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sábado, 31 de outubro de 2026

Clínica bonita não significa procedimento seguro: 5 cuidados antes de mexer no rosto


Casos recentes envolvendo complicações e suspeitas de irregularidades em procedimentos estéticos reacendem o alerta: formação do profissional, procedência dos produtos e estrutura para lidar com intercorrências são mais importantes do que número de seguidores ou aparência da clínica
 

Ambiente sofisticado, milhares de seguidores nas redes sociais, fotos impecáveis de antes e depois e uma agenda cheia. Nada disso, isoladamente, é garantia de que um procedimento estético será realizado com segurança.

Casos recentes que ganharam repercussão nacional, envolvendo complicações graves, suspeitas de procedimentos irregulares e interdições de estabelecimentos, voltaram a colocar uma pergunta importante em discussão: o que o paciente deve verificar antes de permitir que alguém realize um procedimento em seu rosto?

Segundo a enfermeira estética e biomédica estética Dra. Daiany Rodrigues Freire, a avaliação precisa começar muito antes de discutir qual técnica será utilizada ou qual resultado o paciente deseja alcançar.

“Na estética, as pessoas naturalmente olham muito para o resultado. Querem saber como ficou o rosto de outra paciente, quantos mililitros foram utilizados ou qual procedimento está em alta. Mas a primeira pergunta deveria ser outra: estou em um ambiente seguro e diante de um profissional habilitado para realizar aquilo que está sendo proposto?”, afirma.
 

 5 cuidados antes de escolher de qualquer procedimento estético facial
 

1. Quem realmente vai realizar o procedimento?

Ter muitos seguidores, aparecer em vídeos ou apresentar bons resultados nas redes sociais não substitui formação profissional. Antes do procedimento, o paciente deve saber qual é a formação de quem vai atendê-lo, se possui registro profissional ativo e se está habilitado, dentro das normas de seu conselho profissional, para realizar aquela técnica.

“Não tenha vergonha de perguntar a formação e o registro do profissional. Quem trabalha de maneira responsável entende que o paciente tem o direito de saber quem está cuidando dele”, diz Daiany.

Também é importante verificar o registro diretamente nos canais oficiais do respectivo conselho profissional.


2. Pergunte exatamente o que será colocado no seu rosto

“Qual produto você vai usar?” deveria ser uma pergunta tão comum quanto “quanto custa?”.

O paciente deve saber o nome do produto, fabricante, indicação e procedência, além de observar se a embalagem está íntegra e dentro do prazo de validade.

Quando aplicável, também é possível verificar se o produto está regularizado pela Anvisa.

“Estamos falando de substâncias que podem ser injetadas no organismo. Procedência não é detalhe. O paciente precisa saber o que está sendo utilizado e não aceitar respostas vagas como ‘é o melhor produto’ ou ‘é importado’”, alerta.


3. Desconfie de preço muito abaixo do mercado

Promoções fazem parte de praticamente todos os setores, mas procedimentos de saúde estética envolvem custos que vão muito além do produto utilizado.

Estrutura adequada, materiais descartáveis, produtos regularizados, esterilização quando necessária, capacitação profissional e acompanhamento têm custo.

“Preço não determina sozinho se um profissional é bom ou ruim. Mas quando a diferença é muito grande, vale perguntar o motivo. Na estética, escolher exclusivamente pelo menor preço pode significar abrir mão justamente de aspectos que o paciente não consegue enxergar”, explica.

O alerta se torna ainda mais importante com a proximidade da Black Friday, quando promoções de procedimentos estéticos começam a aparecer nas redes sociais.


4. Pergunte o que acontece se alguma coisa der errado

Essa talvez seja uma das perguntas menos feitas — e uma das mais importantes.

Mesmo procedimentos minimamente invasivos podem apresentar intercorrências. Por isso, o paciente deve perguntar previamente quais são os riscos, como reconhecer sinais de alerta e qual é a conduta do profissional diante de uma complicação.

“Não existe procedimento invasivo com risco zero. Quando alguém promete que absolutamente nada pode acontecer, isso deveria gerar desconfiança. Um profissional preparado não esconde os riscos: explica quais são e sabe como agir diante deles”, afirma.

Também é importante entender como funciona o suporte após o procedimento e para quem o paciente deve ligar caso perceba algo diferente nas horas ou dias seguintes.


5. Cuidado quando a promessa parece boa demais

“Rejuvenescimento de dez anos em uma sessão”, “resultado garantido”, “zero risco”, “sem possibilidade de complicação” ou transformações espetaculares merecem cautela.

Resultados estéticos dependem de características individuais e nenhum procedimento sério deveria ser apresentado como garantia absoluta.

Daiany também recomenda cautela com fotos de antes e depois.

“Iluminação, ângulo, expressão facial e até distância da câmera conseguem mudar bastante a percepção de um rosto. O antes e depois pode ajudar a mostrar um trabalho, mas não deve ser a única informação utilizada para escolher quem vai realizar um procedimento.”

“O melhor procedimento não é apenas aquele que deixa um resultado bonito. É aquele que tem indicação, é realizado por profissional habilitado, utiliza produtos de procedência conhecida e acontece em um ambiente preparado para prevenir e manejar intercorrências. Na estética, segurança também é resultado”, conclui. 

 

Dra. Daiany Freire - enfermeira e biomédica esteta, especialista em Reestruturação Facial e Estética Regenerativa. Possui pós-graduação em Enfermagem Estética pelo Nepuga e especialização em Estética e Cosmetologia com Ênfase em Raciocínio Clínico pela Univates, além de formação complementar com referências nacionais nas áreas de harmonização facial e estética regenerativa. É criadora da técnica Daimily Lips®, desenvolvida a partir de princípios anatômicos, proporção facial e individualização do preenchimento labial, com foco em resultados naturais e harmônicos. Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548. Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089. Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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