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quinta-feira, 10 de abril de 2025

Seis em cada dez empresas paulistas sentem impactos climáticos, mas maioria tem dificuldades de adotar práticas sustentáveis


Altos custos com medidas verdes e falta de capacitação técnica impedem

ações das empresas, aponta FecomercioSP; Entidade lançará Agenda Verde nesta quinta (10)

 

De cada dez empresas paulistas, seis (64,5%) foram impactadas de alguma forma pelas mudanças climáticas no último ano [gráfico 1] — desde chuvas excessivas que fizeram com que estabelecimentos interrompessem operações até o calor intenso que afetou cadeias de fornecimento inteiras, por exemplo. Esses dados são de uma sondagem do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), às vésperas do lançamento da sua Agenda Verde.

 

Não é à toa, então, que praticamente metade (44,5%) dos negócios relate prejuízos financeiros em decorrência dos efeitos adversos do clima [gráfico 2], como queda nas receitas pelos dias parados ou reposição de mercadorias perdidas, entre vários outros casos. 

 

A sondagem foi realizada com 200 empresas do Estado de São Paulo entre os dias 27 de fevereiro e 21 de março. 

 

Em 2024, vale dizer, o Estado experimentou a pior seca desde 1982, no período entre os meses de maio e agosto, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O órgão chegou a observar que 60% das cidades estavam em seca extrema na metade do ano. Já em outubro passado, por causa das chuvas fortes, a capital ficou muitos dias sem fornecimento de eletricidade, somando um prejuízo de R$ 2 bilhões para as empresas. No começo de 2025, as tempestades voltaram a prejudicar o comércio de áreas centrais de muitos municípios paulistas.

No primeiro semestre do ano passado, para lembrar, a FecomercioSP fez esse mesmo estudo na cidade de São Paulo e descobriu que metade (51%) dos negócios paulistanos vinha sofrendo impactos climáticos, dos quais cerca de um terço (35%) tinha somado prejuízos. 

Ainda assim, mesmo diante de números elevados — e do fato de a maioria (61,5%) dos entrevistados classificar a questão climática como “muito relevante” —, o empresariado ainda lida com dificuldades de investir em medidas mais sustentáveis. Os dados da Federação apontam que 58% dos negócios no Estado não contam, hoje, com qualquer tipo de ação focada na redução de emissões dos gases que geram o efeito estufa [tabela 3]. 

[GRÁFICO 1]

Quanto o seu negócio foi impactado por fatores climáticos adversos no último ano?

Sondagem com 200 empresas — Março de 2025

Fonte: FecomercioSP


 

[GRÁFICO 2]

O seu negócio teve algum prejuízo financeiro por causa desses fatores climáticos?

Sondagem com 200 empresas — Março de 2025

Fonte: FecomercioSP


 

[GRÁFICO 3]

Quanto o seu negócio está disposto a investir, futuramente, em reduçãoo de emissões?

Sondagem com 200 empresas — Março de 2025

Fonte: FecomercioSP



Na leitura do Conselho de Sustentabilidade da Entidade, isso acontece porque o empresariado ainda não tem consciência da própria força para colher melhorias ambientais coletivas. Além disso, a categoria não se dá conta de que essa é uma demanda inequívoca dos seus consumidores. Há a percepção, na verdade, de que os clientes até se interessam pela pauta, mas não topam pagar mais por produtos associados a temas sustentáveis.

Mas não é só isso: a maior parte das empresas ouvidas no estudo (40%) diz que faltam recursos financeiros para investir em práticas mais sólidas, e outras 26% admitem não ter conhecimento técnico suficiente para ações do tipo [tabela 3]. São gargalos típicos de economias emergentes, em que a transição verde esbarra em limitações de capital e em capacitação.  

Em razão desses fatores, a FecomercioSP acredita que há um descompasso entre a conscientização ambiental que o empresariado tem hoje e a internalização prática da sustentabilidade nos próprios modelos de negócio. 

 

Práticas de baixo custo são mais comuns Isso se vê também no universo de 15,5% de negócios que apresentam medidas, mas sem metas estipuladas para reduzir gases, enquanto outros 15% têm objetivos claros, porém não são de conhecimento público. Somadas as variáveis, 42% das empresas adotam alguma ação atualmente — o que não é de todo ruim.

 

No entanto, quando questionadas acerca das práticas para a descarbonização do negócio, a maioria cita uma ação bastante simples: destinação de resíduos orgânicos à compostagem, feita por 69% dos negócios que disseram adotar alguma ação sustentável. O uso de etanol em vez de gasolina, na frota, também é muito mencionado (79,8%). Ambas as práticas são excelentes, porém de baixo custo, diferentemente da geração da própria energia renovável ou do uso de veículos híbridos ou elétricos, por exemplo.

 

No âmbito da economia circular — em que a FecomercioSP atua há bastante tempo com negócios de vários nichos e tamanhos —, existe mais adesão, mas somente no campo dos resíduos. A sondagem mostra que, das empresas entrevistadas, 28,6% fazem a triagem para a reciclagem e 13,9%, para a compostagem. Há ainda aquelas que levam itens recicláveis a ecopontos (18,1%) ou que participam de programas de logística reversa (17,4%).

 

[TABELA 1]

O seu negócio adota medidas para redução de emissões de gases do efeito estufa?

Sondagem com 200 empresas — Março de 2025

Fonte: FecomercioSP

 

[TABELA 2]

Quais medidas o seu negócio adota para reduzir as emissões de gases 

(entre aquelas que responderam que adotam alguma medida)?

Sondagem com 200 empresas — Março de 2025

Fonte: FecomercioSP

 

[TABELA 3]

Qual é a maior barreira para adotar práticas de redução de emissões?

Sondagem com 200 empresas — Março de 2025

Fonte: FecomercioSP




Na avaliação do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, todos esses números revelam um cenário de transição em curso, a despeito da ambiguidade que persiste em relação às mudanças climáticas. De um lado, há o reconhecimento de que são reais e têm efeitos concretos sobre os negócios. Mas, por outro, existem muitos gargalos que impedem uma atuação mais efetiva — que vão desde dificuldades envolvendo os custos operacionais até leis que não favorecem essa transformação de forma mais efetiva e rápida.

Por tudo isso, o avanço rumo a uma economia de baixo carbono, na agenda do País há tempos, dependerá de políticas públicas integradas, além de mecanismos de financiamento verde e investimentos em capacitação técnica. Em paralelo, é preciso conscientizar os consumidores da própria relevância nesse processo — e de como, em parte, virá deles a mudança ambiental que o Brasil e o mundo precisam.


FecomercioSP lança Agenda Verde


A FecomercioSP lança, nesta quinta-feira (10), a sua Agenda Verde, elencando um conjunto de objetivos (veja todos aqui) que a Entidade entende como as prioridades ambientais que o Brasil deve assumir até 2030, envolvendo aceleramendo de políticas para transição energética, ajustes na recém-aprovada regulação do mercado de carbono e desenvolvimento de uma economia mais circular até zerar o desmatamento ilegal, que já faz parte do escopo das metas do governo federal. 

O evento vai reunir nomes do setor privado, da sociedade civil organizada e do Poder Público, na sede da Federação, em São Paulo. Dentre os presentes, estão o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, e gestores de empresas como Assaí Atacadista, Carrefour, Leroy Merlin, Pernambucanas e Casas Bahias. Confira a programação aqui

 

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O golpe das falsas corretoras e o uso de Inteligência Artificial para enganar investidores


Nos últimos anos, o Brasil tem sido palco de uma série de golpes financeiros de proporções bilionárias, muitos dos quais envolvendo esquemas sofisticados de falsas corretoras que simulam operações com criptoativos, Forex e investimentos em bolsa. O que chama a atenção é que, numa nova geração desses esquemas, a tecnologia de inteligência artificial (IA) passou a ser uma aliada dos criminosos, permitindo fraudes em larga escala com altíssima taxa de conversão.

Esse foi o caso de plataformas como EBDOX, TDASX, IXXEN e CRXXE, que se apresentavam como corretoras internacionais, oferecendo rentabilidades atrativas e acesso a mercados financeiros globais. Entretanto, tudo não passava de uma estrutura fraudulenta baseada em simulação de operações e falsificação de identidade institucional.

A primeira fase do golpe é a mais sutil: a captação inicial de investidores por meio de inteligência artificial aplicada em vídeos falsos. Circulam nas redes sociais (Instagram, YouTube, Facebook e TikTok) vídeos onde figuras conhecidas do mercado financeiro, como Luiz Barsi, sua filha Louise Barsi, e o ex-ministro da Economia Paulo Guedes aparecem falando diretamente com o público. Nessas gravações, com uso de IA generativa de imagem e voz, essas personalidades convidam o investidor a ingressar em um suposto "grupo seleto de oportunidades" no WhatsApp, alegando que compartilham ali as melhores oportunidades de investimento.

Trata-se, obviamente, de uso fraudulento e não autorizado de imagem e voz, com alto grau de realismo, capaz de induzir ao erro até mesmo pessoas com algum grau de instrução financeira.

Uma vez dentro do grupo de WhatsApp, o próximo passo é o contato com um suposto "professor" ou "especialista". Aqui, também entra em cena a inteligência artificial. A identidade do "professor" é completamente fictícia, com imagem gerada por IA e interações exclusivamente por mensagens de texto. As mensagens enviadas nos grupos são geradas por ferramentas de IA que imitam uma linguagem coloquial, persuasiva e técnica.

Esse "mentor" oferece dicas de investimentos, análises gráficas, previsões de mercado e supostas "aulas gratuitas", tudo com um único objetivo: construir uma relação de confiança para conduzir o investidor a abrir conta na plataforma falsa, realizar o primeiro aporte e iniciar o ciclo de fraude.

As respostas automatizadas aos questionamentos também revelam uso de IA conversacional, que simula atendimentos em tempo real e gera uma ilusão de suporte constante e personalizado. Os criminosos automatizam todo o funil de venda e criação de autoridade usando tecnologia de ponta.

Esse modus operandi marca uma nova era de golpes financeiros: a era das fraudes com IA. As ferramentas de deepfake, voice clone e chatbots de suporte vêm sendo utilizadas para aplicar estelionatos com uma precisão e escala sem precedentes.

Por isso, é urgente que o sistema financeiro, os órgãos de investigação e a própria sociedade compreendam que a tecnologia, se não regulada e fiscalizada, pode se transformar em arma contra os cidadãos.

A investigação em curso contra as falsas corretoras mencionadas precisa incluir, de forma prioritária, a análise técnica dos conteúdos veiculados nas redes e grupos de WhatsApp, com rastreio de origem dos materiais de IA, identificação de ferramentas utilizadas e os dispositivos responsáveis pelos disparos automatizados.

Mais do que investigar os operadores visíveis, é fundamental mapear quem forneceu infraestrutura, hospedagem, domínios, serviços de IA e pagamentos. O combate a esse novo modelo de fraude demanda uma atuação integrada, transnacional e especializada.

Este é apenas o começo de uma nova geração de crimes digitais. E o Brasil precisa se preparar.



Jorge Calazans - advogado especialista na área criminal, conselheiro estadual da Anacrim e sócio do escritório Calazans & Vieira Dias Advogados, com atuação na defesa de vítimas de fraudes financeiras


Para Federação, obrigatoriedade de visto americano vai prejudicar Turismo no Brasil

 
Em resposta ao tarifaço imposto por Donald Trump (Partido Republicano), governo federal brasileiro deve editar medida nesta quinta-feira (10/4), incluindo Austrália e Canadá; para Fhoresp, decisão afugentará turistas estrangeiros

 

A Federação dos Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) acredita que o Brasil vai sofrer impactos negativos no Turismo, caso o governo brasileiro insista no retorno da exigência do visto para americanos, australianos e canadenses. A medida, prevista para ser editada nesta quinta-feira (10/4), é uma resposta ao tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump (Partido Republicano). A Fhoresp prevê a perda de visitantes para países vizinhos, que não exigem o documento. 

Desde 2019, não é obrigatório no Brasil o visto por parte de americanos. A exigência caiu no governo de Jair Bolsonaro (PL), via decreto presidencial unilateral - ou seja, brasileiros ainda precisam de permissão outorgada por postos consulares para acessar os Estados Unidos. De lá para cá, muitos setores brasileiros se beneficiaram com a medida, incluindo o Turismo, uma vez que a exigência de visto pode ser impeditivo para quem deseja viajar, seja pela burocracia ou pelo tempo de espera para a emissão. 

Para o diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto, a retaliação pretendida pelo governo federal ao tarifaço pode prejudicar o próprio País, pois vai afugentar turistas de fora. Desde 2/4, Trump tem imposto aumento de tarifas a 180 países que exportam para os Estados Unidos produtos e matéria-prima - o que inclui o Brasil. As novas taxas variam de 10% a 104%, dependendo da nação: 

“Não de hoje, o Brasil é destino de longa distância para europeus, americanos e asiáticos. Com esta obrigatoriedade de visto no Brasil, vamos perder visitantes para outros países. Isso vai influenciar no faturamento do Turismo, e, aí, falo em hotéis, restaurantes, bares e atividades de recreação e de lazer - o trade como um todo. Isso vai impactar negativamente, inclusive, as estratégias e o trabalho da Embratur”, lembra Edson, ao citar a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). 

Quem tiver o Brasil como destino, partindo dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália, a partir desta quinta-feira, deverá solicitar visto on-line, sob taxa de US$ 80,90, caso o governo federal volte, mesmo, a exigir o documento. A permanência do estrangeiro em solo brasileiro também não poderá ultrapassar 90 dias. 

Segundo o representante da Fhoresp, enquanto o Brasil não consegue, nos dias de hoje, ultrapassar a média de 7 milhões de turistas, o México recebe 20 milhões de estrangeiros, anualmente - diferença que deve ficar ainda mais latente a partir da retomada de exigência do visto americano: 

“O Brasil sairá perdendo. Vamos passar a disputar o turista com países como Colômbia, Chile, Peru, Costa Rica, Argentina e México, que não exigem visto. Se a União for em frente com essa medida, estaremos adicionando uma restrição ao Brasil que vai impactar diretamente e negativamente o Turismo, que já atua com dificuldades”, reforça. 

A Fhoresp ainda faz ressalvas em relação ao desempenho do Turismo Internacional brasileiro perante outras nações que já são destinos consolidados. A França, uma das referências na Europa, recebe 100 milhões de turistas ao ano. Já os Estados Unidos, bate a marca dos 70 milhões: 

“O governo federal está misturando alhos com bugalhos; taxa com visto! Isso é catastrófico! É preciso que o Brasil compreenda o momento político norteamericano, exerça sua diplomacia e defenda os interesses nacionais, mas a análise deve ser ampla e aprofundada, para que o Turismo não pague o preço e saia no prejuízo”, finaliza Edson Pinto.



Trabalho híbrido melhora produtividade e fortalece vínculo com a empresa, mostra pesquisa

Mesmo com retorno ao presencial, trabalho híbrido continua sendo o modelo mais produtivo

 

O modelo de trabalho híbrido tem se consolidado como uma verdadeira revolução nas dinâmicas corporativas, impactando não apenas a gestão de equipes, mas também a qualidade de vida dos colaboradores. Mais do que uma tendência passageira, o trabalho híbrido está se estabelecendo como uma prática que oferece flexibilidade e promove o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, especialmente para as mulheres.

De acordo com uma pesquisa recente da WeWork Latam, 67% das mulheres afirmaram que se sentem mais leais às empresas que oferecem flexibilidade no formato de trabalho. “Empresas que compreendem a importância da flexibilidade, especialmente para as mães, estão criando um ativo valioso: a lealdade de suas colaboradoras”, afirma Bárbara Nogueira, Diretora e Headhunter da Prime Talent. “A flexibilidade é importante, principalmente durante os primeiros anos de vida dos filhos, e tem um impacto profundo na vida profissional e pessoal das mulheres.”

Além disso, a pesquisa revelou que 79% das mulheres observam um aumento significativo na produtividade com o trabalho remoto. “O trabalho híbrido não é apenas sobre conveniência, é uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos colaboradores, o que, por sua vez, reflete diretamente na performance profissional”, destaca Bárbara Nogueira.

O estudo também apontou que 72% das mulheres notaram uma melhoria significativa na sua qualidade de vida e saúde ao adotar o modelo híbrido. “O modelo híbrido permite que os colaboradores sejam mais produtivos e ao mesmo tempo mais saudáveis, o que resulta em um ambiente de trabalho mais resiliente e humano,” completa a especialista.

Empresas que adotam esse modelo têm se mostrado mais eficientes na retenção de talentos e na criação de ambientes de trabalho mais saudáveis. “A flexibilidade de horário e local de trabalho surge como uma solução simples, mas altamente eficaz, e muitas vezes mais acessível do que iniciativas como creches corporativas,” afirma Bárbara.

Outro dado relevante da pesquisa mostra que 58% das mães que vivenciaram o home office não abririam mão dessa flexibilidade, destacando uma mudança de mentalidade significativa. “Essa flexibilidade não só fortalece o vínculo dos colaboradores com a empresa, mas também cria uma cultura corporativa mais alinhada com as necessidades pessoais e familiares dos profissionais,” conclui Bárbara Nogueira.

O trabalho híbrido vai além de uma simples conveniência: ele fortalece vínculos duradouros entre as empresas e seus colaboradores, permitindo que as mães vivenciem plenamente a maternidade sem comprometer seu desenvolvimento profissional.

 


Bárbara Nogueira - Diretora, Career Advisor & Headhunter da Prime Talent, empresa presente em 27 países pelo Agilium Group. Ao longo de sua carreira, já avaliou mais de 15 mil executivos de alta gestão. Ela é Conselheira de Administração pela Fundação Dom Cabra | FDC e do ChildFund Brasil, além de possuir certificação em Executive Coaching pela International


Dia do Café: saiba quais os benefícios e riscos da bebida

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A bebida pode melhorar a concentração, memória e produtividade - mas é preciso ter alguns cuidados ao consumi-la.

 

Vai um cafezinho? Se fizer a pergunta no Brasil, provavelmente a pergunta será sim. Segundo o último levantamento realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), 44% dos brasileiros consomem a bebida de três a cinco vezes ao dia. Um dos motivos está associado à estratégia para melhorar o desempenho nos estudos, prática comum entre estudantes. A cafeína tem efeitos comprovados sobre o corpo e o cérebro, e muitos acreditam que ela seja um aliado na busca por concentração, memória e produtividade.  

De fato, pesquisas científicas apontam que o consumo moderado de cafeína pode trazer benefícios significativos para a rotina de estudos. De acordo com o artigo A Segurança da Cafeína Ingerida: Uma Revisão Abrangente, a substância aumenta a atenção, energia e sentimento de bem-estar. O conteúdo explica que a cafeína é quimicamente semelhante ao neuromodulador adenosina, que se acumula ao longo do dia e induz sonolência para dormir durante a noite. Por isso, ela consegue se ligar aos receptores de adenosina presentes no cérebro, bloqueando os efeitos da adenosina, permitindo que a dopamina flua mais livremente.  

A ingestão da bebida, porém, não deve ser vista como uma solução milagrosa. Embora a cafeína possa ser útil em momentos de cansaço mental, ela não substitui práticas para o desempenho acadêmico, como uma boa alimentação, qualidade no sono e a prática de exercícios físicos. Para o biólogo Paulo Jubilut, professor e fundador do Aprova Total – plataforma de estudos que prepara estudantes para vestibulares, “a cafeína pode oferecer um suporte temporário, mas ela não deve ser vista como uma solução permanente para a falta de foco ou disposição". 


Precauções ao consumir café 

Pesquisas indicam que o consumo moderado de cafeína é seguro para a maioria das pessoas. No entanto, se consumida em excesso, a substância pode provocar efeitos colaterais indesejados. "Doses elevadas de cafeína podem resultar em taquicardia, ansiedade, tremores e até insônia", alerta Jubilut.  

Para garantir que o consumo de cafeína seja benéfico, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda um limite diário de 400 mg de cafeína para adultos saudáveis. Isso equivale a duas ou três xícaras de café por dia. Porém, a pesquisa da ABIC revelou que 29% dos brasileiros consomem três ou mais xícaras de café diariamente, ultrapassando essa recomendação. 

Além disso, especialistas sugerem que o café seja evitado após as 16 horas, pois ele pode interferir no sono noturno. Isso acontece porque a cafeína leva, em média, 7 horas para ser metabolizada pela metade, o que significa que seus efeitos podem durar mais tempo do que se imagina. 

Vale lembrar que, além do café, outras bebidas e alimentos como chás, refrigerantes, energéticos, chocolates e alguns medicamentos também contêm cafeína. "É importante controlar o consumo total ao longo do dia para não exceder os limites recomendados", alerta Jubilut. 

 

5 erros que devem ser evitados ao abrir um restaurante

Abrir um restaurante é o sonho de muita gente, mas alguns erros podem transformar-lo em pesadelo. E foi pensando nisso, que o especialista em negócios gastronômicos, Marcelo Politi, trouxe dicas para evitar que isso aconteça.


  1. Salão vazio no primeiro dia

A inauguração é o momento que todos os olhos estão voltados ao negócio, sendo assim, o salão vazio pode deixar uma impressão negativa. O ideal é fazer um investimento para encher a casa e estrear com sucesso.

Um convite atrativo pode chamar a atenção dos apaixonados pela gastronomia. Usar a exclusividade é uma poderosa arma, já que um convite VIP pode criar uma conexão emocional para quem está recebendo. Usar as redes sociais, influenciadores para divulgação, criar anúncios direcionados e promover hashtags exclusivas também estimulam o engajamento e a disseminação do convite entre os usuários.

Criar expectativas com uma pequena história sobre a visão do restaurante, o carinho nos preparos dos pratos e como cada detalhe foi planejado pode surpreender. Uma prévia do menu, a presença de chefs renomados ou o uso de ingredientes exclusivos também reforçam a qualidade e a sofisticação do evento.


  1. Precificação errada

Muitos empreendedores se preocupam com a decoração, equipe e cardápio, mas esquecem de dar o preço certo para cada item. Uma dica é criar uma ficha técnica para saber exatamente qual é o lucro, evitando surpresas desagradáveis no fim do mês.

Determinar o preço ideal de um prato exige compreender o valor percebido pelo cliente e os custos envolvidos, incluindo ingredientes e preparação. É preciso agregar a narrativa da experiência gastronômica e considerar fatores como a localização e o público-alvo. A partir desses elementos é possível estabelecer uma margem de lucro desejada e praticar a precificação baseada em valor.


  1. Falta de foco em um público específico

Não adianta querer agradar todo mundo, portanto é importante pensar no perfil do cliente, começando com a definição clara do conceito do restaurante. Qual será a experiência oferecida aos clientes?

É essencial alinhar o conceito com as expectativas do público-alvo e as tendências de mercado. Isso mostra um restaurante vibrante e atraente, fazendo com que seja escolhido em meio a tantos outros.


  1. Contratar pouca gente

No início é comum que parte da equipe desista nos primeiros dias, portanto o ideal é contratar 30% a mais do que o número de funcionários para não ficar na mão de uma hora para a outra. É um custo adicional, mas pode garantir que não caia o movimento por falta de atendimento.

Criar um time engajado leva tempo, pois algumas táticas são necessárias para isso, como: processo de recrutamento focado em valores e não apenas em competências técnicas; capacitação e motivação por meio de treinamentos eficazes e feedback construtivo, além da definição clara das funções e responsabilidades.


  1. Falta de atenção ao fluxo de caixa

Para Politi esse é o pior de todos os erros, pois o controle de caixa é vital para a saúde do negócio. Segundo o especialista, é preciso acompanhar diariamente todas as entradas e saídas. “O saldo do caixa é o que vai determinar o sucesso ou o fracasso de um restaurante”, explica.

As causas mais comuns da quebra de caixa incluem erros de contagem e despesas não registradas. No ambiente agitado de um restaurante, por exemplo, é fácil que ocorram enganos ao dar troco ou ao não registrar uma compra de última hora. Estas discrepâncias podem parecer pequenas, mas se acumuladas, impactam negativamente nas finanças da empresa.

Para prevenir a quebra de caixa é importante implementar um sistema de controle financeiro rigoroso. Isso inclui monitoramento diário do fluxo de caixa, criação de um orçamento realista e geração de relatórios frequentes. Ademais, investir no treinamento dos funcionários sobre gestão de caixa e utilizar tecnologias como sistemas de ponto de venda e softwares de gestão financeira ajudam a evitar erros e a manter o negócio lucrativo e eficiente.

 

Marcelo Politi - formado em hotelaria e gastronomia pela Ecole des Roches (Association Suisse d’Hôtellerie), na Suiça e pós-graduado em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Aos 29 anos, foi o primeiro executivo contratado como diretor de Marketing pela rede de hotéis francesa Sofitel no Brasil. Foi responsável pela implantação e gestão das operações do Hard Rock Café no Brasil e gerenciou mais de 500 funcionários. O empresário é fundador da Politi Academy, uma empresa focada em trazer lucro, controle e crescimento para donos de negócios de alimentação, por meio de cursos de gestão, administração, marketing, planejamento, treinamento de equipe, entre outros que envolvam um negócio que tenha comida como serviço.


SP Pra Toda Obra: Construção de Áreas de Descanso para Caminhoneiros somam R$ 58,8 milhões em investimento


Investimento que integra as ações do maior programa de modernização e melhorias do sistema rodoviário da história do estado

 

 ADC da SP-284, em Martinópolis, está com 97,5% das obras concluídas (Divulgação/Eixo SP)

 

Com investimento total de R$ 58,8 milhões, a concessionária Eixo SP está concluindo a construção de nove Áreas de Descanso para Caminhoneiros (ADCs) ao longo do trecho rodoviário administrado, sob a supervisão da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A entrega das instalações está prevista para o primeiro semestre deste ano, com avanço significativo nas obras, que já atingiram entre 85,5% e 97,7% de execução. 

Os apoios estão estrategicamente instalados às margens de rodovias nos municípios paulistas de Santa Maria da Serra, Martinópolis, Flórida Paulista, Iacri, Garça, Itirapina, Itapuí e Brotas. O objetivo é oferecer condições seguras para que os motoristas possam descansar e cumprir a Lei dos Caminhoneiros, que exige uma pausa de 11 horas ininterruptas a cada 24 horas. 

As ADCs têm área construída superior a 20 mil metros quadrados, conforme preconiza o contrato de concessão, e contam com infraestrutura completa, como banheiros, chuveiros, vestiários masculino e feminino, refeitório e lavanderia. Para a segurança dos usuários, haverá portaria 24 horas para entrada e saída dos veículos, com espaço totalmente iluminado e monitoramento por câmeras.  

As áreas interna e externa terão conexão Wi-Fi, a exemplo do que já é oferecido nas bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) da concessionária. Os serviços exclusivos para os caminhoneiros, como estacionamento, refeitório, vestiário e sala de descanso, serão gratuitos por até 12h de permanência no local. 

De acordo com Robinson Avila, diretor de Engenharia da Eixo SP, a implantação e a operação de áreas de descanso atendem às necessidades dos caminhoneiros de forma mais ampla e eficiente. “Esses apoios desempenham um papel importante para segurança desses profissionais essenciais, bem como ao tráfego nas rodovias”, destaca. 

Juntas, as nove ADCs terão capacidade para atender 450 caminhoneiros por dia. Embora as estruturas sigam o mesmo padrão de atendimento, garantindo serviços uniformes aos usuários, poderão ocorrer variações em aspectos operacionais e complementares, dependendo da localização e da demanda específica de cada unidade. 

 

Confira a localização dos apoios, número de vagas oferecidas e a evolução de cada obra: 

·         ADC 01 - Rodovia Geraldo de Barros (SP-304) km 220+950, sentido oeste, em Santa Maria da Serra – 40 vagas de estacionamento – 85,5% da obra concluída

·         ADC 02 - Rodovia Prefeito Homero Severo Lins (SP-284) km 544+700, sentido leste, Martinópolis – 40 vagas – 97,5% concluída

·         ADC 03 - Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) km 609+390, sentido oeste, Flórida Paulista – 40 vagas – 93,7% concluída

·         ADC 04 - Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) km 543+890, sentido oeste, Iacri – 40 vagas – 96% concluída

·         ADC 05 - Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) km 390+540, sentido leste, Garça – 40 vagas – 97,7% concluída

·         ADC 06 - Rodovia Washington Luís (SP-310) km 205+400, sentido norte, Itirapina – 70 vagas – 93,2% concluída

·         ADC 07 - Rodovia Washington Luís (SP-310) km 203+280, sentido sul, Itirapina – 70 vagas – 93,5% concluída

·         ADC 08 - Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225) km 197+260, sentido leste, Itapuí – 70 vagas – 93,7% concluída

·         ADC 09 - Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225) km 140+510, sentido oeste, Brotas – 40 vagas – 92,7% concluída


Saúde mental no trabalho: live da FecomercioSP orienta empresas sobre novas regras da NR-1

 
A partir de maio, empregadores precisarão criar plano para mapear e prevenir problemas como estresse, assédio e sobrecarga; entenda o que muda
 


A preocupação com a saúde mental dos colaboradores deve estar cada vez mais presente no cotidiano das empresas, especialmente a partir de 25 de maio deste ano, quando entra em vigor uma atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A nova regra exige que as companhias elaborem um plano para mapear e prevenir problemas como estresse, assédio e sobrecarga mental no trabalho.
 
Para auxiliar empresários e profissionais da área na compreensão das novas diretrizes e dos seus impactos para o ambiente corporativo, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) realizará, no dia 15 de abril, a live NR-1 e Saúde Mental no Trabalho: o que Muda para a sua Empresa?. Com transmissão pelo canal da Federação no YouTube, o evento começa às 10h e contará com a participação de especialistas em Direito do Trabalho e de Eduardo Pastore, assessor da FecomercioSP.
 
Durante a live, os especialistas esclarecerão as novas exigências legais e seus reflexos, alertando sobre os riscos trabalhistas e previdenciários decorrentes da má gestão dos problemas psicossociais. Também orientarão as empresas sobre estratégias de prevenção e conformidade, além de capacitar profissionais de RH, contadores e empresários quanto à adaptação às normas. Estarão em pauta, ainda, temas como a cultura do feedback e as importâncias da manutenção da documentação adequada e da capacitação de gestores e membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). Interessados em acompanhar a discussão podem se inscrever aqui.


 
FecomercioSP solicita prorrogação da NR-1

A atualização da NR-1 responde a uma demanda crescente da sociedade por ambientes laborais mais saudáveis e pelo protagonismo das empresas nesse processo. No entanto, na avaliação da FecomercioSP, há entraves que precisam ser debatidos para que a implementação seja, de fato, viável. Dada a complexidade do tema, empresas e sindicatos da base do Comércio e dos Serviços enfrentam dificuldades para realizar o levantamento e o gerenciamento dos riscos psicossociais de forma adequada e com o aprofundamento técnico necessário.
 
Como são, em sua maioria, Pequenas e Médias Empresas (PMEs), a nova diretriz demandará a contratação de assessorias técnicas especializadas, implicando custos substanciais que podem comprometer os resultados da medida a longo prazo e o desempenho econômico, além da geração de empregos. Outro fator de preocupação é a falta de clareza e precisão nas exigências da regulamentação, com conceitos abertos e nem sempre vinculados exclusivamente ao trabalho, o que pode gerar incertezas no cumprimento das diretrizes e na sua fiscalização.
 
Para que esses negócios tenham tempo para se adaptar à nova regra, a FecomercioSP solicitou ao MTE a prorrogação dos riscos psicossociais inseridos na NR-1 por 12 meses. Dessa forma, seria possível definir de maneira mais concreta a aferição de riscos, tanto pelas empresas quanto pela autoridade de inspeção do trabalho, além de garantir que a sociedade civil e o setor público se encontrem com maturidade e disponibilidade de recursos materiais para aplicar a legislação.
 
Serviço:

Live: NR-1 e Saúde Mental no Trabalho: o que Muda para a sua Empresa?
Quando: 15 de abril
Horário: 10h
Onde: canal da FecomercioSP no YouTube
Inscreva-se aqui
 
FecomercioSP
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O uso da inteligência artificial nos procedimentos e processos tributários

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‘Entre nós, a burrice anda em velocidade tal que acaba atropelando a inteligência artificial, que fica parecendo como algo demodê’

 

O fisco federal busca acelerar a realização da receita tributária por todos os meios possíveis e imaginários, desde as sanções políticas como a inscrição do nome do devedor no CADIN, protesto da certidão de dívida ativa, bloqueio universal de bens do devedor, transação de créditos podres e, agora, o uso de inteligência artificial nos procedimentos e processos administrativos tributários tanto na esfera administrativa, como na esfera do Judiciário. 

Entretanto, esse fisco voraz não implementou, até hoje, a compensação de precatórios caloteados com créditos tributários, prevista no §21 do art. 100 da CF. Como se não bastasse todos esses instrumentos normativos truculentos, que não observam o devido processo legal, o fisco federal vem aumentando a sua arrecadação por meio da manipulação da base de cálculo, principalmente no que tange às contribuições sociais não acumulativas do PIS/COFINS, apegando-se ao velho conceito de insumos para fins de sua utilização no processo industrial, isto é, material que é consumido no processo de industrialização, ou que é agregado no produto industrializado. 

Ora, para fins de comercialização de produtos ou mercadorias, esse conceito é notoriamente insuficiente, bastando lembrar das embalagens indispensáveis para comercialização de determinados produtos como remédios, leite em pó ou in natura, detergentes, pasta dental etc. 

Agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional, a pretexto de modernizar os processos administrativos e judiciais, está empenhada em implementar o uso da inteligência artificial, a fim de substituir os procedimentos e decisões operados por humanos, um ser pensante, por robôs, por exemplo, desprovidos de inteligência própria. 

Se a máquina promover o desenquadramento da SUP porque você respondeu à indagação da inteligência artificial do fisco municipal afirmando que o contrato social da sociedade uniprofissional contém a palavra “Ltda.”, a inteligência artificial, programada para entende que a presença da palavra “Ltda.” está a indicar natureza mercantil da sociedade, não gozando do regime tributário especial da SUP. Nesse caso, pergunta-se, a quem reclamar? Litigar com uma máquina não programada para receber impugnações e recursos? Onde fica o devido processo legal, o contraditório e ampla defesa? 

Esclareça-se, por oportuno, que o devido processo legal significa respeito à lei material e instrumental que representa a vontade média da população, por ser resultado de elaboração legislativa por seus legítimos representantes: Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Vereadores. Nada tem a ver com a vontade do aplicador da lei, que não recebeu da população um voto sequer. 

Por isso, ao interpretar a lei deve observar a regra fundamental da hermenêutica jurídica que consiste na interpretação da norma de cima para baixo, isto é, a partir da Constituição escrita, e não segundo a Constituição elaborada pela cúpula do Judiciário para apreciação de cada caso concreto, resultando em várias Constituições, disseminando a total insegurança jurídica, em virtude da imprevisibilidade que resulta dessa atuação proativa do Judiciário. 

Os cultores do uso da inteligência artificial devem ter sabedoria para disciplinar de forma completa o devido processo digital. Será que conseguem? 

Há meses veiculei pela mídia um artigo intitulado o império da burrice. Ao que tudo indica, parece que burrice foi alçada ao status de uma ciência. 

Naquele texto eu dizia que a inteligência artificial no Brasil não funcionaria, porque ela não é auto-operativa, devendo ser programada por um bípede. E aqui surge um problema incontornável porque, entre nós, a burrice anda em velocidade tal que acaba atropelando a inteligência artificial, que fica parecendo como algo demodê. 

Outro instrumento jurídico que poderia agilizar o julgamento de processos nos tribunais superiores – STF e STJ – é o sistema de precedentes que nos países como os Estados Unidos é observado à risca. 

Entre nós, esse sistema tornou-se inoperante porque as jurisprudências desses tribunais superiores mudam segundo a direção do vento que sopra na ilha da fantasia, também conhecida por Brasília, onde abriga os detentores de poder das três esferas (Executivo, Legislativo e Judiciário). 

Seus integrantes vivem completamente alheios à realidade brasileira, às vezes, até invocando precedentes ou doutrinas alienígenas que nada têm a ver com os textos legais a serem aplicados a cada caso concreto.

No mundo jurídico nada pode ser padronizado. Cada caso é um caso. Por isso, a decisão judicial é uma lei particularizada. Nesse sentido leciona Massami Uyeda, ex-Ministro do STJ: “Sendo a sentença judicial a especialização do comando abstrato da lei ao caso concreto, pelo princípio do paralelismo das formas deve ela, para que possa produzir efeitos em relação às partes, ser “promulgada””1.  

Cumpre observar que a decisão faz lei entre as partes, mas quando proferida pelo STF sob a sistemática de repercussão geral, ou nos processos de controle concentrado (ADI, ADC e ADPF) ela surte efeito erga omnes. 

Finalmente, diante do novo Sistema Tributário Nacional aprovado pela confusa Emenda Constitucional nº 132/2023 e sua regulamentação pela Lei Complementar nº 214/2025, que despejou nada menos que 542 artigos que, somados a parágrafos, incisos e alíneas, chega a cerca de 1000 normas, criando um verdadeiro inferno fiscal, não há espaço para atuação da inteligência artificial. 

Os autores da regulamentação sequer conseguiram definir o fato gerador do IBS/CBS de forma objetiva por meio dos arts. 4º, 5º e 6º que perfazem exatas 63 normas. O art. 4º da lei sob comento define muito mal o fato gerador do IBS mediante textos dúbios e confusos. 

O art. 5º, por sua vez, partiu para explicitação do fato gerador do IBS mediante catalogação das hipóteses de incidência tributária, técnica absolutamente inadmissível, chegando a incluir operações gratuitas, fazendo confusão com o ITCMD. 

Por fim, o art. 6º prescreve hipótese de inocorrência do fato gerador reescrevendo o óbvio e ululante. É como discriminar todas as espécies de animais no caput, e no parágrafo único prescrever que a mosca azul não integra o rol de animais previsto no caput, nem a onça pintada que tenha até 30 manchas. Daí as possíveis perguntas: e a mosca verde? E a borboleta azul? E o inseto preto? E se a onça tiver 30 manchas e meio? Faz-se arredondamento para baixo ou para cima? A IA é incapaz de responder a essas indagações. 

Dessa forma, a definição imprecisa e imprópria do fato gerador do IBS/CBS, que nada define em sentido técnico, irá formando uma confusão cada vez mais frequente na mente dos aplicadores da lei. 

Para nós o fato gerador do IBS/CBS é a operação relativa à circulação de bens materiais e imateriais. Ponto. Nada mais é preciso dizer. O STF levou décadas para concluir que “circulação” é jurídica implicando mudança de propriedade ou de posse. Por que jogar fora esse conceito já pacificado? 

Pergunta-se, como é possível à inteligência artificial atuar nesse mar de confusões que resulta de um inferno fiscal implantado pela EC nº 132/2023 e aperfeiçoado pela LC nº 214/2025? 

Os legisladores, que não têm a menor ideia do que seja o IBS/CBS, celeremente acolheram as propostas elaboradas por pessoas de mentes nebulosas e confusas, sem a menor preocupação com o contribuinte, transformando-o em objeto de direito, identificado por um carimbo nas costas indicando o número de seu CPF. 

Por derradeiro, indaga-se, quem irá indenizar os danos causados pela inteligência artificial? O programador? O órgão que a utilizou? O legislador que implementou essa tecnologia moderna? O Estado? 

Enfim, a inteligência artificial abrirá um leque de discussões judiciais antes inexistentes, ou quase inexistentes. Apesar de a indenização por erro judiciário constar no inciso LXXV, do art. 5º da CF, na prática, quase não acontece. Um dos maiores erros judiciários do País foi a condenação dos irmãos Naves pelo suposto assassinato de Benedito Maira, em 1937. Em 1946, os condenados foram absolvidos do crime e foram indenizados pelo Estado.

 



Kiyoshi Harada - Especialista em Direito Tributário e Ciência das Finanças, é Membro da Academia Paulista de Letras Jurídicas

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/o-uso-da-inteligencia-artificial-nos-procedimentos-e-processos-tributarios


1Da competência em matéria administrativa. São Paulo: Icone Editora, 1997, p. 74.


**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio


Kantar IBOPE Media: Vídeo alcança 99,54% dos brasileiros

Vídeo alcança 99,54% dos brasileiros e se consolida como o formato mais estratégico da publicidade

Inside Video 2025, da Kantar IBOPE Media, mostra como a convergência entre TV, streaming, redes sociais e plataformas de vídeo amplia o alcance das marcas, gera resultados e demanda novas estratégias de mensuração

 

O vídeo nunca esteve tão presente — e tão decisivo — na jornada do consumidor. Em um ecossistema cada vez mais convergente, o formato se firma como o principal ativo estratégico para as marcas que buscam relevância, escala e retorno em suas campanhas. É o que revela o Inside Video 2025, estudo anual da Kantar IBOPE Media, que mostra que o vídeo impactou 99,54% da população brasileira em 2024. 

“O vídeo é multidirecional. Ele flui de todos para todos os lados e está presente em todas as etapas da jornada do consumidor. O desafio do mercado hoje não é apenas criar bons conteúdos em vídeo, mas entender como eles se conectam com o público em cada plataforma, contexto e momento do dia”, afirma Paula Carvalho, Diretora Comercial de Sell Side e New Business da Kantar IBOPE Media.

 

Consumo: escala, frequência e relevância 

Mais do que alcançar, o vídeo mantém presença. Em 2024, em um único dia, o alcance do vídeo chegou a 63,65% dos brasileiros; esse número subiu para 87,02% em uma semana e 94,41% ao longo de um mês. O tempo médio diário total de consumo chega a 5 horas e 9 minutos — com as TVs e CTVs liderando com 5h38, à frente de desktops, tablets e smartphones. 

A liderança da TV ao longo do dia é clara, mas os smartphones ganham espaço nas primeiras horas da manhã, reforçando a importância de estratégias cross-device que acompanhem o ritmo real do consumidor.

 

 

Publicidade e performance: o formato que entrega

Mais de 56 mil marcas investiram em vídeo em 2024. Entre os usuários de internet, 44% dizem prestar mais atenção a anúncios em vídeo do que em outros formatos na internet — e 53% dos espectadores de VOD são favoráveis à presença de publicidade nas plataformas. 

Entre os consumidores que assinam serviços com anúncios, 75% notam as marcas durante os programas e 63% pesquisam online os produtos que veem anunciados. Mesmo entre os que não recebem publicidade, o impacto permanece alto (66% e 54%, respectivamente). Isso mostra que o vídeo não apenas comunica: ele impulsiona intenção e gera resposta. 

Com a chegada da TV 3.0 e a consolidação das TVs conectadas, o content commerce ganha tração. O vídeo deixa de ser apenas meio de inspiração e passa a ser um ponto de venda integrado à experiência de conteúdo.

 

Comportamento: compartilhado e multitela

Além de massivo, o consumo é coletivo e contextual. O coviewing foi registrado em 24,65% dos lares brasileiros — índice que chega a 37,83% entre crianças de 4 a 11 anos e permanece expressivo entre adultos jovens (27,09% entre 25 a 34 anos). 

As jornadas também são simultâneas: 17,15% das pessoas consomem vídeo tanto em TVs/CTVs quanto em smartphones, mostrando que o conteúdo circula entre telas ao longo do dia — e que planejamento e mensuração precisam acompanhar essa fluidez.

 

Tecnologia e estratégia: personalização em escala

A nova fase do mercado é guiada pela economia da intenção. Mais do que disputar atenção, o desafio é entregar relevância, no momento certo, para o público certo. E o vídeo, com o apoio da inteligência artificial generativa, está no centro dessa transformação. 

A IA já permite que campanhas sejam criadas, personalizadas e distribuídas com base em dados de comportamento, adaptando formatos, mensagens e plataformas. Essa automação com inteligência acelera o time-to-market e amplia a eficiência da comunicação. 

A infraestrutura também evolui: a posse de CTVs cresceu 157% em 9 anos, e os domicílios com VOD assinam, em média, 2,5 serviços simultâneos. Entre esses usuários, 47% se dizem satisfeitos com a renovação dos catálogos, e 34% estariam dispostos a trocar por pacotes com anúncios, se isso significasse economia.

 

Um ecossistema pronto para a próxima onda

O Inside Video 2025 mostra que o vídeo já é o epicentro das experiências digitais no Brasil. E que entender esse novo cenário exige uma nova abordagem de mensuração: híbrida, integrada e orientada por dados reais.

 Entre os destaques editoriais, 52% dos brasileiros afirmam que a publicidade na TV “gera assunto” — um dado que reforça o papel cultural e de influência do meio. O estudo também aponta uma mudança na percepção das marcas: TV Linear e plataformas digitais já são vistas como partes complementares do mesmo investimento. 



Kantar IBOPE Media
www.kantaribopemedia.com


Como transformar a alta do dólar em lucro?

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As estratégias são do empresário Leonardo Castelo, CEO do Ecossistema 300 Franchising, companhia que atua com o objetivo de alavancar negócios de forma inteligente

 

A alta do dólar pode ser vista por muitos como um momento de incerteza, mas para empreendedores atentos, representa uma janela de oportunidades estratégicas. Para Leonardo Castelo, CEO do Ecossistema 300 Franchising, companhia que atua com o objetivo de alavancar negócios de forma inteligente, esse cenário pode ser aproveitado de maneira assertiva. “Quando ocorre uma alta expressiva do dólar, o impacto inicial não é apenas aproveitar as oportunidades, mas enxergar possibilidades de expandir negócios para mercados internacionais. A desvalorização do real torna o Brasil atrativo para investimentos, especialmente em negócios com baixos custos operacionais, como empresas de outsourcing, que contratam profissionais externos. Esses negócios, que oferecem serviços com mão de obra mais acessível para países de moeda forte, têm grande potencial de crescimento nesse cenário”, comenta.

A valorização da moeda americana leva empresários a repensarem suas estratégias e considerarem mercados que antes pareciam distantes. Além disso, muitos negócios começam a enxergar o potencial de negociar diretamente com clientes e fornecedores fora do Brasil, transformando desafios cambiais em vantagens estratégicas. “No mercado interno, a alta do dólar também tem seus benefícios. Empresas que dependiam de importações tendem a buscar alternativas nacionais para reduzir custos, criando oportunidades para fornecedores locais. É um momento para fortalecer a economia doméstica e se posicionar como uma solução viável para quem está ajustando suas operações” orienta.

O CEO do Ecossistema 300 Franchising, destaca que setores como exportação, turismo, saúde, estética e educação costumam ser mais resilientes em momentos de alta do dólar. Eles não apenas conseguem absorver os aumentos de custo, mas também capitalizar com as mudanças no mercado, seja atraindo mais clientes estrangeiros ou agregando maior percepção de valor ao público. “No entanto, é essencial evitar erros comuns, e o principal deles é a tomada de decisões precipitadas com base em movimentos de curto prazo. O mercado sempre se ajusta e os empresários devem focar em planos estratégicos para médio e longo prazo, considerando cenários adversos e contingências financeiras”, aconselha.

Apesar dos desafios, a alta do dólar também é um estímulo para a inovação. Assim como outras crises, ela força empresários a repensarem modelos de negócios e adotarem soluções criativas para se adaptarem. “Muitos avanços surgem de momentos caóticos, como aconteceu durante a pandemia. É no caos que as grandes oportunidades aparecem”, ressalta.

Um conselho aos empreendedores iniciantes, é estudar o mercado, planejar com cuidado e não temer a instabilidade econômica. "O Brasil já passou por diversas crises, e todas elas trouxeram oportunidades para quem soube enxergar além do imediatismo", afirma. Ele também ressalta, a importância de cercar-se de profissionais capacitados e estar preparado para enfrentar diferentes cenários, sem abrir mão dos sonhos e projetos. “A alta do dólar, longe de ser apenas um obstáculo, pode ser um catalisador para o crescimento e inovação. Encarar esse momento como uma oportunidade é o primeiro passo para transformar desafios econômicos em sucesso empresarial”, finaliza.

 


Ecossistema 300 Franchising


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