Casos recentes envolvendo complicações
e suspeitas de irregularidades em procedimentos estéticos reacendem o alerta:
formação do profissional, procedência dos produtos e estrutura para lidar com
intercorrências são mais importantes do que número de seguidores ou aparência
da clínica
Ambiente
sofisticado, milhares de seguidores nas redes sociais, fotos impecáveis de
antes e depois e uma agenda cheia. Nada disso, isoladamente, é garantia de que
um procedimento estético será realizado com segurança.
Casos
recentes que ganharam repercussão nacional, envolvendo complicações graves,
suspeitas de procedimentos irregulares e interdições de estabelecimentos,
voltaram a colocar uma pergunta importante em discussão: o que o paciente deve
verificar antes de permitir que alguém realize um procedimento em seu rosto?
Segundo
a enfermeira estética e biomédica estética Dra. Daiany Rodrigues Freire,
a avaliação precisa começar muito antes de discutir qual técnica será utilizada
ou qual resultado o paciente deseja alcançar.
“Na
estética, as pessoas naturalmente olham muito para o resultado. Querem saber
como ficou o rosto de outra paciente, quantos mililitros foram utilizados ou
qual procedimento está em alta. Mas a primeira pergunta deveria ser outra:
estou em um ambiente seguro e diante de um profissional habilitado para
realizar aquilo que está sendo proposto?”, afirma.
5 cuidados
antes de escolher de qualquer procedimento estético facial
1. Quem realmente vai realizar o procedimento?
Ter
muitos seguidores, aparecer em vídeos ou apresentar bons resultados nas redes
sociais não substitui formação profissional. Antes do procedimento, o paciente
deve saber qual é a formação de quem vai atendê-lo, se possui registro
profissional ativo e se está habilitado, dentro das normas de seu conselho profissional,
para realizar aquela técnica.
“Não
tenha vergonha de perguntar a formação e o registro do profissional. Quem
trabalha de maneira responsável entende que o paciente tem o direito de saber
quem está cuidando dele”, diz Daiany.
Também
é importante verificar o registro diretamente nos canais oficiais do respectivo
conselho profissional.
2. Pergunte exatamente o que será colocado no seu rosto
“Qual
produto você vai usar?” deveria ser uma pergunta tão comum quanto “quanto
custa?”.
O
paciente deve saber o nome do produto, fabricante, indicação e procedência,
além de observar se a embalagem está íntegra e dentro do prazo de validade.
Quando
aplicável, também é possível verificar se o produto está regularizado pela
Anvisa.
“Estamos
falando de substâncias que podem ser injetadas no organismo. Procedência não é
detalhe. O paciente precisa saber o que está sendo utilizado e não aceitar
respostas vagas como ‘é o melhor produto’ ou ‘é importado’”, alerta.
3. Desconfie de preço muito abaixo do mercado
Promoções
fazem parte de praticamente todos os setores, mas procedimentos de saúde
estética envolvem custos que vão muito além do produto utilizado.
Estrutura
adequada, materiais descartáveis, produtos regularizados, esterilização quando
necessária, capacitação profissional e acompanhamento têm custo.
“Preço
não determina sozinho se um profissional é bom ou ruim. Mas quando a diferença
é muito grande, vale perguntar o motivo. Na estética, escolher exclusivamente
pelo menor preço pode significar abrir mão justamente de aspectos que o
paciente não consegue enxergar”, explica.
O
alerta se torna ainda mais importante com a proximidade da Black Friday, quando
promoções de procedimentos estéticos começam a aparecer nas redes sociais.
4. Pergunte o que acontece se alguma coisa der errado
Essa
talvez seja uma das perguntas menos feitas — e uma das mais importantes.
Mesmo
procedimentos minimamente invasivos podem apresentar intercorrências. Por isso,
o paciente deve perguntar previamente quais são os riscos, como reconhecer sinais
de alerta e qual é a conduta do profissional diante de uma complicação.
“Não
existe procedimento invasivo com risco zero. Quando alguém promete que
absolutamente nada pode acontecer, isso deveria gerar desconfiança. Um
profissional preparado não esconde os riscos: explica quais são e sabe como
agir diante deles”, afirma.
Também
é importante entender como funciona o suporte após o procedimento e para quem o
paciente deve ligar caso perceba algo diferente nas horas ou dias seguintes.
5. Cuidado quando a promessa parece boa demais
“Rejuvenescimento
de dez anos em uma sessão”, “resultado garantido”, “zero risco”, “sem
possibilidade de complicação” ou transformações espetaculares merecem cautela.
Resultados
estéticos dependem de características individuais e nenhum procedimento sério
deveria ser apresentado como garantia absoluta.
Daiany
também recomenda cautela com fotos de antes e depois.
“Iluminação,
ângulo, expressão facial e até distância da câmera conseguem mudar bastante a percepção
de um rosto. O antes e depois pode ajudar a mostrar um trabalho, mas não deve
ser a única informação utilizada para escolher quem vai realizar um
procedimento.”
“O
melhor procedimento não é apenas aquele que deixa um resultado bonito. É aquele
que tem indicação, é realizado por profissional habilitado, utiliza produtos de
procedência conhecida e acontece em um ambiente preparado para prevenir e
manejar intercorrências. Na estética, segurança também é resultado”, conclui.
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