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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Como organizar os estudos para o ENEM sem transformar a rotina em uma maratona

Planejamento, revisão distribuída e prática de questões são estratégias associadas a melhores resultados de aprendizagem 


Durante a preparação para o ENEM, é fácil cair na armadilha de achar que estudar mais horas significa, necessariamente, aprender mais. Tem quem aposte em resumos cheios de marca-texto, quem passa horas assistindo a aulas e quem prefira resolver dezenas de questões de uma vez. Não existe uma fórmula única, mas algumas estratégias têm respaldo científico e podem ajudar a tornar o estudo mais eficiente.
 

Entre os métodos estudados pela ciência da aprendizagem estão a prática distribuída, que consiste em espalhar o contato com um conteúdo ao longo dos dias, e a prática de recuperação, quando o estudante tenta lembrar uma informação ou resolver uma questão sem consultar o material, conferindo a resposta depois. “Mais do que preencher todo o tempo disponível com estudo, criando uma rotina as vezes impossível de seguir, a ideia é organizar uma rotina que inclua pausas, revisões e oportunidades de verificar se conseguimos explicar e aplicar o que aprendemos”, comenta Marina Resende, psicóloga e coordenadora nacional do Núcleo de Experiência Discente da Afya. 

Além de definir como estudar e revisar, é importante prever momentos de descanso. Uma pesquisa publicada no British Journal of Educational Psychology em 2023 comparou universitários que faziam pausas em intervalos previamente definidos com outros que escolhiam quando descansar. Os estudantes sem pausas programadas passaram mais tempo seguido estudando, mas relataram mais cansaço e distrações. Já aqueles com pausas planejadas relataram maior concentração e motivação. O resultado sugere que organizar momentos de descanso pode ajudar a tornar as sessões de estudo menos cansativas. 

“Algumas pessoas conseguem manter a concentração em blocos mais longos, outras precisam de pausas mais frequentes. O importante é construir uma rotina que considere o tempo disponível e permita ajustes. Um planejamento aparentemente “perfeito”, mas que não cabe no dia a dia, pode gerar frustração quando não conseguimos segui-lo", comenta a especialista. 

Para colocar essas estratégias em prática, algumas mudanças simples podem fazer diferença na rotina:


Cronograma semanalCronograma semanal

Em vez de reservar um dia inteiro para cada disciplina, uma alternativa é distribuir os conteúdos ao longo da semana e voltar a eles em diferentes momentos. A chamada prática distribuída consiste em espaçar o contato com determinado conteúdo, em vez de concentrar todo o estudo em uma única sessão. Na prática, um estudante pode estudar Matemática na segunda-feira, retomar o conteúdo na quarta e fazer algumas questões sobre o tema no sábado. História, Biologia, Linguagens e outras disciplinas podem seguir uma lógica semelhante.

“Quando o estudante distribui os conteúdos ao longo da semana, ele cria mais oportunidades para retomar o que aprendeu. Ao tentar responder questões sem consultar o material, consegue perceber o que aprendeu e o que ainda precisa revisar. Além disso, alternar as disciplinas pode deixar a rotina menos cansativa e evitar que o estudo fique concentrado sempre nos mesmos assuntos. A programação pode ser revista quando surgem imprevistos. Se uma atividade não coube no dia, vale reorganizar as prioridades, sem transformar o atraso em uma obrigação de compensar tudo de uma vez”, explica Marina.


Estabeleça metas para cada sessãoEstabeleça metas para cada sessão

Uma meta como “estudar Matemática por duas horas” pode ser difícil de avaliar. Já uma tarefa como “resolver 20 questões de funções e revisar os erros” deixa claro o que precisa ser feito. Em História, por exemplo, a meta pode ser comparar dois períodos históricos e responder a dez questões. Em Português, analisar cinco questões de interpretação de texto. Em Sociologia, ler um texto e explicar os principais conceitos em voz alta, sem consultar o material.

“Metas específicas ajudam a transformar o estudo em uma atividade mais objetiva. Não basta definir quantas questões fazer, é preciso reservar tempo para corrigir e entender os erros. O estudante consegue terminar a sessão sabendo o que fez, o que acertou e quais conteúdos ainda precisam ser retomados”, comenta.


Faça dos erros um mapa de estudosFaça dos erros um mapa de estudos

Errar uma questão durante a preparação não significa necessariamente que o estudante não está aprendendo. O importante é entender o motivo do erro. Depois de uma lista de exercícios, vale separar as questões em categorias: conteúdo que não foi estudado, conteúdo esquecido, dificuldade de interpretação ou falta de atenção. Após revisar a dificuldade, vale tentar resolver novamente a questão em outro dia, sem consultar a resposta.

Outra opção é dividir uma folha em três partes: “preciso estudar”, “estou revisando” e “já consigo resolver sozinho”. Conforme evolui, o estudante movimenta os conteúdos entre as categorias.

“Os erros podem ser usados como um diagnóstico da própria preparação. Se o estudante percebe que está errando repetidamente questões sobre determinado assunto, esse conteúdo precisa voltar para o cronograma. Assim, o tempo de estudo é direcionado para aquilo que realmente exige mais atenção”, explica a psicóloga.


Faça simuladosFaça simulados

Os simulados podem funcionar como uma espécie de raio-X da preparação. Mais do que conferir a quantidade de acertos, o estudante pode observar quais conteúdos concentram mais erros e como está administrando o tempo disponível. Uma possibilidade é usar provas anteriores disponibilizadas pelo Inep para fazer um simulado em condições semelhantes às do ENEM e reservar outro momento exclusivamente para a correção. Também é possível realizar simulados menores durante a semana, com 20 ou 30 questões de uma determinada área.

“Fazer o simulado e simplesmente olhar o número de acertos não aproveita todo o potencial desse exercício. A correção é uma etapa fundamental porque mostra quais dificuldades precisam ser trabalhadas e permite que o estudante ajuste o planejamento das semanas seguintes”, orienta.


Organize o ambiente e as pausasOrganize o ambiente e as pausas

Não é preciso transformar o local de estudo em um ambiente completamente silencioso, mas reduzir distrações pode facilitar a concentração. Deixar o celular em outro cômodo ou dentro da mochila, desligar notificações, manter sobre a mesa apenas o material necessário e combinar com a família alguns períodos de silêncio são medidas simples que podem ajudar.

Também vale planejar pausas. Como ponto de partida, o estudante pode experimentar de 25 a 30 minutos de estudo seguidos de 5 a 10 minutos de descanso ou períodos maiores, como 50 minutos de estudo e 10 de pausa.

“Não existe um intervalo que funcione da mesma maneira para todos. O mais importante é planejar as pausas e ajustar os intervalos conforme a concentração e cansaço, o que pode variar de um dia para outro. Levantar, beber água, caminhar um pouco ou alongar o corpo são alternativas para interromper o período de estudo e depois retomar a atividade”, aconselha.

No fim, preparar-se para o ENEM não precisa significar estudar o dia inteiro. Um planejamento possível, revisões distribuídas, exercícios, simulados, pausas e sono adequado podem ajudar o estudante a aproveitar melhor o tempo que tem até a prova.No fim, preparar-se para o ENEM não precisa significar estudar o dia inteiro. Um planejamento possível, revisões distribuídas, exercícios, simulados, pausas e sono adequado podem ajudar o estudante a aproveitar melhor o tempo que tem até a prova.



Referências
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Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br


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