No último Dia Mundial do AVC (29/10), especialista explicou por que o controle da inflamação e dos fatores de risco cardiovascular fazem parte do cuidado de quem vive com a doença
Pessoas com
retocolite ulcerativa, doença inflamatória crônica que atinge o intestino
grosso, podem apresentar risco aumentado de eventos tromboembólicos e
cardiovasculares, incluindo o acidente vascular cerebral (AVC).1,2 O
tema vem acompanhado de uma ressalva importante: a maioria dos pacientes não
terá um AVC, e o acompanhamento regular, o controle da atividade da doença e os
cuidados com a saúde cardiovascular ajudam a manter esse risco sob controle.
Uma metanálise
publicada em 2025, que reuniu 13 estudos e mais de 2,8 milhões de
participantes, identificou uma associação entre retocolite ulcerativa e risco
aproximadamente 15% maior de AVC, em comparação com pessoas sem a doença.3
Esse dado representa um aumento relativo de risco e não significa que o
AVC seja uma consequência esperada da retocolite ulcerativa.
Inflamação
que vai além do intestino
A explicação está
no caráter sistêmico da inflamação. "A retocolite ulcerativa não afeta
apenas o intestino. Durante os períodos de atividade inflamatória, há liberação
de mediadores inflamatórios na circulação, que podem favorecer alterações na
parede dos vasos sanguíneos, ativação das plaquetas e maior tendência à
formação de trombos", explica a Dra. Virgínia Almeida, gerente médica da
Ferring no Brasil. Segundo ela, esse estado pró-inflamatório e pró-trombótico é
considerado um dos mecanismos potencialmente envolvidos na associação observada
entre a doença e um maior risco de eventos cardiovasculares e
cerebrovasculares.1, 2, 4
O risco de
complicações trombóticas tende a ser maior nas fases de atividade da doença,
conhecidas como surtos ou exacerbações, quando a inflamação sistêmica é mais
intensa e interfere em mecanismos ligados à coagulação.2, 4 Por
isso, o controle da atividade inflamatória é um dos objetivos do tratamento.
"O principal
benefício da adesão ao tratamento é o controle da inflamação intestinal e
sistêmica. Como a atividade inflamatória parece ter papel importante no aumento
do risco trombótico e cardiovascular, o controle adequado da doença é relevante
também no contexto da saúde sistêmica do paciente”, afirma a médica.
O que costuma
ser mal compreendido
Uma ideia comum é
a de que a retocolite ulcerativa afeta somente o intestino. Embora ele seja o
principal órgão acometido, a doença pode ter manifestações em outras partes do
corpo, como articulações, pele e olhos, além do risco aumentado de eventos
tromboembólicos.1
Outro equívoco é
considerar que a melhora dos sintomas intestinais dispensa o acompanhamento
médico. "Manter o seguimento é fundamental, porque o controle sustentado
da inflamação é parte importante do manejo da doença e da prevenção de
complicações", diz a Dra. Virgínia.
Cuidados com
a saúde cardiovascular
Além do tratamento
da doença, as medidas recomendadas à população em geral continuam valendo para
quem tem retocolite ulcerativa e podem contribuir para a saúde cardiovascular:
- não
fumar;
- praticar
atividade física regularmente;
- manter
alimentação equilibrada;
- controlar
pressão arterial, colesterol e glicemia;
- manter
peso adequado;
- fazer
acompanhamento médico periódico.
Essas medidas
reduzem fatores de risco cardiovascular que podem atuar em conjunto com a
inflamação sistêmica da doença.
"A maioria
das pessoas com retocolite ulcerativa não vai desenvolver AVC. A mensagem
central é a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento regular e do
controle adequado da atividade da doença. O manejo apropriado da inflamação é
parte fundamental do cuidado com a saúde intestinal e sistêmica do paciente”,
conclui a especialista.
Ferring
Link
Referências
- Fan
J-S, Wang M, Chen N, et al. Association between inflammatory bowel disease
and risk of stroke: a systematic review and meta-analysis of cohort
studies. Frontiers in Neurology. 2023.
- Olivera
PA, Zuily S, Kotze PG, et al. International consensus on the prevention of
venous and arterial thrombotic events in patients with inflammatory bowel
disease. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2021;18:857- 73.
- Luo
C, Liu L, Zhu D, et al. Risk of stroke in patients with inflammatory bowel
disease: a systematic review and meta-analysis. BMC Gastroenterology.
2025;25:114.
- Gordon
H, et al. ECCO Guidelines on Extraintestinal Manifestations in
Inflammatory Bowel Disease. Journal of Crohn's and Colitis. 2024.
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