Planejamento, revisão distribuída e prática de questões são estratégias associadas a melhores resultados de aprendizagem
Durante a preparação para o ENEM, é fácil cair na
armadilha de achar que estudar mais horas significa, necessariamente, aprender
mais. Tem quem aposte em resumos cheios de marca-texto, quem passa horas
assistindo a aulas e quem prefira resolver dezenas de questões de uma vez. Não
existe uma fórmula única, mas algumas estratégias têm respaldo científico e
podem ajudar a tornar o estudo mais eficiente.
Entre os métodos estudados pela ciência da aprendizagem estão a prática distribuída, que consiste em espalhar o contato com um conteúdo ao longo dos dias, e a prática de recuperação, quando o estudante tenta lembrar uma informação ou resolver uma questão sem consultar o material, conferindo a resposta depois. “Mais do que preencher todo o tempo disponível com estudo, criando uma rotina as vezes impossível de seguir, a ideia é organizar uma rotina que inclua pausas, revisões e oportunidades de verificar se conseguimos explicar e aplicar o que aprendemos”, comenta Marina Resende, psicóloga e coordenadora nacional do Núcleo de Experiência Discente da Afya.
Além de definir como estudar e revisar, é importante prever momentos de descanso. Uma pesquisa publicada no British Journal of Educational Psychology em 2023 comparou universitários que faziam pausas em intervalos previamente definidos com outros que escolhiam quando descansar. Os estudantes sem pausas programadas passaram mais tempo seguido estudando, mas relataram mais cansaço e distrações. Já aqueles com pausas planejadas relataram maior concentração e motivação. O resultado sugere que organizar momentos de descanso pode ajudar a tornar as sessões de estudo menos cansativas.
“Algumas pessoas conseguem manter a concentração em blocos mais longos, outras precisam de pausas mais frequentes. O importante é construir uma rotina que considere o tempo disponível e permita ajustes. Um planejamento aparentemente “perfeito”, mas que não cabe no dia a dia, pode gerar frustração quando não conseguimos segui-lo", comenta a especialista.
Para colocar essas estratégias em prática, algumas mudanças
simples podem fazer diferença na rotina:
Cronograma
semanalCronograma semanal
Em vez de reservar um dia inteiro para cada disciplina, uma
alternativa é distribuir os conteúdos ao longo da semana e voltar a eles em
diferentes momentos. A chamada prática distribuída consiste em espaçar o
contato com determinado conteúdo, em vez de concentrar todo o estudo em uma
única sessão. Na prática, um estudante pode estudar Matemática na
segunda-feira, retomar o conteúdo na quarta e fazer algumas questões sobre o
tema no sábado. História, Biologia, Linguagens e outras disciplinas podem
seguir uma lógica semelhante.
“Quando o estudante distribui os conteúdos ao longo da semana, ele
cria mais oportunidades para retomar o que aprendeu. Ao tentar responder
questões sem consultar o material, consegue perceber o que aprendeu e o que
ainda precisa revisar. Além disso, alternar as disciplinas pode deixar a rotina
menos cansativa e evitar que o estudo fique concentrado sempre nos mesmos
assuntos. A programação pode ser revista quando surgem imprevistos. Se uma
atividade não coube no dia, vale reorganizar as prioridades, sem transformar o
atraso em uma obrigação de compensar tudo de uma vez”, explica Marina.
Estabeleça
metas para cada sessãoEstabeleça metas para cada sessão
Uma meta como “estudar Matemática por duas horas” pode ser difícil
de avaliar. Já uma tarefa como “resolver 20 questões de funções e revisar os
erros” deixa claro o que precisa ser feito. Em História, por exemplo, a meta
pode ser comparar dois períodos históricos e responder a dez questões. Em
Português, analisar cinco questões de interpretação de texto. Em Sociologia,
ler um texto e explicar os principais conceitos em voz alta, sem consultar o
material.
“Metas específicas ajudam a transformar o estudo em uma atividade
mais objetiva. Não basta definir quantas questões fazer, é preciso reservar
tempo para corrigir e entender os erros. O estudante consegue terminar a sessão
sabendo o que fez, o que acertou e quais conteúdos ainda precisam ser
retomados”, comenta.
Faça
dos erros um mapa de estudosFaça dos erros um mapa de estudos
Errar uma questão durante a preparação não significa necessariamente
que o estudante não está aprendendo. O importante é entender o motivo do erro.
Depois de uma lista de exercícios, vale separar as questões em categorias:
conteúdo que não foi estudado, conteúdo esquecido, dificuldade de interpretação
ou falta de atenção. Após revisar a dificuldade, vale tentar resolver novamente
a questão em outro dia, sem consultar a resposta.
Outra opção é dividir uma folha em três partes: “preciso estudar”,
“estou revisando” e “já consigo resolver sozinho”. Conforme evolui, o estudante
movimenta os conteúdos entre as categorias.
“Os erros podem ser usados como um diagnóstico da própria
preparação. Se o estudante percebe que está errando repetidamente questões
sobre determinado assunto, esse conteúdo precisa voltar para o cronograma.
Assim, o tempo de estudo é direcionado para aquilo que realmente exige mais
atenção”, explica a psicóloga.
Faça
simuladosFaça simulados
Os simulados podem funcionar como uma espécie de raio-X da
preparação. Mais do que conferir a quantidade de acertos, o estudante pode
observar quais conteúdos concentram mais erros e como está administrando o
tempo disponível. Uma possibilidade é usar provas anteriores disponibilizadas
pelo Inep para fazer um simulado em condições semelhantes às do ENEM e reservar
outro momento exclusivamente para a correção. Também é possível realizar
simulados menores durante a semana, com 20 ou 30 questões de uma determinada
área.
“Fazer o simulado e simplesmente olhar o número de acertos não
aproveita todo o potencial desse exercício. A correção é uma etapa fundamental
porque mostra quais dificuldades precisam ser trabalhadas e permite que o
estudante ajuste o planejamento das semanas seguintes”, orienta.
Organize
o ambiente e as pausasOrganize o ambiente e as pausas
Não é preciso transformar o local de estudo em um ambiente
completamente silencioso, mas reduzir distrações pode facilitar a concentração.
Deixar o celular em outro cômodo ou dentro da mochila, desligar notificações,
manter sobre a mesa apenas o material necessário e combinar com a família
alguns períodos de silêncio são medidas simples que podem ajudar.
Também vale planejar pausas. Como ponto de partida, o estudante
pode experimentar de 25 a 30 minutos de estudo seguidos de 5 a 10 minutos de
descanso ou períodos maiores, como 50 minutos de estudo e 10 de pausa.
“Não existe um intervalo que funcione da mesma maneira para todos.
O mais importante é planejar as pausas e ajustar os intervalos conforme a
concentração e cansaço, o que pode variar de um dia para outro. Levantar, beber
água, caminhar um pouco ou alongar o corpo são alternativas para interromper o
período de estudo e depois retomar a atividade”, aconselha.
No fim, preparar-se para o ENEM não precisa significar estudar o dia
inteiro. Um planejamento possível, revisões distribuídas, exercícios,
simulados, pausas e sono adequado podem ajudar o estudante a aproveitar melhor
o tempo que tem até a prova.No fim, preparar-se para o ENEM não precisa
significar estudar o dia inteiro. Um planejamento possível, revisões distribuídas,
exercícios, simulados, pausas e sono adequado podem ajudar o estudante a
aproveitar melhor o tempo que tem até a prova.
Referências
Link
Link
Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br

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