Especialistas explicam como o manejo
dos sintomas pode ajudar a preservar a qualidade de vida das pacientes
O tratamento do câncer de mama pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia. Ao longo desse percurso, as pacientes podem enfrentar sintomas como dores musculares e articulares, fadiga, alterações do sono e mudanças na libido. Identificar a origem desses desconfortos e encontrar formas de controlá-los também faz parte do cuidado oncológico.
A hormonioterapia também está entre os fatores relacionados às dores durante o tratamento. Segundo Mariana Junqueira, anestesiologista do Hospital Samaritano Botafogo e da Oncologia Américas, medicamentos como o tamoxifeno e os inibidores da aromatase podem provocar manifestações dolorosas em cerca de 40% das mulheres, mesmo em fase inicial da doença.
As dores também estão entre os sintomas que podem surgir após a cirurgia. Procedimentos que envolvem a retirada dos linfonodos axilares, por exemplo, podem provocar alterações de sensibilidade, dor nos nervos na região do braço e linfedema, caracterizado pelo inchaço do braço. Nos casos avançados da doença, a dor também está relacionada a metástases ósseas ou ao comprometimento de nervos.
A escolha do tratamento depende da origem e das características da dor. Analgésicos, medicamentos específicos para dor neuropática e, em situações selecionadas, bloqueios analgésicos podem ser indicados após avaliação médica.
Sono, atividade física, alimentação e saúde emocional influenciam o bem-estar durante o tratamento e também ajudam a amenizar o desconforto, como informa Natalia Nunes, mastologista da Oncologia Américas e do Centro Médico Samaritano, no Rio de Janeiro. “O cuidado desses sintomas deve ser multimodal, individualizado por fase do tratamento e combinado com estratégias farmacológicas e não farmacológicas, com reavaliação regular.”
Conforme as necessidades de cada paciente, o plano de cuidado pode incluir fisioterapia, atividade física orientada, acompanhamento nutricional e psicoterapia. A fadiga, por exemplo, merece avaliação para identificar possíveis fatores associados. A prática regular de atividade física também ajuda a reduzir a fadiga e melhorar o bem-estar.
Náuseas, vômitos, diarreia, ressecamento vaginal, alterações na libido, mudanças de humor e dificuldade de concentração também devem ser relatados à equipe médica. Esses sintomas são frequentes em diferentes fases do tratamento e interferem na qualidade de vida, mas nem sempre são mencionados durante as consultas. Já a febre durante a quimioterapia ou outros tratamentos que reduzam a imunidade exige avaliação médica urgente.
Muitas pacientes deixam de falar sobre esses desconfortos nas consultas, embora eles afetem a rotina e o bem-estar. Natalia ressalta a importância de considerar a qualidade de vida durante o tratamento: “A ideia do tratamento é que ele permita obter a cura ou o controle da doença. Mas não podemos nos esquecer da vida da paciente e, nesse sentido, manter seu bem-estar é importante para que ela permaneça seguindo sua rotina e seus planos.”
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