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sábado, 31 de outubro de 2026

5 cuidados com a saúde mental que ajudam em uma carreira mais longeva

Manter relações sociais, reservar momentos de descanso, cultivar interesses fora do trabalho e desenvolver abertura para mudanças estão entre os hábitos que podem contribuir para uma trajetória profissional mais sustentável

 

Viver mais também significa repensar a relação com o trabalho. Com o aumento da longevidade, é cada vez mais possível que uma pessoa passe quatro, cinco ou até seis décadas em atividade profissional, alternando empregos, funções, áreas e diferentes formatos de carreira. Nesse cenário, cuidar da saúde mental não deve ser visto apenas como uma resposta ao sofrimento, mas como parte do planejamento para uma vida profissional que pode ser mais extensa. 

A própria percepção sobre a duração da vida profissional já está mudando. Uma pesquisa da Maturi, em parceria com a NOZ Inteligência, mostra que 90% dos entrevistados consideram ter uma vida profissional mais longeva, enquanto 68% estão em diferentes estágios de uma transição de carreira. O levantamento considera pessoas de 43 a 82 anos e aponta para uma realidade em que mudar de área, buscar novas possibilidades e prolongar a vida profissional passam a fazer parte da trajetória de um número crescente de pessoas. 

Para Carla Tieppo, a neurocientista e conselheira consultiva do Grupo MAG, pensar em uma carreira mais longa exige olhar para o indivíduo para além de seu papel profissional. “Quando pensamos em uma carreira longa, não podemos esquecer que o trabalho é apenas uma das dimensões da vida. Relações, descanso, interesses, aprendizagem e propósito também precisam continuar existindo e se transformando ao longo do tempo”, afirma. 

Esse cenário amplia a importância de preparar não apenas as competências profissionais, mas também os recursos pessoais necessários para atravessar diferentes ciclos de trabalho. Relações sociais, descanso, interesses fora da profissão, capacidade de adaptação e propósito podem ajudar a construir uma trajetória mais sustentável ao longo do tempo. 

Nesse contexto, cinco cuidados podem fazer parte da construção de uma relação mais sustentável com o trabalho. Veja a seguir:

 

1. Mantenha relações sociais 

O trabalho é um importante espaço de convivência, mas não deve ser a única fonte de relações e pertencimento. Amizades, família, grupos de interesse, atividades comunitárias e outros vínculos ajudam a preservar diferentes espaços de troca ao longo da vida. 

Isso se torna ainda mais importante quando se pensa em uma carreira longeva. Mudanças de emprego, profissão ou rotina podem alterar as relações construídas no ambiente profissional. Ter uma rede de vínculos fora dele ajuda a manter referências e espaços de pertencimento durante essas transições. 

Manter vínculos, portanto, significa reservar espaço na rotina para amigos, família e atividades coletivas, mesmo quando a vida profissional estiver intensa. São relações que podem acompanhar a pessoa independentemente do cargo, da empresa ou da profissão.

 

2. Alterne períodos de desafio e descanso 

Uma carreira longa não precisa significar produtividade em ritmo máximo durante todo o tempo. O cérebro precisa lidar com desafios, mas também de períodos de recuperação. 

Para Carla, o equilíbrio está na capacidade de lidar com estímulos e desafios sem abrir mão dos períodos de recuperação. “É importante se permitir ser desafiado, contar com recursos para lidar com as situações e, depois, respeitar os momentos de descanso. Quando existe esse equilíbrio entre desafio e recuperação, é possível sustentar a produtividade ao longo da vida”, explica. 

A lógica ajuda a tirar o descanso do lugar de “interrupção” da produtividade. Sono, pausas, férias e momentos de afastamento das demandas profissionais podem ser entendidos como parte da manutenção da capacidade de continuar ativo. 

O equilíbrio também envolve evitar o extremo oposto: a falta completa de estímulos. Para a neurocientista, o tédio também pode ser prejudicial porque reduz a curiosidade e a disposição para buscar novas experiências. Por isso, uma rotina sustentável combina períodos de concentração e esforço com pausas e recuperação, além de atividades que despertem curiosidade e ofereçam desafios compatíveis com cada fase da vida.

 

3. Cultive interesses fora do trabalho 

Quando profissão e identidade se confundem completamente, mudanças no trabalho podem ter um impacto maior sobre a percepção de quem somos. Ter interesses e projetos fora da carreira ajuda a construir outras fontes de satisfação e significado. 

Leitura, música, atividade física, viagens, estudos, atividades culturais, voluntariado e hobbies são alguns exemplos. O ponto não é transformar essas atividades em uma segunda carreira, mas preservar espaços que existam independentemente de salário, cargo ou desempenho. 

Essa diversidade também pode ser importante para a saúde mental. Manter-se curioso e em contato com novas experiências ajuda a evitar uma vida excessivamente restrita às mesmas tarefas e estímulos. 

Em uma trajetória profissional que pode passar por diferentes fases, esses interesses funcionam como pontos de continuidade.

 

4. Aprenda a lidar com mudanças 

Uma carreira longeva estará inevitavelmente exposta a transformações. Tecnologias, profissões, modelos de trabalho e prioridades pessoais mudam, e a capacidade de aprender ao longo da vida se torna cada vez mais importante. 

Envelhecer não significa deixar de aprender. O cérebro continua sendo capaz de se adaptar, especialmente quando encontra estímulos, desafios e condições adequadas de saúde. 

Essa perspectiva também muda a relação com a tecnologia. Em vez de enxergar novas ferramentas apenas como ameaças à permanência de profissionais mais velhos, elas podem ser utilizadas para ampliar capacidades e facilitar a realização de determinadas tarefas. 

Manter uma postura de aprendizagem contínua não significa dominar todas as novas tecnologias, mas desenvolver abertura para entender como elas podem complementar conhecimentos e experiências já adquiridos.

 

5. Construa um propósito que vá além da carreira 

O trabalho pode ser um importante meio de realização, reconhecimento e propósito. Mas fazer dele a única fonte de significado pode tornar mais difíceis as transições que inevitavelmente aparecem ao longo de uma vida profissional extensa. 

Projetos pessoais, relações, participação social, interesses e atividades alinhadas aos próprios valores ajudam a criar outras dimensões de propósito. 

A questão ganha força quando se considera que a longevidade pode significar mais mudanças de trajetória. Uma pessoa pode deixar uma empresa, mudar de profissão, reduzir o ritmo de trabalho ou iniciar uma nova atividade sem que isso represente o fim de sua capacidade de contribuir. 

Ter interesses e objetivos que não dependam exclusivamente da carreira também permite que diferentes fases profissionais sejam vividas sem a sensação de que toda mudança representa uma perda de identidade.

 

Longevidade profissional não é apenas trabalhar por mais tempo  

O prolongamento das trajetórias profissionais traz oportunidades, mas também exige mudanças na forma como indivíduos e sociedade enxergam o envelhecimento. Preparar-se para viver mais também significa ampliar o planejamento para além da dimensão profissional. Uma trajetória mais longa pode envolver diferentes ciclos de trabalho, períodos de transição, novos projetos e mudanças nas prioridades pessoais. 

Para Antonio Leitão, especialista em longevidade do Instituto de Longevidade MAG, essa preparação precisa considerar diferentes dimensões da vida. “Viver mais não significa simplesmente acrescentar anos à carreira. Significa ter mais tempo para construir, mudar, aprender e experimentar. Para isso, precisamos pensar em saúde, segurança financeira, relações, trabalho, projetos pessoais e propósito como partes de uma mesma trajetória”, explica. 

A preparação para uma carreira longeva, portanto, começa muito antes dos 60 ou 70 anos. Cuidar do cérebro, preservar relações, descansar, continuar aprendendo e construir diferentes fontes de significado são estratégias que podem acompanhar uma pessoa em diferentes fases da vida. 

Mais do que perguntar até quando será possível trabalhar, a longevidade convida a pensar como queremos viver enquanto trabalhamos, e o que queremos construir além do trabalho.

 

Instituto de Longevidade MAG


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