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Sensação de ouvido tampado, dor intensa na face,
zumbido e até diminuição da audição são queixas frequentes entre passageiros em
viagens aéreas. Causados pela dificuldade do organismo em acompanhar as
mudanças súbitas de pressão na cabine — fenômeno chamado de disbarismo —, esses
desconfortos podem evoluir para lesões conhecidas como barotraumas.
Para garantir viagens mais seguras e confortáveis, a médica
otorrinolaringologista e do Hospital Moinhos de Vento, Rosirene Gessinger,
orienta sobre as medidas de prevenção antes, durante e após os voos. A
especialista explica que, embora as cabines dos aviões sejam pressurizadas,
elas não mantêm a mesma pressão do nível do mar, correspondendo geralmente à
altitude de 1.830 a 2.440 metros. É justamente durante a fase de descida que o
organismo enfrenta maior dificuldade para equalizar essa diferença.
"Quando as cavidades com ar no interior não conseguem
equilibrar a pressão com o ambiente de cabine, ocorre o barotrauma. Os quadros
mais comuns são a barotite, que afeta o ouvido médio, e a barossinusite, que
atinge os seios da face. A barotite pode se manifestar por dor de ouvido,
zumbido, perda auditiva e, em casos mais graves, vertigem ou perfuração do
tímpano. Já a barossinusite costuma causar dor na região frontal da cabeça, dor
maxilar e até sangramento nasal", destaca a médica.
Grupos de risco e medidas de prevenção
Algumas pessoas possuem maior predisposição aos barotraumas.
Pacientes com disfunção da tuba auditiva, obstrução dos seios paranasais ou que
estejam enfrentando resfriados, rinite alérgica e rinossinusite encontram mais
obstáculos para equilibrar a pressão interna, segundo Rosirene. O público
infantil também é bastante afetado, com prevalência de aproximadamente 25% nas
crianças, em comparação com 5% nos adultos, devido à própria anatomia da tuba
auditiva na infância.
Para prevenir o surgimento de lesões, principalmente no momento da
descida da aeronave, a médica recomenda favorecer a equalização da pressão
estimulando a abertura da tuba auditiva. Isso pode ser feito ao engolir a
saliva repetidamente, mascar chicletes ou realizar manobras suaves de
equalização. No caso de bebês e crianças pequenas, a sucção por meio da
amamentação, mamadeira ou chupeta durante o pouso é fundamental para ajudar no
equilíbrio da pressão.
Já para passageiros que apresentam rinite alérgica ou sinusite
sintomática, a orientação é passar por uma avaliação médica antes de viajar.
Dependendo do quadro clínico, medicamentos específicos podem ser indicados para
o voo, sempre sob prescrição profissional e evitando expressamente a
automedicação.
Cuidados após o pouso
Se após o voo persistirem sintomas como dor intensa, tontura,
diminuição da audição ou sensação prolongada de ouvido tampado, o passageiro
deve buscar assistência com um especialista em Medicina Aeroespacial ou
Otorrinolaringologia.
"Nos casos em que há suspeita de lesões mais sérias, como
perfuração timpânica ou comprometimento do ouvido interno, a avaliação
especializada é indispensável. Além disso, quando o passageiro apresenta um
quadro de otite média decorrente da viagem, o retorno às aeronaves deve ser
avaliado para a liberação com segurança para um novo voo, muitas vezes só
devendo ocorrer cerca de 36 horas após a total resolução do problema",
conclui Rosirene.

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