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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Estudos associam a atividade inflamatória da retocolite ulcerativa a maior risco de AVC

No último Dia Mundial do AVC (29/10), especialista explicou por que o controle da inflamação e dos fatores de risco cardiovascular fazem parte do cuidado de quem vive com a doença


Pessoas com retocolite ulcerativa, doença inflamatória crônica que atinge o intestino grosso, podem apresentar risco aumentado de eventos tromboembólicos e cardiovasculares, incluindo o acidente vascular cerebral (AVC).1,2 O tema vem acompanhado de uma ressalva importante: a maioria dos pacientes não terá um AVC, e o acompanhamento regular, o controle da atividade da doença e os cuidados com a saúde cardiovascular ajudam a manter esse risco sob controle. 

Uma metanálise publicada em 2025, que reuniu 13 estudos e mais de 2,8 milhões de participantes, identificou uma associação entre retocolite ulcerativa e risco aproximadamente 15% maior de AVC, em comparação com pessoas sem a doença.3 Esse dado representa um aumento relativo de risco e não significa que o AVC seja uma consequência esperada da retocolite ulcerativa.
 

Inflamação que vai além do intestino 

A explicação está no caráter sistêmico da inflamação. "A retocolite ulcerativa não afeta apenas o intestino. Durante os períodos de atividade inflamatória, há liberação de mediadores inflamatórios na circulação, que podem favorecer alterações na parede dos vasos sanguíneos, ativação das plaquetas e maior tendência à formação de trombos", explica a Dra. Virgínia Almeida, gerente médica da Ferring no Brasil. Segundo ela, esse estado pró-inflamatório e pró-trombótico é considerado um dos mecanismos potencialmente envolvidos na associação observada entre a doença e um maior risco de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares.1, 2, 4 

O risco de complicações trombóticas tende a ser maior nas fases de atividade da doença, conhecidas como surtos ou exacerbações, quando a inflamação sistêmica é mais intensa e interfere em mecanismos ligados à coagulação.2, 4 Por isso, o controle da atividade inflamatória é um dos objetivos do tratamento. 

"O principal benefício da adesão ao tratamento é o controle da inflamação intestinal e sistêmica. Como a atividade inflamatória parece ter papel importante no aumento do risco trombótico e cardiovascular, o controle adequado da doença é relevante também no contexto da saúde sistêmica do paciente”, afirma a médica.
 

O que costuma ser mal compreendido 

Uma ideia comum é a de que a retocolite ulcerativa afeta somente o intestino. Embora ele seja o principal órgão acometido, a doença pode ter manifestações em outras partes do corpo, como articulações, pele e olhos, além do risco aumentado de eventos tromboembólicos.1 

Outro equívoco é considerar que a melhora dos sintomas intestinais dispensa o acompanhamento médico. "Manter o seguimento é fundamental, porque o controle sustentado da inflamação é parte importante do manejo da doença e da prevenção de complicações", diz a Dra. Virgínia.
 

Cuidados com a saúde cardiovascular 

Além do tratamento da doença, as medidas recomendadas à população em geral continuam valendo para quem tem retocolite ulcerativa e podem contribuir para a saúde cardiovascular:

  • não fumar;
  • praticar atividade física regularmente;
  • manter alimentação equilibrada;
  • controlar pressão arterial, colesterol e glicemia;
  • manter peso adequado;
  • fazer acompanhamento médico periódico.

Essas medidas reduzem fatores de risco cardiovascular que podem atuar em conjunto com a inflamação sistêmica da doença. 

"A maioria das pessoas com retocolite ulcerativa não vai desenvolver AVC. A mensagem central é a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento regular e do controle adequado da atividade da doença. O manejo apropriado da inflamação é parte fundamental do cuidado com a saúde intestinal e sistêmica do paciente”, conclui a especialista.

  



Ferring
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Referências

  1. Fan J-S, Wang M, Chen N, et al. Association between inflammatory bowel disease and risk of stroke: a systematic review and meta-analysis of cohort studies. Frontiers in Neurology. 2023.
  2. Olivera PA, Zuily S, Kotze PG, et al. International consensus on the prevention of venous and arterial thrombotic events in patients with inflammatory bowel disease. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2021;18:857- 73.
  3. Luo C, Liu L, Zhu D, et al. Risk of stroke in patients with inflammatory bowel disease: a systematic review and meta-analysis. BMC Gastroenterology. 2025;25:114.
  4. Gordon H, et al. ECCO Guidelines on Extraintestinal Manifestations in Inflammatory Bowel Disease. Journal of Crohn's and Colitis. 2024.

 

 

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