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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Seguro: entenda e faça bom uso



 Para não ter dor de cabeça no momento de acionar o seguro, informe-se sobre como tudo funciona e, principalmente, tire todas as dúvidas



O contrato de seguro é aquele em que a seguradora recebe um prêmio por assumir perante o segurado a obrigação de lhe pagar determinada indenização, previamente estipulada, caso o risco a que está sujeito ocorra na forma de um sinistro. As condições/consequências econômicas do eventual risco devem ser negociadas pelas partes, cabendo à seguradora a obrigação de repará-las. É importante pontuar que, em se tratando de contrato de seguro, a seguradora só poderá deixar de cumprir se ficar comprovado o dolo ou a má-fé do segurado.

A explicação, bastante professoral, é necessária quando se observa como as pessoas se mostram mal informadas no momento de lançar mão do benefício. Em muitos casos, ficam perdidas sem saber ao certo seus direitos, prazos e responsabilidades, de um lado e de outro. Por isso, é preciso ler a apólice – documento que formaliza a aceitação da cobertura solicitada pelo segurado – para saber como tudo funciona e tirar todas as dúvidas.

           
Na prática

Tudo acertado entre as partes, a seguradora emite a apólice. Entretanto, é bom saber que esta pode ser alterada durante a sua vigência por meio de aditamento, mas, para isso, é necessária concordância expressa e escrita do segurado. Em se tratando de mudança abusiva nas condições contratuais, o segurado poderá reclamar com a seguradora. Se mesmo assim o procedimento for adiante, ele deverá procurar um órgão de defesa do consumidor ou ajuizar uma ação para combater a abusividade.

Quanto aos prazos, as seguradoras, assim como os segurados, não estão obrigados a renovar a apólice após o final de vigência e devem comunicar essa decisão com antecedência de, no mínimo, 60 dias do término. Já em caso de sinistro, o limite para receber a indenização não deve ser superior a 30 dias, contados a partir do cumprimento de todas as exigências contratuais pelo segurado.

Fique atento, acontecido o sinistro, sempre comunique verbalmente ou por escrito o corretor e/ou a seguradora responsável pelo contrato para que efetuem o pagamento da indenização devida. Em caso de recusa de pagamento por parte da seguradora, o segurado pode e deve entrar com notificação extrajudicial para ressarcimento em prazo razoável e denunciar a situação na Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Para representar no Procon e na esfera judicial, deve-se ingressar com ação de cobrança de indenização securitária.

            


           

Marcos Bisi - responsável pelos departamentos Jurídico e de Recursos Humanos da SIL, uma das principais fabricantes brasileiras de fios e cabos destinados às instalações elétricas com tensões até 1kV (baixa tensão).


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Nossa citricultura avança



A citricultura paulista termina o ano de 2017 comemorando ótimas notícias de aumento de safra, novas cultivares mais resistentes a pragas e doenças e os 40 anos de atuação do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Estabelecemos uma formalização de parceria que se estenderá nas áreas de pesquisa, extensão e defesa sanitária.

Testemunhei por ocasião da comemoração do aniversário do Fundecitrus, avanços científicos e tecnológicos importantes para o avanço no combate ao Greening. Para 2018, a ordem é trabalhar ainda mais para manter bons resultados, vencer desafios e consagrar o setor como a citricultura mais competitiva, saudável e sustentável.

Chegamos ao fim do ano com uma safra de laranja 22,9% superior ao volume obtido na safra de 2016, de acordo com o quarto levantamento da safra agrícola 2016/17 - realizado pela nossa Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA) em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati).

Uma análise que traz ainda mais números positivos: as 320,2 milhões de caixas de 40,8 kg desta safra representam 3,5 pontos percentuais acima do previsto no levantamento anterior, realizado no campo em junho de 2017, em um ano que está marcado pela derrocada dos pomares da Flórida.

Um crescimento de produção refletido também nos preços. O estudo do IEA mostra que o Índice de preços recebidos pelos agricultores paulistas (IqPR) registrou alta de 1,30% em outubro de 2017. A laranja para foi o terceiro produto que mais valorizou: 7,14%, atrás apenas da batata (84,36%) e do milho (12,75%), e ainda assim o cenário é delicado, pois a competição com outras frutas cresceu internacionalmente.

Os desafios com a sanidade permanecem sempre e merecem toda a nossa atenção. Com uma área plantada 1% maior do que a da última safra, a citricultura ainda precisa vencer o greening, presente em 16,7% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, e embora o setor tenha obtido vitórias, como a mais recente descoberta de feromônio que atrai os machos de Psilídeos, ainda é preciso tornar sua produção comercial, o que levará cerca de um ano de intenso trabalho.

O índice da doença permanece no mesmo patamar dos dois últimos anos, mas, apesar da estabilização, o número de plantas doentes é alto: são cerca de 32 milhões de árvores. Sabemos da importância de encarar este desafio e temos unido esforços para vencê-lo.

Lançamos neste ano a campanha Unidos Contra o Greening, em mais uma proveitosa parceria com o Fundecitrus, um parceiro sério e confiável com seus 22 anos de pesquisa desenvolvida em favor de uma citricultura mais forte, buscando com suas parcerias com a academia e institutos, pomares mais produtivos, mais saudáveis.

Além disso, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) da Secretaria de Agricultura através do seu Centro de Citricultura Sylvio Moreira, lançou neste ano a tangerina IAC 2019Maria, a primeira cultivar de tangerina 100% obtida no Brasil, desenvolvida em 20 anos de pesquisa. Esta nova tangerina é também a primeira cultivar de citros do IAC protegida no Sistema Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Para o setor de produção, o principal destaque é a resistência à mancha marrom de alternaria (MMA), causando menor impacto ambiental por diminuir ou até eliminar a necessidade de pulverização de defensivos. Também reduz os custos de produção, melhora a qualidade do fruto e aumenta a produtividade: de 2 a 3 caixas de 40,8 kg, por planta, com frutos de maior calibre, o que valoriza o produto.

A planta da IAC 2019Maria também tem menor porte, quando comparada com a tangerina Murcott, permitindo a instalação de maior número de pés por hectare, o que contribui para ampliar a produtividade. A IAC 2019Maria também é mais precoce do que a Murcott, chegando a produzir com cerca de dois meses e meio de antecedência.

Outra novidade da pesquisa paulista, em desenvolvimento no IAC há sete anos, é a primeira laranja transgênica do mundo com maior resistência a duas doenças simultaneamente: o amarelinho e o cancro cítrico. Um ganho reconhecido internacionalmente em artigo de capa da revista Molecular Plant-MicrobeInteractions, da Associação Americana de Fitopatologia.

O desenvolvimento sustentável está em cada gota de água economizada, na preservação dos recursos naturais, no desenvolvimento de uma cadeia produtiva grandiosa e que proporciona um grande número de empregos diretos e indiretos, como destaca sempre o Governador Geraldo Alckmin.

Não temos dúvida de que juntos podemos vencer os obstáculos nos nossos pomares para continuarmos fazendo uma citricultura que gere emprego, renda e sustentabilidade ambiental, agregue valor e ofereça um produto de qualidade ao consumidor.

A citricultura merece este reconhecimento!







Arnaldo Jardim - secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e deputado federal PPS/SP (licenciado)







O papel do professor diante da discriminação racial em sala de aula



É consenso que a rotina de trabalho de um professor vai muito além do que exigem as atribuições normais da função. Ele atua como um verdadeiro gestor em sala de aula; como mediador de conflitos e opiniões e, acima de tudo, como exemplo de conduta para os seus alunos. 

Um dos maiores problemas enfrentados atualmente pelas escolas é a discriminação racial, herança do nosso trágico passado escravagista, o que gera rejeição e bullying, ou seja, violência psicológica e até mesmo física contra alunos negros. Frente a tal situação lamentável, é evidente que se pergunte qual é o papel do professor face a esse problema? 

Uma criança branca que entra em uma escola pode estranhar a existência de um colega negro sem necessariamente que isso caracterize preconceito. O período de adaptação é um momento de transição e todas as novidades na escola podem parecer intimidadoras aos olhos da criança. Quem precisa mediar à situação acolhendo os alunos, auxiliando-os em sua percepção quanto às demais crianças, é o educador. Na maioria dos casos em que o professor intervém rapidamente, os acontecimentos envolvendo estranheza de alunos a colegas negros não chegam a virar problema. 

Existem ocasiões em que uma criança branca se recusa firmemente a sentar-se ao lado de um menino ou menina negra, negando-se a fazer os trabalhos juntos e a dividir o banco do refeitório. Nos casos em que a criança apresenta indícios de discriminação racial por outra criança, como o professor deve agir? Ele deve esperar até o mês de novembro – Dia da Consciência Negra – para abordar o assunto em sala de aula? 

Os traumas que o sentimento de rejeição e de exclusão podem causar em uma criança podem se tornar irreversíveis. Não se trata de um acessório de vestuário, por exemplo, que a criança pode simplesmente se negar a vestir novamente. A cor de pele não é escolha dela e não poderá ser alterada por vontade própria. Analisando a situação, o educador precisa agir para resolver a questão rapidamente e incluir em seu gerenciamento rotineiro a mediação de um problema que pode se propagar por toda a classe e até ultrapassar os muros da escola. 

Sabemos que não é usual em nossa sociedade tomar ações preventivas contra atitudes preconceituosas e as escolas seguem essa mesma tendência. A própria cartilha de bullying retrata bem isso quando orienta o professor sobre como proceder depois que o fato já ocorreu, mas em momento algum levanta questões sobre como prevenir o bullying. Estamos cientes da importância da tratativa imediata e de forma adequada nesses casos, muito embora o ideal seria evitar que a agressão ocorresse. 

Quando questionado sobre preconceito, bullying e agressividade das crianças, o profissional da educação geralmente responsabiliza exclusivamente a família e não se dá conta do quanto suas ações têm influência sobre os alunos. O aluno tem obviamente um direcionamento, uma percepção para comportar-se desta ou daquela maneira, espelhando sua vivência familiar; porém a escola tem igual influência na formação de seu perfil comportamental. 

No momento em o professor chama os alunos brancos pelos seus nomes enquanto dirige-se “carinhosamente” ao aluno negro pelo apelido de “neguinho” ele abre um precedente para que os colegas também o chamem dessa forma. Ocorre o mesmo quando o professor chama uma aluna que está acima do peso de “fofinha”. Neste caso será ele, o professor, e não a família, quem está abrindo a porta para um padrão de atitudes das crianças que poderá resultar em discriminação, exclusão ou bullying

A conduta do professor não pode em hipótese alguma ser tendenciosa. O tratamento deve ser igual para todos, chamando todos os alunos pelo nome, sem adjetivar ninguém em razão de suas características físicas. E a criança é peralta! Em muitos momentos passa a repetir a fala do professor, mas a interpretação feita pela criança pode não corresponder ao que o professor tinha como intenção quando falou; então para evitar esse tipo de mal-entendido, ele deve chamar cada aluno pelo nome próprio.  

Portanto, professor e família dividem as responsabilidades na formação do pensamento da criança e de como ela se comporta diante das situações. As ações, gestos e falas de todas as pessoas que fazem parte da vida da criança têm grande influência na formação de opinião, para o bem ou para o mal, ajudando a construir sua visão de mundo. 

Ações pontuais não trazem resultados satisfatórios para a formação de um cidadão crítico e consciente. O combate ao preconceito, em suas diferentes facetas, não terá resultados efetivos se só acontecer uma vez no ano. A atuação do professor para combater a discriminação deve ser permanente. 

E a discriminação atinge também outros grupos étnicos, como os índios. Como conseguiremos conscientizar a criança de que a cultura nativa faz parte da nossa formação cultural como nação se só nos lembramos dos índios no dia 19 de abril? Esse é um ponto em que o professor tem falhado geração após geração. Ora, somos um povo fruto da miscigenação; por que não assumir essa perspectiva e trazê-la, por exemplo, para rotina dos trabalhos de classe? 

Precisamos conscientizar as crianças de que nossas raízes são indígenas, negras e brancas para que nossas crianças, desde a Educação Infantil, aceitem com naturalidade o fato de ter amigos de todas as etnias. Transformar a fala sobre respeito e igualdade em um hábito contribuirá significativamente para a diminuição de um problema que paira sobre a nossa sociedade. 

O professor deve escolher para o seu material de apoio personagens e situações que representem essa realidade multiétnica e multicultural, independentemente das efemérides. Ele não deve esperar que um aluno de uma etnia oprimida consiga sozinho reconhecer-se ou desejar ser um herói, um escritor, um príncipe, um inventor ou personagem de sucesso, se em toda sua vida ele nunca se viu retratado dessa forma, se essa possibilidade nunca foi demonstrada pelo professor em sala de aula. Afinal, a principal missão do educador é desenvolver pessoas para torna-las cidadãs. 

Portanto, o educador não pode ficar neutro frente a uma injustiça cometida contra um aluno. Ele deve assumir um papel ativo contra todo tipo de discriminação, exaltando a importância e a beleza de todas as etnias que juntas formam a nossa população. E para isso ele não precisa ser um especialista em história, nem um ativista social. Precisa apenas ser um bom exemplo para seus alunos.







Tereza Cristina Prazeres - instrutora técnica na empresa Planneta (www.planneta.com.br). Atua com Educação Infantil e, na rede municipal de Osasco, no programa Informática na Escola, oferecendo o uso da Tecnologia Digital da Informação e Comunicação como um recurso didático e pedagógico no contexto educacional.






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