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sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Novo estudo mostra segurança e eficácia de Mounjaro para crianças e adolescentes

Mounjaro® (tirzepatida) da Lilly, um duplo agonista dos receptores GIP/GLP-1, reduziu a hemoglobina glicada, em média, em 2,2% em estudo clínico de fase 3 com crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 

  • No SURPASS-PEDS, Mounjaro® atingiu o desfecho primário e todos os principais desfechos secundários em 30 semanas, e mostrou melhora sustentada no controle glicêmico e redução contínua do índice de massa corporal (IMC) durante as 52 semanas do estudo.
O perfil de segurança e tolerabilidade de Mounjaro® foi consistente com os estudos anteriores em adultos. 

 

A Eli Lilly and Company (NYSE: LLY) anunciou os resultados detalhados do SURPASS-PEDS, o primeiro estudo de fase 3 a avaliar a segurança e eficácia de Mounjaro® (tirzepatida), um duplo agonista de receptores GIP/GLP-1, em crianças e adolescentes (com idade entre 10 e menos de 18 anos) com diabetes tipo 2 inadequadamente controlado com metformina, insulina basal ou ambos. Em 30 semanas, Mounjaro® atingiu o desfecho primário e todos os desfechos secundários, demonstrando melhorias no controle da hemoglobina glicada e no índice de massa corporal (IMC) em comparação ao placebo. Os resultados do estudo foram apresentados no Encontro Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD, na sigla em inglês) de 2025 e publicados simultaneamente no The Lancet[1]. 

“Jovens que vivem com diabetes tipo 2 frequentemente enfrentam uma evolução da doença mais agressiva e em muitos casos os tratamentos de primeira linha, como a metformina e a insulina basal, não conseguem controlar adequadamente os níveis da hemoglobina glicada”, afirmou Dra. Tamara Hannon, Diretora do Programa Clínico de Diabetes da Escola de Medicina da Universidade de Indiana e investigadora principal do estudo. “Os resultados do SURPASS-PEDS mostram que Mounjaro® proporcionou melhorias clínicas no açúcar no sangue, IMC e glicemia sérica de jejum em pacientes pediátricos. Esses resultados oferecem uma oportunidade favorável para ajudar a mudar a trajetória de saúde a longo prazo em jovens que vivem com essa doença complexa”. 

O estudo atingiu o desfecho primário de redução superior da hemoglobina glicada com Mounjaro® (doses agrupadas) em comparação ao placebo em 30 semanas, diminuindo a hemoglobina glicada em uma média de 2,2% de uma linha basal média de 8,05% usando a eficácia estimada[2]. Em um desfecho secundário, 86,1% dos participantes randomizados para a dose 10 mg de Mounjaro® atingiram a hemoglobina glicada alvo de ≤ 6,5%. Além disso, Mounjaro® demonstrou melhorias clínicas no IMC – medida que avalia as mudanças de peso em crianças e adolescentes, considerando seu crescimento ao longo do tempo. A maior dose avaliada de 10 mg de Mounjaro® reduziu o IMC em 11,2% em média em 30 semanas. As melhorias na hemoglobina glicada e as reduções no IMC continuaram por 52 semanas na extensão de longo prazo do estudo. 

“O diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes está aumentando a uma taxa alarmante, mas as opções de tratamento ainda são limitadas, levando a um cenário de necessidade não atendida dessa população”, disse Kenneth Custer, Ph.D., vice-presidente executivo e presidente de Saúde Cardiometabólica da Lilly. “Os resultados do SURPASS-PEDS mostram que Mounjaro® resultou em melhorias estatisticamente relevantes na hemoglobina glicada, IMC e outros fatores de risco cardiometabólicos importantes, mantendo um perfil de segurança geralmente consistente com estudos em adultos. Ao realizar esta pesquisa, podemos apoiar melhor crianças e adolescentes que vivem com esta condição.” 

O perfil de segurança geral de Mounjaro® no SURPASS-PEDS foi, no geral, consistente com a classe de incretinas estabelecida, incluindo dados anteriores dos estudos SURPASS. Os eventos adversos mais comuns para os participantes tratados com Mounjaro® (5 mg, 10 mg e doses agrupadas, respectivamente) foram diarreia (25%, 24% e 25% vs 6% com placebo), náusea (22%, 18% e 20% vs 9% com placebo), vômito (16%, 12% e 14% vs 3% com placebo), dor abdominal superior (6%, 12% e 9% vs 9% com placebo) e dor abdominal (16%, 3% e 9% vs 3% com placebo). Esses eventos adversos relacionados ao trato gastrointestinal foram todos de intensidade leve a moderada e ocorreram principalmente durante o escalonamento da dose. As taxas gerais de descontinuação do tratamento devido a eventos adversos foram de 6% (5 mg), 0% (10 mg) e 3% (doses agrupadas) para Mounjaro® vs 0% com placebo. Não foram observados episódios de hipoglicemia grave. O percentual de participantes que relataram hipoglicemia nível 2 (glicemia sérica

A Lilly submeteu globalmente os resultados do SURPASS-PEDS a agências reguladoras para avaliação.

 

Sobre Mounjaro® (tirzepatida)

Mounjaro® (tirzepatida) é um agonista duplo dos receptores GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon) de administração semanal. A tirzepatida é uma molécula única que ativa os receptores do corpo para GIP e GLP-1, que são hormônios incretínicos naturais. Ambos os receptores GIP e GLP-1 são encontrados em áreas do cérebro humano importantes para a regulação do apetite. A tirzepatida diminui a ingestão de calorias, e os efeitos são provavelmente mediados afetando o apetite. A tirzepatida diminui a glicose em jejum e pós-prandial, aumenta a sensibilidade à insulina, diminui a ingestão de alimentos e reduz o peso corporal em pacientes com diabetes tipo 2. Estudos de tirzepatida na doença renal crônica (DRC) e na morbidade/mortalidade na obesidade (MMO) estão em andamento. 

No Brasil, a tirzepatida foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2[4] e para o tratamento de adultos com obesidade, ou sobrepeso e pelo menos alguma comorbidade associada ao peso[5]. A tirzepatida é o único tratamento duplo agonista dos receptores GIP e GLP-1 aprovado pela FDA para reduzir o excesso de peso corporal e para manutenção da redução de peso no longo prazo. Esse medicamento deve ser usado a partir de recomendação médica e em combinação a mudança de estilo de vida que incluem dieta e exercícios físicos.

 

Sobre o SURPASS-PEDS

O SURPASS-PEDS (NCT05260021) é um estudo de fase 3, multicêntrico, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com uma extensão aberta, exigido por agências regulatórias, que avalia a eficácia, segurança e farmacocinética de Mounjaro® (tirzepatida) em crianças e adolescentes (com idade entre 10 e menos de 18 anos) com diabetes tipo 2 inadequadamente controlada com metformina, insulina basal ou ambos. O estudo randomizou 99 participantes nos EUA, Austrália, Brasil, Índia, Israel, Itália, México e Reino Unido para receber Mounjaro® (até 5 mg ou 10 mg uma vez por semana) ou placebo uma vez por semana. O desfecho primário do estudo foi demonstrar que Mounjaro® (doses agrupadas) é superior ao placebo na alteração média da hemoglobina glicada a partir da linha basal após 30 semanas. 

Na extensão aberta do estudo (semanas 31 a 52), todos os participantes receberam Mounjaro®. Os critérios de inclusão para o estudo incluíram uma hemoglobina glicada de >6,5% a ≤11% na triagem, peso corporal ≥50 kg e IMC > 85º do percentil da população geral pareada por idade e sexo para aquele país ou região. Os participantes do estudo tinham uma hemoglobina glicada basal média de 8,04%, um IMC basal médio 35,4 kg/m2, um peso basal médio de 96,6 kg, um escore de desvio padrão do IMC basal médio de 3,11 e uma duração do diabetes de 2,4 anos.

 

Resultados em 30 semanas

Desfecho primárioi

 

Mounjaro®

(doses agrupadas)

Placebo

Alteração na hemoglobina glicada a partir da média basal de 8,05%

Eficácia estimada

-2,2%

0,05%

Regime de tratamento estimado2

-2,0%

-0,2%

Desfechos secundáriosi

 

Mounjaro®

5 mg

Mounjaro®

10 mg

Mounjaro®

(doses agrupadas)

Placebo

 

Alteração na hemoglobina glicada a partir da linha basal de 8,05%

Eficácia estimada

-2,2%

-2,3%

-

0,05%

Regime de tratamento estimado

-1,9%

-2,2%

-

-0,2%

Porcentagem de participantes atingindo hemoglobina glicada ≤ 6,5%

Eficácia estimada

70,8%

86,1%

78,6%

27,8%

Regime de tratamento estimado

66,4%

80,6%

73,6%

28,2%

Alteração percentual no IMC a partir da linha basal média de 35,3 kg/m2

Eficácia estimada

-7,4%

-11,2%

-9,3%

-0,4%

Regime de tratamento estimado[i]

-6,7%

-11,1%

-8,9%

-0,55%

Alteração no score de desvio padrão do IMC (ajustado por idade e sexo) a partir da linha basal média de 3,1

Eficácia estimada

-0,50

-0,76

-0,63

-0,09

Regime de tratamento estimado

-0,45

-0,76

-0,60

-0,09

Alteração na glicemia sérica de jejum a partir da linha basal média de 152 mg/dL

Eficácia estimada

-35,0 mg/dL

-53,5 mg/dL

- 44,2 mg/dL

-7,9 mg/dL

Regime de tratamento estimado

-35,5 mg/dL

-50,6 mg/dL

-43,0 mg/dL

-6,6 mg/dL

iControlado para erro tipo 1 geral.

 

Eli Lilly do Brasil    

Lilly do Brasil

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Notas e referências 

[1] Efficacy and safety of tirzepatide in children and adolescents with type 2 diabetes (SURPASS-PEDS): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial Hannon, Tamara S et al. The Lancet, Volume 0, Issue 0

[2] A eficácia estimada representa a eficácia caso todos os participantes randomizados tivessem permanecido na intervenção do estudo por 30 semanas sem o início de medicamentos anti-hiperglicêmicos de resgate (>2 semanas de uso)

[3] O regime de tratamento estimado representa o efeito médio estimado do tratamento em todos os participantes randomizados, independentemente da descontinuação da intervenção do estudo ou do início de medicamentos anti-hiperglicêmicos de resgate

[4] Diário Oficial da União. Disponível em https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-re-n-3.591-de-21-de-setembro-de-2023-511798113 Acesso em 21 de agosto de 2025.

[5] Diário Oficial da União. Disponível em https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-re-n-2.144-de-6-de-junho-de-2025-634743601. Acesso em 21 de agosto de 2025.


Calor intenso: médico alerta para a importância da hidratação durante a nova onda de calor

Hidratação é essencial para enfrentar a nova onda de calor.
 Freepik
Com temperaturas até 5 °C acima da média no país, o Dr. Danilo Almeida, pós-graduado em nutrologia, explica por que água, frutas e eletrólitos são aliados essenciais para manter a saúde e evitar complicações.

 

As temperaturas devem subir nos próximos dias e a expectativa é que o Brasil enfrente uma nova onda de calor nesta reta final do inverno. De acordo com a Climatempo, o fenômeno deve iniciar nesta quinta-feira (18) e seguir até a próxima segunda-feira (22), quando começa a primavera. Capitais como Goiânia, Brasília, Campo Grande, Cuiabá e Palmas podem registrar temperaturas acima dos 40 °C, enquanto São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória também devem se aproximar de seus recordes de calor de 2025. 

Segundo a empresa de meteorologia, esta será a sexta onda de calor do ano. Em algumas regiões, os termômetros devem marcar de 3 °C a 5 °C acima da média histórica para setembro, e em outras áreas o desvio pode ultrapassar os 5 °C. Diante desse cenário, a hidratação torna-se uma das principais estratégias de proteção da saúde. 

“O calor extremo acelera a perda de líquidos e eletrólitos pelo suor, e quando o corpo não consegue repor essa perda, surgem sintomas como boca seca, tontura, sonolência, palpitações e até confusão mental”, explica o médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN e fundador da Clínica Versio. “Muita gente subestima esses sinais, mas eles indicam que o organismo já está em estado de alerta”, complementa. 

Segundo a literatura médica, adultos devem ingerir em média 35 ml de água por quilo de peso. Isso significa que uma pessoa de 70 kg precisa de, pelo menos, 2,5 litros de água. Mas o Dr. Danilo alerta que essa quantidade deve aumentar em dias de calor intenso ou durante atividades físicas: “Uma boa referência é consumir entre 35 e 50 mililitros de água por quilo de peso ao dia. Doses mais próximas de 35 ml em dias mais amenos e chegando a 50 ml em dias mais quentes, especialmente quando há prática de exercícios ou maior perda de líquidos pelo suor”.

 

Hidratação além da água 

Mas a hidratação não se resume apenas à água. O corpo também perde minerais importantes, como sódio, potássio e magnésio. “Por isso, além da água pura, frutas como melancia, abacaxi, laranja e kiwi, bem como água de coco, chás leves e isotônicos podem ajudar a repor líquidos e eletrólitos”, destaca o Dr. Danilo. Ele lembra ainda que verduras e legumes têm mais de 80% de água em sua composição e são aliados naturais para manter o corpo equilibrado. 

O médico reforça, no entanto, que nem todas as bebidas são recomendadas nesses períodos. “O álcool e os energéticos, por exemplo, agravam a desidratação, e o consumo excessivo de café também pode potencializar a perda de líquidos. Em dias de muito calor, eles devem ser evitados”, alerta.

 

Quais são os benefícios da hidratação? 

De acordo com Danilo, a hidratação adequada impacta não apenas a disposição, mas também funções vitais como a regulação da temperatura corporal, a saúde cardiovascular e até o equilíbrio da microbiota intestinal. “O intestino depende de um bom estado de hidratação para manter a digestão e a absorção de nutrientes. A desidratação, além de aumentar o risco de cálculos renais e quedas de pressão, pode comprometer a saúde intestinal e, indiretamente, a imunidade”, explica.

 

Como saber se estou desidratado? 

Para quem quer uma regra prática, o especialista sugere observar a cor da urina: quanto mais escura, maior a necessidade de líquidos. “O ideal é que seja clara e translúcida. Esse é um sinal simples de que você está hidratado.” 

A recomendação final é não esperar a sede aparecer. “Quando sentimos sede, o corpo já está em déficit hídrico. Em ondas de calor como a que o Espírito Santo vai enfrentar, a hidratação deve ser preventiva, fracionada ao longo do dia, e complementada com alimentos ricos em água. É isso que vai garantir mais disposição e proteção contra os riscos do calor extremo”, conclui o médico. 

 

Danilo Nunes Almeida (CRM/ES 17592) é médico pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) e pós-graduando em Metabolômica pela Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa. Atua com foco em emagrecimento, saúde hormonal, saúde intestinal e medicina de precisão. Fundador da Clínica Versio, localizada em Vitória (ES), é especialista em transformar dados clínicos, como genética, microbiota e hipersensibilidades alimentares, em estratégias de tratamento personalizadas, com foco em resultados reais e sustentáveis.

 

Microplásticos podem afetar a saúde dos ossos

Cientistas estão começando um projeto que vai verificar na prática
 a relação entre a exposição aos microplásticos e o agravamento de doenças ósseas
 metabólicas. Estima-se que ocorra um aumento de 32% nas fraturas
 por osteoporose até 2050. (imagem: Léo Ramos
Chaves/
Pesquisa FAPESP)
Pesquisadores brasileiros analisaram mais de 60 artigos científicos sobre o tema e identificaram que os materiais têm efeitos negativos no tecido ósseo

 

 A produção e o uso de mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano têm contaminado praias, rios e até o lugar mais profundo dos oceanos, a 11 mil metros de profundidade. Para além dos impactos ambientais visíveis, o plástico também impacta as mudanças climáticas: estima-se que a sua produção seja responsável pela geração de 1,8 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa por ano. Evidências científicas sugerem ainda que o uso de materiais plásticos na vida cotidiana tem também impactado a saúde humana.

Uma quantidade muito grande de partículas de plástico, que se desprendem de cortinas, móveis, roupas ou qualquer outro objeto feito do material, fica em suspensão no ar, se solubiliza na água potável, ou adere a alimentos, podendo ser inalada, ingerida ou entrar em contato com a pele das pessoas. Como resultado, cientistas já encontraram microplástico no sangue, no cérebro, na placenta, no leite materno e até mesmo nos ossos humanos.

Um estudo vinculado a um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP e publicado na revista Osteoporosis International revisou 62 artigos científicos e constatou que o microplástico também tem prejudicado a saúde óssea de diferentes formas. Um exemplo notável é a capacidade desses materiais de comprometer as funções das células-tronco da medula óssea, ao favorecer a formação de células multinucleadas, denominadas osteoclastos, que degradam o tecido em um processo conhecido como reabsorção óssea.

“O potencial de impacto dos microplásticos nos ossos é motivo de estudos científicos e não é desprezível. Por exemplo, estudos in vitro com células do tecido ósseo demonstraram que o microplástico prejudica a viabilidade celular, acelera o envelhecimento das células e altera a diferenciação celular, além de promover inflamação", afirma Rodrigo Bueno de Oliveira, coordenador do Laboratório para o Estudo Mineral e Ósseo em Nefrologia (Lemon) na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp).

Oliveira relata ainda que estudos realizados em animais descobriram que com a aceleração da senescência dos osteoclastos pode ocorrer comprometimento da microestrutura óssea e displasia, o que pode provocar enfraquecimento, deformidades e, possivelmente, propiciar a ocorrência de fraturas patológicas. “Nesse estudo, os efeitos adversos observados culminaram, de forma preocupante, na interrupção do crescimento esquelético dos animais”, diz o pesquisador.

Interior de uma célula óssea do tipo MG-63, onde pequenas esferas
 de microplástico de poliestireno aparecem dentro do citoplasma.

O núcleo da célula está em vermelho, enquanto os microplásticos se
destacam em azul (imagem: Lemon-FCM-Unicamp)

Oliveira explica ainda que, embora os efeitos dessas partículas nas propriedades mecânicas dos ossos ainda não estejam totalmente compreendidos, os dados sugerem que a presença do material circulando no sangue, por exemplo, possa comprometer a saúde óssea. “O mais impressionante é que um conjunto significativo de estudos sugere que os microplásticos podem atingir a intimidade do tecido ósseo, como, por exemplo, a medula óssea, e potencialmente causar diversas perturbações em seu metabolismo”, diz.


Conexão

Não por acaso, a equipe de Oliveira está começando um projeto de pesquisa que vai verificar na prática o que parece ser perfeitamente possível na teoria: a relação entre a exposição aos microplásticos e o agravamento de doenças ósseas metabólicas. A partir de pesquisa em modelo animal, os cientistas vão investigar o efeito do microplástico na resistência de ossos do fêmur de roedores.

De acordo com a International Osteoporosis Foundation (IOF), a prevalência de fraturas por osteoporose está aumentando em todo o mundo por causa do envelhecimento da população. Estima-se que ocorra um aumento de 32% nas fraturas por osteoporose até 2050.

“Melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de complicações ósseas, como fraturas, é uma prioridade na área da saúde. Já sabemos que práticas como exercícios físicos, alimentação equilibrada e tratamentos farmacológicos contribuem significativamente para isso. No entanto, apesar de as doenças osteometabólicas serem relativamente bem compreendidas, existe uma lacuna quanto à influência de microplásticos no desenvolvimento dessas doenças. Por isso, um de nossos objetivos é gerar evidências na direção de que os microplásticos poderiam ser uma potencial causa ambiental, controlável, para explicar, por exemplo, o aumento da projeção de fraturas ósseas”, diz Oliveira.


Segundo Oliveira, apesar de as doenças osteometabólicas serem relativamente
bem compreendidas, há uma lacuna quanto à influência de microplásticos
no desenvolvimento dessas enfermidades
(foto: Lemon-FCM-Unicamp)
 

O artigo Effects of microplastics on the bones: a comprehensive review pode ser lido em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00198-025-07580-4.
 


Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/microplasticos-podem-afetar-a-saude-dos-ossos/55819


11 avanços em IA que estão redefinindo a saúde hoje

De triagem virtual a cirurgia robótica e monitoramento remoto, a inteligência artificial já está transformando o que é possível na medicina moderna
 

A inteligência artificial (IA) está impulsionando uma verdadeira revolução na área da saúde, tornando diagnósticos, tratamentos e processos muito mais precisos, rápidos e personalizados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a IA tem o potencial de transformar desde o desenvolvimento de medicamentos até o cuidado diário com o paciente, ajudando a expandir o acesso, reduzir custos e enfrentar a escassez de profissionais de saúde em todo o mundo. 

Hoje, já é possível imaginar um futuro em que os planos de tratamento sejam totalmente personalizados para cada indivíduo, levando em consideração fatores como genética, histórico médico e estilo de vida. A análise massiva de dados—algo impossível para humanos sozinhos—permite identificar padrões, prever riscos e sugerir intervenções mesmo antes do surgimento de sintomas graves. Isso significa que os médicos agora contam com apoio em tempo real para decisões clínicas, enquanto os pacientes se beneficiam de um monitoramento contínuo, mesmo fora dos hospitais. 

Além disso, a automação de tarefas administrativas e operacionais libera os profissionais de saúde para se concentrarem no que realmente importa: o cuidado humano e compassivo. Em hospitais, sistemas inteligentes otimizam recursos, antecipam demandas e agilizam a comunicação entre equipes multidisciplinares. No dia a dia, dispositivos conectados e aplicativos de saúde ajudam a monitorar sinais vitais, lembrar os pacientes de tomar medicamentos e incentivar hábitos saudáveis. 

Nesse contexto, a IA está tornando os sistemas de saúde mais proativos, centrados no paciente e orientados por dados. As descobertas médicas estão ocorrendo em ritmo acelerado, novas terapias chegam ao mercado mais rapidamente e a experiência do paciente torna-se mais personalizada e eficiente. De acordo com a Dassault Systèmes, empresa francesa de softwares, aqui estão 11 formas pelas quais a IA já está fazendo a diferença na saúde:

 

1. Pesquisa e Desenvolvimento:

A IA acelera a descoberta de medicamentos ao mapear milhões de compostos e prever interações moleculares, permitindo que os cientistas se concentrem nas opções mais promissoras. Modelos generativos também identificam novos usos potenciais para medicamentos já existentes.

 

2. Ensaios Clínicos Otimizados:

Algoritmos inteligentes selecionam os participantes ideais e preveem resultados, reduzindo significativamente o tempo e os custos da pesquisa. Assistentes digitais automatizam relatórios regulatórios e análises de dados em larga escala, encurtando a duração dos testes e aumentando a eficiência.

 

3. Produção Farmacêutica Eficiente:

A fabricação de medicamentos com IA permite manutenção preditiva, gestão inteligente de estoques e controle de qualidade rigoroso, minimizando desperdícios e acelerando os ciclos de produção.

 

4. Segurança e Conformidade:

Ferramentas de IA automatizam verificações regulatórias, geram relatórios e detectam anomalias em tempo real, além de monitorar continuamente efeitos adversos de medicamentos, garantindo maior segurança para os pacientes.

 

5. Comercialização e Marketing:

A IA gera valor econômico ao acelerar o desenvolvimento de produtos e refinar estratégias de mercado, extraindo insights detalhados de pesquisas, perfis de clientes e atualizações regulatórias.

 

6. Triagem e Atendimento Inicial:

Assistentes virtuais baseados em IA coletam históricos médicos, avaliam sintomas e realizam triagens, permitindo consultas mais focadas e diagnósticos mais rápidos. Ferramentas de processamento de linguagem natural automatizam transcrições e resumos de atendimentos, reduzindo a carga administrativa dos profissionais.

 

7. Diagnóstico por Imagem:

Algoritmos treinados analisam exames com precisão superior, detectando lesões e tumores em estágios iniciais, reduzindo falsos positivos e minimizando procedimentos invasivos desnecessários.

 

8. Tomada de Decisão Clínica:

A IA integra dados de prontuários eletrônicos, exames laboratoriais e dispositivos vestíveis, ajudando os médicos a diagnosticar condições complexas e criar planos de tratamento personalizados para cada paciente.

 

9. Gestão Hospitalar e Tratamento:

Sistemas inteligentes preveem taxas de internação, identificam picos sazonais e otimizam recursos como leitos e equipes, além de gerar resumos de alta e facilitar a comunicação entre departamentos.

 

10. Acompanhamento Pós-Tratamento:

O monitoramento remoto impulsionado por IA envia lembretes de medicação, sinaliza anomalias e recomenda intervenções em tempo real—especialmente valioso para doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

 

11. Dispositivos Conectados e Wearables:

Dispositivos inteligentes monitoram sinais vitais, detectam irregularidades cardíacas e permitem intervenções precoces, empoderando os pacientes e oferecendo tranquilidade às equipes de saúde.

Atualmente, mais de 70% das organizações de saúde no mundo estão testando ou implementando soluções de IA para melhorar a experiência dos pacientes e otimizar operações. A combinação da IA com outras tecnologias digitais está inaugurando uma nova era de cuidado eficiente, personalizado e preventivo.

 

Olhando para o futuro, as possibilidades são ainda mais promissoras. Soluções inovadoras como os gêmeos digitais de pacientes—réplicas digitais dinâmicas baseadas em dados do mundo real—já estão permitindo simulações precisas de respostas a tratamentos, acelerando a pesquisa clínica e tornando as terapias personalizadas viáveis em escala global. 

A cada novo avanço, a IA reforça seu papel central na construção de um sistema de saúde mais inteligente, acessível, humano e sustentável—capaz de transformar vidas e redefinir o que é possível na medicina.

 

Dassault Systèmes
www.3ds.com


Implante de Testosterona: quais são os prós e contras do hormônio?

Ginegologista Loreta Canivilo relata benefícios e malefícios do hormônio em mulheres 

 

A Testosterona é o hormônio primordial no corpo do homem. Mas, ele não se encontra somente em corpos masculinos. A Testosterona tem uma função importante na reprodução da mulher em pequena quantidade no corpo feminino.

Com a chegada da menopausa, o nível desse hormônio diminui muito. “Em mulheres a Testosterona é produzida no ovário na glândula suprarrenal, mas com a chegada da menopausa, esse hormônio produzido no ovário é perdido, porém a outra parte continua sendo produzida na suprarrenal, entre tanto, em algumas mulheres esse pouco de Testosterona não é o suficiente para manter a vida sexual ativa e nem garantir a massa magra do corpo” conta a médica ginecologista Loreta Canivilo.

A Testosterona é importante não somente para manter a libido, mas também para o cérebro, osso, músculo, além de manter o nível de insulina e glicose no corpo. Sendo assim é necessário repô-la na menopausa para que haja mais qualidade de vida. Confira os principais benefícios do implante hormonal:


Prevenção de prolapsos pélvicos

Para mulheres que tiraram o útero e sofrem com o prolapso da musculatura pélvica, também conhecido como "bexiga caída", a reposição de Testosterona pode ser benéfica. Segundo alguns trabalhos, mulheres que fizeram a administração da Testosterona por seis meses apresentaram uma melhora do quadro.


Incontinência urinária

De acordo com estudos, a administração da Testosterona pode melhorar casos de incontinência urinária - especialmente em mulheres idosas.


Fortalecimento da musculatura

A administração da Testosterona exógena em mulheres histerectomizadas, com deficiência androgênica, resultou em aumentos significativos da área do músculo central, que foi avaliada por Ressonância Magnética (RM).

Embora sejam várias as vantagens desse tratamento, existem contraindicações. Confira quais são:


Efeitos androgênicos

Ao fazer a reposição de Testosterona com valores sanguíneos que fiquem acima de 150 ng/di, sintomas como acne, espinhas e queda de cabelo passam a ser comuns. Portanto, é importante usar doses que se distanciem de níveis séricos masculinos.


Mulheres que passaram anos sem hormônios

Quando a mulher relata que está há mais de 10 anos sem usar nenhum hormônio, a reposição de Testosterona passa a ser questionável, já que parte da Testo vira estradiol. Além disso, a Testosterona pode ocupar certos receptores - alguns tumores têm receptores positivos para a Testosterona.


Quem não pode usar?

Pacientes que passaram da janela de oportunidade e que têm câncer de mama, não podem fazer a reposição de Testosterona. Porém, essas mulheres podem ser beneficiadas com o uso da Testosterona vaginal em baixíssimas doses. Além disso, por falta de conhecimento, existe uma restrição muito grande na prescrição.

   

Dra. Loreta Canivilo - Médica ginecologista, obstetra e gineco endócrino, é especialista em reposição hormonal feminina, estética íntima feminina e tratamentos de doenças do útero e endométrio. A profissional possui diversas pós-graduações em instituições de referência como: Reprodução, Ginecologia Endócrina no Hospital Sírio Libanês e Medicina em Estado da Arte no Hospital Albert Einstein. É especialista em Nutrologia e Endocrinologia pela Faculdade Primum, referência em educação em medicina. Nas redes sociais, Loreta já possui mais de 80 mil seguidores - @draloreta, e oferece conteúdo explicativo sobre assuntos relacionados à saúde da mulher, gestação, reposição hormonal e implantes. Loreta Canivilo também é idealizadora de projeto social, em parceria com o Instituto Primum – onde também ministra aulas -, que promove atendimento de saúde feminina gratuito a mulheres em situação de vulnerabilidade.



Como cuidar das alergias de pele na primavera

Dermatologista Fátima Tubini explica cuidados para ter com a pele nessa época do ano 

 

A primavera chegou e com ela dias mais quentes.  Na estação mais florida do ano, o aumento de pólen e de exposição aos fungos, plantas, sol e animais, podem ocasionar em alergias.

A alergia trata-se do sistema imunológico, quando uma substância libera uma reação exagerada, que é controlada por anticorpos ou por células. “Quando essa doença aparece, alguns sintomas os acompanham, como, queimação, coceira, ardência, inchaço e vermelhidão” diz a médica dermatologista Fátima Tubini.

É possível identificar diversos tipos de alergias. “Alérgenos sazonais, animais, alimentares, insetos e ambientais. Sendo os sazonais e ambientais os mais comuns na primavera” conta Tubini.

Conheça quais são as alergias que podem se manifestar na pele nesta época do ano e como cuidar delas.

Dermatite Atópica: Também conhecida como eczema, a dermatite atópica é uma condição crônica da pele que pode piorar com alergias ambientais, como pólen. Para tratar essa alergia use um hidratante hipoalerênico regular e evite sabonetes e produtos de limpeza agressivos, escolha roupas de algodão suave.

Urticária: A urticária é uma doença revelada por manchas vermelhas ou placas elevadas que coçam intensamente. Ela pode ser desencadeada por alérgenos, incluindo pólen, bem como alimentos e medicamentos.

Cuide dessa alergia tomando antialérgicos conforme prescrito pelo seu médico para aliviar a irritação e a inflamação. E tente identificar e evitar o alérgeno ou gatilho que acione a sua alergia.

Dermatite de contato: Esta é uma alérgica que ocorre quando a pele entra em contato com uma substância alergênica. Na primavera, isso pode incluir o contato com plantas, como a hera venenosa, que pode causar erupções dramáticas dolorosas.

Consulte um dermatologista para determinar a causa da sua alergia e em casos leves, cremes com corticosteroides à venda livre podem ajudar a reduzir a inflamação.

Picadas de insetos: Com a chegada da primavera, os insetos voltam a ser uma preocupação, e as picadas de insetos podem desencadear reações alérgicas na pele, como surtos, lesões e incidências.

Para evitar essa alergia use repelentes de insetos quando estiver ao ar livre. Vista roupas de manga longa e calças compridas ao sair, especialmente em áreas abertas. E caso for picado, aplique uma pomada antisséptica.

Dermatite de contato alérgica ao sol: Algumas pessoas desenvolvem uma ocorrência alérgica à exposição solar, conhecida como dermatite de contato alérgica ao sol. Isso pode causar erupções cutâneas, bolhas e irritações após a exposição ao sol.

Evite exposição solar, utilize protetor solar de preferência sendo eles hipoalergênicos e sem fragrâncias e use roupas com protetor solar que bloqueie os raios UV.

A especialista alerta que cada caso é único e o agendamento de uma consulta com um dermatologista ou alergista antes do consumo de qualquer tipo de medicamento via oral ou a aplicação de medicamentos via cutânea é fundamental.

  

Dra. Fátima Tubini - Referência em cuidados e tratamentos dermatológicos, atua na área da dermatologista há quase 20 anos. Com ampla experiência, a especialista é graduada em Ciências Médicas e possui o título de Especialista em Dermatologia concedido pela AMB e Sociedade Brasileira de Dermatologia. Em sua trajetória, trabalhou com o público infantil na área de pediatria. Atualmente, a profissional proporciona através de procedimentos dermatológicos e estéticos benefícios para a saúde e bem-estar dos seus pacientes.



Uso excessivo de descongestionante nasal pode aumentar risco de infarto, alerta cardiologista

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Com o aumento de dias mais secos, o uso de descongestionantes nasais se torna comum entre pessoas que sofrem com rinite, sinusite ou simplesmente querem aliviar aquela sensação de nariz entupido. No entanto, o uso frequente desses medicamentos, e sem orientação, pode trazer sérios riscos à saúde, incluindo problemas cardiovasculares, como o infarto do miocárdio. 

Segundo o cardiologista e coordenador do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, Dr. Leandro Jardim, o que pouca gente sabe é que os descongestionantes agem de forma sistêmica, podendo interferir diretamente na saúde do coração. “Esses medicamentos contêm substâncias vasoconstritoras, como a nafazolina, fenilefrina ou oximetazolina. Elas contraem os vasos sanguíneos nas mucosas nasais, o que reduz o inchaço e melhora a respiração. O problema é que essa ação não se restringe apenas ao nariz, já que o efeito vasoconstritor também pode atingir outros vasos do corpo, incluindo os que irrigam o coração”, explica. 

Leandro aponta que, quando absorvido pelo organismo, o descongestionante pode elevar a pressão arterial, aumentar a frequência cardíaca e provocar um esforço adicional no sistema cardiovascular. “Pessoas com predisposição a doenças cardíacas, hipertensos ou idosos correm mais risco. Em alguns casos, o uso contínuo desses medicamentos pode causar crises hipertensivas e, em situações extremas, levar a arritmias ou até infartos,” alerta o médico.

 

Para que serve e quando usar com segurança 

Os descongestionantes nasais são indicados para o alívio temporário da congestão provocada por gripes, resfriados, rinite alérgica ou sinusite. O ideal, segundo o especialista, é limitar o uso a no máximo 3 a 5 dias consecutivos. “Após esse período, o organismo pode desenvolver um efeito rebote, ou seja, o nariz volta a entupir ainda mais, levando o paciente a usar o remédio com mais frequência e iniciar um ciclo de dependência,” salienta Leandro Jardim. 

Entre os principais riscos associados ao uso contínuo estão aumento da pressão arterial, taquicardia, ansiedade, insônia, dependência nasal (uso crônico), agravamento de doenças cardiovasculares preexistentes ou ainda infarto do miocárdio em casos mais graves, como já mencionado. 

Dr. Leandro Jardim reforça que o descongestionante não deve ser a primeira escolha para tratar congestão nasal. Lavagens nasais com soro fisiológico e tratamento das causas alérgicas ou infecciosas são mais seguros e eficazes a longo prazo. “O melhor caminho é sempre buscar orientação médica. O uso indiscriminado, mesmo de medicamentos de venda livre, pode ter consequências graves. Quem tem histórico de hipertensão ou problemas cardíacos deve evitar o uso sem liberação do médico,” finaliza.

 

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