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| Hiperidrose é a condição que provoca suor excessivo, mesmo quando não há calor ou esforço físico Envato |
Escrever, usar o celular, apertar a mão de outra
pessoa ou escolher uma roupa podem se tornar situações desconfortáveis para
quem convive com suor excessivo. Quando a transpiração ocorre de forma intensa
e desproporcional às necessidades do organismo, pode caracterizar a
hiperidrose, condição que afeta o dia a dia, as relações sociais e a
autoestima. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a hiperidrose
afeta de 2% a 3% da população. Apesar disso, menos de 40% das pessoas com a
condição procuram atendimento médico.
O suor é um mecanismo natural do organismo para
regular a temperatura corporal. Na hiperidrose, porém, a transpiração ocorre em
excesso, mesmo quando não há necessidade de resfriamento. A condição costuma
afetar principalmente mãos, pés, axilas e rosto e pode começar na infância ou
na adolescência.
A persistência dos sintomas por pelo menos seis
meses é um dos critérios considerados na avaliação clínica, assim como o
histórico familiar e a frequência dos episódios, mas não confirma o diagnóstico
isoladamente. Já a transpiração de início recente, generalizada ou noturna,
principalmente quando acompanhada de febre, perda de peso ou palpitações,
precisa ser investigada para identificar possíveis causas secundárias.
Além dos sintomas físicos, a hiperidrose pode
comprometer a qualidade de vida de quem convive com a condição. “O suor
excessivo causa desconforto, vergonha, piora de quadros de ansiedade e
dificuldades nos relacionamentos e nas atividades do trabalho ou da escola”,
afirma Liu Estradioto, cirurgião torácico do Hospital São Marcelino Champagnat,
em Curitiba (PR).
Quando a cirurgia é indicada
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e
das regiões afetadas. Entre as opções estão antitranspirantes específicos,
medicamentos orais e a aplicação de toxina botulínica. “A resposta varia de
acordo com o paciente e a região afetada. Quando essas alternativas não
apresentam resultados satisfatórios ou não são bem toleradas, a cirurgia pode
ser considerada”, explica Estradioto.
Uma das possibilidades é a simpatectomia torácica
por videotoracoscopia, procedimento cirúrgico minimamente invasivo que
interrompe a atividade de parte da cadeia simpática, conjunto de nervos
envolvido no controle da transpiração. A técnica é mais consolidada para casos
de suor excessivo nas mãos e nas axilas.
No Hospital São Marcelino Champagnat, a indicação é
avaliada individualmente, considerando as regiões afetadas, os tratamentos já
realizados e os possíveis riscos. “Nas mãos, o efeito costuma ser percebido
logo após a cirurgia. Estudos mostram melhora significativa da qualidade de
vida na maioria dos pacientes bem indicados”, explica Leonardo Roeder,
cirurgião torácico que também atua no hospital.
Antes de indicar o procedimento, é necessário
investigar possíveis causas secundárias da transpiração, como alterações
hormonais, infecções ou uso de medicamentos. Nesses casos, o tratamento deve
priorizar a condição de origem. O histórico de cirurgias torácicas e outros
fatores individuais também são considerados na avaliação dos riscos e dos
resultados esperados.
Como funciona a cirurgia e
quais são os riscos
A simpatectomia é realizada sob anestesia geral,
por meio de pequenas incisões no tórax e com o auxílio de uma microcâmera. O
cirurgião interrompe a atividade de parte da cadeia simpática para reduzir a
transpiração nas regiões tratadas.
A retomada das atividades cotidianas costuma
ocorrer entre cinco e sete dias após a cirurgia. Já os exercícios físicos
geralmente são liberados entre 15 dias e três semanas, conforme a evolução do
paciente e a orientação médica.
Antes do procedimento, todos os pacientes devem ser
orientados sobre a hiperidrose compensatória, um dos principais efeitos adversos
da simpatectomia. A condição provoca aumento da transpiração em outras regiões
do corpo, como costas, abdômen e coxas. A idade mais avançada e o índice de
massa corporal (IMC) elevado estão associados à maior incidência desse efeito.
“Mesmo com cortes pequenos, é uma cirurgia dentro
do tórax. Por isso, precisa ser feita por um cirurgião torácico com experiência
na técnica, que conheça bem a anatomia da região e esteja preparado para lidar
com possíveis intercorrências. O resultado e o risco de o suor aumentar em
outras partes do corpo dependem muito da indicação e da técnica”, resume
Roeder.
Hospital São Marcelino Champagnat

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