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sábado, 31 de outubro de 2026

Antes de abrir o celular, sinta o cheiro do café: neurocientista ensina teste de 30 segundos para sair do piloto automático


Você pega o celular para responder uma mensagem. Abre o WhatsApp, passa pelo Instagram, olha uma notificação, vê um vídeo, fecha tudo. Cinco minutos depois, a mão procura o aparelho novamente. Desta vez, você nem sabe exatamente por quê. Esse comportamento, cada vez mais comum, não significa necessariamente que exista uma informação importante esperando na tela. Muitas vezes, o que existe é a expectativa de que alguma coisa nova possa ter acontecido. Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, o cérebro é especialmente sensível à novidade e aprende rapidamente comportamentos associados à possibilidade de recompensa. 

“Nem sempre pegamos o celular porque recebemos uma mensagem. Às vezes, pegamos porque podemos ter recebido. Essa diferença é importante. A expectativa de encontrar uma novidade já pode ser suficiente para manter o comportamento de checar a tela”, explica. 

Ao desbloquear a tela, pode não haver nada interessante. Mas também pode existir uma mensagem de alguém de quem gostamos, uma curtida, uma notícia importante, um vídeo divertido ou alguma informação que desperte curiosidade. 

“Quando uma recompensa não acontece sempre da mesma maneira, existe um componente de expectativa. Você não sabe exatamente o que vai encontrar. Essa imprevisibilidade ajuda a entender por que o gesto de conferir pode se repetir tantas vezes ao longo do dia”, explica Daiana. 

Com a repetição, o comportamento pode se tornar tão automático que a pessoa abre um aplicativo sem ter tomado conscientemente a decisão de fazer isso.

“É aquele momento em que você olha para a tela e pensa: ‘Por que eu abri o Instagram mesmo?’. O cérebro já aprendeu uma sequência: pausa, tédio, desconforto ou espera podem virar gatilhos para pegar o aparelho.”
 

Por que é tão difícil simplesmente ficar sem fazer nada e não pegar o celular?

Fila, elevador, sala de espera, intervalo entre duas reuniões, cinco minutos antes de dormir. Momentos que antes poderiam ser ocupados simplesmente olhando ao redor passaram a ser rapidamente preenchidos pela tela.

Para a neurocientista, isso também pode alterar nossa relação com o tédio. “Se toda pequena pausa é imediatamente preenchida com um estímulo, começamos a ter menos oportunidades de experimentar momentos de baixa estimulação. O cérebro se acostuma a encontrar alguma coisa acontecendo o tempo inteiro”, explica.

O problema não está apenas no tempo total de tela, mas na fragmentação da atenção. Uma tarefa é interrompida para olhar uma mensagem; a mensagem leva a outro aplicativo; minutos depois é preciso voltar ao que estava sendo feito.
 

E se, antes de abrir o celular, você sentisse um cheiro?

Em vez de tentar combater o hábito apenas dizendo “não vou olhar o celular”, a aromaterapeuta sugere criar um marcador sensorial antes do gesto automático.

Quando surgir aquela vontade de desbloquear a tela sem um motivo definido, a pessoa faz primeiro uma pequena pausa e direciona conscientemente a atenção para o aroma.

“Não estamos falando que determinado cheiro vai ‘desintoxicar o cérebro de dopamina’ ou eliminar a vontade de usar o celular. Isso seria uma simplificação. A ideia é utilizar um estímulo sensorial para criar uma pausa entre o impulso e a ação”, explica.

O olfato tem uma característica particularmente interessante nesse exercício porque mantém conexões estreitas com áreas cerebrais envolvidas em emoção e memória.

“Quando você direciona deliberadamente a atenção para um cheiro, precisa sair por alguns segundos daquele comportamento completamente automático e perceber o que está acontecendo naquele momento. O aroma funciona como um convite para voltar ao presente.”
 

Um experimento de 30 segundos

“Antes de desbloquear o celular, experimente sentir conscientemente o aroma do café por alguns segundos. Não porque o café tenha o poder de eliminar a vontade de olhar a tela, mas porque você está introduzindo uma experiência sensorial entre o impulso e a ação”, ensina.

Outra opção é o óleo essencial de hortelã-pimenta que tem um aroma marcante e pode funcionar como um estímulo sensorial para trazer a atenção para aquele momento. “Antes de desbloquear a tela, a pessoa sente o aroma, faz uma pausa e se pergunta: ‘Eu realmente preciso abrir o celular agora ou fiz isso automaticamente?’”, finaliza Daiana.
 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry



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