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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Quando a falta de desejo sexual vira rotina: 89% das mulheres sexualmente ativas na menopausa raramente ou nunca sentem desejo espontâneo

Imagem: Internet
Maioria das mulheres desconhece o Desejo Sexual Hipoativo (DSH) e associa a diminuição da libido ao envelhecimento, o que pode atrasar a busca por diagnóstico e tratamento

 

A diminuição do desejo sexual pode se tornar tão presente durante o climatério e a menopausa que muitas mulheres passam a encará-la como parte inevitável dessa fase da vida. Mas o que acontece quando a falta de desejo deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina? Uma pesquisa inédita realizada pela Consultoria Reds, em parceria com a Herbarium, laboratório botânico referência em fitoterapia no Brasil, revela que a falta de desejo costuma ser encarada como uma consequência natural do envelhecimento, dificultando o reconhecimento de uma condição que possui diagnóstico e possibilidades de tratamento: o Desejo Sexual Hipoativo (DSH). 

O levantamento ouviu 530 mulheres entre 45 e 60 anos que vivenciam diferentes etapas do climatério e da menopausa. Entre as entrevistadas, 84,2% relataram diminuição da libido, enquanto 86% afirmaram que essa condição impactou suas vidas. Apesar da alta incidência, o desconhecimento ainda predomina: 89,4% nunca tinham ouvido falar sobre o DSH. 

Os resultados mostram ainda que os reflexos da condição vão além da diminuição do interesse sexual: 66,2% das mulheres avaliam seu desejo sexual como pouco ou nada satisfatório, indicando um impacto importante na percepção de bem-estar e qualidade de vida. Entre as mulheres sexualmente ativas, 89% afirmam raramente ou nunca sentir desejo de forma espontânea, enquanto 52,3% relatam responder pouco ou nunca a estímulos afetivos ou sexuais, como demonstrações de carinho e aproximação

Outra evidência do impacto sobre a sexualidade feminina está na frequência dos pensamentos e fantasias sexuais: Segundo a pesquisa, 79,6% das entrevistadas afirmam raramente ou nunca pensar em sexo, reforçando como a questão pode se manifestar em diferentes aspectos da experiência sexual.
 

O que é o Desejo Sexual Hipoativo?

Embora muitas mulheres relatem períodos de menor interesse sexual ao longo da vida, a baixa libido ocasional não é sinônimo de Desejo Sexual Hipoativo. Diferenças na rotina, estresse, cansaço, mudanças emocionais ou situações específicas podem afetar temporariamente o desejo sexual sem necessariamente caracterizar uma condição clínica.

O DSH, por sua vez, é caracterizado pela redução persistente ou recorrente do desejo sexual, acompanhada de sofrimento, angústia ou impacto significativo na qualidade de vida e nos relacionamentos. O diagnóstico leva em consideração não apenas a frequência do desejo, mas também o incômodo causado pela situação e seus efeitos sobre o bem-estar da mulher.

"É importante entender que o desejo sexual feminino é multifatorial. As alterações hormonais têm importante influência, mas aspectos emocionais, psicológicos, questões de saúde e fatores ligados ao estilo de vida também podem interferir na libido. Por isso, cada caso deve ser avaliado de forma individualizada", explica o Dr. Gerson Pereira Lopes, ginecologista especialista em sexologia clínica e membro da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
 

Quando a falta de desejo deixa de ser apenas uma fase

Embora muitas mulheres considerem a perda da libido uma consequência inevitável da menopausa, os especialistas alertam que a perda persistente do desejo sexual não deve ser automaticamente encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento.

"A menopausa não deve ser encarada como o fim da sexualidade feminina. Quando a diminuição do desejo causa incômodo ou interfere nos relacionamentos e no bem-estar da mulher, é fundamental buscar orientação profissional. Hoje existem diferentes estratégias de cuidado e tratamento que podem contribuir para melhorar a qualidade de vida", afirma Dra. Fabiene Vale, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Sexologia da FEBRASGO.

As abordagens terapêuticas podem envolver investigação clínica, mudanças de hábitos, atenção à saúde emocional e, quando indicado, tratamentos específicos definidos pelo profissional de saúde responsável.

 

Informação como caminho para o cuidado

Os resultados da pesquisa mostram que o desafio vai além dos sintomas físicos. Eles revelam a necessidade de ampliar o conhecimento sobre saúde sexual feminina e fortalecer espaços de diálogo que permitam às mulheres compreenderem as transformações vividas durante o climatério e a menopausa.

Ao evidenciar a distância entre a experiência cotidiana de muitas mulheres e o conhecimento disponível sobre o DSH, o estudo reforça a importância de tratar o desejo sexual como parte integrante da saúde da mulher, contribuindo para um olhar mais atento sobre bem-estar, qualidade de vida e envelhecimento saudável.
 

Sobre a pesquisa

Levantamento realizado pela Consultoria Reds em parceria com a Herbarium com 530 mulheres entre 45 e 60 anos que vivenciam diferentes fases do climatério e da menopausa. O estudo investigou conhecimento sobre Desejo Sexual Hipoativo (DSH), impactos na qualidade de vida, percepção sobre a condição e busca por tratamento.

 

 Herbarium

 

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