Maioria das mulheres desconhece o
Desejo Sexual Hipoativo (DSH) e associa a diminuição da libido ao
envelhecimento, o que pode atrasar a busca por diagnóstico e tratamento
Imagem: Internet
A diminuição do desejo sexual pode se tornar tão presente durante
o climatério e a menopausa que muitas mulheres passam a encará-la como parte
inevitável dessa fase da vida. Mas o que acontece quando a falta de desejo
deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina? Uma pesquisa inédita
realizada pela Consultoria Reds, em parceria com a Herbarium,
laboratório botânico referência em fitoterapia no Brasil, revela que a falta de
desejo costuma ser encarada como uma consequência natural do envelhecimento,
dificultando o reconhecimento de uma condição que possui diagnóstico e
possibilidades de tratamento: o Desejo Sexual Hipoativo (DSH).
O levantamento ouviu 530 mulheres entre 45 e 60 anos que vivenciam
diferentes etapas do climatério e da menopausa. Entre as entrevistadas, 84,2%
relataram diminuição da libido, enquanto 86% afirmaram que essa condição
impactou suas vidas. Apesar da alta incidência, o desconhecimento ainda
predomina: 89,4% nunca tinham ouvido falar sobre o DSH.
Os resultados mostram ainda que os reflexos da condição vão além
da diminuição do interesse sexual: 66,2% das mulheres avaliam seu desejo sexual
como pouco ou nada satisfatório, indicando um impacto importante na percepção
de bem-estar e qualidade de vida. Entre as mulheres sexualmente ativas, 89%
afirmam raramente ou nunca sentir desejo de forma espontânea, enquanto 52,3%
relatam responder pouco ou nunca a estímulos afetivos ou sexuais, como
demonstrações de carinho e aproximação
Outra evidência do impacto sobre a sexualidade feminina está na
frequência dos pensamentos e fantasias sexuais: Segundo a pesquisa, 79,6% das
entrevistadas afirmam raramente ou nunca pensar em sexo, reforçando como a
questão pode se manifestar em diferentes aspectos da experiência sexual.
O que é o Desejo Sexual Hipoativo?
Embora muitas mulheres relatem períodos de menor
interesse sexual ao longo da vida, a baixa libido ocasional não é sinônimo de
Desejo Sexual Hipoativo. Diferenças na rotina, estresse, cansaço, mudanças
emocionais ou situações específicas podem afetar temporariamente o desejo
sexual sem necessariamente caracterizar uma condição clínica.
O DSH, por sua vez, é caracterizado pela redução persistente ou
recorrente do desejo sexual, acompanhada de sofrimento, angústia ou impacto
significativo na qualidade de vida e nos relacionamentos. O diagnóstico leva em
consideração não apenas a frequência do desejo, mas também o incômodo causado
pela situação e seus efeitos sobre o bem-estar da mulher.
"É importante entender que o desejo sexual feminino é
multifatorial. As alterações hormonais têm importante influência, mas aspectos
emocionais, psicológicos, questões de saúde e fatores ligados ao estilo de vida
também podem interferir na libido. Por isso, cada caso deve ser avaliado de
forma individualizada", explica o Dr. Gerson Pereira Lopes,
ginecologista especialista em sexologia clínica e membro da Comissão Nacional
de Sexologia da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e
Obstetrícia (FEBRASGO).
Quando a falta de desejo deixa de ser apenas uma fase
Embora muitas mulheres considerem a perda da libido
uma consequência inevitável da menopausa, os especialistas alertam que a perda
persistente do desejo sexual não deve ser automaticamente encarada como uma
consequência inevitável do envelhecimento.
"A menopausa não deve ser encarada como o fim da
sexualidade feminina. Quando a diminuição do desejo causa incômodo ou interfere
nos relacionamentos e no bem-estar da mulher, é fundamental buscar orientação
profissional. Hoje existem diferentes estratégias de cuidado e tratamento que
podem contribuir para melhorar a qualidade de vida", afirma Dra.
Fabiene Vale, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada
(CNE) de Sexologia da FEBRASGO.
As abordagens terapêuticas podem envolver investigação clínica,
mudanças de hábitos, atenção à saúde emocional e, quando indicado, tratamentos
específicos definidos pelo profissional de saúde responsável.
Informação como caminho para o cuidado
Os resultados da pesquisa mostram que o desafio vai
além dos sintomas físicos. Eles revelam a necessidade de ampliar o conhecimento
sobre saúde sexual feminina e fortalecer espaços de diálogo que permitam às
mulheres compreenderem as transformações vividas durante o climatério e a
menopausa.
Ao evidenciar a distância entre a experiência cotidiana de muitas
mulheres e o conhecimento disponível sobre o DSH, o estudo reforça a
importância de tratar o desejo sexual como parte integrante da saúde da mulher,
contribuindo para um olhar mais atento sobre bem-estar, qualidade de vida e
envelhecimento saudável.
Sobre a pesquisa
Levantamento realizado pela Consultoria Reds em
parceria com a Herbarium com 530 mulheres entre 45 e 60 anos que vivenciam
diferentes fases do climatério e da menopausa. O estudo investigou conhecimento
sobre Desejo Sexual Hipoativo (DSH), impactos na qualidade de vida, percepção
sobre a condição e busca por tratamento.
Herbarium
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