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sábado, 31 de outubro de 2026

Procrastinação não é preguiça: por que adiamos tarefas e como desenvolver a autorregulação

Adiar atividades pode estar relacionado à dificuldade de lidar com o desconforto emocional; atenção, planejamento e controle de impulsos participam da capacidade de começar e concluir tarefas

 

Adiar uma tarefa importante, mesmo sabendo que isso pode trazer consequências, é uma experiência comum. No trabalho, nos estudos ou na vida pessoal, a procrastinação costuma ser interpretada como falta de disciplina ou preguiça. Pesquisas sobre o comportamento, porém, apontam que o adiamento também pode estar relacionado à maneira como lidamos com emoções desagradáveis e com a expectativa de uma recompensa futura.

 

Levantamento da Triad PS, citado em publicações sobre o tema, aponta que sete em cada dez trabalhadores brasileiros procrastinam com frequência. Já uma pesquisa da plataforma Onlinecurrículo, realizada com 500 brasileiros, identificou que 38,4% gostariam de abandonar o hábito de procrastinar. Os resultados ajudam a dimensionar a relevância do tema, embora investiguem aspectos diferentes do comportamento.

 

A procrastinação pode funcionar como uma forma de evitar temporariamente o desconforto provocado por uma tarefa. Atividades percebidas como difíceis, entediantes ou ameaçadoras podem despertar ansiedade, insegurança ou medo de errar. Ao adiá-las, a pessoa sente um alívio imediato, mas esse benefício tende a ser passageiro: a tarefa continua pendente e pode gerar ainda mais preocupação.

 

“Adiar uma tarefa nem sempre significa falta de vontade ou de capacidade. Muitas vezes, a pessoa sabe o que precisa fazer, mas tem dificuldade de lidar com o desconforto de começar. Compreender o que está por trás desse comportamento é um passo importante para desenvolver estratégias mais eficazes”, afirma Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera.


 

O que as habilidades cognitivas têm a ver com isso?

 

A capacidade de iniciar, organizar e concluir atividades envolve diferentes processos cognitivos. Entre eles estão as funções executivas, conjunto de habilidades que participa do planejamento, da manutenção da atenção, da memória de trabalho e do controle de impulsos.

 

Esses processos ajudam a pessoa a manter o objetivo em mente, organizar etapas e resistir a distrações ou recompensas imediatas. Isso não significa que a procrastinação seja causada exclusivamente por uma dificuldade cognitiva: fatores emocionais, ambientais e individuais também podem influenciar o comportamento.

 

Estratégias como dividir uma atividade em etapas menores, estabelecer um primeiro passo concreto, reduzir distrações e reconhecer as emoções associadas à tarefa podem ajudar a tornar o início menos difícil. Quando o adiamento é persistente e causa sofrimento ou prejuízos importantes, também pode ser útil buscar orientação profissional.

 

“Desenvolver atenção, planejamento e controle de impulsos é importante para lidar com desafios do cotidiano. O objetivo não é eliminar todo desconforto, mas aprender a organizar as ações mesmo quando uma tarefa não é prazerosa ou parece difícil”, complementa Patrícia.

 

A estimulação cognitiva propõe atividades que exercitam diferentes habilidades mentais por meio de desafios e experiências variadas. Embora essas habilidades sejam relevantes para a autorregulação, não se deve concluir que o treinamento cognitivo, isoladamente, previna ou trate a procrastinação. A relação entre o exercício dessas capacidades e a redução do adiamento ainda precisa ser investigada diretamente.



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