversificar a microbiota intestinal.

 

Mandioca e batata-doce
 

Alimentos tradicionais da cozinha brasileira e ricos em fibras, mandioca e batata-doce são opções nutritivas e de fácil preparo para incluir nas refeições principais.
 

Linhaça e chia
 

Uma colher de chá de chia hidratada já representa um acréscimo relevante de fibras na dieta.


Linhaça e chia podem ser adicionadas a iogurtes, sucos ou preparações salgadas.
 

Iogurte natural ou kefir
 

Para quem tolera lácteos, iogurte natural e kefir são fontes de probióticos que colaboram com o equilíbrio da microbiota intestinal.
 

Como incluir mais fibras sem desconforto
 

A principal recomendação de Righi para quem quer melhorar a saúde intestinal é uma mudança por vez. "Em vez de mudar tudo de uma vez, comece com uma estratégia simples por semana: uma fruta a mais no dia, uma colher de sopa de aveia, duas colheres de feijão no almoço, legumes cozidos no jantar ou uma colher de chá de chia hidratada", orienta. 

Beber água e mastigar bem são partes indispensáveis do processo. Quando o consumo de fibras aumenta rapidamente, sem hidratação e sem adaptação, surgem gases, distensão e desconforto. As diretrizes de gastroenterologia indicam que a introdução deve ser gradual, ao longo de semanas, não em poucos dias.
 

Os erros mais comuns 

Righi aponta dois equívocos recorrentes entre os pacientes. O primeiro é apostar em soluções isoladas. "O maior erro é tentar resolver o intestino com um produto isolado, como probiótico, chá, shot ou suplemento, enquanto a rotina segue pobre em fibras, água e comida de verdade", afirma.

O segundo é cortar alimentos sem avaliação profissional. "Algumas pessoas retiram feijão, leite, glúten, frutas, saladas e diversos vegetais por conta própria. Em alguns casos, isso até reduz sintomas por alguns dias, mas também empobrece a dieta e dificulta a recuperação da diversidadealimentar", explica. 

Em doenças como Crohn e retocolite ulcerativa, o alerta é ainda mais importante: a conduta precisa respeitar a fase da doença, os sintomas, a presença de estenoses, os exames e o risco de desnutrição. "A orientação atual reforça uma dieta individualizada, com atenção à tolerância e ao estado nutricional", acrescenta Righi.
 

O hábito que transforma 

Se pudesse dar apenas uma recomendação, Righi escolheria colocar uma fonte de fibra em todas as refeições principais, todos os dias. "Na prática, isso significa manter o prato com feijão ou outra leguminosa, legumes ou verduras e uma fruta ao longo do dia. Não precisa ser perfeito. Precisa ser constante. O intestino responde melhor à rotina do que a soluções pontuais", conclui.

Fibras alimentares ajudam no volume das fezes, no trânsito intestinal e na produção de ácidos graxos de cadeia curta, substâncias formadas pela microbiota intestinal que participam da saúde da mucosa e da regulação imunológica. 


Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br.

 

Referências: 

¹ GEDIIB (Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal no Brasil): Dados sobre a
epidemiologia das DII no Brasil. Detalhes em: gediib.org.br/epidemiologia-das-dii-no-brasil

² Estudo de Coorte (Plataforma BVS/LILACS): Pesquisa sobre o impacto de alimentos
ultraprocessados na inflamação intestinal. Detalhes em:
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1285918

³ Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira (Edição Completa). Detalhes em:
bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf


 

Maternidade como decisão: por que a fertilidade ainda escapa ao planejamento e como a IA quer mudar isso

Mulheres têm cada vez mais autonomia para decidir quando ser mães, mas ainda tomam decisões com base em estimativas generalistas. A pergunta agora é: com quais dados essa escolha está sendo feita?

 

No contexto do Dia das Mães, a discussão sobre fertilidade ganha novos contornos. Antes da maternidade celebrada no mês de maio, existe uma jornada muitas vezes invisível, marcada por decisões complexas, expectativas e, frequentemente, falta de informação. À medida que a medicina reprodutiva evolui, cresce também a demanda por ferramentas que ajudem a transformar essa jornada em algo mais transparente. 

Atualmente, planejar a maternidade nunca foi tão possível e, ao mesmo tempo, tão incerto. Cada vez mais, as mulheres estão tomando decisões mais intencionais e individualizadas sobre se e quando desejam se tornar mães. Mas, quando a questão está relacionada à fertilidade, muitas ainda enfrentam uma limitação relevante: boa parte das decisões continuam baseadas em médias populacionais, e não em dados individuais.  

A idade segue sendo o principal parâmetro utilizado para estimar o potencial reprodutivo feminino. No entanto, embora seja um fator importante, ela não captura a variabilidade entre mulheres. Esse cenário se torna ainda mais evidente em processos como o congelamento de óvulos ou a fertilização in vitro (FIV). Hoje, é comum que pacientes recebam informações sobre a quantidade de óvulos coletados, mas tenham pouca visibilidade sobre o potencial individual de cada um deles, um dado que pode influenciar decisões importantes ao longo do tratamento. 

É nesse ponto que a tecnologia começa a ganhar espaço. A empresa canadense Future Fertility desenvolveu uma plataforma baseada em inteligência artificial capaz de analisar imagens de óvulos captadas em laboratório e identificar padrões associados ao seu potencial reprodutivo. A tecnologia fornece insights personalizados e orientados por dados sobre as chances de sucesso da paciente, com base na análise dos seus próprios óvulos. Embora esses insights não representem uma garantia, eles oferecem uma camada adicional de informação para apoiar médicos e pacientes na tomada de decisões mais informadas.  

“Hoje, as mulheres têm mais opções do que nunca para decidir se e quando querem se tornar mães. O próximo passo é garantir que essas decisões sejam apoiadas por dados relevantes e individualizados”, afirma Christy Prada, CEO da Future Fertility. “Toda paciente merece dados objetivos – não apenas uma estimativa – para apoiar decisões melhores em momentos críticos do seu cuidado. Embora a tecnologia não substitua os aspectos pessoais dessa jornada, ela pode ajudar a reduzir a incerteza e trazer mais clareza ao longo do caminho.” 

Na prática, após a coleta, os óvulos são fotografados em alta resolução, enquanto são rotineiramente observados ao microscópio como parte da prática padrão do laboratório. A partir dessas imagens, algoritmos treinados com milhares de dados identificam padrões morfológicos imperceptíveis ao olho humano, associados ao potencial de desenvolvimento daquele óvulo. E a ferramenta emite dois tipos de relatórios: o VIOLET™ e o MAGENTA™. Embora utilizem a mesma base tecnológica, os dois relatórios respondem a momentos diferentes da jornada.
O VIOLET™ é voltado para mulheres que estão congelando óvulos. Ele oferece uma análise individual de cada óvulo vitrificado e estima seu potencial futuro de desenvolvimento, ajudando a responder uma pergunta prática: quais são as chances de ter um bebê a partir desse grupo específico de óvulos que foi congelado? Em vez de apenas informar quantos óvulos foram congelados, o relatório adiciona uma camada de interpretação sobre a qualidade desse “estoque”, permitindo decisões mais informadas sobre a necessidade – ou não – de novos ciclos. 

Já o MAGENTA™ é aplicado em ciclos de FIV e foca no desempenho dos óvulos dentro do tratamento. O relatório atribui uma pontuação individual a cada óvulo, correlacionada à probabilidade de ele se desenvolver até o estágio de blastocisto, etapa crítica para a formação de embriões viáveis. Essas informações ajudam médicos e pacientes a interpretar resultados do ciclo atual e a ajustar estratégias futuras, especialmente em casos de tentativas anteriores sem sucesso. 

Diferentemente de testes invasivos ou intervenções adicionais, a tecnologia da Future Fertility está integrada ao fluxo de trabalho já existente no laboratório, utilizando imagens capturadas como parte da observação rotineira dos oócitos ao microscópio. “O objetivo não é garantir resultados, mas oferecer maior visibilidade sobre a qualidade dos óvulos em um momento crítico – ajudando médicos e pacientes a tomar decisões mais informadas com dados que antes não estavam disponíveis", explica Christy Prada. 

O avanço da inteligência artificial na fertilidade aponta para uma mudança de paradigma: sair de uma lógica baseada apenas em probabilidade e caminhar em direção a uma abordagem mais personalizada, em que cada decisão pode ser formada pelos próprios dados da paciente. 

 

Future Fertility - empresa canadense de biotecnologia médica e Inteligência Artificial (IA), fundada em 2018 e sediada em Toronto. Foi a primeira empresa no mundo a desenvolver um software de IA clinicamente validado capaz de avaliar o potencial reprodutivo dos oócitos humanos por meio da análise de imagens e dados. Sua plataforma fornece informações não invasivas, objetivas e personalizadas sobre a qualidade ovocitária, apoiando a tomada de decisões em tratamentos de fertilidade por meio dos relatórios VIOLET™ (congelamento de óvulos), MAGENTA™ (FIV) e ROSE™ (programas de doação de óvulos).


Maternidade após o câncer de mama: entre o desejo, o cuidado e as incertezas

Histórias de mulheres que realizaram os sonhos de ser mães após o tratamento reforçam a importância do acompanhamento e do olhar integral para a saúde

 

Para muitas mulheres, o Dia das Mães simboliza amor, conexão e novos começos. Para aquelas que tiveram o diagnóstico de câncer de mama, a maternidade pode representar também um marco ainda mais profundo: a possibilidade de reescrever a própria história após um período desafiador, ressignificando planos, prioridades e sonhos. Cada vez mais, mulheres que passaram pelo tratamento do câncer de mama seguem construindo seus projetos de vida, o que inclui a decisão de se tornarem mães após a remissão da doença.

Entretanto, remissão não significa cura e por isso, o período pós-tratamento inicial pode trazer uma combinação de sentimentos, como alívio, esperança e inseguranças, especialmente diante da necessidade de manter o acompanhamento médico, tratamentos complementares e lidar com as incertezas próprias dessa fase[i]. Essas histórias revelam não apenas a possibilidade de recomeço, mas também a importância de manter o cuidado com a saúde ao longo do tempo. 

“Receber o diagnóstico tão jovem foi um choque, e tudo aconteceu muito rápido. Precisei tomar decisões importantes em pouco tempo, inclusive sobre a possibilidade de preservar a fertilidade, em um momento em que a maternidade ainda não fazia parte dos meus planos. E, inicialmente, decidi não fazer o congelamento de óvulos. Ao longo do tratamento e do pós-câncer, fui entendendo melhor o meu corpo e minhas escolhas, respeitando o meu tempo e a minha realidade, até que engravidei naturalmente da minha primeira filha”, comenta Roberta Peres, fisioterapeuta e mãe de dois filhos após o câncer de mama.

Já para Carolina Magalhães, que também foi mãe depois do tratamento do câncer de mama por meio de fertilização in vitro e com óvulos da esposa, a maternidade sempre fez parte dos planos e o diagnóstico mudou as prioridades em um primeiro momento. “Quando recebi o diagnóstico, esse sonho ficou em segundo plano e, por um tempo, pareceu distante. Poder revisitá-lo anos depois, com planejamento e apoio médico, foi muito especial. A chegada do meu filho trouxe um novo significado para o cuidado com a minha saúde e para a forma como eu enxergo o futuro.”

Na maternidade pós-câncer, é comum que muitas mulheres ainda tenham dúvidas sobre como seguir com o cuidado da saúde e lidar com os desafios dessa nova etapa. “Conciliar a vida com os filhos, os compromissos do dia a dia e o acompanhamento da saúde exige organização e suporte, além de lidar com o medo de uma recidiva, é desafiador. Também é um momento em que a mulher precisa estar atenta às próprias necessidades e manter um diálogo próximo com sua equipe de saúde”, explica a Dra. Sabrina Chagas, oncologista.

O cuidado com o câncer de mama é contínuo e se estende além do tratamento inicial. Após cirurgia e terapias iniciais, muitas pacientes seguem com o chamado tratamento adjuvante, cujo objetivo é reduzir o risco de retorno da doença ao longo do tempo. Em outros casos, como em pacientes com doença avançada, o tratamento também é contínuo, com foco no controle da doença, na qualidade de vida e na manutenção de planos e projetos pessoais[ii].

Esse acompanhamento pode incluir múltiplas abordagens terapêuticas, indicadas para mulheres em diferentes estágios da doença e definidas de forma individualizada conforme as características do tumor e da paciente, sempre associadas ao seguimento médico regular e ao suporte emocional. Nos últimos anos, avanços científicos têm ampliado as possibilidades de manejo da doença ao longo da jornada, contribuindo para melhores desfechos em vários perfis pacientes[iii], reforçando a importância de uma abordagem personalizada ao longo da jornada.

“A maternidade depois do câncer vem acompanhada de uma nova perspectiva. Existe uma valorização ainda maior do tempo, das pequenas conquistas e do autocuidado. Olhar para o câncer de mama de forma integral, do diagnóstico ao pós-tratamento, é fundamental para garantir melhores desfechos a longo prazo e permitir que cada vez mais mulheres tenham a possibilidade de realizar sonhos como o da maternidade”, complementa Dra. Sabrina.

 

Novartis

 

[i] A importância do pós-tratamento no processo de cura do câncer de mama. Instituto Oncoguia. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/a-importancia-do-postratamento-no-processo-de-cura-do-cancer-de-mama/17451/7/ Acesso em: 16/02/2024.

[ii] Tratamento do câncer de mama. Instituto Vencer o Câncer. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/cancer/tratamento-do-cancer-de-mama/?utm_source=chatgpt.com . Acesso em 24/04/2026.

[iii] Breast Cancer. Organização Mundial de Saúde. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer Acesso em: 23/02/2026.


Maternidade não pode ser sinônimo de sobrecarga

A conhecida frase “ser mãe é padecer no paraíso” revela mais do que um paradoxo; ela denuncia uma estrutura social profunda. Sob o véu da romantização, esconde-se uma experiência marcada por ambivalências: amor e exaustão, potência e invisibilidade, criação e apagamento.

Em sociedades patriarcais, a maternidade foi historicamente construída como o destino natural das mulheres, mas sem o devido reconhecimento social, econômico e simbólico. Quando o ato de cuidar é atravessado por sobrecarga, isolamento e culpa, ele deixa de ser um espaço de florescimento para se tornar um campo de desgaste contínuo.

Estudos longitudinais mostram uma piora consistente da saúde mental materna nas últimas décadas. Relatórios recentes apontam que a proporção de mães que se consideram em excelente estado psicológico caiu drasticamente, enquanto aumentaram os relatos de bem-estar regular ou insuficiente.

Nove em cada dez mães no Brasil sofrem de burnout parental, uma exaustão emocional extrema decorrente da sobrecarga de cuidados e da ausência de redes de apoio sólidas. Esses dados revelam uma verdade incômoda: a maternidade, como estruturada hoje, adoece mulheres - não por falha individual, mas pela exigência de dar conta de tudo sozinhas.

A responsabilização quase exclusiva das mães pela educação e pelo desenvolvimento das crianças revela uma falha estrutural. Embora recaia sobre elas o peso do cuidado, evidências mostram que o desenvolvimento infantil é influenciado também pela saúde mental paterna e pelo contexto familiar como um todo. Ainda assim, a cobrança cultural segue concentrada sobre as mulheres.

Há uma contradição central na modernidade: fala-se em autocuidado, mas não se transformam as condições que o tornam possível. Sem redistribuição de responsabilidades, a valorização individual se torna apenas mais uma cobrança.

Nos últimos anos, o debate sobre o cuidado como um trabalho fundamental e desigualmente distribuído tem ganhado força. Sem políticas públicas efetivas (como acesso à saúde mental, educação integral e licenças parentais) a maternidade seguirá sendo um espaço de sobrecarga.

É necessário deslocar a pergunta central de nossa sociedade: não se trata de questionar “como as mães podem aguentar?”, mas sim “por que permitimos que elas sigam sozinhas?”. Uma experiência que exige o autoapagamento não é dotada de respeito; é uma forma sutil de violência institucionalizada contra a humanidade da mulher.

Reconhecer a potência das mães não deve significar a naturalização de sua sobrecarga. Mulheres realizam feitos extraordinários, mas esse heroísmo não pode continuar sendo usado como justificativa para que continuem sem suporte.

Transformar a maternidade em um espaço de cidadania exige mudanças culturais, políticas e relacionais. Só assim será possível construir uma sociedade mais justa para mulheres e crianças, convocando também os homens ao exercício efetivo do cuidado.

  

Berenice Shakti - fisioterapeuta pélvica, especialista em saúde pélvica e sexualidade, além de autora dos livros “O Diário de Adelaine” e “Cartas para Adelaine”


Casos graves de síndromes respiratórias avançam no país e especialistas orientam sobre sinais de agravamento


O aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diferentes estados brasileiros tem acendido o alerta para o avanço de vírus respiratórios neste período sazonal. Dados recentes do InfoGripe, da Fiocruz, apontam crescimento das infecções por influenza A e vírus sincicial respiratório (VSR), especialmente entre crianças pequenas e idosos, grupos mais vulneráveis a complicações. 

O cenário reforça a importância da atenção aos sinais de agravamento dos quadros respiratórios diante do avanço sazonal de diferentes vírus respiratórios. Especialistas alertam que sintomas persistentes, dificuldade respiratória, febre prolongada e queda no estado geral podem indicar evolução para casos mais graves, exigindo avaliação médica rápida. 

Para comentar o tema, colocamos à disposição Maitê Nadhal, médica especialista em Medicina de Família e Comunidade da Sanar Pós, que pode explicar os principais sinais de alerta para agravamento das síndromes respiratórias, os cuidados mais importantes neste período de maior circulação viral e quando é necessário buscar atendimento médico, especialmente entre crianças e idosos. 

Também está disponível para comentar o tema a Dra. Letícia Angoleri, médica clínica, que pode abordar a importância da atenção aos sinais do corpo, do acompanhamento preventivo e da avaliação médica diante de sintomas persistentes.


Afastamentos do trabalho por transtornos mentais disparam e acendem alerta para o cuidado com a saúde emocional

 

Freepik

Dados da Previdência Social mostram alta de 38% em concessões de auxílio-doença por saúde mental. Especialista do CEJAM explica como a nova NR-1 exige das empresas um olhar integral para a saúde psicossocial 
 

​​Ambientes​​​ de trabalho ​​têm​​ se consolid​​ado​​ como um dos principais focos de atenção para a saúde mental no Brasil. Um levantamento do Ministério da Previdência Social revelou um aumento de 38% no número de concessões de auxílio-doença por transtornos mentais e comportamentais em 2023, totalizando 288 mil afastamentos – a terceira maior causa de licenças no país. Este cenário impulsiona uma mudança estrutural na segurança ​​ocupacional​​, que passa a incorporar de forma explícita os riscos psicossociais como parte central das estratégias de prevenção.

Para o Dr. Rodrigo Lancelote, psiquiatra e diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental de Franco da Rocha (CAISM), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e ​​gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”)​​, ​​a conexão entre o ambiente corporativo e o adoecimento é ​​evidente​​. 

“O ​​desgaste​​ mental está diretamente relacionado a multifatores, como ​​aspectos​​​​ pessoais, genéticos, contexto social, eventos de vida e ao trabalho.​​ ​​P​​ortanto, pode estar fortemente associado à organização d​​as atividades​​, especialmente quando ​​ fatores de risco psicossociais. Sobrecarga, alta demanda emocional, desequilíbrio entre esforço e recompensa, assédio moral e jornadas prolongadas criam um ambiente de estresse contínuo e favorecem o surgimento de quadros de sofrimento psíquico", explica o especialista. 

Um fenômeno silencioso, mas de grande impacto, é o presenteísmo: o trabalhador permanece em atividade mesmo doente, com queda acentuada de desempenho e concentração. Ao contrário do absenteísmo (a falta), o presenteísmo é menos visível, mas provoca redução da produtividade, aumento de erros e piora do quadro clínico, muitas vezes por receio de estigmatização ou perda do emprego. No âmbito da saúde mental, costuma estar associado à ansiedade, depressão, síndrome de burnout, o que evidencia a necessidade de ambientes que promovam acolhimento, detecção precoce e cuidado apropriado. 

​​Dados do INSS confirmam a gravidade da situação. “Além da frequência, chama atenção a duração desses afastamentos, que costumam ser mais longos e complexos do que em outras condições clínicas, especialmente quando não há identificação precoce dos sinais nem intervenções no ambiente de trabalho”, pontua. Entre os grupos mais vulneráveis estão as mulheres, que respondem por cerca de 60% a 65% das ocorrências, além de profissionais da saúde, educação e atendimento ao público. 

Os sinais de alerta – fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações no sono – são frequentemente naturalizados até que o quadro se agrave. Nesse contexto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a obrigação das ​​organizações​​ de identificar e gerir os fatores de risco psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

​​“Isso amplia o olhar das empresas, que passam a considerar também fatores organizacionais e emocionais, muitas vezes menos visíveis, mas com impacto direto na saúde dos trabalhadores”, destaca o psiquiatra. “A prevenção é mais eficaz e sustentável do que atuar apenas após o afastamento.”​​​ 
 

​​​​Linha de Cuidado em Saúde Mental​​​​​

​​​As unidades gerenciadas pelo CEJAM seguem as diretrizes das​​ ​​linhas de cuidado integrais que conectam a atenção primária a serviços especializados​​, ​​​como na Linha de Cuidado em Saúde Mental. ​​   

“No CEJAM, o atendimento em saúde mental é organizado a partir de um acolhimento qualificado, seguido de acompanhamento multiprofissional, sempre respeitando a singularidade de cada caso. Quando necessário, há encaminhamento para outros pontos da rede assistencial, como os Centros de Atenção Psicossocial, garantindo a continuidade do tratamento”, detalha Viviane Pressi Moreira, gerente da UBS Jardim Aracati​​,​​ gerenciad​​a​​ pelo CEJAM em parceria com a Secretaria ​​Municipal​​ da Saúde de São Paulo (S​​M​​S-SP). 

“Essa abordagem contínua permite intervenções precoces, reduz o risco de agravamentos e contribui para a reabilitação psicossocial, com foco na autonomia e no apoio às famílias”, finaliza Viviane.  



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Quase metade das brasileiras não conhece endometriose, revela pesquisa inédita

Levantamento aponta desconhecimento, diagnóstico tardio e invalidação da dor como principais desafios

 

No Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, marcado em 7 de maio, uma pesquisa inédita alerta sobre o desconhecimento da doença no Brasil: 4 em cada 10 mulheres não sabem detalhes sobre a condição e 30% nunca buscaram informações sobre o tema¹. Os dados reforçam um cenário de subdiagnóstico (quando a doença não é identificada) e atraso no tratamento de uma condição que atinge milhões de brasileiras e impacta diretamente a qualidade de vida, a saúde mental e a fertilidade. 

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a aproximadamente 190 milhões de pessoas². No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde indicam prevalência entre 5% e 15% de mulheres convivendo com a condição³. 

O levantamento, o realizado pela Ipsos, a pedido da Bayer, com 800 mulheres entre 18 e 60 anos de idade em todo o Brasil, ainda mostra que, embora 10% das mulheres tenham diagnóstico confirmado, outras 13% suspeitam ter endometriose, evidenciando uma lacuna importante entre sintomas e confirmação médica. Em média, o diagnóstico leva 3,8 anos para ser estabelecido, período marcado por dor intensa, insegurança e múltiplas consultas. Entre os primeiros sintomas relatados estão dor pélvica crônica - também conhecidas como “cólicas menstruais” (52%), inchaço abdominal (52%), sangramento intenso (44%) e dor durante relações sexuais (42%).¹ 

Além da demora no diagnóstico, a pesquisa revela um problema estrutural: a invalidação da dor feminina. Entre as mulheres diagnosticadas, 77% afirmam já ter tido seus sintomas minimizados ou desconsiderados. Esse descrédito ocorre principalmente no ambiente familiar (41%) e no atendimento médico, com 32% apontando ginecologistas como fonte de invalidação. Quase metade das entrevistadas (46%) ouviu que os sintomas poderiam ser resultado de estresse ou cansaço, enquanto 45% foram classificadas como “dramáticas” ou “exageradas”. 

“Mesmo com tantos avanços nas discussões sobre saúde da mulher, ainda vemos um grande negligenciamento quando o assunto é dor e incômodo – e o atraso no diagnóstico da endometriose é um reflexo disso. É preciso que haja uma escuta ativa do relato da paciente, tanto no ambiente familiar quanto nos serviços de saúde, para transformarmos esse cenário”, afirma o ginecologista Rodrigo Mirisola. 

A situação também evidencia desigualdades no acesso ao cuidado: dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram aumento de 76,2% nos atendimentos relacionados à endometriose entre 2022 e 2024, passando de 82.693 para 145.744 registros4. Apesar desse crescimento, a pesquisa aponta que barreiras como longas filas para consultas com especialistas (41% entre usuárias do SUS) e dificuldade de acesso a exames e tratamentos adequados ainda são persistentes.¹ 

No contexto do tratamento, o sistema público e o privado ainda são marcados por diferenças importantes. Enquanto 50% das usuárias do SUS receberam indicação de pílulas anticoncepcionais, 67% receberam tal orientação na rede privada. Procedimentos mais complexos, como a cirurgia por videolaparoscopia, foram ofertados a 20% das pacientes do SUS, contra 55% na rede privada. Já o DIU hormonal, uma das opções terapêuticas, foi indicado a apenas 15% das mulheres, com maior acesso entre as mulheres de maior renda. 

Para o especialista, a redução do tempo entre o diagnóstico e o tratamento e o acesso a terapias diversas são alguns dos pilares fundamentais para garantir um equitativo à saúde: “encurtar a jornada da paciente é um ato de respeito e legitimação da sua dor, bem como promover alternativas eficazes para individualizar a terapia, promovendo o cuidado mais adequado e oportuno para cada mulher”.


Bayer
www.bayer.com

 

Referências:

¹ Ipsos. Pesquisa Saúde Feminina, encomendada pela Bayer. 2025. Estudo online realizado pela Ipsos a pedido de Bayer S/A nas 5 regiões do Brasil entre 21/08/2025 e 26/08/2025. Foram realizadas 800 entrevistas entre mulheres de 18 a 60 anos e de classe ABCDE. Margem de erro de 3,5 p.p.

² ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Endometriosis. Disponível em: . Acesso em: 13 abr. 2026.

³ JORNAL DA USP. Endometriose atinge até 15% das mulheres em idade reprodutiva no país. São Paulo, 18 mar. 2026. Disponível em: . Acesso em: 13 abr. 2026.

4 BRASIL. Ministério da Saúde. Endometriose: atendimentos na atenção primária do SUS crescem 76,2% em três anos e impulsionam debate. Brasília, DF, 8 abr. 2025. Disponível em: . Acesso em: 13 abr. 2026.


Maio Verde: CRIO alerta para os desafios do diagnóstico precoce no câncer de ovário

Conhecido como um dos tumores ginecológicos mais difíceis de diagnosticar precocemente, o câncer de ovário ganha destaque neste mês com a campanha Maio Verde. O Centro Regional Integrado de Oncologia (CRIO) reforça a importância da conscientização sobre os sintomas sutis e os fatores de risco da doença, que ocupa a segunda posição entre as neoplasias ginecológicas mais comuns no Brasil.

De acordo com a Dra. Renata Justa, Cirurgiã Oncológica do CRIO, o grande desafio reside na ausência de sintomas específicos nas fases iniciais. "Muitas vezes, as queixas são confundidas com problemas gastrointestinais, como inchaço abdominal, saciedade precoce ou alterações intestinais. Quando a paciente busca ajuda, a doença frequentemente já está em estágio avançado", explica a especialista.

Embora não exista um exame de rastreamento de rotina tão eficaz quanto o Papanicolau (para colo do útero), a atenção ao histórico familiar é crucial. Cerca de 15% a 25% dos casos de câncer de ovário estão ligados a mutações genéticas hereditárias, como nos genes $BRCA1$ e $BRCA2$.

Os principais sinais de alerta para o câncer de ovário incluem o inchaço abdominal persistente, a dificuldade de comer ou a sensação de saciedade precoce, além de dor constante na região pélvica ou abdominal e a urgência frequente para urinar. Por serem sintomas que facilmente se confundem com desconfortos digestivos comuns, é fundamental que a mulher procure orientação médica caso essas manifestações se tornem recorrentes. 

O CRIO destaca que o tratamento é multidisciplinar, envolvendo cirurgia de retirada completa do cisto e quimioterapia. "A cirurgia oncológica bem executada é o pilar principal para o prognóstico da paciente. Aliada às novas terapias alvo, temos conseguido aumentar significativamente a sobrevida e a qualidade de vida", pontua Dra. Renata.


Dia das Mães

 Entre a celebração, a dor silenciosa e as novas possibilidades da medicina reprodutiva

 

O Dia das Mães é, talvez, a data mais carregada de emoção no calendário brasileiro. Para muitas mulheres, é um momento de celebração plena de gratidão pela maternidade conquistada, muitas vezes após uma longa e exigente jornada. Para outras, porém, é um dia de silêncio pesado, de dor que não se explica com facilidade e de uma saudade antecipada de algo que ainda não chegou.

Nos centros de reprodução assistida, essa dualidade é vivida de forma intensa. Há quem comemore o primeiro Dia das Mães após anos de tentativas, carregando no colo ou no ventre o resultado de uma caminhada marcada por coragem e persistência. E há quem enfrente, nesta mesma data, o peso de resultados negativos, perdas gestacionais ou diagnósticos complexos, e que encontra nesse momento uma oportunidade de reflexão e renovação.

A infertilidade não segue um padrão simples nem obedece a uma lógica linear. Trata-se de uma condição multifatorial, que envolve a qualidade dos gametas, a saúde do embrião, as condições uterinas, a imunologia reprodutiva e até a microbiota do trato reprodutivo. Por isso, cada tentativa sem o resultado esperado não deve ser interpretada como fracasso definitivo, mas como parte de um processo que requer análise cuidadosa, ajustes progressivos e estratégia personalizada.

Os avanços científicos das últimas décadas transformaram profundamente essa área. O refinamento da seleção embrionária, a evolução dos protocolos de estimulação ovariana, o estudo da receptividade endometrial e a incorporação de novas especialidades como a imunologia reprodutiva, que ampliaram as chances de sucesso mesmo nos casos mais complexos. O tratamento deixou de ser baseado em repetição e passou a ser conduzido por dados, precisão e individualização.

Mas para muitas mulheres, o desafio não é apenas clínico. É, sobretudo, emocional. A espera, as incertezas e os resultados que não chegam exigem uma resiliência que vai além do físico. Nesse contexto, a informação correta, o acompanhamento médico especializado e o suporte emocional tornam-se tão importantes quanto o próprio tratamento.

Neste Dia das Mães, é fundamental reconhecer todas as histórias, as que chegaram ao destino e as que ainda estão no caminho. Celebrar com intensidade quem já conquistou. E lembrar àquelas que ainda esperam: a medicina evolui continuamente, e o que hoje parece distante pode estar muito mais próximo do que se imagina.

 

ENTREVISTA ESPECIAL

Dia das Mães: entre a dor, a espera e as novas possibilidades

Jornalista: Doutor, por que o senhor define o Dia das Mães como um dia ao mesmo tempo de comemoração e de frustração?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Porque essa é a realidade que vivemos todos os dias nos consultórios. Para algumas mulheres, é um dia de plenitude e gratidão. Para outras, é um momento de dor silenciosa, difícil de ser compartilhada. Há um grupo significativo que ainda está tentando engravidar e que vive essa data com uma intensidade emocional muito grande. Precisamos reconhecer essas duas realidades com igual respeito e cuidado.

Jornalista: O que mudou na medicina para essas mulheres que ainda não conseguiram realizar esse sonho?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Mudou muito, e de forma bastante significativa. Hoje conseguimos compreender melhor o embrião, o útero, o sistema imunológico e até a microbiota do trato reprodutivo. Isso nos permite tratamentos muito mais personalizados. Não se trata mais de simplesmente repetir tentativas, trata-se de ajustar estratégias com base em evidências e dados individuais.

Jornalista: Então uma falha no tratamento não representa o fim do caminho?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: De forma alguma. Cada tentativa traz informações clínicas valiosas. Quando analisamos esse processo com rigor, conseguimos aprimorar o próximo passo. O erro está em insistir sem mudar nada. O acerto está em evoluir a cada ciclo, com inteligência e propósito.

Jornalista: E para quem já perdeu a esperança?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Diria que é preciso retomar, mas com direção. Hoje dispomos de mais recursos, mais conhecimento e mais possibilidades do que em qualquer outro momento da história da medicina reprodutiva. Muitos casos que antes eram considerados sem solução hoje têm alternativas reais e concretas.

Jornalista: Qual o papel da fé nesse processo?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: A fé sustenta emocionalmente. Ela oferece equilíbrio nos momentos de maior dificuldade. A ciência organiza o tratamento, traça o caminho e aumenta as chances. Quando as duas caminham juntas, a paciente atravessa esse processo com muito mais força, serenidade e clareza.

Jornalista: Qual a sua mensagem para quem já conseguiu engravidar?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Que celebre com intensidade e gratidão. Muitas vezes, essa conquista foi construída com muito esforço, muita fé e muita persistência. É importante reconhecer cada etapa dessa trajetória e valorizar o que foi construído.

Jornalista: E para quem ainda não conseguiu?

Dr. Arnaldo Cambiaghi: Não desista. O seu momento pode ainda não ter chegado, mas isso não significa que não vai chegar. A medicina avança todos os dias, e com ela surgem novas oportunidades. O que hoje parece distante pode estar muito mais próximo do que você imagina.

 



Dr. Arnaldo S. Cambiaghi - CRM 33.692 | RQE 42.074, médico ginecologista e especialista em reprodução assistida, com ampla experiência no cuidado de casais que enfrentam dificuldades relacionadas à fertilidade e diretor clínico do IPGO – Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia. Atua de forma individualizada, unindo ciência, precisão e acolhimento humano em cada etapa do tratamento. Sempre atualizado com as mais recentes evidências da medicina reprodutiva, busca oferecer um acompanhamento ético, moderno e profundamente comprometido com os sonhos e a saúde de suas pacientes. É autor de 18 livros publicados e disponibiliza gratuitamente mais de 28 e-books voltados à fertilidade, endometriose, saúde da mulher e reprodução humana, com o propósito de levar informação séria, acessível e baseada em evidências para pacientes e médicos.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Maria Eliziane Sousa Oliveira
E-mail: mkt@ipgo.com.br


Dia das Mães: pesquisa TENA mostra que, dentre as grávidas com incontinência urinária, 82% relatam vergonha e desconforto após escapes

Escapes urinários levam grávidas com incontinência urinária a mudar
 hábitos do dia a dia, revela TENA
FOTO DIVULGAÇÃO TENA

Estudo inédito com gestantes e puérperas que convivem com perdas de urina aponta impacto emocional e mudanças na rotina; especialista destaca importância da informação e do acolhimento no período da maternidade.

 

No Dia das Mães, TENA, número 1 mundial em produtos para incontinência urinária em adultos, parte da Essity, líder global em higiene e saúde, chama a atenção para os impactos emocionais e comportamentais associados aos escapes de urina durante a gravidez e o pós-parto. Em pesquisa realizada pela marca, que ouviu mulheres brasileiras que convivem com incontinência urinária, é revelado que 82% das gestantes relataram sentimentos negativos, como vergonha, desconforto e medo, após o primeiro episódio de perda de xixi. 

O levantamento “TENA: o impacto das perdas de urina na gravidez e no puerpério” entrevistou gestantes e puérperas que vivenciaram escapes involuntários durante a gravidez e após o parto. O estudo combina etapas qualitativa e quantitativa e investigou impactos na rotina, percepção sobre a condição e acesso à informação. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a incontinência urinária é comum em cerca de 40% das gestantes no Brasil. 

Entre as entrevistadas pela pesquisa TENA, 95% afirmam que os escapes urinários impactaram a rotina de alguma forma. Os dados mostram mudanças de comportamento relacionadas principalmente à prevenção de situações constrangedoras no dia a dia. Antes de sair de casa, 53% relatam ir ao banheiro preventivamente e 40% dizem procurar saber se haverá sanitário disponível no destino. 

O receio de episódios inesperados também aparece em diferentes contextos sociais. Entre as mulheres ouvidas, 84% afirmam já ter passado por escapes de forma desprevenida, em situações como no trabalho, na casa de terceiros ou em locais públicos. Muitas relatam compartilhar o assunto apenas com pessoas próximas, geralmente a mãe ou o parceiro. 

Para a enfermeira Maria Alice Lelis, doutora em Ciências da Saúde – Urologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e consultora da marca TENA, o tema ainda é cercado por silêncio, apesar de ser frequente durante a gestação e o pós-parto. “Muitas mulheres acreditam que os escapes de urina fazem parte da maternidade e acabam não conversando sobre o assunto nas consultas ou com familiares. Informação e acolhimento são importantes para que elas entendam melhor o que está acontecendo com o corpo nesse período e saibam que existem diferentes formas de cuidado e acompanhamento”, afirma. 

A pesquisa também aponta que, embora 73% das entrevistadas já soubessem que escapes urinários poderiam acontecer durante a gravidez, muitas relatam falta de aprofundamento sobre o tema ao longo do pré-natal. Além disso, 50% afirmam não conhecer produtos desenvolvidos especificamente para incontinência urinária, com alto poder de absorção e controle de odor. 

Segundo Maria Alice, ampliar o diálogo sobre o tema pode contribuir para mais bem-estar e qualidade de vida durante a maternidade. “Quando a mulher recebe orientação adequada, ela consegue lidar melhor com as mudanças do corpo e buscar alternativas que tragam mais conforto e segurança para a rotina. O mais importante é que ela não precise passar por isso em silêncio”, considera. 

A pesquisa encomendada por TENA foi conduzida pela Okno Núcleo de Estudos com mais de 300 mulheres brasileiras que tiveram episódios de perdas espontâneas de urina durante a gestação e o pós-parto. Foram ouvidas gestantes com mais de 24 semanas, puérperas com filhos de até 1 ano e mulheres de 35 a 50 anos que desenvolveram os escapes durante a gravidez.

 

Essity
site da Essity


Suplementação virou moda: mas o que realmente é necessário?


Nos últimos anos, a suplementação alimentar deixou de ocupar um espaço restrito a consultórios e contextos clínicos para ganhar protagonismo nas redes sociais e na rotina de muitas pessoas. Vitaminas, minerais, proteínas em pó e compostos “multifuncionais” passaram a ser vistos como aliados quase indispensáveis para quem busca mais energia, imunidade, performance ou bem-estar. 

Mas, em meio a tantas promessas e recomendações generalizadas, surge uma pergunta essencial: estamos suplementando por necessidade real ou apenas seguindo uma tendência? 

“Embora os suplementos possam, sim, desempenhar um papel importante em situações específicas, seu uso indiscriminado (sem avaliação individual) pode ser desnecessário e, em alguns casos, até prejudicial. Afinal, mais não significa melhor quando se trata de saúde”, comenta Paola Rampinelli, CEO e fundadora do Instituto Rampinelli, que atua baseado na aplicação da nutrição com foco em alimentação natural, saúde metabólica e qualidade de vida. 

Por isso, antes de incluir cápsulas e pós na rotina, é fundamental entender o que de fato o corpo precisa e o que pode ser apenas reflexo de um mercado em expansão e de informações nem sempre confiáveis. Pensando nisso, a nutricionista listou 10 pontos de atenção que as pessoas devem se atentar antes de sair suplementando sem orientação. Confira: 

1 — Suplementação virou moda: você precisa mesmo?: Antes de sair comprando vitaminas e cápsulas, vale entender o que é necessidade…e o que é tendência.

2 - Mais nem sempre é melhor: Tomar diversos suplementos ao mesmo tempo não significa mais saúde e pode, muitas vezes, até sobrecarregar o organismo.

3 - Nem todo mundo precisa suplementar: Uma alimentação equilibrada, na maioria dos casos, já fornece os nutrientes necessários para o bom funcionamento do corpo.

4 - Deficiência não é “achismo”: Suplementação deve ser baseada em sinais clínicos, exames e avaliação profissional, não em sintomas genéricos ou modas.

5 - Cuidado com o efeito das redes sociais: O suplemento que “funcionou” para alguém pode não fazer sentido para você. Cada organismo tem necessidades diferentes.

6 - Excesso também faz mal: Vitaminas e minerais em excesso podem causar efeitos adversos e até prejuízos à saúde, especialmente quando usados sem controle.

7 - Suplemento não substitui alimentação: Cápsulas não compensam uma rotina alimentar desorganizada. A base da saúde continua sendo o que você come no dia a dia.

8 -  Fique atento às promessas milagrosas: “Mais energia”, “emagrecimento rápido”, “imunidade instantânea”: desconfie de soluções simples para problemas complexos.

9 - Existem casos em que suplementar é essencial: Gestantes, idosos, pessoas com deficiências nutricionais ou condições específicas podem precisar de suplementações. Mas o ponto é que precisa ser feita com orientação.

10 - Individualização é tudo: Dose, tipo de suplemento e tempo de uso devem ser personalizados. O que funciona para um, pode ser inadequado para outro. 

“Por fim, cuidar da saúde não é sobre seguir tendências, é sobre entender o que o seu corpo realmente precisa, ter um acompanhamento profissional e direcionamentos específicos para sua necessidade”, finaliza Rampinelli.

 

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