Para especialista da Ensina Mais Turma da Mônica, elementos do universo infantil ajudam a criar vínculo com o conteúdo e tornam a aprendizagem mais próxima da realidade dos alunos
Brincar
não é apenas uma forma de entretenimento na infância. Jogos, histórias,
desafios e atividades lúdicas também podem contribuir para o desenvolvimento de
habilidades cognitivas, sociais e emocionais. Além disso, quando associados a
objetivos pedagógicos, podem aproximar as crianças dos conteúdos trabalhados
dentro e fora de sala de aula. A familiaridade com personagens que já fazem
parte do universo infantil é outro recurso que pode ajudar a despertar curiosidade
e interesse pelo aprendizado.
Estudos
na área da educação e do desenvolvimento infantil têm reforçado a importância
de experiências nas quais a criança participa ativamente da construção do
conhecimento. Em vez de apenas receber informações, ela é estimulada a
experimentar, formular hipóteses, solucionar problemas e aprender a partir das
próprias descobertas. Nesse contexto, o brincar pode ser utilizado como
ferramenta para trabalhar competências como atenção, raciocínio, criatividade,
comunicação e resolução de problemas.
Para
Júlia Marcondes, coordenadora da Ensina Mais Turma da Mônica, rede de apoio
escolar pertencente ao Grupo MoveEdu, a ludicidade pode ajudar a transformar a
relação do pequeno com o estudo, principalmente quando os recursos utilizados
já fazem parte de seu repertório. “Quando uma criança reconhece personagens,
histórias e situações que já fazem parte do seu cotidiano, existe uma
aproximação natural com aquela atividade. O papel da metodologia é transformar
essa identificação em uma oportunidade de aprendizagem, conduzindo o interesse
inicial para um conteúdo que tenha propósito pedagógico”, explica.
Personagens ajudam a criar conexão
com o conteúdo
Presentes
há décadas no imaginário infantil brasileiro, Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão
e os demais personagens criados por Mauricio de Sousa podem assumir outra
função quando inseridos em atividades educacionais, a de atuar como elementos
de conexão entre a criança e o conteúdo que está sendo trabalhado. Essa
familiaridade tende a tornar a atividade menos abstrata. Um problema de
Matemática, por exemplo, pode ser apresentado por meio de uma situação
vivenciada pelos personagens. Já uma atividade de Língua Portuguesa pode partir
de diálogos, histórias e acontecimentos para trabalhar leitura, interpretação,
escrita e vocabulário.
“O
personagem não substitui o professor, a metodologia ou o conteúdo. Ele é uma
ferramenta de aproximação. Assim, é possível utilizar uma figura que desperta
interesse na criança para apresentar um desafio, contar uma história ou
contextualizar determinado conhecimento. Isso ajuda a mostrar que aprender
também pode fazer parte de um universo que ela conhece e aprecia”, afirma
Júlia.
Além
disso, o uso de atividades lúdicas acompanha uma mudança na própria maneira de compreender
a aprendizagem infantil. Jogos, brincadeiras e desafios permitem que a criança
teste possibilidades, erre, refaça caminhos e procure novas soluções, assumindo
uma posição mais ativa no processo. Para a coordenadora da rede, o erro,
inclusive, pode ganhar outro significado quando aparece dentro de uma
experiência lúdica. “Em um jogo ou desafio, tentar novamente faz parte da
dinâmica. Quando levamos essa lógica para a educação, conseguimos trabalhar
também persistência, resiliência, autonomia e confiança. O aluno começa a
compreender que nem sempre encontrar a resposta de primeira é o mais
importante; descobrir como chegar até ela também faz parte do aprendizado”,
analisa.
A
estratégia pode ser especialmente útil diante de conteúdos que inicialmente
provocam resistência ou insegurança. Ao transformar exercícios em situações-problema,
histórias, missões ou desafios, é possível apresentar o mesmo conhecimento por
uma linguagem diferente, sem retirar sua complexidade ou objetivo pedagógico.
Outro
componente dessa relação é a afetividade. Personagens conhecidos podem despertar
memórias e sentimentos positivos construídos em momentos de leitura,
brincadeiras, desenhos e convivência familiar. No caso da Turma da Mônica, há
ainda um aspecto geracional. Criados a partir da década de 1960, os personagens
atravessaram diferentes gerações e fazem parte do repertório de muitos pais e
responsáveis que hoje acompanham crianças em idade escolar. Essa familiaridade
pode contribuir para criar uma experiência compartilhada entre os adultos e os
pequenos. “Quando pais e filhos reconhecem os mesmos personagens, abre-se
também uma possibilidade de interação. A aprendizagem deixa de ficar restrita à
atividade e pode continuar em uma conversa, em uma história ou em uma brincadeira
dentro de casa”, destaca a especialista.
Apesar
dos benefícios associados à ludicidade, é importante lembrar que apenas
transformar uma atividade em jogo ou inserir personagens em um material não
garante aprendizagem. O recurso precisa estar relacionado à idade da criança,
às habilidades que se pretende desenvolver e ao conteúdo abordado. Na Ensina
Mais Turma da Mônica, que atua com apoio escolar em Língua Portuguesa e
Matemática, além de cursos livres como programação e robótica, os personagens
são incorporados à metodologia como parte dessa estratégia de aproximação com o
universo infantil.
“A
diversão é um caminho, não o objetivo final. Por trás de uma atividade lúdica
precisa existir uma intenção clara, que visa estimular determinado raciocínio,
desenvolver uma habilidade ou consolidar um conhecimento. É essa combinação
entre engajamento e propósito pedagógico que torna o recurso relevante para a
educação. Quando conseguimos preservar a curiosidade natural da infância e
transformá-la em vontade de descobrir, criamos condições mais favoráveis para
aprender. Brincar e estudar não precisam estar em lados opostos. Com propósito
e acompanhamento, a brincadeira pode ser justamente uma das portas de entrada
para o conhecimento”, finaliza Júlia Marcondes.
Ensina Mais licenciada Turma da Mônica

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