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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Ouvido tampado e dor no pouso: como prevenir desconfortos em viagens aéreas

Pixabay
Lesões provocadas pela variação de pressão afetam viajantes e podem ser prevenidas com medidas simples no momento da descida da aeronave 


Sensação de ouvido tampado, dor intensa na face, zumbido e até diminuição da audição são queixas frequentes entre passageiros em viagens aéreas. Causados pela dificuldade do organismo em acompanhar as mudanças súbitas de pressão na cabine — fenômeno chamado de disbarismo —, esses desconfortos podem evoluir para lesões conhecidas como barotraumas.

Para garantir viagens mais seguras e confortáveis, a médica otorrinolaringologista e do Hospital Moinhos de Vento, Rosirene Gessinger, orienta sobre as medidas de prevenção antes, durante e após os voos. A especialista explica que, embora as cabines dos aviões sejam pressurizadas, elas não mantêm a mesma pressão do nível do mar, correspondendo geralmente à altitude de 1.830 a 2.440 metros. É justamente durante a fase de descida que o organismo enfrenta maior dificuldade para equalizar essa diferença.

"Quando as cavidades com ar no interior não conseguem equilibrar a pressão com o ambiente de cabine, ocorre o barotrauma. Os quadros mais comuns são a barotite, que afeta o ouvido médio, e a barossinusite, que atinge os seios da face. A barotite pode se manifestar por dor de ouvido, zumbido, perda auditiva e, em casos mais graves, vertigem ou perfuração do tímpano. Já a barossinusite costuma causar dor na região frontal da cabeça, dor maxilar e até sangramento nasal", destaca a médica.


Grupos de risco e medidas de prevenção

Algumas pessoas possuem maior predisposição aos barotraumas. Pacientes com disfunção da tuba auditiva, obstrução dos seios paranasais ou que estejam enfrentando resfriados, rinite alérgica e rinossinusite encontram mais obstáculos para equilibrar a pressão interna, segundo Rosirene. O público infantil também é bastante afetado, com prevalência de aproximadamente 25% nas crianças, em comparação com 5% nos adultos, devido à própria anatomia da tuba auditiva na infância.

Para prevenir o surgimento de lesões, principalmente no momento da descida da aeronave, a médica recomenda favorecer a equalização da pressão estimulando a abertura da tuba auditiva. Isso pode ser feito ao engolir a saliva repetidamente, mascar chicletes ou realizar manobras suaves de equalização. No caso de bebês e crianças pequenas, a sucção por meio da amamentação, mamadeira ou chupeta durante o pouso é fundamental para ajudar no equilíbrio da pressão.

Já para passageiros que apresentam rinite alérgica ou sinusite sintomática, a orientação é passar por uma avaliação médica antes de viajar. Dependendo do quadro clínico, medicamentos específicos podem ser indicados para o voo, sempre sob prescrição profissional e evitando expressamente a automedicação.


Cuidados após o pouso

Se após o voo persistirem sintomas como dor intensa, tontura, diminuição da audição ou sensação prolongada de ouvido tampado, o passageiro deve buscar assistência com um especialista em Medicina Aeroespacial ou Otorrinolaringologia.

"Nos casos em que há suspeita de lesões mais sérias, como perfuração timpânica ou comprometimento do ouvido interno, a avaliação especializada é indispensável. Além disso, quando o passageiro apresenta um quadro de otite média decorrente da viagem, o retorno às aeronaves deve ser avaliado para a liberação com segurança para um novo voo, muitas vezes só devendo ocorrer cerca de 36 horas após a total resolução do problema", conclui Rosirene.

 

 

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